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Vitaminas

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Instituição: FIP
Tema: Vitaminas

VITAMINAS


1. INTRODUÇÃO

1.1 HISTÓRICO

A história das vitaminas, um dos episódios mais importantes da história da bioquímica, teve conseqüências profundas em relação ao bem-estar e saúde humanos, e em relação a nossa compreensão dos processos catalíticos que ocorrem no metabolismo dos organismos vivos. A relação entre a dieta e a ocorrência de enfermidades, era já conhecida desde a Antigüidade. Assim, sabia-se já que o fígado era um alimento capaz de curar a cegueira noturna. No século XVIII, o óleo de fígado de bacalhau foi empregado pela primeira vez para tratar o raquitismo e, mais tarde, descobriu-se que o suco de limão era capaz de evitar os sintomas do escorbuto entre os marinheiros da marinha britânica [em conseqüência disso, os marinheiros britânicos passaram a ser chamados de limeys (em português, mais ou menos correspondia a "limeiros")].

Todavia, somente em 1912 é que F. G. Hopkins, na Inglaterra, demonstrou experimentalmente que os animais necessitam de outros fatores, além de proteínas, gorduras, e carboidratos em sua dieta par um crescimento normal. Ele constatou que um ou mais "fatores acessórios" presentes em alguns alimentos naturais são também necessários na nutrição dos animais. No mesmo ano, Casimir Funk obteve um concentrado contendo uma amina, proveniente das cascas e da película do polimento do arroz, capaz de aliviar os sintomas da doença conhecida como beribéri, prevalente entre marinheiros japoneses, cuja dieta se limitava a arroz quebrado ou polido. Ele criou o termo vitamina, para indicar uma amina essencial para a vida (hoje se sabe que muitas dessas substâncias não são aminas). Pouco tempo mais tarde, tornou-se evidente que deveriam existir muitas vitaminas, quando E. V. McCollum, nos Estados Unidos, descobriu que ratos jovens necessitavam de fatores de crescimento tanto hidrossolúveis como lipossolúveis.


2. DESENVOLVIMENTO

As vitaminas são moléculas orgânicas, pequenas, necessárias em pequenas quantidades na dieta de alguns animais superiores. Estas moléculas servem para as mesmas funções em quase todas as formas de vida, mas os animais superiores perderam a capacidade de sintetizá-las no decorrer da evolução. As vitaminas são divididas em dois grupos principais: vitaminas lipossolúveis e vitaminas hidrossolúveis. As vitaminas lipossolúveis são as vitaminas A, D, E e K, e são usualmente encontradas associadas com lipídeos nos alimentos naturais; Elas são transportadas na corrente sangüínea pelas lipoproteínas. As vitaminas lipossolúveis não são excretadas na urina, mas aparecem nas fezes.

2.1. VITAMINAS LIPOSSOLÚVEIS

As vitaminas lipossolúveis, que são designadas pelas letras A, D, E e K, têm um conjunto diversificado de funções. A vitamina K, necessária para a coagulação normal do sangue (K; do alemão, koagulation), participa na carboxilação de radicais de glutamato, formando y-carboxiglutamato, que torna o ácido glutâmico modificado um quelante mais forte de C2+. A vitamina A (retinol) é precursora do retinol, o grupamento sensível à luz na rodopsina e em outros pigmentos visuais. Uma carência desta vitamina leva à cegueira noturna. Além disto, animais jovens necessitam de vitamina A para o crescimento. O ácido retinóico, que contém um carboxilato terminal no lugar do álcool terminal do retinol, serve como uma molécula sinalizadora e ativa a transcrição de genes específicos que participam no crescimento e no desenvolvimento. Um metabólito da vitamina D é um hormônio que regula o metabolismo de cálcio e fósforo. Uma carência de vitamina D prejudica a formação de osso em animais em crescimento. A infertilidade em ratos é conseqüência de carência de vitamina E (tocoferol a). Esta vitamina reage com formas reativas de oxigênio, tais como radicais hidroxila, e os neutraliza antes de poderem oxidar lipídeos insaturados de membranas, lesando estruturas celulares.

