Resumo dos Textos de Moacyr Gadotti sobre o Novo Desafio dos Professores

DIDÁTICA

São Luís

2006


1 por que ser professor?

A diferenciação da realidade e sonho, abordando que alunos dos cursos de graduação em Pedagogia e Licenciatura, não têm a dedicação que deveriam ter em sala de aula para a prática do magistério, exercendo muitas vezes outras profissões.

A desvalorização do professor na sociedade brasileira, faz com que os profissionais encarem com cansaço e falta de expectativas o desempenho da função. Levando ao questionamento do por que ser professor? Quais as expectativas nesses últimos anos?

É observado que existe uma crise, que é a perda do sentido da atividade, não esclarecendo a sociedade o qual a verdadeira missão do professor, que não a luta por salários etc. Mas a esperança é a fonte principal de motivação para o exercício profissional que buscam o sentido lógico para a desvalorização dos professores e deterioração de escolas.

Deve haver uma mudança de concepção dos profissionais de educação, para que posteriormente haja uma mudança estrutural na educação. Sabe-se que com a dinâmica da informação, professores necessitam de um aprendizado permanente. As novas tecnologias trouxeram os novos espaços do conhecimento, empresa, espaço domiciliar, que de lá podem ter acesso ao ciberespaço da informação e da aprendizagem a distância, ou seja, buscar o que não tem em determinado ambiente. Com ênfase na formação continuada que deve ser entendida como a relação entre os diversos setores da nossa vida social. Trazendo o aluno como ser autônomo, sendo orientado pelo organizador do conhecimento professor, então, mediador do assunto.

O professor se tornou o organizador da aprendizagem, tendo que agir com sensibilidade e consciência, pois são eles que constroem o sentido da vida.


2 CRISE DE IDENTIDADE, CRISE DE SENTIDO

A profissão de professor não está acabando, mas está tendo uma nova identidade no mundo globalizado. Essa é a crise identificada que é a adequação a realidade atual. Se tornando, desta forma, um profissional que precisa saber ensinar e educar de modo diversificado para atender a necessidade atual.

É importante analisar as características atuais da profissão docente, pois se trata de uma profissão massificada, que não necessita de um profissional apenas para reproduzir o conhecimento, mas um capaz de criá-lo.

Se tratando, portanto, de uma profissão genérica, pois o professor deve se tornar uma liderança com um saber político-pedagógico. É um ser flexível que não pode ser um especialista burocrático. Vale frisar a grande quantidade de mulheres, predomínio feminino, o que mostra sua participação social.

A baixa renda dos profissionais é outro ponto marcante, pois, atualmente, aspirar ser professor está nos estratos mais baixos do que outrora. É patente a necessidade de mudança, como alguns teóricos abordam a desorientação pela qual passa o grupo e falta de sentido, mas não traz uma solução concreta para a questão.

O professor não deve ter a concepção da mera transmissão do saber escolar, deve adotar a postura mais relacional, dialógica e comunitária, considerando importante, além do saber específico, atitudes e comportamentos. É preciso estar motivado para atender as novas exigências do magistério. Gerando uma nova cultura profissional com a mudança de mentalidade que deve ocorrer no profissional e na sociedade, redefinindo os sistemas de ensino.

Pode-se então identificar duas concepções:

  • Neoliberal: Professor como profissional lecionador, avaliado individualmente e isolado na profissão, amplamente aceitado hoje.
  • Emancipadora: Professor como profissional do sentido, um organizador da aprendizagem, líder e político social.

A última com o sentido de tornar as pessoas livres, menos dependentes do poder econômico, se tornando um componente ético essencial.


3 FORMAÇÃO CONTINUADA DO PROFESSOR

A formação continuada deve ser concebida como reflexão, construção teórica e não com a aprendizagem de novas técnicas. Devendo ocorrer a reflexão crítica sobre a prática, a troca de experiências entre pares (grupos de trabalho), centrado na cooperação.

É importante conhecer o que deve saber para ensinar evitando o martírio e a desistência com a inovação vinda de fora, mas sim de dentro da escola, apenas auxiliando pela assessoria pedagógica, para que não esteja de início fracassado.

Todo professor deve ser autônomo, um implantador de idéias dos outros, conquistando seu profissionalismo, necessitando de ajuda externa na identificação de necessidades, devendo dispor de estratégias de inovação.

