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Catulo - O Poeta do Amor

Autor:
Instituição: Unifieo
Tema: Caio Valério Catulo

Caio Valério Catulo


Odi et amo. Quare id faciam, fortasse requiris
Nescio, sed fieri sentio et excrucior.

Odeio e amo. Talvez perguntes por que faço isso.
Não sei, mas sinto que acontece e me torturo


Introdução

Há obras que independem do tempo e das situações em que foram escritas. Os temas universais se perpetuam através de décadas e séculos por causarem identificações em quem lê e essa é uma das grandes maravilhas da literatura.

As obras de autores gregos e romanos ressoam até hoje em nossos ouvidos e mentes, sendo na literatura, matemática, filosofia, direito ou qualquer outro aspecto pensado pelos grandes mestres. O objetivo desse trabalho é o estudo e análise de um desses nomes: Caio Valério Catulo.

Para a realização deste, realizamos várias pesquisas na biblioteca da faculdade e à internet. Falaremos sobre sua vida, apesar da falta de documentos comprovatórios, suas obras e uma pequena análise de um de seus poemas, já que seria inviável trabalharmos sua mais de uma centena de escritos.

Como aventado, o objetivo desse trabalho é fornecer uma visão geral do tema e contribuir para o enriquecimento cultural de quem não gosta apenas de conseguir os objetivos propostos, mas de ir além e conhecer poesia.


Catulo

Pouco se sabe sobre a vida de Caio Valério Catulo. Sua biografia foi escrita por Suetónio em De Veris Illustribus, mas essa obra se perdeu no tempo e não chegou até nós. O que conhecemos sobre quem foi esse homem veio, na maior parte, através das notas em seus poemas ou nos de outros autores contemporâneos a ele. Algumas dessas notas nos revelam que ele nasceu em Verona, cidade perto de Gália, já que é sempre chamado de Veronese; sendo assim é, sem dúvidas, italiano.

Estima-se que tenha vivido de 87(ou 82) a 54(ou 52)a.C., em Roma, ou seja, na era de César, Cícero e Lucrécio, sendo que por ser de família nobre, seu pai sempre recebia o primeiro quando esse passava por Verona . Ainda jovem, segue para Roma acompanhado de seu amigo Caio Mérmio, que havia sido nomeado governador e teve nesta sua única ligação como a política. Essa mudança, porém, foi muito importante para ele, pois o levou a conhecer muita gente importante da alta sociedade intelectual. Sua obra "Cancioneiro de Lésbia" é dedicada a um dos amigos dessa época, Cornélio Nepos. Cria também vários desafetos, entre eles Julio César, a quem escreveu versos violentos e outros personagens que faziam parte de seu cotidiano.

Fez uma viagem ao Oriente, onde aproveitou para visitar o tumulo de seu irmão mais velho que havia falecido alguns anos antes e cuja tristeza de Catulo ficou bem expressa em um de seus poemas.

Quando à sua obra, ele é famoso por ser o maior entre os poetas alexandrinos, ou poetae noui (poetas novos). Cícero lhes dá esse apelido em tom de deboche e ganha em troca vários poemas difamando-o, visto também que Lésbia (o grande amor da vida de Catulo) sendo amante de ambos, o troca pelo poeta. Esta, por sua vez, é o tema principal dos poemas do autor, cuja obra é a única que chegou até nós dentre os que participaram desse movimento.

Apesar da vida agitada que levava junto à alta sociedade, o amor por essa aristocrata é o fato mais importante de sua vida. O relacionamento deles é conturbado e, mesmo humilhado, aceita até a infidelidade dela. Com sua morte, aproximadamente aos 30 anos, ele entra para historia como o poeta do amor.


LÉSBIA

É impossível falar a obra de Catulo sem falarmos de Lésbia. No entanto, devemos separar a persona literária da pessoa histórica, a começar pelo nome: a verdadeira mulher por trás da musa se chama Clóde. O pseudônimo pelo qual é conhecida se deve à admiração de Catulo pela Poetisa Safo de Lesbos e, além disso, ambos os nomes tem o mesmo número de letras, atendendo aos padrões alexandrinos de se criar um nome à musa.

Segundo o autor João Ângelo Oliva Neto, Lésbia nomeia a persona da mulher amada e dá voz, não a uma pessoa, mas a um grupo. Por mais que se perca muito do romantismo das poesias com essa afirmação, devemos lembrar que é muito importante para o poeta romano ter voz coletiva.

O trecho abaixo é do poeta Ovídio:

Sic sua lasciuo cantata est saepe Catullo

Femina cui falsum Lesbia nomen erat.

Assim foi freqüentemente celebrada em versos pelo lascivo Catulo

A mulher cujo pseudônimo era Lésbia.