 

VITAMINAS LIPOSSOLÚVEIS

Vitamina

Função

Deficiência

A Papéis em visão, crescimento, reprodução Cegueira noturna, lesões de córnea, lesões de vias respiratórias e digestivas.
D Regulação do metabolismo de cálcio e fosfato. Raquitismo (crianças): deformações esqueléticas, atraso de crescimento;

Osteomalácia (adultos): ossos moles e tortos.

E Antioxidante Inibição de produção de espermatozóides; lesões musculares e nervosas (raras).
K Coagulação sangüínea Hemorragias subdérmicas.

 

2.2. VITAMINA A

Fontes: A vitamina A é encontrada em óleo de fígado de peixe, manteiga, leite e em pequenas quantidades nos rins, gorduras e carne músculo. O precursor da vitamina A (a substância a partir da qual a vitamina A pode ser formada) é chamado de provitamina A e é encontrado em frutas amarelas e vegetais de folhas verdes.

Estrutura: A vitamina A é um álcool de alta massa molecular conhecido como retinol. Provitamina A é um composto que pode ser convertido em vitamina A. Uma provitamina A é o ß-caroteno em retinal (vitamina A aldeído) e então para retinol (vitamina A). A provitamina A é transformada em vitamina A nas paredes intestinais de alguns animais, incluindo ratos e porcos, e no fígado em seres humanos.

Propriedades: A vitamina A é solúvel em gorduras, mas não em água. O cozimento comum dos alimentos não destrói a vitamina A. A vitamina A presente na manteiga é destruída quando ela se torna rança (oxidada).

Requisitos Diários: As doses diárias recomendadas de vitamina A para um homem ou mulher adulto normais são 1.000 e 800 equivalentes de retinol (5.000 e 4.000 UI), respectivamente. Os requisitos diários de vitamina A são aumentados para 1.000 equivalentes de retinol (5.000 UI) durante a gravidez e para 1.300 equivalentes de retinol (6.000 UI) durante a lactação. Uma criança requer diariamente de 400 a 700 equivalentes de retinol (2.000 a 3.300 UI).

Efeitos da Deficiência: A falta de vitamina A causa a contração e o endurecimento dos tecidos epiteliais das membranas nos olhos, trato digestivo, trato respiratório e trato genitourinário. Tal processo de endurecimento é chamado ceratinização. Quando a ceratinização ocorre nas paredes do trato respiratório, o paciente pode sofrer de resfriado, pneumonia e outras infecções respiratórias em virtude do ressecamento das membranas. Um dos primeiros sintomas relacionados com a falta de vitamina A é a nictalopia, ou cegueira noturna que não enxerga muito bem em lugares pouco iluminados, pela ausência de púrpura visual (rodopsina) na retina dos olhos, então regenerado na presença de retinal, uma forma oxidada da vitamina A.

Efeito do Excesso: Hipervitaminose A têm como efeitos iniciais irritabilidade, perda de apetite, fadiga e coceira. Esses sintomas usualmente desaparecem uma semana após a retirada da vitamina. Alimentar-se de uma grande quantidade de cenouras todos os dias pode resultar em carotenose, uma condição benigna caracterizada pelo amarelecimento da pele. Uma vez que a vitamina A é lipossolúvel, ela não pode ser absorvida no trato intestinal sem a presença de bílis. Qualquer interferência com o fluxo biliar para os intestinos também causa deficiência dessa vitamina lipossolúvel.

2.3. VITAMINA D

Fontes: A vitamina D é chamada às vezes de "a vitamina do sol". As fontes mais ricas em vitamina D são óleos de peixes, como o de bacalhau e o de hipoglosso, e a carne de peixes, como sardinhas, salmão e arenque. O conteúdo de vitamina D do corpo pode ser aumentado por exposição da pele aos raios ultravioleta do sol, mas deve-se tomar cuidado para evitar superexposição, com as conseqüentes queimaduras.

