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Toxicologia Ocupacional

Autor:
Instituição:
Tema: Efeitos Nocivos das Substâncias Químicas

TOXICOLOGIA OCUPACIONAL

Governador Valadares

Setembro de 2002


1.0- INTRODUÇÃO

A Toxicologia Ocupacional estuda os efeitos nocivos, sobre o homem, das substâncias químicas utilizadas ou produzidas em processos industriais. O seu principal objetivo é a prevenção das alterações da saúde dos trabalhadores expostos a estas substâncias. Este objetivo não pode ser atingido se os níveis de exposição são mantidos em valores que possam constituir-se em risco inaceitável para a saúde e a vida.

Para assumir que um risco seja inaceitável deve-se identificá-lo e quantificá-lo. Para tanto é necessário um conhecimento fundamental em Toxicologia que é o da relação dose/efeito e/ou dose/resposta, isto é, da relação entre intensidade da exposição (dose ou concentração) com o efeito assim como com a resposta da população exposta, ou seja, com a prevalência de indivíduos que apresentam esse efeito determinado.

O estudo das relações dose-efeito e dose-resposta pode ser efetuado pela utilização de diferentes parâmetros para avaliar a intensidade da exposição e as modificações que originam no estado de saúde dos trabalhadores. Assim, a exposição pode ser caracterizada seja por uma descrição qualitativa (por exemplo, pela utilização de um questionário) ou quantitativa (medida de concentração dos agentes químicos no ambiente de trabalho), ou ainda pela medida de concentração do poluente na vizinhança das vias respiratórias dos indivíduos expostos (amostragem pessoal). A determinação dos xenobióticos no ambiente de trabalho constitui parte das atividades da "monitorização ambiental".

Além disso, pode-se caracterizar a exposição pela determinação da quantidade do xenobiótico absorvido, através da medida de sua concentração ao nível dos órgãos, células ou moléculas alvo, utilizando-se a "monitorização biológica".

Para apreciar o risco da exposição ocupacional a xenobióticos, 3 (três) programas de avaliação podem ser aplicados:


2.0- TOXICOLOGIA OCUPACIONAL/ AMBIENTAL

O estudo dos agentes químicos, oriundos de fontes antropogênicas nos países recentemente industrializados, torna-se uma questão premente de saúde pública. É nessa perspectiva que se insere o estudo da Toxicologia para a Saúde do Trabalhador e para a Ecologia Humana. Ênfase é dada aos problemas ligados a áreas ocupacionalmente insalubres e/ou perigosas à vida humana e à saúde ambiental, devido à exposição aguda ou crônica a contaminantes químicos.

Todos os centros urbanos que apresentam poluição bastante alta tem alguns poluentes que são, primeiro, o monóxido de carbono (CO), segundo, os óxidos de enxofre, depois os hidrocarbonetos, o material particulado e os óxidos de nitrogênio. O monóxido de carbono, dependendo da concentração no local onde a pessoa está exposta, vai se ligar à hemoglobina e formar a carboxi-hemoglobina.

Atualmente, estamos em contato contínuo com agentes tóxicos. Com a industrialização em crescente expansão, produtos tóxicos estão na comida que comemos, na água que bebemos e no ar que respiramos. Com base em dados da Organização Mundial da Saúde, estima-se que ocorrem no país doze mil casos de intoxicação todos os dias. Como a previsão é de uma morte a cada mil casos, a conclusão é que doze brasileiros morrem intoxicados por medicamentos ou substâncias químicas todos os dias.

Dependendo das propriedades químicas ou físicas, estes produtos podem ser absorvidos pelo trato gastrintestinal, pulmões e/ou pele. Felizmente o nosso organismo tem a capacidade de biotransformar e excretar estes compostos na urina, fezes e ar. Entretanto quando o nível de absorção excede o nível de eliminação, compostos tóxicos podem acumular em concentrações críticas em um certo órgão alvo do nosso organismo.

Conhecer a disposição dos químicos é de grande importância quando julgamos a toxicidade dos produtos que nos agridem.

A Toxicologia vem, portanto nos ajudar a entender os efeitos nocivos causados pelas substâncias químicas ao intergirem com os organismos vivos, tendo por objetivo a avaliação do risco com intoxicação, estabelecendo medidas de segurança na utilização de substâncias químicas e finalmente prevenindo a intoxicação (antes que ocorram alterações da saúde)

Nos últimos tempos, a Toxicologia Ocupacional tem merecido grande destaque porque se preocupa com a saúde dos trabalhadores.

