Cultura, Multiculturalismo e Subcultura

Autor:
Instituição: Urcamp
Tema: Cultura

CULTURA, MULTICULTURALISMO E SUBCULTURA

BAGÉ

20/ABRIL/2006


INTRODUÇÃO

O Trabalho que será apresentado, falara sobre os conceitos de cultura, subcultura, e multiculturalismo.

A Cultura consiste nos valores de um dado grupo de pessoas, nas normas que seguem e nos bens materiais que criam.

Os valores são idéias abstratas, enquanto as normas são princípios definidos ou regras que se espera que o povo cumpra. As normas representam o "permitido" e o "interdito" da vida social. Quando usamos o termo, na conversa cotidiana comum, pensamos muitas vezes na "cultura" como equivalente a arte, literatura, música e pintura. Os sociólogos incluem no conceito estas atividades, mas também muito mais. A cultura refere-se aos modos de vida dos membros de uma sociedade, ou de grupos dessa sociedade. Inclui a forma como se vestem, os costumes de casamento e de vida familiar, as formas de trabalho, as cerimônias religiosas e as ocupações dos tempos livres. Abrange também os bens que criam e que se tornam portadores de sentido para eles – arcos e flechas, arados, fábricas e máquinas, computadores, livros, habitações.

O conceito de subcultura implica, pois, a compreensão de que nenhuma sociedade produz uma cultura que constitua um sistema homogéneo de significados, valores, normas, etc., aceite passivamente por todos os indivíduos e tornando-os a todos numa massa indiferenciada, mas, antes, que qualquer sociedade, sendo estratificada, produz também uma estratificação ao nível cultural.

Multiculturalismo abrange um amplo leque de temas candentes da atualidade. Todos importantes e de conteúdos variados. Político, institucional, cultural e ideológico. Portanto, não deve ser subestimado como algo superficial, diletante ou simplesmente uma supérflua tese de alguns acadêmicos.

Portanto o objetivo deste trabalho é de maneira mais simples e completa conceituar cultura, multiculturalismo e subcultura.


Cultura

Cultura, tal como o de sociedade, é uma das noções mais amplamente usadas em Sociologia. A cultura consiste nos valores de um dado grupo de pessoas, nas normas que seguem e nos bens materiais que criam. Os valores são idéias abstratas, enquanto as normas são princípios definidos ou regras que se espera que o povo cumpra. As normas representam o "permitido" e o "interdito" da vida social. Assim, a monogamia – ser fiel a um único parceiro matrimonial – é um valor proeminente na maioria das sociedades ocidentais. Em muitas outras culturas, uma pessoa é autorizada a ter várias esposas ou esposos simultaneamente. As normas de comportamento no casamento incluem, por exemplo, como se espera que os esposos se comportem com os seus parentes por afinidade. Em algumas sociedades, o marido ou a mulher devem estabelecer uma relação próxima com os seus parentes por afinidade; noutras, espera-se que se mantenham nítidas distâncias entre eles.

Quando usamos o termo, na conversa cotidiana comum, pensamos muitas vezes na "cultura" como equivalente às coisas mais elevadas do espírito, arte, literatura, música e pintura. Os sociólogos incluem no conceito estas atividades, mas também muito mais. A cultura refere-se aos modos de vida dos membros de uma sociedade, ou de grupos dessa sociedade. Inclui a forma como se vestem, os costumes de casamento e de vida familiar, as formas de trabalho, as cerimônias religiosas e as ocupações dos tempos livres. Abrange também os bens que criam e que se tornam portadores de sentido para eles – arcos e flechas, arados, fábricas e máquinas, computadores, livros, habitações.

A "cultura" pode ser distinguida conceptualmente da «sociedade», mas há conexões muito estreitas entre estas noções. Uma sociedade é um sistema de inter-relações que ligam os indivíduos em conjunto. Nenhuma cultura pode existir sem uma sociedade. Mas, igualmente, nenhuma sociedade existe sem cultura. Sem cultura, não seríamos de modo algum «humanos», no sentido em que normalmente usamos este termo. Não teríamos uma língua em que nos expressássemos, nem o sentido da autoconsciência, e a nossa capacidade de pensar ou raciocinar seria severamente.