Estrutura: As vitaminas D são um grupo de esteróis com consideráveis diferenças em sua potência. As duas vitaminas mais importantes do grupo D são as vitaminas D2 (ergocalciferol ou ergosterol ativado) e as vitaminas D3 (7-desidrocolesterol ativado ou colecalciferol). As mesmas reações ocorrem com a vitamina D2. Pacientes que não podem converter a vitamina D para sua forma ativa, em virtude de doenças hepáticas ou renais, com freqüência desenvolvem osteomalácia, osteoporose e outras doenças ósseas. Tais pacientes podem então ser tratados com formas sintéticas ativas de vitamina D.

Propriedades: As vitaminas D são solúveis em gorduras e insolúveis em água. Elas são estáveis ao calor, resistentes à oxidação e não são afetadas pelo cozimento. A vitamina D2 apresenta maior potência em seres humanos que a vitamina D3, enquanto o inverso é verdadeiro em galináceos.

Necessidades Diárias: A necessidade diária para crianças é de 400 UI e para adultos, variam entre 200 e 400 UI. Uma unidade internacional de vitamina D é definida como a atividade biológica de 0,025 µg de colecalciferol.

Ação Fisiológica: A principal ação da vitamina D é aumentar a absorção de cálcio e fósforo no intestino delgado.

Efeito da Deficiência: O raquitismo, uma doença que ocorre principalmente na infância, foi anteriormente atribuído à deficiência de vitamina D.

Efeito do Excesso: Sintomas posteriores incluem calcificação dos tecidos moles, incluindo rins e pulmões. O tratamento de hipervitaminose D consiste na retirada imediata da vitamina, aumento da ingestão de água, uma dieta pobre em cálcio e administração de glicocorticóides.

2.4. VITAMINA E

Fontes: A vitamina E é encontrada no leite, ovos, peixe, carnes de músculos, cereais, vegetais folhados, como alface, espinafre e salsa, e óleos vegetais, como óleo de algodão, de milho e de amendoim. Óleo extraído de germe de trigo é particularmente rico em vitamina E.

Estrutura: Existem várias vitaminas E, a mais importante delas é chamada a-tocoferol; ß e d-tocoferol são menos ativos, e o y-tocoferol é inativo. Como indicado pela terminação do nome, -ol, a vitamina E é um álcool.

Propriedades: A a-tocoferol, a mais importante e ativa das vitaminas E, é um óleo que varia de incolor a amarelo pálido. Ele é solúvel em gorduras e solventes graxos, mas insolúvel em água. A vitamina E é estável ao calor, mas é destruída pela luz ultravioleta e por agentes oxidantes. A vitamina E é necessária em bovinos e aves para garantir sua fertilidade. O nome tocoferol é derivado do grego tokos, que significa "nascimento", e pherein, que significa "suportar".

Necessidades Diárias: A dose daria recomendada de vitamina E é 10 UI para homens adultos e 8 UI para mulheres adultas.

Efeitos da Deficiência: Alguns animais submetidos a dietas deficientes de vitamina E desenvolvem distrofia muscular, que causa paralisia. A administração de vitamina E ajuda esses animais a superar esses efeitos. A vitamina E não se mostrou efetiva no tratamento de distrofia muscular em humanos.

2.5. VITAMINA K

Fontes: A vitamina K é encontrada nas folhas verdes de plantas como espinafre, repolho e alfafa. A vitamina K é também encontrada em carne de peixe podre, fígado, ovos e queijo. As frutas contêm muito pouca vitamina K.

Estrutura: Existem duas vitaminas K de ocorrência natural, K1 e K2, a vitamina K1 é um óleo amarelo.