A mulher histórica mostra Clóde, irmã de Clódio Pucro, filha de Appius Claudius Pucher e esposa do governador Metellus Celer. Conhece Catulo, que é bem mais novo que ela, em um banquete na casa de Lucullus e passam a se encontrar na casa de amigo, local propicio a orgias:

isque domum nobis isque dedit dominam,

atque ubi communes exerceremus amores.

me deu morada e deu-me à sua dona,

e lá comuns nós praticávamos amores.

Catulo é o verdadeiro protótipo do jovem aristocrata provinciano, que chega à urbe e se enamora por uma mulher que pertence a outro e o nascimento desta paixão faz com que o poeta se torne um "escravo" da amante que irá nortear e dar vida a toda sua obra, que às vezes a retrata como uma mulher carinhosa e apaixona e em outras como infiel e cruel com os sentimentos do amante.

E verdade que ela tivera uma vida amorosa bastante movimentada: foi amante de Cícero (a quem trocou por Catulo e posteriormente virou tema de poemas satíricos feitos pelo último), foi acusada de incesto e de assassinar seu marido envenenado, além de ter vários outros amantes. Embora tivesse conhecimento que Lésbia não era uma mulher virtuosa, o poeta aceita o que descreve como "as raras infidelidades de uma senhora discreta". Lésbia, mulher amada pelo poeta e musa dos seus poemas, esbarra com o ideal da relação amorosa desejada por Catulo e, ainda, com aquela que prega o amor matrimonialis.

Após a viuvez, abandona Catulo para se relacionar com Caelus Rufus, amigo de seu antigo amante:

Rufe, mihi frustra ac nequiquam credite amice,

Rufo!, que à toa e em vão pensei ser meu amigo

Como que uma trágica ironia, um de seus amantes também tenta envenena-la, mas ela escapa e, no último ciclo dos poemas que marcam seu relacionamento com Caio Valério e que mostra a separação definitiva, Catulo a mostra totalmente entregue aos prazeres do corpo e após esse último registro, não há mais notícias sobre a vida (ou morte) dessa Aristocrata.

Caeli, Lesbia nostra, Lesbia illa,
illa Lesbia, quam Catulus unam,
plus quam se atque suos amauit omnes,
nunc in quadruuis et angiportis
glubit magnamini Remi nepotes.


"Os poetas novos"

Segundo a professora Maria da Glória Novak, Catulo pertenceu a um período de transição entre o antigo e o moderno. De um lado o tradicional e o clássico, do outro, os poetas novos (poetae noui), que como qualquer movimento vanguardista, gerou polêmica. O Próprio Cícero assumidamente não gostava deles.

Fazem parte desse movimento Licínio Calvo Helvio Cina e outros, mas apenas a obra de Catulo pôde chegar até nós. Esses poetas rompem com a tradição da poesia latina e lhe dão estilo e espírito novos, individuais, subjetivas, românticos e novos padrões técnicos. Estão ligados a uma escola que se conhece como Alexandrina, cuja poesia tentava ser nova, pois acreditam que "tudo já havia sido feito" e caracterizam-se pela erudição e prazer estilístico.

Paradoxalmente, os poetas novos se opõem aos alexandrinos porque, embora neles se espirem, são antes de tudo romanos e seu espírito romano ilumina a poesia. Seus escritos não brotam da inteligência, mas da sensibilidade.

Nesses poemas, há uma influencia notória de poetas gregos arcaicos, como Safo e Arquiloco, por exemplo. Alias, o pseudônimo Lesbia é uma clara homenagem à Safos (que, como se sabe, era natural da ilha de Lésbos). Estes poetas arcaicos foram imitados por Calimaco e outros poetas alexandristas e, mais tarde pelos poetae noui. Catulo introduziu na poesia lírica alexandrista a métrica eólica (que tinha sido utilizada por Safo), embora Horácio, alguns anos mais tarde, tenha feito isso.

Catulo é o mais ardente poeta do eu das literaturas clássicas e a sua poesia, embora tecnicamente perfeita, é um grito apaixonando e genial, que brota da, mas profunda alma romana.


A poesia de Catulo

Os poemas que Catulo que conhecemos foram preservados em vários manuscritos com uma história tortuosa. A partir do século XIV, estes manuscritos começaram a ser copiados e estudados pelos humanistas. Neles se recolhe uma antologia de 116 poemas que formalmente se dividem, sem qualquer ordem cronológica, em 60 poemas curtos com diferentes metros (1-60), 8 poemas longos (61-68) e 48 epigramas em dísticos elegíacos (69-116).

A poesia de Catulo trata dois grandes temas: a poesia de amor e a poesia satírica (havendo, claro, está, muitos poemas que não caiem em qualquer destas duas categorias).

