Influência da Revolução Industrial na Administração

A INFLUÊNCIA DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL NA ADMINISTRAÇÃO

CURITIBA

2006


1 INTRODUÇÃO

O tema desta pesquisa é: a influencia da revolução industrial na administração, onde procurou localizar os acontecimentos ocorridos após a revolução industrial. Foi a partir desta pesquisa que percebemos a necessidade de estar pesquisando como a revolução influenciou na vida social, política e operária até os nossos dias. Investigando como os fatos ocorreram e como auxiliaram no desenvolvimento da administração cientifica.

Sendo as pesquisas iniciais no conteúdo de sala, de grande importância para traçar o conteúdo deste trabalho, pois as experiências vivenciadas em sala de aula foram fundamentais na formação do trabalho através da cooperação e participação do grupo.

Assim sendo, estudar e discutir o conteúdo no processo de desenvolvimento do trabalho foi fundamental para estruturar a construção, bem como a ampliação do conhecimento sobre as possibilidades de elaboração do trabalho, relatar esta pesquisa é de fundamental importância, pois permitiu mostrar que nosso grupo se aprofundou um pouco mais no assunto.

Como objetivo principal deste estudo, pretendeu-se compreender a importância da revolução industrial no processo de desenvolvimento da administração no inicio da fabricação em série, a partir de uma revisão de literaturas.

Como objetivos específicos pretendeu-se:

  • Analisar historicamente a origem da revolução industrial;
  • Ilustrar o porque a Inglaterra foi o berço da revolução industrial;
  • Evolução da revolução e sua influência na vida econômica, social, cultural e econômica;
  • Abordar em referencias teóricas o trabalhador x empregador
  • Investigar a vida de Taylor e Fayol, para resgatar a história da administração.
  • Resgatar os princípios científicos da Teoria Clássica da Administração.

Para fundamentos teóricos da pesquisa abordou-se autores que estudam a Revolução Industrial e a Administração, entre eles se destacam Idalberto Chiavenato e Henrique L. Corrêa, relatam em suas obras as fases dos acontecimentos da Revolução Industrial até a Administração Científica.

Esta pesquisa combinou dados dos mais conhecidos estudiosos, para registrar e exemplificar através de seus trabalhos a importância da Revolução Industrial no estudo da administração como ciência.

Para melhor compreensão do assunto primeiramente apresenta-se neste trabalho os principais fatos da revolução industrial, em um segundo momento apresenta-se a importância da revolução industrial para estimular o aprimoramento dos tempos e movimentos, em outro momento foi analisada a vida de Taylor e Fayol para relatar a influência deles na administração. Por último se relata a administração estudada como ciência.


2 A revolução Industrial

A Revolução Industrial foi um fenômeno internacional, tendo acontecido de maneira gradativa, a partir de meados do século XVIII. A Revolução Industrial provocou mudanças profundas nos meios de produção humanos até então conhecidos, afetando diretamente nos modelos econômicos e sociais de sobrevivência humana. Primeiramente em nível local, regional, para, logo em seguida, dar início à Revolução Industrial: em nível internacional de larga escala.


3 1ª Revolução Industrial

A Revolução Industrial começou a acontecer a partir de 1760, na Inglaterra, no setor da indústria têxtil, a princípio, por uma razão relativamente fácil de entender: com a mecanização dos sistemas de produção. Enquanto na Idade Média o artesanato era a forma de produzir mais utilizada, na Idade moderna tudo mudou. A burguesia industrial, ávida por maiores lucros, menores custos e produção acelerada, buscou alternativas para melhorar a produção de mercadorias. Também podemos apontar o crescimento populacional, que trouxe maior demanda de produtos e mercadorias.

A Inglaterra possuía grandes reservas de carvão mineral em seu subsolo, ou seja, a principal fonte de energia para movimentar as máquinas e as locomotivas à vapor. Além da fonte de energia, os ingleses possuíam grandes reservas de minério de ferro, a principal matéria-prima utilizada neste período. A mão de obra disponível em abundância, também favoreceu a Inglaterra, pois havia uma massa de trabalhadores procurando emprego nas cidades inglesas do século XVIII. A burguesia inglesa tinha capital suficiente para financiar as fábricas, comprar matéria-prima e máquinas e contratar empregados. O mercado consumidor inglês também pode ser destacado como importante fator que contribuiu para o pioneirismo inglês.

Um outro fator importante no acontecimento revolucionário industrial foi que, na Inglaterra, o consumo de tecidos de lã era muito maior que os de algodão. Os tecidos de algodão eram importados da índia, de modo que para proteger a indústria local de lã, o parlamento inglês criou tarifas pesadas sobre as importações dos tecidos de algodão estrangeiros e, dessa forma, acabou por incentivar a industrialização dos tecidos de algodão na própria Inglaterra – que, com a medida, ficavam sem concorrentes.

Até meados do século XVIII, a fiação tanto de lã como de algodão era feita manualmente em equipamentos toscos chamados rocas, roçadoras, de baixíssimo rendimento. A partir de 1764, James Hargreaves inventou e introduziu no mercado a sua famosa máquina "Spinning Jenny", que consistia numa máquina de fiar que multiplicou a produção em 24 vezes em relação ao rendimento das antigas rocas.

Logo em seguida, o mesmo inventor colocava à disposição do mercado uma nova invenção: a lançadeira volante "Fly-Schepel". A combinação desse processo de tecelagem com a fiação das "Spinning Jenny" produziu uma verdadeira revolução, que seria completada com a invenção do Bastidor Hidráulico de Richard Arkwright, que tornou possível a produção intensiva das tramas longitudinais e latitudinais – invento que foi otimizado com a chamada Mula Fiadora (Spinning Mule) inventada por Samuel Cropton, em 1789, uma combinação da Spinning Jenny de James Hargreaves com o bastidor de Richard Arkwright.

Com esses novos processos mecânicos, a produção aumentou de 200 a 300 vezes em comparação com o que era produzido antes, no mesmo tempo. Por outro lado, melhorou substancialmente a qualidade do fio. Ainda no século XVIII, em 1792 um outro invento de Eli Whitney conseguiu separar mecanicamente as sementes da fibra do algodão, de modo a reduzir substancialmente o seu preço.

As primeiras máquinas eram suficientemente baratas para que os fiandeiros pudessem continuar a trabalhar em suas casas. No entanto, na medida em que aumentavam de tamanho, deixaram de ser instaladas nas habitações para serem instaladas nas oficinas ou fábricas perto dos cursos d’água que podiam ser utilizados como fontes de força motriz. É importante lembrar, que, até então, toda força motriz utilizada na indústria incipiente era de fonte hidráulica. A transição da indústria doméstica para o sistema fabril não se fez do dia para a noite, de modo que, durante muito tempo, a fiação de algodão continuou sendo feita em casa, assim como nas primeiras fábricas.

