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Diferenças entre Maquiavel e Políbio

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Tema: Ciências Políticas

DIFERENÇAS ENTRE MAQUIAVEL E POLÍBIO

Rio de Janeiro, out.2003


Estaremos neste trabalho estabelecer comparações – semelhanças e diferenças entre os pensadores Políbio e Maquiavel. Como se sabe, Políbio era um historiador do século II AC, ao contrário de seus antecessores que eram apenas filósofos. Séculos mais tarde, século XVI, na Itáli, surge Maquiavel.

Ambos foram brilhantes e de certa forma inovaram nas suas abordagens históricas sobre sociedade e organizações políticas. Devemos destacar aqui o apoio de Maquiavel sobre os princípios já estabelecidos por Políbio, principalmente no que se refere à análise do governo de Roma, caracterizando-o como de sucesso e de grande equilíbrio, tal qual fizera Políbio séculos antes. A abordagem de Políbio sempre foi muito direcionada (ou menos ampla), tendo em vista o fato de estar "vivendo" exatmente naquela época de prosperidade romana, o que não lhe permitia uma visão mais crítica e distanciada que é necessária para este tipo de análise. De toda forma, Políbio estabeleceu a visão cíclica das formas de governo, retomando ao conceito de 3 boas e 3 más formas de governo que já havia sido abordada por Aristóteles. Desta característica cíclica de Polibio, vale a pena destacar a abordagem das formas boas, se alternando com as más e principalmente o conceito de que ao final da pior das formas de governo, Políbio afima que o processo se re-inicia, retomando-se, quase que "milagrosamente" à primeira forma de governo, ou seja a de uma monarquia. Neste ponto, Maquiavel foi muito mais centrado e realista, tendo em vista sua visão mais objetiva, caracterizando como possível o retorno, mas não necessariamente ao ponto incial do processo. Maquiavel afirmou ainda ser muito provável a anexacão deste possível estado à outro mais forte, devido à pouca organização em que este Estado encontraria-se, quando "vivesse" na escala mais inferior das formas de governo, neste caso, indicada por Maquiavel como sendo a Oclocracia (a Democracia na forma má).

A abordagem de que um governo misto é um importante fator positivo e que propicia perenidade e estabilidade é compartilhada pelos 2 pensadores. A diferença é que Políbio, além de considerar que um governo misto (monaquia, aristocracia e democracia) é mais esteavel que os simples, mas não eterno, considera que, se uma das forças dever prevalecer sobre as demais, que seja a que dará mais estabilidade, no caso, a aristocracia, pelo seu caráter de estar no "meio" das 2 outras formas (a monarquia melhor e a democracia a pior) ou seja o elemento de equilíbrio. Já Machiavel considera que o modelo misto é o melhor, mas que não se confunda modelo misto (república compositória) equilibrado, com um modelo misto de simples "agrupamento", que causa a instabilidade. Machiavel é um tanto contraditório quando afirma categoricamente seu entendimento sobre apenas 2 tipos de governo – a monarquia e a repblica. Porém, em "Discorsi" retrata idéias até muito semelhantes às de Políbio no que se referem ao ciclo das formas de governo, e de sua característica "natural". Aborda com importância o conceito novo de que o que importa ao monarca não é a justiça ou o bem estar do povo, mas sim, a manutenção do poder. Maquiavel não faz referências negativas aos tiranos, tal qual fazem Políbio e Aristóteles, mas sim, faz referência ao uso da violência de forma positiva, quando a manutenção do poder é garantida, ou de forma negativa, quando o objetivo de manutenção do poder não é alcancado.

Finalizando, Maquiavel ingressa na história com um novo e relevante conceito, que é o de que para a manutenção da liberdade e da estabilidade, os fatores aparentemente negativos como desordem, conflito, desarmonia e tumultos, são mais importantes e benéficos do que a ordem, paz social imposta, harmonia e tranquilidade. Os problemas vão gerar as leis que permitirão o "conserto" dos rumos e a proteção contra as instabilidades, conforme cita o próprio Maquiavel, " As leis para protejer a liberdade nascem da desunião, dos problemas…".


Referência bibliográfica:

BOBBIO, Norberto, 1909 – A teoria das formas de governo. Trad. de Sergio Bath, 9a. ed. – Brasilia: Editora Universidade de Brasília, 1997. p.55-76.

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