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Amilenismo

Autor:
Instituição: Alberto Bacan
Tema: Amilenismo

Amilenismo


INTRODUÇÃO

A história da igreja tem presenciado muitos debates – com freqüência exaltados sobre questões sobre o futuro na natureza da experiência humana é evidente que os seres humanos, por si mesmos, não conseguem conhecer o futuro. Mas os cristãos que crêem na Bíblia vivem outra situação. Ainda que não possamos conhecer tudo a cerca do futuro, Deus conhece todas as coisas futuras e nas escrituras.

Trata dos principais fatos ainda futuros na história do universo. Podemos Ter absoluta certeza da ocorrência desses fatos porque nosso Deus pai de nosso Senhor Jesus Cristo nunca erra e jamais mente.

 

AMILENISMO

De todas as escolas, a amilenista é a mais simples por ser menos complicada, portanto, mais fácil de ser entendida, mesmo assim esse sistema apresenta algumas dificuldades deixando algumas dúvidas com respeito ao reino de Deus e o fim dos tempos. Essa escola declara que a Bíblia não prediz um período de reinado de Cristo na Terra antes do juízo final. Segundo esse ponto de vista não haverá um reino terrestre de Cristo, por mil anos cronológicos de duração. Mesmo assim, esse ponto de vista deixa vários obstáculos que dificulta o entendimento claro de doutrina. A idéia é que haverá um desenvolvimento do bem e do mal no mundo até à Segunda vinda de Cristo, quando, então, os mortos serão ressuscitados de uma só vez. A ressurreição tanto dos salvos quanto dos perdidos ocorrerá de uma só vez. Não haverá duas ressurreições como apresenta o esquema pré-milenista.

De acordo com essa interpretação, o trecho de Apocalipse 20.1-10, é uma descrição da presente era da igreja. Sendo assim, o texto trata de um período em que a ação influenciadora de Satanás sobre as nações da terra é sufocada sofrendo uma grande redução de forma que o evangelho pode ser pregado por todo o mundo sem muita oposição. Nesse caso, aqueles que aparecem reinando com Cristo por um espaço de mil anos são os crentes que morreram e estão reinando atualmente com Cristo em sua glória celestial. Sendo assim, o reino de Cristo no milênio não é um reino físico aqui na terra, mas tão somente um reino celestial sobre o qual o senhor Jesus falou quando declarou: "Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra"(Mat 28.18)

O termo amilenismo é uma negação do termo milenismo, que afirma não existir nenhum milênio futuro, isto é, um período em que Cristo reinará literalmente na terra por mil anos.

Tendo em vista que o trecho de Apocalipse, 20 está-se cumprindo aqui e agora na era da igreja os amilenistas afirmam que o "milênio"

aqui descrito já está ocorrendo na atualidade. Neste caso, não se pode conhecer a duração exata da era da igreja. Sendo assim, o termo "mil anos" é apenas uma figura de linguagem usada para descrever um longo período de tempo em que desígnios de Deus serão levados a efeito, e assim vai se realizando sua vontade de acordo com seus planos ignotos.

Como já vimos, a escola amilenista interpreta Ap 20., como sendo algo simbólico e não literal. Não se trata de mil anos contados, mas um período de longa duração, podendo ser mais ou menos de mil anos exatos. A descrição de Ap 20.4 fala das almas dos crentes mortos que estão atualmente reinando com Cristo no céu.

Para os amilenistas, não haverá nenhuma era áurea na terra. Alguns amilenistas vêem o milênio como um símbolo do descanso eterno no céu. O ponto fraco dessa teoria é que ela ignora as predições do Antigo Testamento.

Os teólogos amilenistas afirmam que o período da igreja aqui na terra se seguirá como está normalmente até a volta de Cristo. E que na volta de Cristo ocorrerá a ressurreição tanto dos salvos como dos perdidos. Com a ressurreição, os salvos receberão um corpo glorioso que se unirá novamente ao espírito e entrarão no pleno gozo eterno a fim de estarem para sempre com o Senhor Jesus. Já no caso dos ímpios, após a ressurreição seguirão ao julgamento final e consequentemente à condenação eterna.