Entretanto, em 1851, já três quartos das pessoas ocupadas na manufatura trabalhavam em fábricas de médio e grande porte. Porém, a tecelagem continuou sendo uma indústria doméstica, até que surgiu a invenção de um tear mecânico, que era barato e prático. Com essas invenções, os tecelões manuais foram deslocados para as fábricas e, praticamente, com o passar do tempo, acabaram por desaparecer.

As inovações introduzidas na indústria têxtil deram à Inglaterra uma extraordinária vantagem no comércio mundial dos tecidos de algodão, a partir de 1780. O tecido era barato e podia ser comprado por milhões de pessoas que jamais haviam desfrutado o conforto de usar roupas leves e de qualidade. Em 1760, a Inglaterra exportava 250 mil libras esterlinas de tecidos de algodão e, em 1860, já estava exportando mais de 5 milhões. Em 1760, a Inglaterra importava 2,5 milhões de libras-peso de algodão cru, e já em 1787 importava 366 milhões.

Ao lado das grandes invenções no campo da indústria têxtil, surgiu uma outra grande invenção: a máquina a vapor, de James Watts, em 1763. Segundo alguns historiadores, foi essa combinação das invenções no campo da indústria têxtil e a máquina a vapor, principalmente na indústria de mineração, dos transportes ferroviários e marítimos, que, num período de 100 anos (1770 a 1870), caracterizaram e promoveram a grande Revolução Industrial.

O rápido crescimento da população no continente europeu e nas colônias, principalmente entre 1800 e 1850, fizeram com que, também, em outros países da Europa, se construísse um clima favorável à proliferação industrial.

Um elemento importante no contexto da Revolução Industrial foi a melhoria generalizada dos sistemas de transportes, nas mais variadas partes da Europa: Na Áustria, foram construídos mais de 48 mil Km de estradas, entre 1830 e 1847; a Bélgica quase dobrou sua rede de estradas no mesmo período; a França construiu, além de estradas, 3.200 Km de canais. Nos Estados Unidos, onde a industrialização se processou num ritmo cada vez mais veloz, depois de 1830, o total das estradas saltou de 34.000 km, em 1800, para 272.000 km, em 1856.

Por volta de 1840, os países da Europa Continental e também os Estados Unidos, seguiam mais ou menos lentamente o rumo da industrialização inglesa. Nos 10 anos seguintes, porém, o advento das estradas de ferro alterou inteiramente essa situação.

A explosão das ferrovias provocou um surto de expansão em todas as áreas industriais. Não só aumentou em enormes proporções a demanda de carvão e matérias-primas, como também de grande variedade de bens pesados, como: trilhos, locomotivas, vagões, sinais, chaves de desvio, como também possibilitou um transporte mais rápido das mercadorias da fábrica para o ponto de venda, reduzindo o tempo de distribuição e o custo das mercadorias.

Entre 1850 e 1870, a Grã-Bretanha continuou a ser o gigante industrial do Ocidente. Entretanto, pouco a pouco, a França, a Alemanha, a Bélgica e os Estados Unidos viriam a assumir posições cada vez mais importantes.

A sustentação de uma posição privilegiada no campo industrial levou os países europeus a uma política agressiva na área de comércio internacional, procurando impedir que outros países, principalmente fora da Europa, desenvolvessem satisfatoriamente as suas indústrias. A Europa usava seu poderio econômico e, quando necessário, sua força militar, para garantir que o mundo permanecesse dividido entre os produtores de manufaturas e os fornecedores das matérias primas, localizadas principalmente nos países colonizados. Este foi um aspecto da divisão do trabalho que, em nível mundial, mais caracterizou a Revolução Industrial.

3.1 Resultados da 1ª Revolução Industrial.

Com a Revolução Industrial, ocorreu um enorme aumento da produtividade, em função da utilização dos equipamentos mecânicos, hidráulicos, da energia a vapor que passaram a substituir a força animal e, ainda mais agravante, dispensava o trabalho humano. Esse aumento de produtividade aliado ao excesso de mão-de-obra geram, inevitavelmente, desemprego. E novas levas de milhares e milhares de trabalhadores desempregados vão se incorporar à grande massa dos mendigos.
Essa situação foi muito mais dramática na Europa Continental do que na Inglaterra por uma questão de emigração dos ingleses que deixaram as ilhas britânicas em direção a outras partes do mundo, principalmente Estadas Unidos, Austrália, Nova Zelândia e algumas regiões da África. Essa emigração foi acentuada a partir de 1850, em cuja década alcançou mais de 2,5 milhões de pessoas contra apenas 200 mil ingleses que emigraram na década de 1820.

A situação só não foi mais catastrófica por que ao lado da Revolução Industrial ocorreu também uma Revolução Agrícola. A utilização de novos métodos agrícolas, rotação de safras, sementes selecionadas e o surgimento de novos equipamentos agrícolas, produziram um extraordinário aumento na produção de alimentos. Isso tornou o preço da alimentação mais barato e ajudou enormemente a sobrevivência dos trabalhadores. É bem verdade que, aí também, há um aspecto perverso: na medida em que melhoraram os preços e as condições de alimentação, o número de filhos por família aumentava assustadoramente.

Como vimos anteriormente, ocorreu com a Revolução Industrial um extraordinário desenvolvimento da indústria têxtil, que veio acompanhada de forte expansão na produção agrícola de algodão - principalmente nas colônias - e da pecuária de carneiros para a produção de lã. Na Inglaterra, essa alteração na estrutura da produção agrícola representou uma transferência profunda da agricultura de alimentação para subsistência por uma nova atividade: a criação de carneiros, que ocupava enormes extensões de terra.

Essa mudança na estrutura da produção representou simplesmente a expulsão de milhares e milhares de camponeses de suas terras, para que os grandes proprietários expandissem a produção da lã. Esses camponeses expulsos de suas terras foram parar nas cidades, onde muitos encontravam empregos na indústria, mas a maioria perambulava desempregada.

O excesso de mão-de-obra nas cidades industriais fez com que baixassem tremendamente os salários dos trabalhadores. É verdade que alguns trabalhadores especializados, nas novas fábricas, melhoravam seus padrões de vida. Mas a maioria ganhava o suficiente apenas para se alimentar e sobreviver. Segundo a "História da Civilização Ocidental", de Edward Burns e outros, na cidade industrial de Bolton, na Inglaterra, no ano de 1842, um tecelão manual não conseguia ganhar mais do que cerca de três xelins, enquanto, nessa época, estimavam-se necessários pelo menos 20 xelins semanais para manter uma família de cinco pessoas um pouco acima do limite da miséria.