Dentro do nosso campo de atuação num laboratório clínico, estamos promovendo de uma ou outra forma, a monitorização dos agentes químicos, ou seja, a avaliação sistemática da exposição, relacionada à saúde dos trabalhadores, de acordo com o tempo de exposição aos agentes tóxicos e desenvolvida para implantar medidas corretivas sempre que se façam necessárias.

Nós podemos realizar a monitorização de 2 formas:

Dentre as vantagens da monitoração biológica em relação à ambiental, podemos citar:

Para realizar a monitorização biológica é preciso ter o indicador biológico, que pode ser definido como todo agente tóxico inalterado e/ou seu metabólito, determinado em amostras representativas do organismo dos trabalhadores expostos (sangue, urina e ar expirados) assim como a identificação de alterações biológicas precoces decorrentes da exposição.

Podemos ter 2 tipos de monitorização biológica:

Dentre os fatores que podem influenciar os níveis dos indicadores biológicos, podemos citar os seguintes fatores não ocupacionais:

Dentre os fatores ocupacionais podemos citar as interações metabólicas, decorrentes de exposições múltiplas a vários agentes industriais. Alguns itens devem ser observados para uma boa "performance" dos exames toxicológicos:

Os resultados obtidos dos exames dos indicadores biológicos são comparados com referência apropriada. Aqui no Brasil a legislação que estabelece estas referências é regulamentada pela NR-7 Portaria no 24 de 29/12/94 da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho, onde são definidos os parâmetros para o controle biológico de exposição a alguns agentes químicos.


3.0- VIGILÂNCIA DA SAÚDE NA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS

No início da década de 80, o comitê misto constituído pela Comissão da Comunidade Européia (CCE), Occupational Safety and Health Administration (OSHA) e o National Institute for Occupatinal Safety and Health (NIOSH) definiu a vigilância da saúde como exames médico-fisiológicos periódicos de trabalhadores expostos com o objetivo de proteger a saúde e prevenir o aparecimento de doença.A detecção da doença instalada está fora do escopo desta definição.

Desta definição devemos entender que a vigilância da saúde está voltada para evidenciar os possíveis efeitos precoces e reversíveis ao nível do órgão alvo da substância química. Além disso, procura individualizar as condições clínicas pré-existentes ou adquiridas. Esta última, por sua vez, é que irá contraindicar uma exposição posterior.

A vigilância da saúde é um procedimento médico no qual se recombinam os diversos elementos, obtidos a partir do exame clínico do trabalhador, aos quais de somam os da monitorização biológica, para se obter um quadro geral da condição de saúde do trabalhador, relacionando-a com uma atividade específica.

É de particular importância, no exame clínico, que se procure associar os efeitos biológicos e funcionais com agentes químicos presentes no ambiente de trabalho. Isto de vê ser feito com muito cuidado para que não ocorra uma interpretação equivocada que, por sua vez, poderá implicar na aplicação de uma medida absolutamente ineficaz ou, muito pior, danosa para o trabalhador, tal como uma precipitada suposição de que ele esteja doente.

A tendência atual ainda é caracterizada pelo uso de exames químicos clínicos, de baixo custo, pouco sensíveis, inespecíficos e, acima de tudo, pouco informativos quando comparados com aqueles que são mais sensíveis e relativamente mais específicos. Contra esse último contribui o fato de que apresentam um custo mais elevado e ainda são de aplicação rotineira mais difícil .

Para entender os requisitos básicos dos exames mais sensíveis e específicos, exigem-se, além da utilização de equipamentos mais sofisticados, serviços de profissionais devidamente treinados e capacitados. É o caso, por exemplo, de exames neurocomportamentais ou neurofisiológicos de pessoas expostas a agentes químicos neurotóxicos.

A identificação precoce de uma anomalia funcional, do órgão alvo da ação tóxica em trabalhadores expostos a um risco químico específico pode ter, para a vigilância da saúde, um significado mais imediato. Em outras palavras, se a animália detectada for reversível, esse dado será mais importante do que a avaliação da dose interna do agente químico, e principalmente, das alterações bioquímicas inespecíficas.