Nos poemas de amor, sobre tudo os de menor extensão, Catulo mostra todo o seu temperamento emotivo, entre o amor exaltado (1) ao ódio maledicente (2), na sua relação com Lésbia. No entanto, Lésbia não tem o exclusivo dos poemas de amor ou eróticos, havendo outros que são dedicados à outra pessoa (homens e mulheres).

(1)

Vivamus, mea Lesbia, atque amemus,
rumoresque senum severiorum
omnes unius aestimemus assis.
soles occidere et redire possunt:

nobis, cum semel occidit brevis lux,
nox est perpetua una dormienda.
da mi basia mille, deinde centum,
dein mille altera, dein secunda centum,
deinde usque altera mille, deinde centum.

dein, cum milia multa fecerimus,
conturbabimus illa, ne sciamus,
aut nequis malus invidere possit,
cum tantum sciat esse basiorum.

Vivamos, minha Lésbia, e amemos,
e os rumores desses velhos severos,
todos nos valham um quase nada.
Podem os Sóis morrer e voltar;
mas nossa breve luz morre uma só vez,
uma só noite perpétua deve-se dormir.
Dá-me mil beijos, e depois cem,
e ainda mil outros, e mais cem.
Quando deles tivermos muitos milhares,
misturaremos todos, que não mais saibamos,
ou para que possa invejar nenhum infausto,
ao sabê-los beijos tantos.

(2)

Cum suis uiuat ualeatque moechis,

quos simul complexa tenet trecentos

nullum amans uere, sed identidem omnium

ilia rumpens;

nec meum respectet, ut ante, amorem,

qui illius culpa cecidit uelut prati

ultimi flos, praetereunte postquam

tactus aratro est.

Vá viver e gozar com seus amantes,

que, juntos, uns trezentos ela agarra

nenhum de fato amando mas os membros

rompendo em todos

e não se volte mais ao meu amor

que caiu por sua culpa como a flor

do último prado, em que, passando, o arado

então tocou.

A poesia satírica é por vezes, extremamente violentada e mesmo obscena, dirigida, entre outros, a ex-amigos, outros amantes de Lésbia, poetas exteriores ao seu grupo, político, entre eles, César e Cícero e ainda outras personagens atualmente desconhecidas. Apesar de muitos deles serem violentos e cruéis, outros há em por eles passa uma fina ironia (3).

(3)

chommoda dicebat si quando commoda uellet
dicere. et insidias Arrius hinsidias.
et tum mirifice sperabat se esse locutum
cum quantum poterat dixerat hinsidias.
credo sic mater. sic liber auunculus eius. 5
sic maternus auus dixerat. atque auia.
hoc misso in Syriam requierant omnibus aures.
audibant eadem haec leniter et leuiter.
nec sibi postilla metuebant talia uerba.
cum subito affertur nuntius horribilis. 10
Ionios fluctus postquam illuc Arrius isset
iam non Ionios esse sed Hionios.

Arrio dizia "rúbrica" em vez de rubríca

E por pudico "púdico" dizia

E achava que falava tão incrivelmente

Que se podia, púdico dizia.

Creio que assim a mãe, assim o tio o liberto

Assim o avo materno e a avó falavam.

Foi à hispânica e os ouvidos descasaram todos

As palavras soavam leves, lindas

E tais palavras nunca mais ninguém temeu

Súbito chega a hórrida notícia:

Os iberos, depois que Arrio foi para lá,

Iberos já não eram, eram "Iberos"

Mas, há muitas poesias que não se enquadram nestes dois temas principais. Catulo, por exemplo, celebra, de um modo igualmente exuberante, os seus amigos (4)e companheiros literários(5).São também muitos conhecidos os seus poemas em que celebram a casa de campo familiar de Sírmio (6)ou a sentida homenagem ao seu irmão falecido(7).

(4)

cenabis bene mi Fabulle apud me
paucis si tibi di fauent diebus.
si tecum attuleris bonam atque magnam
cenam. non sine candida puella.
et uino. et sale. et omnibus cachinnis. 5
haec si inquam attuleris uenuste noster
cenabis bene. nam tui Catulli
plenus sacculus est aranearum.
sed contra accipies meros amores
seu quid suauius elegantiusue est. 10
nam unguentum dabo quod meae puellae
donarunt Veneres Cupidinesque.
quod tu cum olfacies deos rogabis
totum ut te faciant Fabulle nasum.

jantarás bem, Fabulo, em minha casa,

muito em breve se os deuses te ajudares,

se contigo levares farto e bom jantar, e não sem fina artista, vinho, graça

e as risadas todas. Isso tudo,

se levares, encanto meu, garanto,

jantarás bem, pois teu Catulo tem o bolso cheio de teias de aranha.