Há vários conceitos sobre o termo cultura e os autores nem sempre lhe atribuem o mesmo significado. Segundo Leslie White , para alguns, cultura é somente comportamento aprendido, para outros, não é comportamento de modo algum, mas uma abstração do comportamento. Não há portanto, ainda, uma uniformidade quanto ao uso do termo cultura.

Vejamos alguns conceitos:

"É uma abstração do comportamento humano concreto, mas, em si própria, não é comportamento" (Kroeber e Kluckhohon).

"Totalidade de comportamento aprendido e transmitido socialmente" (Felix M. Keesing).

"A parte do ambiente feita pelo homem" (Herskivits).

Já Leslie White enfatiza a diferença entre os dois. Para ele o comportamento pertence ao campo da Psicologia e cultura é conceito básico central da Antropologia.

As ciências sociais podem ver a cultura de duas maneiras :

  • Geral, a "herança social da humanidade", isto é, as maneiras de agir, pensar, e sentir que o homem tem desenvolvimento, através dos tempos, como parte de seu ambiente.
  • Especifica, "determinada da variante da herança social", ou seja, certa configuração de padrões de comportamento e de interpretações relativas ao sentido e ao valor das coisas, idéias, ações, emoções.

Entendemos por herança social a cultura em que nasce e cresce, a transmissão de padrões de comportamento institucionalizados de uma geração a outra.

A cultura, no sentido em que a palavra é usada em Sociologia, não se restringe a certos campos especiais do conhecimento: envolve os modos de comportamento derivados da esfera total da atividade humana, e não tem existência independente fora do comportamento dos indivíduos aprendem, praticam em conjunto e prezam.

Através da cultura o homem adquire conhecimentos técnicos e necessários à sua sobrevivência física e social, podendo dominar e controlar, na medida do possível,o seu meio ambiente. Ela é fruto da criação do individuo e da sociedade numa integração mútua e recíproca.

Não há individuo humano desprovido de cultura, exceto o recém nascido e o homo ferus; porque ainda não sofreu processo de socialização, e,o outro, porque foi privado do convívio humano. Nenhum homem isolado logra jamais conhecer a totalidade de sua cultura; também não é um mero portador da mesma ou receptor passivo da sociedade em que está inserido. Desempenha um papel ativo e criador na constituição de sua experiência cultural e social, através de percepções e opções seletivas, podendo introduzir inovações culturais que perdurem.

Numa cultura muito homogênea e estável, as normas e os modos de comportamento tendem a se corresponder. As pessoas costumam fazer, com maior freqüência o que delas se espera.

Segundo Ralph Beals, nenhum antropólogo moderno considera a civilização como qualitativamente diferente da cultura, nem faz distinção entre civilizado e não civilizado. Todas as civilizações são exemplos de cultura, diferentes em quantidade, pelo conteúdo e complexidade de suas normas das culturas.

O termo cultura, como é empregado pelos antropólogos, pode aplicar-se:

  • Às formas ou modos de vida comuns, em qualquer tempo, a toda humanidade;
  • Aos modos de vida peculiares de um grupo de sociedade;
  • Aos tipos de comportamento peculiares de dada sociedade;
  • Às formas especiais de comportamento, características das diversas partes de uma sociedade vasta, de organização complexa.

A cultura representa " a resposta do homem às suas necessidades básicas". Surgiu da necessidade inata, que deve ser satisfeita para o organismo sobreviver.

A cultura significa então o modo de vida de um povo; manifesta-se nos seus atos e nos seus artefatos. Os modos de comportamento que compõem a cultura de qualquer sociedade representam generalizações do comportamento de todos ou de alguns , como membros da sociedade. A cultura envolve objetos e equipamentos materiais, crenças, valores, costumes, conhecimentos filosóficos e científicos e criações artísticas, em funções das quais as pessoas agem. Ela precisa ser aprendida, acumulada pelos membros do grupo, transmitida socialmente de uma geração a outra e perpetuada na sua forma original, ou modificada.

