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A Coluna Preste e o Movimento Tenentista

Autor:
Instituição: Unipac
Tema: Tenentismo

A Coluna Preste e o Movimento Tenentista

Barbacena – Novembro de 2004


FICHAMENTO

INTRODUÇÃO

A Coluna Preste e o Movimento Tenentista

A Coluna Preste Foi o episódio mais marcante de um movimento militar que depois ganharia o nome de tenentismo. Este livro tem o objetivo de estudar a coluna Preste, mostrando que seus protagonistas foram centenas de oficiais do exercito brasileiro e da marinha de guerra. Ele passou por diversas fases de 1922 a 1930 foi um grupo de militares jovens de oposição armada que pretendeu pela força provocar a queda de três presidentes, e por todo o sistema de alianças que sustentavam. Já em 1930 quase todos os oficias rebeldes integraram a coalizão que depôs o presidente Washington Luiz e empossou Getulio Vargas. Depois de 1930 os tenentes vitoriosos participaram do governo de Vargas como ministros, interventores em estados e municípios, secretario de Estado, comandante de unidades militares e chefes da policia de vários estados. Em fins de 1932 o tenentismo começo a perder sua identidade, vários integrantes passaram a participar da política tradicional, outros integraram organizações política civis oposicionistas, de caráter socialista e até comunista. A partir de 1933 uma pequena parcela de tenentes começaram a reencontrar os caminhos da oposição democrática, socialista ou comunista. Criaram a aliança nacional libertadora que teve grande impacto na vida nacional e tinha como teor: instalação de um governo nacional, popular e revolucionário, bem como suspenso da divida externa, nacionalização de serviços públicos e reforma agraria. Luiz Carlos preste, ex. comandante da coluna Preste foi presidente de honra da ANL, já como membro do partido comunista. È bom lembrar que Preste não fez parte dos membros que apoiaram o governo de VargasPag.7 e 11..


Origem e característica do tenentismo.

Para entendermos a origem do tenentismo devemos voltar a crise do sistema oligárquico, pois foram problemas bem anteriores, que fizeram com que não só os militares, mais as classes de funcionários, operários, autônomos, pequenos proprietários, virtualmente excluídos do sistema, se organizavam. Em 1921 e 22 este sistema foi tencionado pela disputa eleitoral, pela sucessão de Epitassio pessoa, eram os candidatos Artur Bernardes e Nilo Peçanha (opositor). "É importante para compreender o Tenentismo, é que eles sempre defenderam um papel político especial para o Exercito brasileiro, como árbitro e salvaguarda ultima do regime republicano e da própria sociedade". Pag.12.

O movimento Tenentista enfrentou sempre a oposição ou a indiferença da maioria dos oficiais tanto do exercito como da marinha. Sempre as rebeliões Tenentista aconteciam independente de apoio de políticos civis . A coluna Preste expressou com clareza a linha militar dos tenentes , ou seja sua valorização em relação ao exercito brasileiro. Pag. 13 a 15

"Nelson Werneck Sodré diz que os tenentes formavam uma nova geração militar que vivenciou a inviabilidade de um exercito forte num país agro-exportador. Pag.16.

Já José Murilo de Carvalho mostrou que " em poucos anos, a Missão militar Francesa ajudou a bloquear a ação Tenentista, pois introduziu procedimentos centralizadores desfavoráveis a oficiais jovens com tendências a tomar iniciativas autônomas. Nada indica que a Missão Militar Francesa tenha sido divisor de águas entre os legalistas e rebeldes. Pag.17

Dentro deste raciocínio não podemos deixar de acreditar que a coluna Prestes foi o movimento mais expressivo do militarismo dos tenentes na historia da Republica. Pag.188


OS TENENTES SE REBELAM

A revolta de 1922 e as conspirações seguintes

o período que ocorreu a coluna prestes e foi abril de 1925 a março de 1927, entretanto houve revolta antecedente a coluna que foram em 1922 e 1924, movimento tenentista. Este movimento teve impacto desejado que foi resistência militar mostrando o idealismo que fixou os ressentimentos entre militares rebeldes e autoridades civis. "O movimento visava desagravar o marechal Hermes da Fonseca, ex-presidente da Republica e líder de oposição militar a Artur Bernardes, preso dias antes". Pág.20. Deste grupo saíram os principais lideres do tenentismo, mas nada indicava ainda um movimento duradouro.