Na área da habitação, a situação era igualmente constrangedora. Em muitas das grandes cidades, homens e velhos viviam em casa de cômodos, separados de suas famílias que haviam deixado no campo. Os trabalhadores mais pobres, em quase todas as cidades européias, moravam em horríveis quartos de porão, muitas vezes destituídos de luz, de água e de esgotos.

Daí a ocorrência intensa e freqüente da cólera, do tifo e da tuberculose, que produziam uma enorme mortalidade infantil. Os historiadores diziam e dizem ainda hoje que podiam se considerar felizes os trabalhadores que não morressem de fome.

Igualmente penosas eram as condições de trabalho nas fábricas: antes de 1850, a jornada fabril era longa, em geral de 12 a 14 horas diárias. O ambiente das fábricas era sujo e perigoso. As máquinas eram desprotegidas e ocasionavam freqüentes acidentes de trabalho, muitas vezes mutilando os trabalhadores. Por outro lado, havia um tremendo rigor em relação ao horário de trabalho e à permanência dos trabalhadores junto às máquinas. Ao lado disso, havia, na maior parte das fábricas, a preferência na contratação de mulheres e crianças, pois, além de protestarem menos quanto às condições de trabalho, pareciam conformadas em aceitar salários menores.

É no contexto da Revolução Industrial, da deterioração das condições de vida dos trabalhadores, do desemprego e da miséria, que a Europa vai se aproximando da Revolução Francesa de 1789. Agravou a situação uma sucessão de más colheitas, resultando na escassez de alimentos e na elevação de seus preços. A fome e a miséria são os principais ingredientes da revolta do povo que levou à Revolução Francesa. As últimas décadas do século XVIII registraram esse quadro doloroso na Europa, onde desemprego e fome multiplicavam incrivelmente o número dos mendigos e vagabundos.

No inverno, viviam todos recolhidos às suas pobres casas e cabanas procurando algum aquecimento em seus abrigos, mas, na primavera, surgiam os bandos de salteadores, criando insegurança nos campos e nas estradas.

No entanto, chegou um momento, no final da década de 1780, em que os camponeses se armaram e iniciaram uma grande revolta conhecida com o nome de "O Grande Medo", invadindo os castelos e queimando os títulos de propriedade. Nas regiões de Macon e Beaujolais, 72 castelos foram incendiados. O medo de perder suas terras levou os burgueses a se unirem aos nobres e a organizarem tropas armadas para repelir as invasões gerando uma luta de classes violenta e sangrenta.

A crise econômica que veio na esteira da Revolução Industrial e da Revolução Francesa provocou enormes agitações políticas em toda a Europa. Contra o chamado "capitalismo selvagem", idéias socialistas foram gradativamente ganhando corpo, minando as estruturas do Estado e da burocracia. Os trabalhadores começaram a se organizarem em Sindicatos e ganharam enorme poder de luta na defesa de seus interesses. Na Inglaterra, realizou-se um movimento político reformista de grande significação, o então chamado "Cartismo", entre 1833 e 1848, cujo programa (Carta do Povo) organizado pela "Associação dos Operários", que consegue a primeira lei de proteção ao trabalho da criança (1833) e das mulheres (1842), assim como a limitação da jornada de trabalho a 10 horas (1847).

No campo político, uma onda revolucionária varreu a Europa, na França, Itália, Alemanha, Suíça, após a derrubada do Rei Carlos X, na Revolução Popular de 1830 que escolheu Luiz Felipe como monarca. Na grande Revolução de 1848, Luiz Felipe é destronado e Luiz Bonaparte, sobrinho de Napoleão, é eleito presidente da República da França.

A Revolução Industrial na sua seqüência tomou, no plano das idéias, dois rumos diferentes: em uma vertente, desenvolveram-se as idéias do liberalismo econômico, segundo os postulados dos grandes economistas do final do século XVIII, principalmente Adam Smith, David Ricardo, Jean Batista Say e John Stuart Mill. De outro lado surgiram, mais tarde, as reações de cunho socialista, que atingem um ponto máximo com o Manifesto Comunista de 1848, de Karl Marx e Friedrich Engels.


4 A Segunda Revolução Industrial

A partir do final do século XX, os ganhos de escala se potencializam devido ao crescimento da disponibilidade de aço, uma das marcas da segunda revolução industrial. No atual contexto, qualquer oscilação de demanda ou fluxo de matéria prima, que antes poderiam ser enfrentadas com modificações na mão-de-obra, transforma-se em graves entraves devido à mecanização intensiva.

A alternativa para uma nova dinâmica de crescimento foi a integração vertical, através de processos de fusões e incorporações, que modificam profundamente a estrutura empresarial. Em todos os setores em que havia a possibilidade técnica de exploração de ganhos de escala, surgiram grandes empresas, verticalmente integradas em suas cadeias produtivas e operando nos grandes mercados nacionais.

Para que o processo seja eficiente é preciso uma profissionalização na gestão empresarial, pois é preciso assegurar além de um sistema de produção eficiente, também é preciso maximizar os resultados em termos de compras, distribuição e marketing, que extrapola em muito a capacidade gerencial e financeira do empresário. Logo, a verticalização exige uma complexa estrutura administrativa que marcará a segunda revolução industrial através da empresa de sociedade anônima, gerenciada por uma estrutura hierárquica de administradores profissionais assalariados.

A estrutura administrativa passa a representar um elevado custo fixo e devido a atividades não mecanizáveis, essa estrutura se caracteriza pela baixa produtividade. Dessa forma, além de aumentar sua participação em termos de número de funcionários, a estrutura reduz os ganhos de produtividade de áreas operacionais.

A maximização do lucro no curto prazo perde espaço para a maximização de lucros de longo prazo, através de uma expressiva reinversão de lucros de forma a garantir a ampliação da própria estrutura administrativa. Serão desenvolvidas novas oportunidades de investimento, criando novas demandas através de um marketing agressivo, bem como interiorizando a própria dinâmica de inovação através de laboratórios internos de P&D: cria-se uma organizada insatisfação em termos de se delinear um desejo para ser satisfeito.

Alimenta-se na indústria a mística de lucratividade da ciência - onde empresas começam a financiar tanto a pesquisa básica como a aplicada. Ao contrário do empirismo tecnológico, totalmente dissociado da ciência, que caracteriza a primeira revolução industrial, a dinâmica tecnológica comandada pela grande empresa se associa com a ciência acarretando uma aceleração do processo de desenvolvimento científico e tecnológico.