Deve-se sempre levar em consideração que somente os indicadores altamente específicos, para uma determinada patologia do órgão, é que podem ser considerados como instrumentos úteis para o diagnóstico precoce de uma doença em processo de instalação. Dessa forma é possível contraindicar uma exposição posterior com maior segurança.

A vigilância da saúde procura dar ênfase às características da exposição, especialmente tempo e duração, associando-se ao estado de saúde. Sendo assim, pode ser aplicada com os objetivos a saber:

a) comprovar a ausência de um efeito nocivo numa exposição considerada aceitável ou a eficiência das medidas ambientais adotadas;

b) dar atenção às alterações precoces do estado de saúde para poder intervir, preventivamente, em relação à doença.

Na monitorização biológica, quando se utilizam indicadores biológicos de efeito que se apresentam alterados, essa alteração deve sempre preceder as alterações evidenciáveis nos procedimentos da vigilância da saúde. Alguns indicadores de efeito da monitorização biológica podem ter importância em relação ao estado de saúde dos trabalhadores expostos, especialmente porque evidenciam precocemente uma alteração biológica, sem que esteja instaurando um processo de doença. É importante frizar que tais características nem sempre são verificadas.

Tem sido observado que muito dos efeitos produzido pela exposição aos agentes químicos regridem quando se providencia a sua interrupção. Dessa forma, muitas alterações individualizadas em fase precoce podem ser eficazmente tratadas de forma preventiva, com exceção de tumores.

As alterações do estado de saúde ocorrem com as seguintes características:

Utilizando-se a exposição ao chumbo como exemplo, verifica-se que no início do segmento dos efeitos biológicos (A) situa-se o indicador ácido delta-aminolevulínico desidratase (ALA-D) seguido de outro indicador de efeito, a protoporfirina aos quais sucedem em (C) os indicadores precoces do dano, por exemplo, alterações da velocidade de condução dos nervos motores (fig.1).

Em seqüência, ocorrem os sinais e sintomas neurológicos, hematológicos, vasculares, etc, típicos da intoxicação. Neste caso, a informação fornecida pelo indicador do efeito é clara; alem de confirmar a exposição tem-se também uma indicação do estágio em que se encontra e das suas conseqüências. Isto permite uma intervenção adequada, uma vez que a relação do efeito com os eventos que o procedem e o seguem é digna de nota.

O exemplo apresentado, infelizmente, tem validade par um número limitado de exposições ocupacionais.

A aplicação da vigilância da saúde, a exemplo do que sucede na monitorização biológica, não pode ser confundida com os procedimentos que visam diagnóstico.

É importante enfatizar que a manifestação de deterioração do quadro de saúde não ocorre necessariamente no momento do reconhecimento médico. A ocorrência de certas alterações biológicas pode, desde que evidenciada em tempo hábil, advertir que se não forem modificados as condições de trabalho ocorrerão os transtornos funcionais.

Deve se ter sempre presente que as avaliações periódicas do estado de saúde nunca permitirão prevenir intoxicações agudas, resultantes de uma intensa exposição repentina. Esses exames só servem para prevenir os efeitos adversos produzidos por uma exposição crônica.

Figura 1: Evolução das alterações clínicas e sub-clínicas, relacionadas com o tempo, e uma determinada exposição.

Um grande número de substâncias químicas usadas na indústria constitui um fator de risco de câncer em trabalhadores de várias ocupações. Quando o trabalhador também é fumante, o risco torna-se ainda maior, pois o fumo interage com a capacidade cancerígena de muitas das substâncias.

A primeira observação da relação entre a ocupação das pessoas, a exposição a agentes ocupacionais e neoplasias de origem hematopoética foi relatada por Pott, em 1775, pela qual demonstrou a alta freqüência de câncer da bolsa escrotal de limpadores de chaminés, em Londres, na Inglaterra.

Segundo Stellman e Daum (1975), cerca de 3.000 substâncias novas são introduzidas a cada ano nas indústrias, sem que os trabalhadores a elas expostos tenham consciência dos seus efeitos tóxicos. Rumel (1988) estudou, no Estado de São Paulo, a mortalidade por algumas causas básicas, entre trabalhadores masculinos de ocupações correspondentes a diferentes níveis sociais, e demonstrou que, por exemplo, o SRR (standardized risk ratio) de óbito por câncer de pulmão é maior entre os trabalhadores braçais do que entre os metalúrgicos, comerciários, cientistas e artistas.