Só em dezembro de 1923, ou seja dezoito meses depois da rebelião, renasceu a conspiração, foram 73 oficiais do exercito, quase todos tenentes e capitães. Com a ameaça de desligamento do exercito dos oficiais rebelados ampliou a solidariedade entre os oficiais. Entretanto o exercito cometeu um grave erro transferiu grande parte dos simpatizantes para pequenas guarnições no interior do pais, com a esperança de acabar com a coesão do grupo isto aumentou a revolta dos oficiais.Pág.21

As rebeliões militares de 1924.

"No mês de julho de 1924 explodiram revoltas militares em são Paulo (5) Bela Vista Mato Grosso (12), Aracaju (13) e Manaus (23),esta ultima com reflexos no Pará." varias outras revoltas aconteceram em todo o pais,oficias jovens,comandando praças e sargentos foram os protagonistas. Dos rebeldes remanescentes em são Paulo e no rio Grande nasceria a coluna Prestes. Pág.21

A Coluna Prestes.

A principal rebelião tenentista ocorreu em 5 de julho, na cidade de São Paulo com adesões militares em algumas outras cidades do interior. O militarismo tenentista afetou a conspiração. São Paulo (capital) já então a principal cidade industrial brasileira, ficou dezenove dias nas mãos dos rebeldes. Os revoltosos não mobilizaram a simpatia popular difusa e até estimularam a saida dos civis da cidade bombardeada. Entretanto a coluna mostravam grande conservadorismo nas suas decisões, mantendo os mesmos prefeitos,não alterando a estrutura. pag23

Em outubro de 1924 a coluna Paulista consolidou um perímetro de resistência ao longo do Rio Paraná. O objetivo era chegar o mais perto possível do rio Grande do Sul, onde tudo indicava que em breve iriam existir novas rebeliões. Os rebeldes militaristas tinha, abandonado aliados civis em São Paulo com objetivo de conquistar adesões militares incertas em terras distantes. Pág.24.

A Divisão Rio Grande

O Rio grande do sul era o estado onde as participações dos oficias nas revoltas eram muito forte, sabendo dos levantes que ocorreram em São Paulo, os tenentes rebeldes do rio Grande do Sul,sobre comando do então capitão de engenharia Luiz Carlos prestes resolveram atravessar santa Catarina e unir a coluna paulista no Paraná. Nessa marcha nasceu a divisão Rio Grande. A cooperação efetiva entre rebeldes militares e civismo no Rio Grande do Sul tiveram alguns condicionamentos militares. Muito soldados rebeldes eram libertado, muito queriam participar da luta por causas estaduais,mais o tenentismo decidiu continuar com a luta por uma causa nacional. Pág.125.


NASCE A COLUNA PRESTE

Os tenentes se Dividem

A coluna prestes foi um movimento surgido das rebeliões militares de 1923, que aconteceu principalmente no Rio Grande do sul e São Paulo, precisamente nasceu do fracasso destes movimentos. A chegada da Divisão Rio Grande (no inicio de abril) sobre o comando de Preste foi um sucesso da aplicação da guerra de movimento que se mostrou eficiente contra adversários superiores em numero e armamento. A notoriedade dos oficias não se deveu tanto a sua participação na coluna prestes,e sim ao fato de terem sido os principais agentes do movimento até os dias da aliança liberal.do movimento de 30 e dos anos seguintes. Pág.. 26 a 29.

Por que prosseguir na luta?

Em abril de 1925 os oficiais rebeldes no Oeste do Paraná divergiram na avaliação da situação. Pois os oficiais da coluna depois de muitos meses de rebelião armada não superaram o marco militarista de suas ações. E nos anos seguintes a coluna prestes todos os seus oficias cada um ao seu modo fizeram alianças com grupos ‘-.’Políticos independentes, oligarquia opositoras, oligarquias situacionistas, socialistas e até comunistas, até 1925 a coluna prestes foi um grupo praticamente militarista dos tenentes. O militarismo fica bem claro quando os tenentes deixam claro que o motivo da continuidade da revolução é a insatisfação dos militares com a situação do pais.Isto mostra que os integrantes da coluna pretenderam oferecer uma nova alternativa de rebelião militar pára desencadeamento da insatisfação. A novidade era que Prestes e os demais chamavam de guerra de movimento e que foi um sucesso.Pág.30 a 32.