Quanto ao julgamento, os salvos também passarão por um processo de julgamento. Mas não será um julgamento para decidir se serão condenados ou justificados porque já estão com o Senhor. Trata-se do tribunal de Cristo descrito em II Co 5.10.

Nesse período começarão também o novo céu e a nova terra. Logo após o juízo final, se iniciarão as eras intermináveis da eternidade.

Esse quadro escatológico visto pelos amilenista delineia o futuro com bastante simplicidade porque nele todos os acontecimentos dos tempos do fim ocorrem de uma só vez, imediatamente após a volta de Cristo. De acordo com alguns amilenistas a volta de Cristo pode se dar a qualquer instante, enquanto outros (como Berkhof ) entendem que alguns sinais ainda não se cumpriram.

O amilenismo tem muitos pontos de vista semelhante de pós-milenismo. Tanto um como outro, tem buscado reivindicações em homens como: Agostinho (354-430), João Calvino (1509-1564) e Benjamim B. Warfield (1851-1921). Os amilenistas se divergem mais com os pré-milenistas do que com os pós-milenistas, até porque, muitos amilenistas já foram pós-milenistas.

HISTÓRIA DO AMILENISMO

A origem do amilenismo é incerta. Há quem diz que o amilenismo é tão antigo quanto aos livros canônicos. Diedrich H. Kromminga, um teólogo pré-milenista, entendeu que na epístola de Barnabé há conceitos amilenista, e essa epístola é considerada pela crítica como um dos documentos do cristianismo mais antigos fora da Bíblia. Mas o argumento de Kromminga tem sido objeto de disputa entre vários teólogos da história da igreja. Alguns estudiosos afirmam que ainda que o amilenismo não tenha sido uma doutrina radicalmente afirmada nos primeiros séculos da igreja cristã ele tem sido afirmado numa forma misturada com o pós- milenismo.

Agostinho de Hipona em sido reivindicado como base para os amilenistas. Isso tem ocorrido porque Agostinho escreveu muitos assuntos de forma meio confusos sobre o tema, e na interpretação dos amilenistas ele abria um precedente para afirmar o amilenismo. Mas os pós-milenistas não interpreta os escritos de Agostinho assim; muito pelo contrário, eles dizem que Agostinho afirmava o pós-milenismo. Nesse caso, tanto os amilenistas como os pós-milenistas reivindicam Agostinho para dar autoridade às suas interpretações.

O argumento mais sólido de Agostinho sobre esse tema é que o milênio não é primariamente temporal nem cronológico, seu significado, reside naquilo que simboliza. Essa interpretação de Agostinho se tornou tradição nas correntes católicas e posteriormente nas protestantes.

É de se acreditar que o que agora chamamos de amilenismo e pós-milenismo era uma só doutrina até o século XIX, quando o pós-milenismo foi desenvolvido pela primeira vez de modo total e abrangente.

Com a diminuição da influência pós-milenista durante o século vinte, houve uma necessidade de fazer um ajuste no esquema escatológico.

Tendo em vista que o pré-milenismo representava uma alteração considerávelmente grande nos sistemas escatológicos, a maioria pós-milenistas optou pelo amilenismo. Sendo assim, a crise dos pós-milenismo levou muitos pós-milenistas a se tornarem amilenistas, visto que as idéias amilenistas se coadunam melhor com o pós-milenismo do que com o pré-milenismo. Algumas pessoas viram isso como uma mudança radical de doutrina; outras entenderam como um ponto de vista dantes não afirmado de forma mais consistente.

Nesse caso, de forma ou de outra, as idéias se harmonizaram um pouco mais, de forma que, na prática, a opção reside entre o amilenismo e o pré-milenismo. Dessa forma, os grupos conservadores da reforma tais como: a Igreja Reformada da América, e a Igreja Reformada Cristã, bem como muitos grupos presbiterianos optando pelo esquema amilenista.

PÓS-MILENISMO

O prefixo "pós" significa "depois". De acordo com este esquema escatológico, a volta de Cristo se dará após o milênio.

Apesar do ponto de vista escatológico conhecido como pós-milenismo não está na moda hoje em dia, esse esquema causou grande influência nos arraiais da igreja durante muito tempo, e no transcorrer dos últimos cem anos essa teoria foi a opção escatológica dominante em quase toda igreja.