A nova hegemonia ficará a cargo dos EUA que, às vésperas da Primeira Grande Guerra detém 40% do PIB dos países desenvolvidos e passa a 50% ao final da Segunda Guerra. O sucesso foi atribuído a três fatores. O primeiro foi em função de uma estrutura maior de capital aberto de suas empresas, devido a serem retardatários na primeira revolução industrial. O segundo fator foi a aceleração do processo de verticalização devido à forte preocupação americana com o livre mercado e sua oposição a cartéis. O mais importante fator foi a grande adequação e aceitação da sociedade americana ao produto padronizado.

Conforme caracterizado por Rosenberg: "... por todo um completo leque de produtos tem-se a evidência de que os consumidores britânicos impuseram seus gostos sobre os produtores, constrangendo-os seriamente com relação à exploração da tecnologia das máquinas. Observadores ingleses freqüentemente notavam, com grande espanto, que os produtos americanos eram projetados para se adaptar, não ao consumidor, mas sim à máquina...".

4.1 A Eletrificação da Sociedade

A energia elétrica está para a segunda revolução industrial assim como a máquina a vapor esteve para a primeira e com a luz elétrica as taxas de lucratividade foram elevadas, permitindo o acelerado crescimento industrial. Motores e máquinas menores e toda a parafernália eletrônica subseqüente permitiram o desenvolvimento de um grande número de utilidades domésticas, que seriam os bens de consumo duráveis que, juntamente com o automóvel, constituem os maiores símbolos da sociedade moderna.

O desenvolvimento da indústria de utilidades domésticas ocorre como resposta natural à escassez e ao encarecimento da mão-de-obra de serviços domésticos. Ou seja, a mão-de-obra de baixa qualificação migra para a indústria e os salários dos serventes tendem a acompanhar os salários industriais. Com o crescimento do movimento feminista, vincula-se a idéia que as "donas de casa devem se libertar da escravidão do trabalho doméstico", o que intensifica a demanda por utilidades domésticas devido ao aumento da renda familiar.

4.2 A exploração do trabalho infantil

Durante a Revolução Industrial houve uma grande oferta de emprego nas fábricas, a ponto de várias famílias mudarem-se de suas casas em áreas rurais bastante afastadas, para a cidade. O trabalho artesanal desenvolvido pelas famílias já não era páreo para a produção industrial, portanto as pessoas tiveram que render-se frente a essa concorrência.

Com a grande oferta de empregos, muitos trabalhadores eram contratados de regiões bastante distantes, porém não havia oferta para a sua família, portanto ele seria forçado a deixar sua esposa e seus filhos, o que muitas vezes não acontecia, o trabalhador recusava-se a mudar-se sem sua família. Além disso, o trabalho de apenas uma pessoa não era suficiente para suprir as necessidades de uma família. Muitas eram tão miseráveis, que nem mesmo com marido e mulher trabalhando era possível manter-se, o que obrigava as crianças a trabalhar, também sob as mesmas rígidas e desumanas condições; comprometendo o seu físico para o resto da vida, deixando-as franzinas, frágeis e maltrapilhas, apenas para ganharem mal e para sua mera subsistência. Assim o número de crianças trabalhando nas fábricas no final do século XVIII foi crescente. Os trabalhadores e suas famílias formavam um quadro desesperador, aceitando todas as condições de trabalho a eles impostas, como baixos salários, carga horária excessiva e também multas por eventuais falhas; isto para citar pouca coisa.

Ao mesmo tempo, as indústrias passaram a ser mal vistas pela população devido às condições que os empregados trabalhavam. As fábricas passaram a ser consideradas quartéis ou prisões, assim, os trabalhadores independentes deveriam evitá-las. Para ajudar ainda mais nessa deturpação das fábricas, as autoridades da Poor Law reuniam pobres em casas-oficina para tecer, assim, as fábricas, que reuniam seus empregados, passaram a ser vistas como casas de correção.

Os avanços tecnológicos também permitiram a substituição da mão-de-obra adulta pela infantil, principalmente pela menor força necessária e por uma certa automação, que não exigia muito conhecimento dos empregados.

Portanto, esses foram os principais motivos da inserção do trabalho infantil nas indústrias. Já a massificação dessa exploração aconteceu com a migração da população rural para a cidade. Como foi citado acima, isso aconteceu principalmente pela grande oferta de emprego nas áreas urbanas e pela impossibilidade dos produtos domésticos concorrerem com os industriais.

Logo os patrões observaram muitas vantagens na mão-de-obra infantil. As fiações por exemplo não necessitavam de muita força muscular e "o pequeno porte das crianças e a finura de seus dedos faziam delas os melhores auxiliares das máquinas". Elas também obedeciam facilmente ordens que um adulto dificilmente obedeceria, custavam menos, pois recebiam menores salários e no lugar desses poderiam receber somente alojamento e alimentação, ambos bastante precários, como pagamento. Eram feitos contratos de aprendizagem que prendiam as crianças por sete anos às fábricas ou até alcançarem a maioridade. Com essa fácil adaptação - que na verdade era forçada - das crianças, dizia-se que era "quase impossível transformar pessoas que tivessem abandonado as atividades rurais ou profissões manuais, depois da puberdade, em úteis trabalhadores de fábrica", ou melhor, os adultos dificilmente conseguiam adaptar-se ao novo sistema de trabalho, enquanto que as crianças eram facilmente controladas.

Assim, devido a tantas vantagens para os patrões, houve um interesse cada vez maior em empregar o máximo possível de crianças e reduzir, proporcionalmente, o número de operários adultos, causando um aumento considerável no desemprego entre estes. O que era para ser apenas um complemento do trabalho adulto e da renda familiar, passou a ser a base do novo sistema e também um fato normal. "A criança era uma parte intrínseca da economia industrial e agrícola antes de 1780 e como tal permaneceu até ser resgatada pela escola". O ápice da exploração do trabalho infantil está compreendido entre 1780 e 1830; o crescimento da mão-de-obra infantil aumentava ano a ano, e o emprego infantil era defendido para que as crianças não ficassem desempregadas. Elas representavam um terço ou ainda mais da metade da força de trabalho nas indústrias algodoeiras. No restante dos trabalhadores, formado por adultos, mais da metade eram mulheres.

Certamente um dos grupos que mais sofriam com as condições de trabalho era a dos "aprendizes das paróquias". As paróquias negociavam crianças abandonadas para enviar às fábricas. Durante o período em que as fábricas eram construídas fora das cidades, a obtenção de mão-de-obra era mais difícil, portanto essa venda de crianças em grande quantidade facilitava a vida dos patrões. Negociavam-se entre cinqüenta e cem crianças de uma só vez.