A má qualidade do ar no ambiente de trabalho é um fator importante para o câncer ocupacional. Durante pelo menos oito horas por dia os trabalhadores estão expostos ao ar poluído, pondo seriamente em risco a saúde. Algumas substâncias como o asbesto, encontrado em materiais como fibras de amianto ou cimento, as aminas aromáticas, usadas na produção de tintas e os agrotóxicos agem preferencialmente sobre a bexiga, enquanto os hidrocarbonetos aromáticos, encontrados na fuligem, parecem agir sobre as células da pele e sobre as vias respiratórias e pulmões. O benzeno, que pode ser encontrado como contaminante na produção de carvão, em indústrias siderúrgicas, e é usado como solvente de tintas e colas, atinge principalmente a medula óssea, podendo provocar leucemia.

Outros cancerígenos passam pela circulação do sangue, atingindo primeiramente o fígado, onde suas moléculas são quebradas quimicamente, dando origem a novas substâncias (metabólitos) muitas vezes mais tóxicas que as substâncias originais.

O câncer provocado por exposições ocupacionais geralmente atinge regiões do corpo que estão em contato direto com as substâncias cancerígenas, seja durante a fase de absorção (pele, aparelho respiratório) ou de excreção (aparelho urinário), o que explica a maior freqüência de câncer de pulmão, de pele e de bexiga nesse tipo de exposição.

A falta de conhecimento sobre os riscos para a saúde e de informações político-econômicas que não priorizam o ser humano e sua preservação são fatores fundamentais para o aparecimento do câncer ocupacional.


4.0- DICAS DE COMO PREVENIR O CÂNCER OCUPACIONAL

A prevenção do câncer de origem ocupacional deve abranger:

1 - A remoção da substância cancerígena do local de trabalho;

2 - Controle da liberação de substâncias cancerígenas resultantes de processos industriais para a atmosfera;

3 - Controle da exposição de cada trabalhador e o uso rigoroso dos equipamentos de proteção individual (máscaras e roupas especiais);

4 - A boa ventilação do local de trabalho, para se evitar o excesso de produtos químicos no ambiente;

5 - O trabalho educativo, visando aumentar o conhecimento dos trabalhadores a respeito das substâncias com as quais trabalham, além dos riscos e cuidados que devem ser tomados ao se exporem a essas substâncias;

6 - A eficiência dos serviços de medicina do trabalho, com a realização de exames periódicos em todos os trabalhadores;

7 - A proibição do fumo nos ambientes de trabalho, pois, como já foi dito, a poluição tabagística ambiental potencializa as ações da maioria dessas substâncias.

Para isso se faz necessário o envolvimento de órgãos governamentais para a criação de leis que proíbam a exposição a qualquer concentração de substâncias que, comprovadamente, provoquem câncer no homem, obrigando os empregadores a informar seus empregados sobre os riscos a que estão expostos no ambiente de trabalho, manter um programa de exames médicos periódicos e adotar programas de proteção individual, através da utilização de equipamentos mais adequados.

Portanto, a exposição ocupacional deve ser valorizada em políticas de prevenção de câncer, principalmente em países em desenvolvimento.

Substâncias Tóxicas

Locais Primários dos Tumores

Nitrito de acrílico

Pulmão, cólon e próstata

Alumínio e seus compostos

Pulmão

Arsênico

Pulmão, pele e fígado

Asbesto

Pulmão, serosas, trato gastrointestinal e rim

Aminas aromáticas

Bexiga

Benzeno

Medula óssea (leucemia mielóide)