Os indivíduos aprendem a cultura ou aspectos da cultura, no transcurso de suas vidas, dos grupos que nascem ou vivem.

A cultura é dinâmica e continua, está constantemente se modificando em face dos contatos com outros grupos, geralmente crescendo seu acervo cultural de geração em geração. O crescimento da cultura não é uniforme. Pode haver épocas de grande desenvolvimento, de parada e até de retrocesso, em dada cultura.

O conteúdo da cultura abrange:

  • Cultura Material: Consiste nas coisas materiais: bens tangíveis que os indivíduos criam e usam como produtos da tecnologia; vão desde artefatos as máquinas. Envolve os produtos concretos, as técnicas, as construções, as normas e os costumes que regularizam seu uso e costume.
  • Cultura Espiritual ou não material: Abrange as idéias, crenças, conhecimentos e valores. Os membros de determinada sociedade ou grupo cultural compartilham certos conhecimentos e crenças sendo reais e verdadeiros.

O termo valor, às vezes, é empregado para designar objetos ou situações definidas como boas, apropriadas, desejáveis: riqueza, prestigio. Os valores variam de acordo com maior ou menos importância que os homens lhe atribuem. As normas ideais representam os deveres e desejos de uma cultura particular, tal como se expressa nos atos e palavras dos participantes.

Ao analisar a cultura o antropólogo leva em consideração os elementos que a compõem:

  • Traços culturais: A menor parte ou componente significativo da cultura que pode ser isolado o comportamento cultural. Elementos de caráter simples e unitários.
  • Complexos culturais: conjunto de traços ou um grupo de traços associados, formando um todo funcional. Ex: carnaval, feijoada...
  • Padrões culturais: Conjunto de complexos culturais, Algumas culturas dão mais valor a determinadas concepções ou temas, que se refletem nos inúmeros aspectos da atividade grupal, norteando suas instituições sociais básicas: família, religião, política, etc. Os padrões culturais podem ser manifestos – diretamente observáveis , expressos pela atividade motora; ou não manifestos – indiretamente observáveis, mentais ou de atitude: pensamentos, sonhos.
  • Áreas culturais: são áreas geográficas onde há semelhança em relação aos traços complexos e padrões culturais de grupos humanos.
  • Configurações cultuais: É o elemento polarizador que caracteriza cada parte da cultura; é a integração da de uma cultura com seus valores objetivos mais ou menos coerentes, dando-lhe unidade


SUBCULTURA

O conceito de subcultura implica, pois, a compreensão de que nenhuma sociedade produz uma cultura que constitua um sistema homogêneo de significados, valores, normas, etc., aceite passivamente por todos os indivíduos e tornando-os a todos numa massa indiferenciada, mas, antes, que qualquer sociedade, sendo estratificada, produz também uma estratificação ao nível cultural. Por outras palavras, sendo a cultura um elemento de coesão social que une os diversos atores sociais, ela produz também elementos de disjunção, visíveis na constituição de subculturas diferenciadas, que resultam, simultaneamente, das diferentes posições ocupadas pelos atores sociais no seio dessa sociedade e da forma diferenciada como estes se apropriam dos diversos elementos culturais. No seio de qualquer sociedade complexa e estratificada encontramos, portanto, diversas culturas, que se desenvolvem no seio do sistema de valores dominante. [...] É assim que, por exemplo, se entende o que se convencionou chamar "cultura juvenil" como uma subcultura face ao sistema cultural dominante (o dos adultos), incluindo elementos da cultura de classe dos diversos grupos juvenis, mas também alguns elementos próprios das faixas etárias e dos modos de vida que os caracterizam e os distinguem dos seus pais. [...] Todavia, a "cultura juvenil", podendo caracterizar-se pela sua "rebeldia" face ao sistema cultural dominante, não se constitui como uma forma articulada de oposição a esse sistema, consistindo, antes, numa extensão do mesmo. É neste sentido que Parkin (1971) refere que as culturas daqueles que se encontram numa posição de subordinação não são alternativas aos sistemas de valores dominantes, mas decorrem de "negociações" obtidas face aos mesmos. Existem, todavia, situações em que determinada subcultura se pode constituir como oposição ao sistema dominante - o caso mais evidente é o da sua contribuição para o aparecimento dos movimentos de contracultura -, mas, geralmente, e mesmo nesses casos, acabam por ser assimiladas e contidas dentro dele.