HISTÓRIA DO PÓS-MILENISMO

Desde os tempos mais antigos, de modo geral, a igreja sempre professou a crença milenista, interpretando os mil anos do capítulo 20.4, de Apocalipse como sendo escatológico, futurista, literal e exato. A crença era que no futuro, Jesus haveria de reinar literalmente na terra por um período de mil anos; e que esse reino seria estabelecido através de um evento específico, possivelmente na sua segunda vinda. Essa forma de crença resultou no que passou a ser chamado quiliasmo, uma idéia altamente imaginativa do período de mil anos da terra. Em alguns casos o quiliasmo era visto de forma bastante física e literal na maneira de entender a felicidade telúrica dos cristãos. Essa idéia popularizou-se bastante durante os tempos em que a igreja era perseguida, tendo em vista que tudo indicava a impossibilidade do evangelho a conquistar o mundo para Cristo. A idéia era que, pra igreja dar uma guinada nas circunstância adversas e se tornar vitoriosa, se fazia necessário uma intervenção divina de forma catastrófica, preternatural e dramática no transcorrer da história.

Tricônio, um donatista africano, que viveu mais ou menos por volta de 390, foi um dos primeiros a questionar este ponto de vista. Sua interpretação do capítulo 20 de Apocalipse dominou a exegese bíblica por cerca de treze séculos que se seguiram. O próprio Agostinho adotou sua interpretação fazendo algumas modificações.

A verdade é que Tricônio rejeitou diametralmente a crença num reino escatológico, futurista e literalista de mil anos exatos. Ele se esforçou para fazer prevalecer a idéia de que o reino e Cristo já era presente. Ele dizia que o fim dos tempos viria no ano 380, e nem o que aconteceu com sua doutrina ao tornar num verdadeiro fiasco.

Para Tricônio, o milênio era uma realidade presente. Caso Cristo voltasse em 380, então, o milênio seria o período que antecedeu esse ano. O período do milênio era uma época triunfante dos santos sobre o pecado.

Tricônio, dizia que a primeira ressurreição descrita no Apocalipse 20 não seria física, corpórea, mas tão somente espiritual. Trata-se do ato da conversão em que o pecador nasce de novo. Segundo ele, o novo nascimento confirmado pelo batismo se constitui na primeira ressurreição.

De acordo com o esquema de Tricônio, o reino milenar da igreja duraria até o fim dos tempos, que afirmava acontecer no ano 380. Sendo assim, Cristo já estava reinando de forma espiritual na vida da igreja. Seu domínio se estendia em toda extensão da igreja, não seria algo futuro numa Segunda vinda, mas presente que se iniciou na sua primeira vinda. O reino não iria começar, já havia começado. As almas dos santos de Apocalipse 20 eram aqueles crentes que morreram com Cristo na atual aflição. Os tais morreram antes da ressurreição física, tendo em vista que somente as suas almas são mencionadas naquele trecho. Se o atuais tivessem participado do reino físico, certamente teriam corpos físicos. Para ele, o reino milenar de Cristo se estende desde o sofrimento de Cristo até a Parousia no ano 380. Dessa forma tanto os crentes mortos como os vivos participam dele. O trono da glória de Cristo é a encarnação. Nesse caso, é no seu corpo físico que ele assenta ao lado direito do Todo-Poderoso para reinar. Os bem-aventurados descritos no Apocalipse 20.06 são aqueles que mantêm seu batismo, por que assim como a primeira morte nasce do pecado, a primeira ressurreição nasce da remissão do pecado.

Alguns cristãos não concordavam muito com Tricônio por serem literalista e pensavam que o milênio se tratava realmente de um período de mil anos, portanto, ficavam apreensivos e emocionados nas expectativas na medida em que o ano 1.000 ia se aproximando. Embora fosse o principal oponente dos donatistas. Agostinho popularizou as idéias de Tricônio promulgando seu ponto de vista.

Anteriormente, Agostinho havia também entendido o milênio como sendo um sábado universal cheio de gozos espirituais, mas logo abandonou essa interpretação futurista, tendo como principal razão os exageros e as idéias grosseiras nas descrições do milênio dadas pelos quilialistas.