Propriedades: As vitaminas K são solúveis em gorduras e insolúveis em água. Elas são estáveis ao calor, mas não são destruídas em soluções ácidas e alcalinas. Elas são também instáveis à luz e em presença de agentes oxidantes.

Necessidades Diárias: A necessidade diária de vitamina K varia de 70 a 80 µg para homens e de 55 a 65 µg para mulheres.

Efeitos da Deficiência: Uma deficiência de vitamina K ocorrerá apenas como resultado pelo uso prolongado de um antibiótico de largo espectro associado a uma dieta com ausência ou deficiência de vitamina K. A deficiência de vitamina K ocorre em bebês que estejam sendo amamentados, pois eles não possuem bactérias intestinais e porque o leite materno é uma fonte pobre em vitamina K, outras crianças não têm capacidade do produzir vitamina K no intestino.

Efeito do Excesso: Grandes doses de vitamina K podem causar hemólise em crianças e agravar o quadro de hiperbilirrubinemia.

2.6. VITAMINAS HIDROSSOLÚVEIS

As vitaminas hidrossolúveis, ácido ascórbico (vitamina C) e uma série de vitamina conhecida como o complexo de vitaminas B. O ascorbato, forma ionizada do ácido ascórbico, serve como agente redutor. A série de vitaminas B compreende componentes de coenzimas, note que, em todos os casos exceto para a vitamina C, a vitamina tem de ser modificada antes de poder servir para sua função. Carências vitamínicas são capazes de causar várias condições patológicas. Entretanto, muitos dos mesmos sintomas podem resultar de outras condições além da falta de uma vitamina. Por este motivo, as vitaminas são necessárias em quantidades relativamente pequenas, as condições patológicas resultantes de carências de vitaminas são com freqüência difíceis de diagnosticar.

2.7. VITAMINA B1 (TIAMINA)

Fontes: A tiamina ocorre em leveduras, leite, ovos, carnes, nozes e cereais integrais. Vegetais e frutas contêm muito pouca vitamina B1. A vitamina B1 sintética vem sendo adicionada à farinha e ao pão para aumentar seu conteúdo vitamínico.

Estrutura: A tiamina foi cristalizada na forma de um hidrocloreto.

Propriedades: A tiamina é solúvel em água e também em álcool acima de 70%. Ela é insolúvel em gorduras e solventes graxos.

Necessidades Diárias: A dose de tiamina daria recomendada varia de 0,3 a 0,4 mg para bebês, de 0,7 a 1,0 mg para crianças, de 1,0 a 1,1 mg para mulheres adultas e de 1,2 a 1,5 mg para homens adultos.

Efeitos da Deficiência: A deficiência de vitamina B1 (tiamina) causa falta de apetite, diminuição do crescimento e perda de peso. Uma outra doença causada por deficiência de tiamina é a encefalopatia de wernicke. Ela ocorre freqüentemente em alcoólatras crônicos, que consomem pouco de outros alimentos.

2.8. VITAMINA B2 (RIBOFLAVINA)

Fontes: A riboflavina ocorre em muitas das mesmas fontes da tiamina. Ela é encontrada em leveduras, leite, fígado, rins, coração e folhas de vegetais. Cereais contêm muito pouca riboflavina, a menos que ela seja adicionada artificialmente.

Estrutura: A riboflavina ou vitamina B2 consiste de um açúcar alcoólico de cinco carbonos (ribitol) e um pigmento (flavina).

Propriedades: A riboflavina é um sólido cristalino vermelho-alaranjado, levemente solúvel em água e álcool, mas insolúvel em gorduras e solventes graxos. Quando dissolvida em água, a riboflavina forma uma solução amarelo-esverdeada fluorescente.

Necessidades Diárias: As necessidades diárias de riboflavina variam de 0,8 a 1,2 mg para crianças, de 1,4 a 1,8 mg para homens adultos e de 1,2 a 1,3 mg para mulheres adultas, sendo essa quantidade maior durante a gravidez e a lactação.