Para irem às fábricas, era necessário o consentimento das crianças e, para isso, os próprios funcionários das paróquias diziam que a vida delas melhoraria, que teriam vários tipos de mordomias, inclusive boa comida, boa moradia e riqueza, o que não passava nem perto da realidade. As condições que as fábricas ofereciam já eram bastante conhecidas pelos adultos, tanto que há exemplo de pais que queriam buscar seus filhos ao saberem que a criança ia trabalhar em uma fábrica no sistema de aprendizagem. Livrando-se das suas crianças, as paróquias, na realidade, queriam cortar seus gastos. Ao contrário do que pode-se pensar, elas não estavam pensando na crianças, não estavam interessadas em garantir um futuro a elas. "As paróquias sempre procuraram colocação para suas crianças abandonadas, menos no interesse delas do que para reduzirem seus encargos". Já em 1697 existia uma lei que obrigava os patrões a aceitarem essas crianças para aprendizagem. Esses acertos feitos entre a paróquia e as fábricas eram bastante vantajosos para ambos, menos para a criança, que passou a ser tratada como uma mercadoria.

Inicialmente esses "aprendizes das paróquias" foram as únicas crianças a trabalharem nas fábricas. Os operários negavam-se a empregar seus filhos, porém, mais tarde isso foi inevitável devido às necessidades das famílias. Alguns dos filhos desses operários passaram a morar nas fábricas. Haviam também as crianças tidas como indigentes, que eram levadas às fábricas sob o pretexto de terem uma educação correta.

Esses aprendizes eram praticamente escravos, pois ficavam trancados nas fábricas, onde ninguém podia vê-los e defendê-los, e seu trabalho só terminava quando suas forças esgotavam-se, isto é, uma jornada de catorze a dezoito horas. Em 1816, perante o Parlamento, um ex-capataz de cerca de 150 aprendizes numa tecelagem de algodão em Backbarrow, chamado John Moss, disse que todos os aprendizes eram órfãos com idades entre 7 e 15 anos, sendo aprendizes até os 21 anos. A jornada de trabalho começava às 5 da manhã e se estendia até às 8 da noite, totalizando, no mínimo, 15 horas diárias de trabalho. Quando havia algum problema com as máquinas, ou qualquer outro incidente, as crianças eram obrigadas a repor as horas perdidas de trabalho.

O intervalo reservado às refeições, que durava aproximadamente quarenta minutos, nunca era realizado por todos. Enquanto alguns alimentavam-se, outros limpavam as máquinas, sem depois terem direito ao intervalo perdido. Outras máquinas nunca paravam. Enquanto algumas crianças dormiam, outras trabalhavam, revezando-se em três turnos diários. Ocorriam muitos acidentes nas máquinas devido ao estado de sonolência e ao cansaço dessas crianças. "Foram incontáveis os dedos arrancados, os membros esmagados pelas engrenagens".

Há registros de indústrias que tratavam as crianças com brutalidade, usando chicote para acordá-las, forçá-las a continuarem trabalhando e para corrigi-las. Outras vezes os patrões tratavam-nas a socos e pontapés.

Mas eram os contramestres, os quais recebiam de acordo com o trabalho realizado nas oficinas, que tratavam as crianças com mais crueldade. Não permitiam-nas terem sequer um minuto de descanso. Como castigo chegavam a por as crianças para trabalhar nuas durante o inverno e até mesmo a limar-lhes os dentes. Caso houvesse alguma tentativa de fuga eram colocados ferros nos pés. No desespero outras tentavam suicidar-se. Esses contramestres também chegavam a abusar sexualmente das crianças enquanto estavam nos dormitórios das fábricas, apesar de que muitas delas, de tão cansadas, chegavam a optar por dormir na própria fábrica, fora do dormitório. Thomas Clarke, um garoto de 11 anos, deu em 1883 um depoimento sobre o seu trabalho. Dizia que se as crianças dormissem, eram agredidas com golpes de cordas com nós.

A jornada de trabalho começava às 5 da manhã e ia até às 9 da noite. Porém, para chegar à fábrica, muitas crianças se aprontavam às 3 horas da manhã e só retornavam às 10 da noite (19 horas de trabalho!!), havia também trabalho noturno. No entanto, certas vezes, ele afirma ter varado a noite trabalhando porque assim teria algum dinheiro para poder gastar. São vários os relatos de garotos trabalhadores. Há também um depoimento de um administrador de uma fábrica para uma comissão parlamentar em 1832:

"P: A que horas da manhã, com tempo bom, essas moças chegam à fábrica?

R: Com tempo bom, durante cerca de seis semanas, chegam às três da manhã e saem às dez ou dez e meia da noite.

P: Que intervalos existem durante essas dezenove horas de trabalho para alimentação e descanso?

R: Quinze minutos, respectivamente para o almoço, lanche e jantar.

P: Alguns desses intervalos é utilizado para a limpeza de máquinas?

R: Quase sempre as moças são obrigadas a fazer o que chamam de "pausa seca", às vezes a limpeza toma todo o intervalo do almoço ou do lanche.

P: Não há dificuldades para acordar essas jovens depois de um trabalho exaustivo como esse?

R: Há sim; de madrugada é preciso sacudi-las para que acordem.

P: Tem havido acidentes com elas em conseqüência desse trabalho?

R: Sim, minha filha mais velha esmagou o dedo na engrenagem.

P: Perdeu o dedo?

R: Teve de ser cortado na segunda falange.

P: Ela recebeu pagamento durante o acidente?

R: No dia em que aconteceu o acidente, o pagamento foi suspenso."

As crianças de 4 anos (ou menos), trabalhavam até a cabeça pender de sono e os olhos ardessem e ficassem avermelhados. As de maior idade apanhavam, outras choravam de tanto trabalhar, dormiam em pé, tinham as mãos sangrando pelo atrito com os fios. Quando estavam junto de seus pais nas fábricas, estes davam palmadas para mantê-las acordadas, evitando que outros as agredissem. Os contramestres rondavam-nas com correias. Muitas não recebiam nada, às vezes perdiam os horários de lanche; as meninas não desenvolviam o quadril o que as impediria posteriormente de ter filhos, devido o estreitamento da ossatura pélvica que não permitiria a passagem do feto. Algumas crianças que apanhavam, às vezes revidavam e fugiam. Várias crianças chorando eram vistas correndo pelas ruas, indo em direção às fábricas, com medo de estarem atrasadas para o trabalho, sendo arrancadas de suas camas.