Benzidina

Bexiga

Berílio e seus compostos

Pulmão

Cádmio

Próstata

Cromo e seus compostos

Pulmão

Álcool isopropílico

Seios para-nasais

Borracha

Medula óssea e bexiga

Compostos de níquel

Pulmão e seios para-nasais

Pó de madeiras

Seios para-nasais

Radônio

Pulmão

Tinturas de cabelo

Bexiga

Material de pintura

Pulmão


Ocupação

Neoplasia

Marceneiro

Carcinoma de nariz e seios para-nasais

Sapateiro

Carcinoma de nariz e seios para-nasais

Limpador de chaminé

Carcinoma de pele, pulmão e bexiga

A fim de se avaliarem os níveis de exposição ocupacional ao NO2, policiais de trânsito que trabalham em 11 cruzamentos de importantes vias de tráfego na zona urbana da cidade do Rio de Janeiro foram monitorados durante sua jornada de trabalho, por três dias consecutivos, no período entre 16 a 18/08/94. As amostras de ar foram coletadas por meio do uso de amostradores passivos tipo badge e analisados espectrofotometricamente a 545 nm, após diazotação (ácido sulfanílico) e acoplamento com dicloridrato de N-naftiletilenodiamina. Os resultados obtidos situaram-se na faixa de 13,3 a 193,6 µg/m3 (média 107,3 desvio padrão 40,1). Esses resultados sugerem que, embora os níveis de concentração de NO2 encontrados não sejam muito elevados, a exposição aos mesmos, a longo prazo, pode induzir o surgimento de alterações em parâmetros bioquímicos e estruturais, que poderão levar a doenças pulmonares crônicas, mesmo que atualmente não tenham sido observados sintomas clínicos relevantes.

4.1.-Tiocianato

O contato local prolongado com soluções de cianeto ou com ácido cianídrico pode resultar na absorção de quantidades tóxicas através da pele.

A maior parte do cianeto absorvido é convertida em íon tiocianato, pela enzima rodanase.
É importante notar que, indivíduos fumantes apresentam uma concentração de tiocianato mais elevada que os indivíduos não fumantes, devido à presença do ácido cianídrico no tabaco.

Valores de referência:

- 1,0 a 4,0 mg/l em não fumantes

- 4,0 a 17,0 mg/l em fumantes

Limite Biológico de Exposição:

- 4,0 mg/l (não fumantes)

- 17,0 mg/l (fumantes)

4.2.- Ácido Hipúrico

Aplicação Clínica: Sua concentração está relacionada à exposição ocupacional ao tolueno, durante a jornada de trabalho.

Interferentes: Dieta e uso de medicamentos.

Valor de Referência: até 0,5 g/l (NR - 7/MT)

Limite Biológico de Tolerância (L.T.B.): até 2,0 g/l (NR - 7/MT)

Metodologia: HPLC

4.3.- Ácido metil-hipúrico

O Ácido Metil Hipurico não é normalmente presente na urina e sua determinação quantitativa pode ser usada como índice para a avaliação da exposição ao xileno.

Limite Biológico de Tolerância (L.T.B.): até 2,5 g/l (NR - 7/MT)

Metodologia: HPLC

4.4.- Benzeno

O benzeno é um líquido incolor, de odor aromático, volátil (PE=80,1), com uma densidade de 0,878 a 20ºC. Deve ser distinguido da benzina, produto da destilação do petróleo constituído por uma mistura de hidrocarbonetos em proporções variáveis. O benzol, por sua vez, é uma mistura de 75% de benzeno, 15% de tolueno e 9% de xileno.

O benzeno é encontrado em concentração variável na maioria das gasolinas (2 a 5%, em volume), é um ingrediente comum dos removedores de tintas e vernizes e é também utilizado como veículo de algumas formulações comerciais de inseticidas (concentrados emocionáveis e soluções). Entre as inúmeras possibilidades de exposição profissional ao benzeno, o trabalho em indústrias de calçados e outros artigos de couro, pode constituir-se um importante risco profissional, em virtude do manuseio de colas cujos solventes contêm traços de benzeno.

Os riscos profissionais ao benzeno também ocorrem nas indústrias de síntese de fenol, do nitrobenzeno e na indústria metalúrgica que utiliza carvão mineral. Em alguns países a utilização do benzeno como solvente está praticamente abandonada.

Os sintomas nas intoxicações agudas e crônicas provocados pelo benzeno são bastante diferentes. O benzeno por si próprio é o responsável pelos efeitos agudos enquanto que os seus metabólitos são considerados como sendo aos fatores etiológicos na toxidade crônica.

Estudos em animais, expostos ao benzeno em concentrações de 1.500 ppm durante três dias, demonstraram um aumento da concentração hepática do citocromo P-450.

4.4.1.- Intoxicações agudas

Sob o ponto de vista da toxicidade aguda, o benzeno possui efeitos neurotrópicos não específicos que caracterizam de uma maneira geral os solventes voláteis que, em função da lipossolubilidade, se fixam nos centros nervosos, mais particularmente na medula e no bulbo.