Neste contexto, o assessor deve auxiliar na comunicação, o conhecimento da prática, a capacidade de negociação, o conhecimento de técnicas de diagnóstico, de análise de necessidades, o favorecimento da tomada de decisões e o conhecimento da informação.

De acordo com a legislação brasileira a formação continuada do professor trabalhando se tornou um direito, sendo exigida algumas condições, a saber:

  • 04 (quatro) horas semanais de estudo.
  • Freqüência em cursos seqüenciais.
  • Acesso a bibliografia atualizada.
  • Sistematizar e publicar suas reflexões, além de colocar em rede.
  • Etc.

Contudo as entidades de professores têm muita responsabilidade neste processo de formação e reciclagem profissional, tendo o professor também papel decisivo na construção do novo paradigma civilizatório. Como se observa na citação do autor: "A nova pedagogia para a educação da humanidade: não é apenas uma pedagogia da resistência, mas, sobretudo, uma pedagogia da esperança e da possibilidade".


4 SER PROFESSOR NA SOCIEDADE APRENDENTE

Os parâmetros necessários para ser professor constam de ter compromisso respeitar as diferenças, ter uma formação continuada, ser tolerante diante de atitudes, posturas e conhecimentos diferentes; está preparado para o erro e a incerteza; ter autonomia didático-pedagógica; ter bom esteio de saber específico que leciona; prezar pela reflexão e criticidade; manter um bom vínculo com os alunos; ter formação versátil.

Dentre estes referenciais, o caráter reflexivo tem recebido ênfase para o pleno exercício da função docente. Porém, o importante é entender o mesmo como instrumento para a melhoria do que é específico de sua profissão.

Com isso percebe-se a importância de que a reflexão seja feita de maneira crítica de modo que a educação seja exercida compreendendo certa totalidade de saberes necessários à prática educativa.

Outro âmbito muito abordado diz respeito às competências profissionais do professor, que em suma, consiste em saber organizar o seu trabalho e orientar o do aluno a organizar o seu, saber trabalhar em equipe, participar da gestão da escola, envolver os pais, utilizar novas tecnologias, ser ético, continuar sua formação.

Faz-se mister diferenciar competência de habilidade: a primeira engloba o conhecimento incisivo de determinada disciplina, enquanto que a última compreende a aptidão para o ensino. Assim, um professor pode ser competente, porém não possuir habilidades práticas para o ensino.

Com isso, o êxito do ensino não depende tanto do conhecimento do professor, mas da sua capacidade de criar espaços de aprendizagem, garantindo assim a contínua busca pelo conhecimento. A questão conhecimento é fator marcante da sociedade contemporânea e é peça chave para entender a própria evolução das estruturas sociais, políticas e econômicas de hoje.


5 APRENDER COM EMOÇÃO, ENSINAR COM ALEGRIA

Tendo em vista a educação como ponto primordial para conduzir é inserir pessoas na sociedade, ela é base considerando a nossa essência. E é essa percepção que é necessária para que um aluno possa gostar de estudar.

Nós ao tentarmos aprender somos inacabados, necessitamos de um contínuo aprimoramento, para que consigamos aprender, no razão necessita perceber o conhecimento dotado de lógica, é isso que dá sentido ao conhecimento.

Outro ponto para a eficácia na aprendizagem é o modo como o ser humano interage com a realidade. Ter domínio do conteúdo num determinado contexto social é importante para educar. Mas não só ter domínio de conteúdo é necessário saber passar o que se tem de conteúdo armazenado. E é isso que traz-nos à essência de aprender, saber passar o que foi acumulado. Aprendemos na experiência e utilizamos o acumulado e útil na nossa vida.

Aprender nos traz sentimentos. Ditos anteriormente, é preciso ter sentido, lógica, para que o aprendizado possa surtir efeito. Sentir emoção ao que está fazendo. O próprio instrutor deve passar essa vontade de dar aula pra turma.

Um professor é escolhido num concurso. Para a realização profissional e até devida por valores estabelecidos pela sociedade um professor precisa passar no "concurso do sentido". A forma de tratamento do professor como uma vaga a mais, o diminui e o desestimula a dar aula, é preciso um esforço e empenho do professor.

Nossa sociedade está vinculada à alienação, onde crianças passam mais tempo em contato com os professores do que com os pais, assim elas deixam de vivenciar experiências importantes. Além da ausência dos pais, a televisão contribui para a alienação onde a criança passa também bastante tempo em frente delas.