Um ponto importante é que a coluna Preste, a momento algum aceitou a adesão popular ou civil como variável da situação política. A coluna também abriu mão de derrubar o governo de Artur Bernardes. " O conceito tático estratégico de guerra de movimento parece ter ousado demais para a maioria dos oficiais rebeldes em São Paulo". Tudo indica que a junção de forças precipitou uma divergência insuperável quanto a opção sobre opção entre guerra de movimento ou guerra de posição. Isto mostra que o encontro de duas colunas foi o desencontro de dois conceitos. Pág.34 a 35.

"A continuidade do movimento tenentista naquele dramático abril de 1925 foi decidida por um punhado de oficiais revoltosos e por motivos essencialmente militares. A coluna prestes foi um grande feito militar, embora dificilmente possa ser considerara um feito da instituição Exercito brasileiro. De outro lado, a coluna não teve o sucesso político pretendido e muito menos quis ser agente de uma revolução social". pág.36 e 37

Estrutura e dinâmica.

A coluna Prestes ficou conhecida também por outros nomes: "Grande marcha" , "Coluna invicta" e ainda "Coluna Miguel Costa prestes". A coluna foi o desdobramento de duas rebeliões frustradas; os tenentes diziam lutar em nome no exercito Brasileiro como salvador da Republica brasileira, entretanto atuou de forma isolada e elitista isolando adesões de lideranças civis de oposição. Pág.37

Ninguém nega o mérito do capitão Luiz Carlos prestes, principalmente a marcha que aconteceu entre abril de 1925 e março de 1927. A coluna Preste foi de fato uma coluna invicta, mas é preciso lembrar que a ascensão de Prestes ao comando efetivo significou a fuga sistemática a qualquer combate de vulto ou em circunstancia consideradas inseguras , neste momento a guerra de movimento foi mais importante do que qualquer coisas para os oficiais.a aliança entre a guerra de movimento e a não arregimentação de apoio civil significou uma desistência antecipada de uma vitória política importante.


A GRANDE MARCHA PELO BRASIL

Trajeto

A extensão da marcha da coluna Preste é impressionante calcula entre 25 a 36 mil km, tendo em vista as condições da época , todo o trajeto sendo feita a cavalo e a pé, o Brasil tinha na época 20 estados e a coluna visitou 14 deles. Pode se notar que a coluna fugiu das cidades grandes. A coluna travou mais de 50 combates de importância, mais ou menos dois por mês. Pág.45 a 47.

Integrantes

A composição humana da coluna era importante, saindo de varias cidades, vários tipos humanos, e tinha em média 30 anos. Os principais lideres eram: Luiz Carlos prestes, foi considerado realmente o comandante de fato da coluna,conspirador ativo, tem historia de vida super interessante, foi o perseguido numero 1 no governo Vargas, aderiu o comunismo e foi senador pelas republica pelo o partido comunista de 1946 a 1948. os outros lideres foram: Antonio de Siqueira campos , oficial de artilharia, João Alberto Lins, também oficial de artilharia.Oswaldo cordeiro, Djalma Soares Dutra,Juarez nascimento,Miguel Alberto Crispim e vários outros com grande importância. Entretanto verifica que representantes de alto comando não chegavam nem a duas dezenas. Mas havia também alguns civis no comando como Lourenço Moreira Lima, advogado Jose Damião Pinheiro, também advogado e político, entre outros, entretanto era pequena a liderança civil. É importante ressaltar que a rebelião de 5 de julho de 1924, teve uma grande participação de imigrantes, principalmente italianos. Sobre os integrantes, é bom ressaltar que tinha em torno de 50 mulheres como integrantes, mas a maior parte dos comandantes eram contra a participação das mesmas. Pág.48 a 57.