Efeitos da Deficiência: A deficiência de riboflavina em seres humanos produz lesões nos cantos da boca (quilite), inflamação da língua (glossite) e lesões nos lábios e em torno dos olhos e nariz. Ocorre também inflamação da pele (dermatite) e embaçamento da córnea ocular. Em ratos a deficiência de riboflavina produz dermatite, embaçamento das córneas e perda de pelo.

2.9. NIACINA

Fontes: A niacina (no passado conhecida como ácido nicotínico ou vitamina B3) é amplamente encontrado em plantas e animais. Ela é encontrada no fígado, rins e coração, bem como em leveduras, amendoim e germe de trigo. Leite, ovos e frutas contêm pequenas quantidades de niacina, mas são geralmente classificadas como fontes pobres dessa vitamina.

Estrutura e Propriedades: A niacina e a niacinamida (nicotinamida), a que é rapidamente formada no corpo. A niacina é levemente solúvel em água, mas bastante solúvel em soluções alcalinas, e é insolúvel em gorduras. A niacina é estável em meios alcalinos e ácidos e à ação do calor e da luz, e não é destruída através do cozimento.

Necessidades Diárias: A dose diária recomendada de niacina varia entre 15 e 20 mg para homens, e de 13 a 15 mg para mulheres, com um leve incremento dessas necessidades para adolescentes e durante a gravidez e a lactação.

Efeitos da Deficiência: A niacina foi originalmente chamada ácido nicotínico ou fator anti-pelagra. A palavra pelagra provém da expressão italiana pelle agra, que significa pele áspera. A deficiência de niacina em humanos produz sérias conseqüências, e uma deficiência dessa vitamina é usualmente acompanhada por deficiência também de outras substâncias. Na pelagra ocorre dermatite (erupções ou lesões cutâneas) e inflamação da boca e língua (glossite). Esses sintomas são acompanhados por diarréia seguida de demência. Grandes doses de niacina (ácido nicotínico), mas não de niacinamida, podem produzir sintomas como rubor da pele, problemas gastrointestinais e prurido, bem como um baixo nível sérico de colesterol.

2.10. PIRIDOXINA

Fontes: A piridoxina foi originariamente chamada de vitamina B6 ou de fator anti-dermatite em ratos. Trabalhos subseqüentes mostraram que a vitamina B6 é uma mistura de piridoxina piridoxal e piridoxamina. O termo geralmente aceito para esse composto é piridoxina, pois esses compostos são facilmente interconvertidos.

Necessidades Diárias: A dose diária recomendada de piridoxina para homens adultos é de 2,0 mg e para mulheres adultas, é de 1,6 mg por dia.

Efeitos de Deficiência: A deficiência de piridoxina em ratos produz dermatites nas patas, nariz e orelhas. A deficiência em cães e porcos produz anemia. Se a deficiência de piridoxina se estende por um longo período, esses animais sofrem de ataque epileptiforme. A deficiência dessa vitamina em adultos produz sintomas como dermatite, lesões na língua, irritabilidade e apatia. Uma dieta contendo piridoxina (ou vitamina B6 ) aliviará os sintomas.

2.11. ÁCIDO PANTOTÊNICO

Fontes: A ácido pantotênico encontra-se amplamente distribuído na natureza. Seu nome provém do grego, significando "em toda parte". Boas fontes de ácido pantotênico são gemas de ovo, leveduras, rins e carnes magras. Outras fontes importantes são leite desnatado, brócolis, batata doce e melaço de cana.

Estruturas e Propriedades: O ácido pantotênico é um óleo amarelo viscoso, solúvel em água, mas insolúvel em solventes graxos como o clorofórmio. As necessidades humanas de ácido pantotênico variam entre 4 e 7 mg para adultos e entre 3 e 7 mg para crianças, quantidades que são facilmente conseguidas com uma dieta normal.