Vale lembrar que não foi somente durante ou após a Revolução Industrial que iniciou-se a exploração infantil. Já nas oficinas domésticas isso acontecia com uma certa freqüência. Em algumas regiões da Inglaterra as crianças começavam a trabalhar "assim que fossem consideradas capazes de atenção e obediência", aos cinco, quatro anos de idade e isso era motivo de admiração. Mas mesmo havendo essa exploração, as condições em que essas crianças trabalhavam não eram tão cruéis como nas indústrias. Na oficina doméstica elas, ao menos, trabalhavam nas mesmas condições de um adulto, isto é, sem passar dos seus próprios limites, sem trabalhar além de suas forças, com intervalos. A sua inserção no trabalho era feita de forma agradável e de acordo com sua idade e capacidade. O rigor ou não das tarefas era determinado pela necessidade da família. Nos períodos de maior dificuldade, os pais eram os mais exigentes, fazendo o papel de patrão dos próprios filhos. Mas com o advento das fábricas, a ruptura da economia familiar foi imediata e o trabalhador se viu obrigado a aceitar as imposições para poder sobreviver e manter sua família. "Em casa, as condições da criança variavam de acordo com o temperamento dos pais (...) e, de certa forma, seu trabalho era graduado de acordo com suas habilidades. Na fábrica, a maquinaria ditava as condições, a disciplina, a velocidade e a regularidade da jornada de trabalho".

Outro ponto importante é que nem todas as fábricas tratavam seus empregados dessa maneira, porém, as crueldades não podem ser vistas como raridade. Esse tratamento só diminuiu quando começou a haver um controle bastante severo. Em 1793 já haviam leis em que o patrão deveria indenizar a vítima ou sua família em caso de maus tratos. O problema é que além de ser uma indenização bastante injusta (no máximo de 10 libras), essas leis não foram levadas a sério. "E, mesmo sem os maus tratos, o excesso de trabalho, a falta de sono, a própria natureza das tarefas impostas a crianças em idade de crescimento, teriam bastado para arruinar sua saúde e deformar seus corpos".

A alimentação, além de ruim, era insuficiente: "pão preto, mingau de aveia, toucinho rançoso". As condições dentro da fábrica eram extremamente insalubres pois não havia preocupação com higiene e estética por parte dos arquitetos. Tetos baixos para maior aproveitamento de espaço com janelas pequenas que geralmente permaneciam fechadas. "Nas fiações de algodão, a borra pulverizada flutuava como uma nuvem, penetrando nos pulmões e causando, a longo prazo, os mais graves distúrbios. Nas fiações de linho, onde se praticava a fiação umedecida, a poeira de água saturava a atmosfera e molhava as roupas". Todas essas condições desfavoráveis acabavam por causar vários tipos de doenças. A aglomeração em ambiente fechado resultou numa febre facilmente contagiosa que teve seus primeiros casos em 1784, na região de Manchester e fez muitas vítimas.

Além de todos os problemas e violências físicas como mutilações e membros torcidos, esses aprendizes saíam da fábrica totalmente "ignorantes e corrompidos". Não tinham nenhum tipo de instrução e não sabiam outra tarefa senão aquela que fizeram durante anos, apenas manejando máquinas. Com isso ficavam condenados a permanecer dentro da fábrica, pois fora dela não teriam nenhuma oportunidade e não conseguiriam sobreviver.

Tendo em vista todos os maus tratos e más condições, pode-se perguntar se o patrão não tinha nenhum compromisso para com os seus funcionários. Na verdade, seu único dever era pagar pelos serviços. Se um operário ficasse doente e deixasse de cumprir seu trabalho, o patrão não o pagava e, muito menos dava algum tipo de apoio para melhorar a saúde do empregado.

Na sua maioria, as crianças trabalhavam em fábricas rurais. Na fábrica de Samuel Greg, em 1816, 17% do total de 252 operários tinham menos de dez anos e 30% tinham menos de dezoito. Já em uma fábrica urbana de Manchester, de um total de 1020 operários, 3% tinham menos de dez anos e 52%, tinham mais de dezoito anos. Isso mostra que, embora as fábricas rurais abrigassem uma porcentagem maior de crianças menores de dez anos, as fábricas urbanas tinham uma grande porcentagem de crianças acima de dez anos e abaixo dos dezoito, isto é, tinham grande quantidade de jovens.

Com o passar do tempo os operários resolveram reivindicar melhorias nas condições de trabalho. A mais pedida era a redução da jornada de trabalho com igualdade para todos. As Comissões Parlamentares começaram a surgir e os resultados a aparecer (mesmo com 40 anos de atraso).

Em 1802, os aprendizes ficaram limitados a 12 horas e meia de trabalho (tendo uma hora e meia de lanche, o que dava à jornada de trabalho apenas 11 horas) por dia e isentos de trabalho noturno. Em 1819, as fábricas de algodão ficaram proibidas de empregar menores de 9 anos. Em 1833 foi decretada a jornada de 48 a 69 horas de trabalho por semana (das 5 e meia da manhã às 8 e meia da noite, 15 horas diárias com intervalos totalizando 3 horas, isto é, 12 horas de trabalho) para os maiores de 13 e menores de 18 anos (cerca de 75% do total dos trabalhadores em tecelagens de algodão), as crianças entre 9 e 13 anos tinham a jornada de trabalho limitada a 8 horas diárias, e o trabalho de menores de 9 anos foi proibido; foi criado também um sistema de inspeção governamental nas fábricas.

Em 1842, crianças menores de 10 anos ficaram impedidas de trabalhar em minas de carvão. Ainda em 1842 foi criada a Comissão sobre o Emprego das Crianças, se reunindo várias outras vezes.

Em 1844 as mulheres de qualquer idade estavam na mesma situação dos menores de 18 anos, com 12 horas diárias de trabalho e sem trabalho noturno, os menores de 13 anos tiveram sua jornada reduzida a 7 horas. Uma lei permitia o emprego de crianças menores de 10 anos, desde que não trabalhassem em dias consecutivos. Em 1847, o limite diário da jornada de trabalho foi reduzido a 10 horas e meia para os maiores de 13 anos e para as mulheres, ainda aí, havia menores de 8 anos trabalhando (essa foi uma exigência dos empresários, que foi aceita em razão de que com a redução da idade mínima de 9 para 8 anos, haveria maior procura de crianças para trabalhar, não as deixando desempregadas). Nenhuma criança poderia trabalhar mais de 5 horas seguidas, sem pelo menos, meia hora de intervalo para refeição. A partir de 1848 os maiores de 13 anos, menores de 18 e mulheres tiveram sua jornada de trabalho reduzida a 10 horas, os empresários diziam que então os operários deveriam trabalhar das 9 da manhã às 7 da noite sem interrupções, o que foi terminantemente proibido. Em 1850, o trabalho de adolescentes e mulheres ficou compreendido entre 6 da manhã e 6 da tarde.