Objetivos

O objetivo da coluna não foi estático, mudaram durante o percurso da revolução, no inicio o objetivo era a derrubada do presidente Arthur Bernardes. Entretanto depois passou a ser não ter confronto com as forças legalista e divulgar a mensagem revolucionaria. com o decorrer do tempo a própria existência da coluna já era motivo de sobra para a sua existência. Pág.58 a 60.

Ação Política

A coluna prestes estava sempre em ação, sempre em movimento, e sua ação política era pouca, apressada e elitista.Uma constante era os discursos em praça publica; isto é quando havia platéia e quando a população não fugia ou fazia resistência armada.

Outra medida constante era a decretação de "ilegalidade" de certos impostos ou tributos injusto e a queima de livros e registros de recolhimento. Destruíram também palmatória em escolas. Quando havia tempo e instalações gráficas imprimia-se um numero de jornal oficial dos rebeldes. Ao contrario do que reza algumas lendas não houve a momento nenhuma intenção de mobilizar a população seja rural ou urbana, nem projetos de reforma agrária. A coluna prestes por si só julgava suficiente para atuar como portadora da "revolução". Pág.60 a 64.

As requisições

A marcha das centenas de pessoas da coluna prestes dependia de bens necessários para qualquer organização militar em operação, como cavalos armamentos e alimentação. Existia duas maneiras de adquirir estes suprimentos, seria a tomada das forças legalista quando em combates e a requisição de pessoas rurais e urbanas que se encontrava no trajeto. O mais comum era a interceptação de suprimentos destinados a força legalista. Entretanto quem acabou sustentando a coluna foi moradores da zona rural e de pequenas cidades. Para evitar os exageros a coluna tinha uma preocupação, só os comandantes poderia assinar as requisições.pag.65 a 66.

A repressão

Podemos aprender muito com a coluna prestes, prestando a atenção nas forças legalistas que a combateram. O mais importante é que o Exército foi quem menos participou dessa repressão. Devemos considerar que as principais forças legalistas que combateu a coluna foram: 1) As policias militares estaduais, tanto onde passava a coluna, ou de outros estados, enviados para combater fora da suas jurisdições. 2) Batalhões patrióticos : eram formados por batalhões locais, formados nas cidades com recursos de chefes locais, muitas vezes sem recursos militares. 3) Grupos de jagunços: era uma unidade formadas pela influencia de lideres locais, entretanto com formação a mais tempo do que os Batalhões patrióticos, muitos destes chefes foram comissionados como oficiais da reserva do exercito. Foram os jagunços da Bahia que maus combateram a coluna eram a "tropa do latifúndio". Houve aliciamentos de bandos de cangaceiro para combater a coluna, sobre incentivo de distribuição de armas. O próprio Virgulino Ferreira da Silva (Lampião) chegou a ser atraído pelo o Padre Cícero, mais preferiu não combater contra a coluna Prestes, depois de ter ganho as armas.Pag. 67 a 81 .

Hierarquia rebelde.

A coluna prestes ao longo de sua marcha, desenvolveu uma hierarquia própria, bastante reveladora, e mostrava a realidade da coluna, poucos eram os oficias de alta patente. Entretanto isto mostra que os membros da coluna não se consideravam fora do exercito e que a própria hierarquia da coluna Prestes foi criada de acordo com as instituições militares de origem; Luiz Carlos Prestes chegou a General. Pag.81 a 82

Rebeliões e conspirações em 1925 e 1926.

Enquanto a coluna Prestes cortava o interior do Brasil, vários movimentos armados, quase todos militares explodiam em todo o Brasil, entretanto nenhum deles com participação do exercito. Pag 82 a 88.

"Os participantes militares e civis da coluna Prestes e seus simpatizantes não cansam de elogiar o sucesso militar da campanha rebelde". O próprio Preste reconheceu que a juventude da tropa e seu espirito aventureiro foi fundamental para a vitoria da instituição no seu sucesso militar. Em termos políticos no entanto, a coluna preste foi considerada um fracasso, na maioria do lugares que passavam, despertou medo, ódio ou acirramento da lealdade às lideranças locais. : Pag. 83 a 92.


Bibliografia:

DRUMMOND, José Augusto. A coluna Prestes. Rebeldes Errantes . São Paulo: Editora - Brasiliense, 1988.

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