Assim como Tricônio, Agostinho entendia que a igreja já estava vivendo o milênio. Os mil anos ou datam dos tempos de João até o fim, ou abrangem a totalidade da presente era. Para sustentar isso, ele citava passagens tais como Marcos 3.27, que diz o seguinte:

"Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então lhe saqueará a casa."

Segundo Agostinho, o valente é o próprio satanás, seus bens representam os cristãos, que anteriormente viviam sob seu domínio. Agora o valente está amarrado, trancafiado no abismo, ficando totalmente ausente dos cristãos. Sendo assim, satanás está amarrado durante o período inteiro entre a primeira e a Segunda vinda de Cristo. Dessa forma ele está incapaz de enganar as nações das quais se constitui a igreja. No fim desse período, satanás será solto para testar a igreja e após isso será finalmente subjugado.

É muito fácil entendermos o porquê que Agostinho fazia esse tipo de interpretação sobre o milênio. É que ele viveu numa época em que a igreja católica havia saído da perseguição para viver numa posição privilegiada no império romano. A esperança, era que a igreja finalmente atingiria sua total supremacia mesmo sem uma intervenção divina, visto que paulatinamente ela ganhava terreno na política secular. Ao perceber o declínio do império romano e o crescimento do poder da igreja fez com que Agostinho idealizasse esse tipo de interpretação. Foi ele o primeiro teólogo a identificar o reino de Deus com a igreja em sua

forma empírica e visível na igreja na terra.

No transcorrer da idade média somente alguns pequenos grupos entendiam o milênio do ponto de vista futurista. O conceito pré-milenista, predominante hoje em dia, naquele tempo era visto como doutrina herética. O que estava na moda era o esquema pós-milenista, que atualmente na maioria das denominações cristãs quase não se fala mais.

A maioria dos pós-milenistas clássicos afirmavam que o reino e Cristo finalmente conquistaria todas as nações através da pregação do evangelho. Esse reino seria literal, físico e corpóreo vivido empiricamentre através da igreja. Nesse caso , o evangelho pregado pelo pós-milenista se torna menos espiritual. Esse evangelho tem sido chamado de evangelho social onde as pessoas são transformadas de fora pra dentro ao invés de vice-versa. Esse procedimento se dá na medida em que a cultura da sociedade vai sendo modificada bem como seu sistema político e econômico. Com tal mudança socioeconômica consequentemente mudará o comportamento e o caráter das pessoas. Aqueles mais inclinados ao liberalismo enfatizavam que essa mudança do ser humano ocorre mais por meios do esforço humano do que pelo poder transformador do evangelho e do Espírito Santo. Nesse aspecto o mérito humano é maior que o poder divino na transformação das pessoas para fazer parte do reino de Deus. Isso levou alguns cristãos na Alemanha vêem a política guerreira do Imperador Wilhelm funcionar como se fosse uma ação de graça divina. Nessa esperança muitos cristãos da década de 1930 apoiaram o nazismo entendendo que ele estava a serviço de Deus. Em face de tal situação o famoso teólogo Kal Barth pronunciou dizendo que esse conceito causava tremenda confusão deixando de distinguir o bem do mal, o satânico do divino.

Em 1914 Kal Barth viu numa lista de intelectuais os nomes de seus mestres os quais apoiavam a política do imperador. Isso levou ao fim o sistema teológico do século XIX.

Nos últimos 60 anos, o pós-milenismo teve uma grande queda de popularidade. Essa queda tem sido mais resultante de fatores históricos do que mesmo exegéticos. As mudança no sistema sócioeconômico e político do mundo têm causado uma forte guinada no sistema teológico não só do pós-milenismo, mas também em outras áreas da teologia. A verdade é que no transcorrer do tempo a experiência comprovou que o milênio ainda não havia chegado.

O pós-milenismo tende a se definhar cada vez mais nos dias atuais. À medida que o mundo vai piorando e a igreja vai se corrompendo e se enfraquecendo moralmente o pós-milenismo vai perdendo terreno em sua popularidade e aumentando a aceitação o pré-milenismo.

Atualmente, o pós-milenismo vive numa baixíssima popularidade como viveu durante a idade média o pré-milenismo. Mas ele não está completamente morto, pode voltar a qualquer momento a crescer sua influência.