Apesar de todos esses esforços e controles, não se pode considerar que as leis foram totalmente obedecidas. Pode-se observar que os patrões driblavam as leis várias vezes. Algumas delas não tiveram efeito algum. Somente com um maior rigor na fiscalização das fábricas e na aplicação das leis é que pôde-se, finalmente, notar maiores efeitos e resultados.

E não foi fácil conseguir estes resultados. Muitos empresários participavam das comissões e protestavam. Destacadamente, dois empresários, porém, estavam do lado das crianças, Robert Owen e Robert Peel, juntamente com médicos, comerciantes e também do deputado Henry Grey Bennet, lutando contra os outros. Muitos dos que se empenharam em benefício das crianças, enfrentaram insultos, ostracismo de sua classe e até mesmo perdas pessoais. Até mesmo os historiadores, tanto os contemporâneos à época são criticados pelo "exagero" com que expressam como era o trabalho infantil nas fábricas, sendo até mesmo censurados.

Foi graças a esse tipo de pensamento humanitário que as condições de trabalho melhoraram para todos, inclusive para as crianças. David Dale foi um dos patrões que tomou iniciativas bastante incomuns em relação aos seus empregados. Criou um "povoado-modelo" ao lado de sua fiação que tinha casas distribuídas regularmente e eram alugadas a preços baixos. Os aprendizes vindos das paróquias tinham moradia e trabalho regular. "Por ocasião de um incêndio em um dos edifícios da fábrica, os duzentos e cinqüenta operários que nele trabalhavam continuaram a receber o salário habitual, enquanto durou seu desemprego forçado". Dale proibiu que os contramestres permanecessem na fábrica após sete da noite, evitando assim os abusos das crianças. Também garantia alimentação, vestuário e dormitórios dignos, além de oferecer instrução e religião aos aprendizes.

Mesmo com um tratamento diferenciado em relação às outras, a fábrica de David Dale ainda deixava a desejar. Robert Owen, ao visitá-la decepcionou-se com a longa jornada de trabalho: crianças de seis anos já trabalhavam onze e meia a doze horas, prejudicando assim o desenvolvimento físico e mental. Apesar dos problemas continuarem, as condições já eram bastante melhores do que em outras fábricas. Robert Owen, o maior representante dessa mentalidade humanitária nas fábricas, considerado sucessor de David Dale, construiu ambientes mais agradáveis para os aprendizes e ofereceu-lhes, como Dale, educação, apesar de rudimentar. "As crianças podiam brincar ao ar livre e algumas tinham pequenos jardins seus, que tratavam".


5 Conseqüências do processo de industrialização

Progresso tecnológico - A invenção de máquinas e mecanismos como a lançadeira móvel, a produção de ferro com carvão de coque, a máquina a vapor, a fiandeira mecânica e o tear mecânico causam uma revolução produtiva. Com a aplicação da força motriz às máquinas fabris, a mecanização se difunde na indústria têxtil e na mineração. As fábricas passam a produzir em série e surge a indústria pesada (aço e máquinas). A invenção dos navios e locomotivas a vapor acelera a circulação das mercadorias.

Empresários e proletários - O novo sistema industrial transforma as relações sociais e cria duas novas classes sociais, fundamentais para a operação do sistema. Os empresários (capitalistas) são os proprietários dos capitais, prédios, máquinas, matérias-primas e bens produzidos pelo trabalho. Os operários, proletários ou trabalhadores assalariados possuem apenas sua força de trabalho e a vendem aos empresários para produzir mercadorias em troca de salários.

EXPLORAÇÃO DO TRABALHO - No início da revolução os empresários impõem duras condições de trabalho aos operários sem aumentar os salários para assim aumentar a produção e garantir uma margem de lucro crescente. A disciplina é rigorosa mas as condições de trabalho nem sempre oferecem segurança. Em algumas fábricas a jornada ultrapassa 15 horas, os descansos e férias não são cumpridos e mulheres e crianças não têm tratamento diferenciado.

MOVIMENTOS OPERÁRIOS - Surgem dos conflitos entre operários, revoltados com as péssimas condições de trabalho, e empresários. As primeiras manifestações são de depredação de máquinas e instalações fabris. Com o tempo surgem organizações de trabalhadores da mesma área.

SINDICALISMO - Resultado de um longo processo em que os trabalhadores conquistam gradativamente o direito de associação. Em 1824, na Inglaterra, são criados os primeiros centros de ajuda mútua e de formação profissional. Em 1833 os trabalhadores ingleses organizam os sindicatos (trade unions) como associações locais ou por ofício, para obter melhores condições de trabalho e de vida. Os sindicatos conquistam o direito de funcionamento em 1864 na França, em 1866 nos Estados Unidos, e em 1869 na Alemanha.

PRIMEIRO DE MAIO - É a data escolhida na maioria dos países industrializados para comemorar o Dia do Trabalho e celebrar a figura do trabalhador. A data tem origem em uma manifestação operária por melhores condições de trabalho iniciada no dia 1o de maio de 1886, em Chicago, nos EUA. No dia 4, vários trabalhadores são mortos em conflitos com as forças policiais. Em conseqüência, a polícia prende oito anarquistas e os acusa pelos distúrbios. Quatro deles são enforcados, um suicida-se e três, posteriormente, são perdoados. Por essa razão, desde 1894, o Dia do Trabalho, nos Estados Unidos, é comemorado na primeira segunda-feira de setembro.

CONSEQÜÊNCIAS DA INDUSTRIALIZAÇÃO - As principais são a divisão do trabalho, a produção em série e a urbanização. Para maximizar o desempenho dos operários as fábricas subdividem a produção em várias operações e cada trabalhador executa uma única parte, sempre da mesma maneira (linha de montagem). Enquanto na manufatura o trabalhador produzia uma unidade completa e conhecia assim todo o processo, agora passa a fazer apenas parte dela, limitando seu domínio técnico sobre o próprio trabalho.

No contexto de se aumentar a produtividade do trabalho, surge o método de administração científica de Frederick W. Taylor, que se tornaria mundialmente conhecido como taylorismo: para ele o grande problema das técnicas administrativas existentes consistia no desconhecimento, pela gerência, bem como pelos trabalhadores, dos métodos ótimos de trabalho. A busca dos métodos ótimos, seria efetivada pela gerência, através de experimentações sistemáticas de tempos e movimentos. Uma vez descobertos, os métodos seriam repassados aos trabalhadores que transformavam-se em executores de tarefas pré-definidas.