Os transtornos observados são em função da quantidade de vapores inalados. Com doses elevadas a evolução é fatal em alguns minutos; a morte sobrevém durante o estado de como, intercalado ao não com convulsões. Com dose menores nota-se habitualmente uma fase de excitação com características de embriaguez (embriagues benzênica), juntamente com vertigens, cefaléias e tremores, fase esta seguida de depressão com náuseas de vômitos; a seguir produz-se um estado de sonolência com perda do conhecimento.

Podem aparecer transtornos respiratórios e circulatórios e a morte ocorre por colapso cardíaco. Em casos de recuperação são freqüentes as seqüelas nervosas (cefaléias e vertigens). Nas intoxicações leves há o aparecimento do estado de embriaguez, com cefaléia, vertigens e tremores, sintomas estes que desaparecem rapidamente com a retirada do indivíduo intoxicado do local de exposição.

4.4.2.- Intoxicações a longo prazo

4.4.2.1.- Formas ligeiras

A tolerância dos indivíduos expostos ao benzeno pode ser satisfatória durante um período de tempo mais ou menos longo. Apresentam inclusive um certo estado de euforia com desconhecimento do perigo. Ocorre então o aparecimento de estado de fadiga desproporcional com o esforço físico, associada com uma palidez dos tegumentos e dispnéia. Observam-se ligeiros transtornos digestivos, as epitaxes são freqüentes e no caso de mulheres existem transtornos da menstruação. Os exames hematológicos permitem caracterizar a intoxicação através dos seguintes dados:

4.4.2.2.- Formas graves

Podem ser decorrentes das chamadas formas ligeiras que evoluem progressivamente, mas, com mais freqüência aparece bruscamente, sem nenhum sintoma que revele a profundidade da exposição do indivíduo. Os sintomas clínicos quando se manifestam já indicam prognóstico fatal. Nesta fase de intoxicação os indivíduos são pálidos, ainda que esta palidez não seja sempre proporcional ao grau de anemia; são astênicos e apresentam dispnéia por esforço físico. Os transtornos digestivos são freqüentes e ocorre uma marcada anorexia. Observa-se também diversos transtornos nervosos porém os mais significativos sinais são aqueles resultantes do ataque ao sistema sanguíneo: as hemorragias multiplicam-se , podendo ser cuntâneas (petéquias e equimoses), viscerais (hepáticas, renais, esplênicas,meníngeas), ou ao nível de mucosas (bucais, nasais e uterinas).

O exame hematológico revela:

4.4.3.- Tratamento das intoxicações

4.5.- Chumbo

O chumbo ocorre como contaminante ambiental em conseqüência de seu largo emprego industrial, destacando-se, entre outras, a indústria extrativa, petrolífera, de acumuladores, de tintas e corantes, cerâmica, gráfica e bélica.

As intoxicações do homem ou trabalhador podem ocorrer por exposição intensa, moderada ou leve; a curto, médio ou longo prazo, dependendo do grau de contaminação e tempo de exposição no ambiente em que vive ao ainda em que trabalha. Como saturnismo ou plumbismo, se estende a moléstia decorrente da intoxicação pelo chumbo a longo prazo.

As intoxicações agudas com sais de chumbo não são freqüentes sendo, quando ocorrem, geralmente acidentais e em poucos casos criminais ou suicidas. Caracterizam-se por náuseas, vômitos e às vezes aspecto leitoso, dores abdominais, gosto metálico na boca e fezes escuras (reações do chumbo com compostos sulfurados existentes nos gases intestinais).

A intoxicação crônica, bem mais freqüente, é caracterizada por manifestações variadas, que podem aparecer simultaneamente ou em seqüência. Não são, porém, específicas, necessitando confirmação por exames complementares adequados.

Os sintomas nas intoxicações crônicas compreendem:


5.0- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COLACIOPPO, Sérgio et al. Monitorização ambiental e Biológica. In: OGA, Seizi. Fundamentos de Toxicologia. São Paulo: Atheneu Editora de São Paulo, 1996. Cap.3, p.137-151.

LARINI, Lourival et al. Compostos Voláteis. In: LARINI, Lourival. Toxicologia.3a ed. São Paulo: Manore, 1997. Cap.4, p. 95-135.

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