PRÉ-MILENISMO

O prefixo "pré" significa primeiro, trás a idéia daquilo que vem antes. A idéia é que Cristo vem antes do milênio, ou seja, o milênio só se iniciará após a vinda de Cristo. Esse é o ponto crucial que faz o pós-milenista ser diferente de pré-milenista.

As igrejas evangélicas de modo geral são praticamente todas pré-milenistas, de certa forma, é bem claro, simples e definido. Seu principal perfil é fácil de ser discernido.

Um dos maiores problemas do pré-milenismo é que eles se divide em duas posições escatológicas, e assim fica difícil de compreender qual é o pré-milenismo genérico e os respectivos aspectos específicos de seus subtipos. Antes de comentarmos sua principal doutrina vamos resumidamente, mostrar uma visão panorâmica de seus principais aspectos.

HISTÓRIA DO PRÉ-MILENISMO

Mesmo antes do desenvolvimento da teologia do Novo Testamento podemos encontrar fortes indícios da crença numa iminente vinda dramática de Cristo envolvida com eventos dramáticos e cataclísmicos. Tudo indica que o que chamamos pré-milenismo era a crença dominante da igreja apostólica, numa época em que os crentes criam firmemente no fim do mundo e na parousia de Cristo. Eles aguardavam para breve a volta de Cristo para estabelecer um reino de paz. Essa crença parecia ser mais acentuada no grupo de cristãos vindos do judaísmo que pensavam que Jesus ainda iria restaurar o reino de Israel. Não esperavam que o reino fosse estabelecido no plano pré-milenista de forma gradativa, mas num fragrante de uma só vez. Essa esperança continuava acentuada em épocas pós-apostólicas, mas não para tão breve como pensavam antes no período apostólico. É que os crentes ficaram um tanto decepcionados pelo fato de Jesus não Ter vindo numa época breve dentro de suas expectativas. Mas os cristãos continuaram na esperança, só que não para tão breve como pensavam antes.

Com o fim da igreja apostólica iniciou o período dos pais da igreja (os apologistas) os quais de certa forma se omitiram a fazer muitos comentários dentro desse tema. Mesmo assim, nem todos se silenciaram. Justino Martir, que viveu em Éfeso por volta do ano 100-165 argumentou que a crença na ressurreição era algo indispensável à fé cristã. Para ele, os que não tinham essa crença não eram dignos de serem chamados cristãos. Acerca do Apocalipse ele fez o seguinte comentário:

"... um homem dentre nós, de nome João, um dos apóstolos de Cristo, profetizou em uma revelação que lhe foi feita , de que aqueles que confiassem em Cristo passariam mil anos em Jerusalém, e que depois da ressurreição universal e eterna de todos ao mesmo tempo, terá lugar o juízo".

Sendo assim, é certo crer que a crença num milênio literal é bastante antiga e tem envolvido nomes de grandes expoentes da fé cristã como Justino,

Orígenes, Papias, Irineu, Lactâncio e outros.

Justino dividiu os cristãos do seu tempo em duas categorias: a que esperava um reino terrestre de Cristo, e a que não tinha esperança em nenhum milênio futuro. Para ele, Jesus iria reinar em Nova Jerusalém que futuramente seria edificada no mesmo local geográfico da antiga Jerusalém. Ele argumentava que a primeira categoria de cristãos era ortodoxa e a segunda era relapsa, possuidora de uma fé incerta. As profecias do Antigo Testamento eram interpretadas de forma literal por Justino. Sendo assim, ele afirmava que as profecias do Antigo Testamento que flam da glória futura do povo escolhido cumpririam no reino de Cristo e não na consumação final dos tempos. Esse conceito de Justino recebeu o nome de quiliasmo. É estranho que esse conceito de Justino não aparece em seus documentos apologéticos. Alguns pensam que essa omissão é devida ao fato de que poderia despertar nas autoridades romanas do seu tempo um certo receio com respeito ao um reino universal lindouro, visto que Roma tinha a hegemonia política e governamental de quase o mundo todo daquele tempo. Talvez homens como: Atenágoras, Tassiano e Teófilo se omitiram a falar de um reino terrestre de Cristo pela mesma razão.