Os elementos mais visíveis e distintivos de uma subcultura são as formas de vestir dos seus "membros", os acessórios e artefatos usados, os modos de expressão, a postura, o modo como usam o vestuário e os artefatos e, eventualmente, o "jargão", isto é, o vocabulário específico que utilizam e o modo como o usam (Brake, 1993: 11-12), que não só lhes permite distinguirem-se dos "outros", identificando-se socialmente perante eles, como também fornecem um importante elemento de auto-identificação.


MULTICULTURALISMO

O multiculturalismo enquanto área de conceptualização das políticas e práticas, em vários domínios, para a construção de uma sociedade multiétnica, tem constituído, em alguns países ocidentais, terreno de debates e polemicas intermináveis, confrontando diferentes ideologias quanto aos modos de promover a igualdade de oportunidades. Desses debates emergem conceitos de áreas diversas como a biologia, a sociologia e a antropologia. Na antropologia encontrou a multiculturalidade as suas raízes e os seus suportes teóricos determinantes. Nesse aspecto, os conceitos de cultura e de relativismo cultural são referenciais, embora com diferentes usos e implicações ideológicas que importa analisar. Esta análise tem como quadro de fundo, o modo como a antropologia enquanto ciência social, se foi relacionando e influenciando o desenvolvimento do multiculturalismo. Em certa medida o multiculturalismo é uma antropologia aplicada, mas, apesar desta contigüidade o diálogo entre ambos não tem sido intensivo e as influências não podem, de imediato, ser vista linearmente.

A palavra multiculturalismo tem geralmente uma conotação positiva: refere-se à coexistência enriquecedora de diversos pontos de vista, interpretações, visões, atitudes, provenientes de diferentes bagagens culturais. O termo serve de etiqueta para uma posição intelectual aberta e flexível, baseada no respeito desta diversidade e na rejeição de todo preconceito ou hierarquia. As várias óticas devem ser consideradas em pé de igualdade; afirmações ou construções teóricas só podem ser julgadas em relação ao ponto de vista cultural. Não tem sentido falar de contradição, só de diferença. Não tem sentido falar de verdade tout court, só de verdade para um determinado grupo cultural. O multiculturalismo apregoa uma visão caleidoscópica da vida e da fertilidade do espírito humano, na qual cada indivíduo transcende o marco estreito da sua própria formação cultural e é capaz de ver, sentir e interpretar por meio de outras apreciações culturais. O modelo humano resultante é tolerante, compreensivo, amplo, sensível e fundamentalmente rico: a capacidade interpretativa, de observação e até emotiva, se multiplica.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRANDÃO, Ana Dicionário de Sociologia Porto, Ed.Porto, 2002

MENDRAS, Henri. Princípios de Sociologia, Rio de Janeiro Ed. Zahar, 1983

LAPLATINE, François . Aprender Antropologia. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1995.

LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. Rio de Janeiro. Ed. Zahar 2001

BOMFIM, Eduardo (www.vermelho.org.br/principios/default.asp?cod) Consultado em Abril de 2006.

CARDOSO, Carlos Manuel (www.ese.ips.pt/cioe/multicultural/antropologia.html) Consultado em Abril de 2006.

VERANI, Cibele (www.ghente.org/ciencia/diversidade/div_cultural.htm) Consultado em Abril de 2006

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