Efeitos da Deficiência: A deficiência de ácido pantotênico em animais causa degeneração no córtex supra-renal e falha na reprodução.

2.12. BIOTINA

Fontes: A biotina, um outro membro do complexo vitamínico B, é amplamente distribuído na natureza. Fontes ricas dessa vitamina são fígados, gemas de ovo, rins, leveduras e leite. A biotina foi inicialmente conhecida como fator contra lesões causadas pela clara do ovo. Esse nome foi dado porque ratos alimentados com clara de ovo crua contêm uma proteína, a avidina, que combina com a biotina e a torna não disponível para o animal.

Efeitos da Deficiência: Uma deficiência de biotina, provocada artificialmente em humanos, causa dermatite escamosa, náusea, dores musculares e depressão. A biotina é suprida pela ação de bactérias intestinais, tanto em humanos como em animais, de modo que a deficiência dessa vitamina é improvável na maioria dos casos, exceto quando ocorrem graves restrições dietéticas.

Necessidades Diárias: A dose diária recomendada de biotina varia de 30 a 100 µg para adultos e de 20 a 100 µg para crianças.

2.13. ÁCIDO FÓLICO

Fontes: A ácido fólico (folacina) ocorrem em folhas verdes, leveduras, fígados, rins e couve-flor. A estrutura do ácido fólico (os quais contêm um núcleo de pteridina, ácido p-aminobenzóico e ácido glutâmico).

Necessidades Diárias: A necessidade diária de ácido fólico é de 200 µg para homens e 180 µg para mulheres.

Efeitos da Deficiência: A deficiência de ácido fólico em adultos causa anemia megaloblástica e distúrbios gastrointestinais. Uma ingestão reduzida de ácido fólico durante a gravidez pode levar os defeitos do tubo neural, um dos mais comuns e importantes defeitos de nascimento nos Estados Unidos. Ele afeta 2 em cada 1.000 bebês. As principais conseqüências desse defeito são espinhas bífidas, na qual a espinha não se encontra fechada, e anencefalia, na qual parte do cérebro não existe ou está mal formado. O tratamento com drogas antileucêmicas, tais como o metotrexato, envolve a inibição da conversão de ácido fólico na sua forma ativa tetraidrofolato. Sem a presença desse folato, as células cancerosas (bem como outras células) não podem crescer.

2.14. VITAMINA B12 (COBALAMINA)

Fontes: As plantas não contêm vitamina B12 (cobalamina). Microorganismos são capazes de sintetizá-las. As maiores fontes de cobalamina são fígados, rins, peixes, ovos, leite, ostras e mariscos.

Estruturas e Propriedades: A cobalamina é um composto cristalino avermelhado, inodoro e insípido, solúvel em água e álcool e insolúvel em solventes graxos, tais como éter e acetona. Uma propriedade pouco usual dessa vitamina é que elas contêm o elemento cobalto (4,35%).

Necessidades Diárias: A dose diária recomendada de vitamina B12 (cobalamina) é de 2,0 µg.

Efeitos da Deficiência: A vitamina B12 é importante na transferência de grupos metila. Assim, muitos sintomas da deficiência de vitamina B12 e de folato são similares. A vitamina B12 está envolvida na manutenção da bainha de mielina, na síntese de ácidos nucléicos e hemoglobina, e no metabolismo de lipídeos e carboidratos. A anemia perniciosa é uma anemia semelhante à anemia megaloblástica. A anemia perniciosa induz a várias complicações neurológicas.

A vitamina B12 (cobalamina) é também chamada de fator antianemia perniciosa. Ela é absorvida no intestino delgado na presença de ácido clorídico e do fator intrínseco. Na ausência do fator intrínseco, a vitamina B12 não pode ser absorvida, e isso conduz à anemia perniciosa. A injeção de uma pequena quantidade de cobalamina produz uma melhora notável dessa doença.