Pelo que nos consta Irineu ( também um dos pais da igreja ) que viveu por volta do ano 130-200 também era pré-milenista. Ele foi mais direto ao assunto do que Justino. Seu argumento sobre o milênio era mais lógico e mais bem definido do que o de Justino. Para esse fim, ele expôs dois argumentos. No primeiro ele dizia que o aperfeiçoamento dos crentes ocorrem em conexão

com a visão de Deus. O reino milenar de Cristo que ocorre entre a condição do homem aqui e agora, e a felicidade eterna suprema, treina o homem para esta visão. No segundo argumento, ele dizia que a vitória de Cristo seria imcompleta se fosse apenas dentro do mundo do porvir. Sendo assim se faz necessário que este mundo também cumpra os desígnios de Deus. A vitória de Cristo deve ser celebrada no tempo antes dele reinar na eternidade.

Parta Irineu, o esplendoroso reino milenar seria o aperfeiçoamento das bençãos da atualidade. O que hoje é bom, no milênio será melhor. Não é muito difícil perceber que as conclusões de Irineu nasceram dos conceitos escatológicos do judaísmo. Para ele a terra seria completamente renovada e a cidade de Jerusalém totalmente reedificada transformando-se em uma cidade esplendorosa. A humanidade seria aperfeiçoada. Portanto, se tornaria justa e feliz. Nesse estado de glória a tristeza daria lugar à felicidade, o trabalho penoso cederia lugar ao descanso. A lua passaria a brilhar como atualmente brilha o sol e o atual brilho do sol aumentaria sete vezes mais. A fertilidade da terra aumentaria considerávelmente e esta passaria a produzir abundantemente. Além de tudo isso haveria perpetuamente uma mesa posta com todo tipo de alimentos deliciosos. Ninguém mais teria fome nem falta de nada.

Naquela época, houve quem chegou a dizer que o tempo da humanidade na terra duraria somente seis mil anos, cujos anos correspondiam com os seis dias da criação. Para cada dia, haveria um ano.

Homens como Irineu, Hipólito, Lactânio e outros em conformidade com a Epistola de Barnabé observam que a primeira vinda de Cristo teria ocorrido na casa do sexto período de mil anos, e que no fim desse período Jesus voltaria pela Segunda vez para estabelecer o milênio. O sétimo período de mil anos (o milênio) seria correspondente ao sétimo dia em que Deus descansou após sua criação. Nesse caso, a segunda vinda de Cristo não poderia passar de mil anos. Uma variante do quiliasmo era crer que nesse período milenar ao estado judaico seria restaurado e Davi voltaria para reinar na terra fisicamente voltando a praticar no templo as antigas liturgias inclusive sacrifícios de animais. Esse é um aspecto `milenista muito judaizado. Em geral, os pré-milenistas comuns apesar de crer numa eventual restauração de Israel não concordavam com o esquema os quialistas.

Não demorou muito tempo para que esse quiliasmo sofresse grandes restaurações, especialmente dos teólogos do Oriente. E uma das razões se deu pelo fato dos montanistas terem excedido muito nessa ideologia.

Orígenes, Dionísio, e Clemente foram os maiores opositores do quiliasmo. O principal argumento era que tal sistema além de basear mais em outras doutrinas judaicas do que em doutrinas cristãs havia um excesso de fantasismo desregrado ,principalmente da parte dos montanistas. Um outro

fator importante residia no fato em que o esquema quiliasta era muito grosseiro e materialista, e como Orígenes tendia a entender os conceitos mais pelo lado espiritual ele levou consigo a maior parte do grupo intelectual. Houve vários debates e controvérsias sobre esse tema. Isso quase levou a igreja egípcia a uma divisão no alvorecer do cristianismo. Finalmente, se estabeleceu um consenso onde criaram um conceito meio espiritualizante. Não prevaleceu a idéia de Orígenes, mas também Não ficou nenhum lugar para o quiliasmo.

Nas igrejas ocidentais o quiliasmo prevaleceu por muito tempo, apesar de não ser universalmente aceito. O quiliasmo continuou até os tempos de Agostinho. Daí pra frente sua influência foi bastante reduzida devido ao fato das idéias agostinianas. A princípio o próprio Agostinho afirmava o milenismo. Só mais tarde, quando ele reformula os conceitos apocalípticos é que ele passou do milenismo

para o amilenismo e talvez para o pós-milenismo, tendo em vista que os dois conceitos são bastante idênticos. O quiliasmo não foi totalmente extinto, continuou sendo defendido até por alguns intelectuais como o próprio Lactânio. Mas algumas modificações. Lactânio rejeitava o extremismo quiliasta como, por exemplo, a reencarnação de Nero na pessoa de Anticristo.