Saber mobilizar o desejo de aprender também é atitude do professor moderno. Despertar este interesse precisa-se:

  • Gostar de aprender
  • Amar o aluno

Outro fator é manter a ética profissional. È o saber ser professor com todo um conjunto de princípios. Sua ética deve encantar o aluno a ponto de despertar o desempenhar o desejo do aprender.


6 EDUCAR PARA UMA VIDA SUSTENTÁVEL

Neste novo milênio, um tema se tornou bastante preocupante e discutido no cenário mundial é a sustentabilidade para alertar a população global sobre a necessidade de preparar nosso futuro, tornando-o digno para todos.

O homem com toda a tecnologia que possui aliada ao desejo de ganância, poder e enriquecimento pode destruir a vida no planeta. Para combater esse risco, apóia-se a idéia de que e necessária uma ação conjunta global, no sentido de conscientizar cidadãos comuns e autoridades para que cuidem do ambiente em que vivem, tornando-o um lugar saudável para a vida atual e futura.

Os paradigmas, na atualidade, definem que a visão industrialista não está dando atenção necessária para explicar as necessidades futuras. Então a globalização às vezes torna-se insustentável.

O que transparece é que precisamos adotar uma "pedagogia da terra", para a cultura do desenvolvimento sustentável, o qual se fundamenta em alguns paradigmas filosóficos que estão emergentes na atualidade que são:

  • Educar para pensar globalmente;
  • Educar os sentimentos;
  • Ensinar a identidade terrena;
  • Formar para a consciência planetária;
  • Etc.

Estamos vivendo diante de um consumismo desenfreado em que vigora é o lucro exorbitante, como conseqüência, percebemos a devastação da natureza, as quais surgem alternativas numa cultura da paz e uma cultura da sustentabilidade.

A sustentabilidade não se restringe apenas a biologia, economia. A sustentabilidade tem haver com nós mesmos.

Estamos diante do universo como um pequeno ser que fazemos parte e a cada instante estamos modificando com nossas ações ou fazendo o bem ou o mal, logo o universo está dentro de nós.

Portanto, o desenvolvimento sustentável tem que ser colocado em prática na sociedade para que venha modificar o ambiente ecológico das gerações futuras.


7 SER PROFESSOR, SER EDUCADOR

Ser educador não é o mesmo que professor, não é profissão, é vocação. E toda vocação nasce de um grande amor, de uma grande esperança.

Como o modelo de sociedade vigente em que se precisa muito do utilitarismo, onde há uma menor interação entre pessoas e o pensar se torna diminuído, educar se torna mais difícil, pois tudo é mais mecanicista.

O educador que gosta do que faz, é movido por paixões, suas visões de futuro, esperanças. Já o professor, ao contrário, é funcionário de um mundo dominado pelo Estado e pelas empresas.

Na realidade um professor tem por função ser um educar, ou seja, um intelectual dirigente, orgânico. Ele, o educador, tem que se fazer presente na sociedade, buscar pessoas que têm interesse, ou melhor, necessitam de educação.

Uma educação cidadã precisa ser uma educação de classe; uma vez que a escola para o povo somente tem sentido numa nova forma de organizar a sociedade. Não é possível fazer uma escola para todos dentro de uma sociedade para alguns. Aí está o verdadeiro sentido da função do professor que é poder construir uma realidade diferente com a escola contribuindo para a concretização de uma sociedade mais humana.

O professor na função de educador desenvolve uma esperança no sentido de sempre estar melhorando o desempenho de sua carreira docente. Essa esperança existe para transformar pessoas. A educação, nesse sentido, confunde-se com o processo de humanização. Ter perspectiva de futuro é muito importante para um intelectual, e é olhando o futuro que os professores podem torna-se intelectuais.

Educar holisticamente é estimular o desenvolvimento integral do ser humano em sua totalidade pessoal, relacionada com a totalidade do mundo da vida e a totalidade cósmica. Educar holisticamente é entender o ser humano como um ser que transcende e adentra em seu interior para a superação pessoal contínua em sua totalidade.

Ser professor, no aspecto mais genuíno, é ser capaz de fazer o outro aprender, chamar atenção do aluno para si. Como a aprendizagem é um processo ativo, deve haver a interação contínua do professor enquanto impor o que se quiser passar com entusiasmo e o aluno com a vontade de aprender despertada.

A educação pra ser útil para a vida precisa estar centrada nela e para ela, sem esse sistema educacional neoliberal que está mais voltado para o utilitarismo.

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