Uma segunda concepção teórica, conhecida como fordismo, acelera o conceito de produto único de forma a intensificar as possibilidades de economia de escala no processo de montagem e se obter preços mais baixos. Com seu tradicional exemplo do Ford T, ao se valer da moderna tecnologia eletromecânica, ele desenvolve peças intercambiáveis de alta precisão que elimina a necessidade de ajustamento e, conseqüentemente do próprio mecânico ajustador. Sem a necessidade de ajuste, a montagem pode ser taylorizada, levando a que mecânicos semi-qualificados se especializassem na montagem de pequenas partes.

Com a introdução de linhas de montagem, eleva-se a produtividade ao minimizar o tempo de deslocamento e redução nos estoques. Muito mais importante ainda, são os ganhos dinâmicos de longo prazo, uma vez que se pode avançar com a taylorização, onde a própria linha de montagem se transforma no controlador do ritmo de trabalho. Esse cenário leva à substituição de empregados por máquinas de forma a maximizar a produtividade.

Por fim, com a expansão das escalas e dos ritmos de produção, o avanço da mecanização em sistemas dedicados se intensificará também nas unidades fornecedoras de peças, assim como nos fabricantes de matérias-primas e insumos.


6 Frederick Winslow Taylor (1856-1915)

Frederick Winslow Taylor nasceu na Filadélfia, Estados Unidos. Veio de uma família rígida foi educado dentro de uma mentalidade de disciplina e devoção ao trabalho, sendo considerado uma das figuras de maior destaque na história do pensamento administrativo.

Taylor é considerado "o pai da administração cientifica" além de representar um marco crucial na evolução das idéias sobre produção, riqueza e relações harmônicas entre empregados e empregadores.

Não foi por acaso que uma das grandes contribuições para a gestão fabril mais sistematizada veio da indústria de produção de aço. Era lá que trabalhava um analista chamado Frederick W. Taylor. Que iniciou a vida profissional em 1878, como operário na Midvale Stell Co., começou a trabalhar aprendiz de operário de oficina mecânica, sua carreira foi rápida, de torneiro mecânico a engenheiro-chefe das oficinas,sendo ao longo desse período, Taylor relevou sua missão e seu caráter.

Nesse período, o dilema maior residia no sistema de pagamento por peça ou por tarefa, e os operários reduziam a mais ou menos um treco o ritmo de produção das máquinas, procurando balancear, dessa forma, o pagamento por peça que determinavam os patrões. Isso levou Taylor a estudar o problema de produção em seus mínimos detalhes, pois não podia decepcionar seus patrões nem seus colegas de trabalho, já que ele era então chefe de oficina. Taylor declarou então, como resultado de seu trabalho, que o principio da administração cientifica consista em "assegurar para o empregador lucros a curto e longo prazo, e para o empregado remuneração gradualmente maior e pleno desenvolvimento de suas capacidades". Essa propriedade mútua só poderia pressupor a ausência de conflitos entre a administração e o funcionalismo.

Taylor iniciou suas experiências e estudos pelo trabalho do operário (não levando em consideração o "chão de fabrica"), e mais tarde generalizou suas conclusões para a administração geral: sua teoria tem como premissa básica à aplicação no sentido de baixo para cima.

Ele permaneceu na empresa Midvale até 1889, onde iniciou às suas experiências já na Bethlehem steel works, iniciou a aplicação das conclusões obtidas, vencendo assim a resistência as suas idéias. Registrou cerca de cinqüenta patentes de máquinas, ferramentas e processos de trabalho. Em 1895 apresentou à "American Society of Mechanical Engineers" um dos estudos denominados "Notas Sobre as Correias". Logo depois publicou outro trabalho "Um Sistema de Gratificação por Peças", considerado como sendo as bases de um sistema de remuneração.

Algumas de suas idéias foram essenciais para a formação da gestão de operações do século XX. É importante notar neste ponto, entretanto que mesmo antes que os gestores americanos divisassem suas formas inovadoras de gerenciar suas fábricas, utilizando peças intercambiáveis, divisão do trabalho, integração vertical e produção em larga escala alguns escritores britânicos já antecipavam a necessidade de alguma sistematização do trabalho para responder à primeira revolução industrial porem coube a Taylor em torno de 1901 o pioneirismo no desenvolvimento de técnicas seletivas visavam sistematizar o estudo e analise do trabalho. O trabalho de Taylor pode ser dividido em dois períodos sendo eles:

6.1 Primeiro período de Taylor (Shop Management)

Esse sistema foi considerado a base da administração de tarefas, que a partir desse ponto inicia a seleção dos trabalhadores, dando inicio ao pagamento de incentivos salariais. Com a seleção de trabalhadores, estes eram postos nos setores adequados aos seus perfis; permitindo dessa forma, que a administração controlasse a produção, dispondo do trabalho padronizado, que era essencial para a eficiência.

Taylor concluiu que os operários produziam muito menos de que eram capazes com o equipamento disponível, e que o operário mais predisposto à produtividade percebe que no final obtém a mesma remuneração que o colega menos interessado e menos produtivo, e acaba também se acomodando.

6.2 Segundo período de Taylor

No segundo período, desenvolve-se os estudos sobre a administração geral denominado de: Administração Científica, sem deixar, contudo sua preocupação com relação às tarefas dos operários.

A administração Cientifica, segundo Taylor o sistema é antes uma evolução, do que uma teoria, tendo como ingrediente 75% de análise e 25% de bom senso. A implantação da administração científica deve ser gradual e obedecer a um certo período de tempo, para evitar alterações bruscas que causem descontentamento por parte dos empregados e prejuízos aos patrões.


7 Jules Henri Fayol (1841-1925)

Jules Henri Fayol nascido em Istambul, 29 de julho de 1841 e falecido em Paris, 19 de novembro de 1925, engenheiro civil de minas graduado em 1860 e teórico da Administração.

Expôs suas idéias na obra Administração Industrial e Geral, publicada em 1916, e fundador da Teoria clássica da administração, e traduzida para o inglês em 1949.

Filho de André Fayol (1805-1888), contramestre em metalurgia. Casou-se com Adélaïde Saulé. Teve 3 filhos: Marie Henriette Fayol (nascida em 17/11/1876), Madeleine Fayol (nascida em 16/4/1878) e Henri Joseph Fayol (nascido em 1899 - Sempre hostil às idéias de seu pai).

Fayol criou o Centro de Estudos Administrativos, onde se reuniam semanalmente pessoas interessadas na administração de negócios comerciais, industriais e governamentais, contribuindo para a difusão das doutrinas administrativas. Entre seus seguidores estavam Luther Guilick, James D. Mooney, Oliver Sheldon, Lyndal F. Urwick.

Fayol direcionou seu trabalho para a empresa como um todo e sua administração, ou se

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