Derivados: Coenzima B12 é uma das várias coenzimas derivadas da vitamina B12. Essas coenzimas são necessárias para a transferência de hidrogênio e isomerização na conversão de malonato de metila para succinato, envolvendo assim tanto o metabolismo de carboidratos como o de gorduras.

2.15. VITAMINA C (ÁCIDO ASCÓRBICO)

Fontes: Frutas e legumes, incluindo laranjas, limões, uvas, morango, melões, tomates e repolho cru, são excelentes fontes de vitamina C. Cereais secos, legumes, leite, carnes e ovos contêm muito pouco dessa vitamina.

Estruturas e Propriedades: A vitamina C, ácido ascórbico, é uma substância cristalina e de cor branca, solúvel em água e álcool, mas insolúvel na maioria dos solventes. Tanto o ácido ascórbico como o desidroascórbico são biologicamente ativo, e ambos foram sintetizados em laboratório.

Necessidades Diárias: A dose diária recomendada de ácido ascórbico para um adulto é 60 mg; a quantidade é aumentada para 80 mg durante a gravidez e 100 mg durante a lactação.

Efeitos da Deficiência: As plantas e todos os animais, exceto a preá-da-índia, os humanos e os outros primatas, são capazes de sintetizar ácido ascórbico e são resistentes a enfermidades causadas pela falta dessa vitamina. Uma deficiência de vitamina C produz a doença chamada de escorbuto. Os sintomas em humanos são inchamentos, sangramento das gengivas, dor nas juntas, descalcificação dos ossos, perda de peso e anemia. A deficiência de vitamina C impede que o corpo produza e mantenha a substância intercelular que cimenta e une os tecidos. A falta dessa substância intercelular nos capilares leva à ruptura e subseqüente hemorragia nesses vasos e à formação de ossos fracos e atrofia da medula óssea, acompanhada de anemia, e também contribui para a perda dos dentes e a formação de gengivas esponjosas. Todos esses sintomas são eliminados pela adição de ácido ascórbico na dieta. A vitamina C é necessária para a síntese do colágeno, a degradação do aminoácido tirosina, a síntese da epinefrina, função apropriada dos ácidos biliares e absorção de ferro, e também age como antioxidante.


3. CONCLUSAO:

As vitaminas são substâncias que acompanham os alimentos e são fundamentais, em quantidades mínimas, para o crescimento e a manutenção dos animais em geral e do homem em particular. Na realidade, as vitaminas não são propriamente um alimento. Sua função consiste em acelerar as reações que se produzem continuamente no organismo. A falta de vitaminas na alimentação provoca a aparição de diversas enfermidades que recebem o nome de avitaminose. O organismo é incapaz de fabricar por si próprias vitaminas, pelo que tem de procurá-las nos alimentos que ingere. Para classificar as vitaminas recorre-se á sua solubilidade, há as que se dissolvem na água, pelo que recebem o nome de hidrossolúveis, outras são solúveis nas gorduras e se chamam lipossolúveis. Muitas vitaminas fazem parte de complexo B, e estão na classificação de hidrossolúveis.

Quanto ao metabolismo das vitaminas, sabe-se que há uma assimilação entre eles, que compreende quatro estágios, o primeiro, é a ingestão de alimentos que contenham vitaminas em quantidades adequadas para presença no sangue e nos tecidos, e o quarto, na excreção.


4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BERG , Jeremy M. ; TYMOEZKO, John L. ; STRYER , Lubert.

Bioquímica. 5ª Ed. Guanabra Koogan : Rio de Janeiro, 2002

ROSKOSKI , Robert . Bioquímica. Guanabara Koogan: Rioi de Janeiro, 1997.

SACKHEIN, George I. & LEHMAN, Dennis D. Química e Bioquimica para ciencias biomedicas . 8ª ed.

Editora Module: Rio Grande do Sul, 2001

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