No transcorrer do tempo, especialmente durante a idade média, o pré-milenismo sofreu grande baixa. O conceito agostiniano foi que predominou por muito tempo na igreja ocidental. Somente algumas seitas esporádicas é que afirmavam o pré-milenismo. Em algumas ocasiões o conceito pré-milenista era tolerado, e em outras era considerado pura heresia. Somente pequenos grupos esporádicos ousavam a continuar defendendo a idéia pré-milenista.

Mais tarde no período da reforma protestante, a maioria dos grupos reformados como os luteranos calvinistas e outros permaneceram afirmando os conceitos de Agostinho. Só nos grupos radicais como no caso dos anabatistas é que o pré-milenismo foi defendido pelas principais correntes do cristianismo.

Nos últimos cem anos, o pré-milenismo voltou a crescer considerávelmente, especialmente nos seguimentos conservadores. O surgimento da variedade dispensacionalista nesses últimos cem anos tem feito aumentar grandemente o conceito pré-milenista. Nos movimentos Batistas conservadores e nas igrejas independentes e fundamentalistas o pré-milenismo é quase universalmente tido como doutrina fundamental.

VISÃO PANORÂMICA DO PRÉ-MILENISMO

A doutrina principal do pré-milenismo é a idéia de um reino terrestre de Cristo que terá inicio na sua segunda vinda. Com respeito a esse reino terrestre, o pré-milenista tem alguma coisa em comum com o pós-milenista. Uma delas é a crença que haverá um período de tempo em que a vontade de Deus será cumprida entre os homens na Terra. Será um período em que na terra haverá paz, amor e justiça entre os homens. Uma variante nesse ponto de vista entre os pré-milenistas está no fato em que alguns entendem que os mil anos se trata de um longo período de tempo, não necessariamente mil anos exatos. Sem se importar se os mil anos sejam exatos ou não o que eles tem em comum é que nesse período Cristo reinara fisicamente na terra. Isso contraria o ponto de vista dos pós-milenistas que afirma que o reino de Deus será na terra, mas antes da volta de Cristo, a qual será para inaugurá-lo e não inicia-lo.

Para o pré-milenista, a chegada do milênio será de forma dramática percebida claramente por todos, não deixando nenhuma dúvida a quem quer que seja. A volta de Cristo para estabelecer o milênio será tão clara e inconfundível como foi sua ida. Todo olho verá. Enquanto o pós-milenista diz que esse milênio é iniciado de forma sutil quase imperceptível e que se desenvolve gradativamente através do aperfeiçoamento de todas as sociedades do mundo, e que será inaugurado de forma dramática por meio de eventos catastróficos na volta física de Cristo.

Para o pré-milenista, o milênio não será um período de aperfeiçoamento da sociedade atualmente presente na terra. Não se efetuará pelo esforço humano, nem pelo aperfeiçoamento ético e espiritual das nações. Muito pelo contrário, sua chegada será antecedida por uma grande degradação espiritual, moral e ética. Para essa afirmação, o pré-milenista cita Mat. 24.12, onde Jesus diz o seguinte:

"E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará (Mateus 24.12)"

Sendo assim, a mudança do comportamento da sociedade não será gradativa nem imperceptível como afirma o pós-milenista, mas de forma sobrenatural, porque será realizada compulsoriamente por Deus.

 

CONCLUSÃO

Todos os Santos filhos de Deus por Jesus Cristo o Senhor, concordavam quanto às conseqüências definitivas da volta de Cristo.

Não importavam as discórdias quanto aos detalhes, todos os cristãos que tem a Bíblia por autoridade final, tem certeza definitiva da volta de Cristo será o julgamento dos incrédulos e a recompensa final dos que crêem e estes viverão com Cristo, por toda a eternidade, num novo céu e numa nova terra.

Deus pai, Filho e Espírito reinará e será cultuado num reino eterno em que já não haverá pecado, dor ou sofrimento.

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