Em troca aceitarás meros amores

E o que há de mais suave ou elegante,

Pois um perfume te darei que à minha

Garota Vênus e os cupidos dera,

Que ao sentires aos deuses vais pedir

Te façam, Fabulo, todo nariz

(5)

Zmyrna mei Cinnae nonam post denique messem
quam coepta est nonamque edita post hiemem.
milia cum interea quingenta Hortensius uno
uersiculorum anno quolibet ediderit.
Zmyrna cauas Satrachi penitus mittetur ad undas. 5
Zmyrnam cana diu saecula peruoluent.
at Volusi annales Paduam morientur ad ipsam.
et laxas scombris saepe dabunt tunicas.

Esmirna de meu Cina, após a nona messe

De inicio após o nono inverno surge

Enquanto Hortencio fétido num ano só

Milhares de versinhos vomitou

Esmirna vai às ondas côncavas do Satráco

Esmirna séculos em cãs vão ler

E os anais de volúsio em Pádua vão morrer

E aos peixes muita vez dar largas túnicas

Que em meu coração seus minimonumentos

Guarde e, túmido, a turba queira antímaco.

(6)

paene insularum Sirmio insularumque
ocelle quascumque in liquentibus stagnis
marique uasto fert uterque Neptunus.
quam te libenter quamque laetus inuiso.
uix mi ipse credens Thyniam atque Bithynos 5
liquisse campos me et uidere te in tuto.
o quid solutis est beatius curis.
cum mens onus reponit. ac peregrino
labore fessi uenimus larem ad nostrum.
desideratoque acquiescimus lecto. 10
hoc est quod unum est pro laboribus tantis.
salue o uenusta Sirmio. atque ero gaude.
gaudete uosque o Lydiae lacus undae.
ridete quidquid est domi cachinnorum.

Sirmio, pérola de ilhas e quase-ilhas

Que aos ombros em Netuno e outro leva

Nos largos límpidos, no vasto mar:

Tão feliz e tão contente reecontro,

Mal crendo ter deixado a Tinia e os campos

Bitímos para ver-te em segurança!

Que é melhor que a missão cumprida, quando

A mente larga o fardo e fatigados

Ddda viagem ao nosso lar voltamos

No leito repousamos tão querodo?

Isto é o que temospor fadigas tantas.

Ó bela Sírmio, ao teu senhor te alegra!

Alegrai-vos, ondas Lídias do lago,

Arrebentai na pria em gargalhadas

(7)

multas per gentes et multa per aequora uectus
aduenio has miseras frater ad inferias.
ut te postremo donarem munere mortis.
et mutam nequiquam alloquerer cinerem.
quandoquidem fortuna mihi tete abstulit ipsum.
heu. miser. indigne frater adempte mihi.
nunc tamen interea haec prisco quae more parentum
tradita sunt tristi munere ad inferias
accipe fraterno multum manantia fletu.
atque in perpetuum frater aue. atque uale.

por muitos povos e mares vindos,

chego, irmão, ao teu túmulo infeliz

para última dar-te dádiva da morte

e só falar à muda cinza em vão

pois fortuna tolheu-me de tudo que foste

Ah! Triste irmão tão cedo a mim roubado!

Agora o que por longa tradição dos pais

Ao túmulo se traz – dádiva ingrata –

Aceita em muito choro fraterno banhado

E para sempre,irmão, olá e adeus


Análise do poema

Salve menina de nariz não mínimo,
De pés não belos, não escuros olhos,
Dedos não longos, boca nada límpida,
E fala nem um pouco refinada,
Amante do falido Formiano
Por acaso a província te acha bela ?
És tu que és comparada a minha Lésbia ?
Que estúpido, que século mais sem graça !

Nesse poema o eu - lírico valoriza as qualidades de uma pessoa observando a falta dessas em outra. Podemos notar que o poeta faz um retrato físico e moral de Lésbia no decorrer do poema, ele aponta aquilo que a moça não tem, enfatizando assim a beleza de sua musa.

A causa disso é a veneração do eu - lírico por Lésbia, chegando a não reconhecer outra beleza feminina.

Já no início do poema o eu - lírico cumprimenta em tom irônico demonstrando desprezo pela figura feminina a qual Lésbia é comparada.

Ex.: Salve, moça de nariz não muito pequeno.

Talvez essa atitude demonstre que o eu - lírico é contrário as opiniões do povo. O poeta demonstra que o povo não entende de beleza, pois não existe nenhuma qualidade na moça para que essa possa ser comparada à Lésbia.

E.: O! Gente de mau gosto e grosseria.

O poema todo através da ironia tenta desgastar a imagem da menina para destacar ainda mais a beleza de Lésbia. Pode se entender essa comparação como uma tentativa do eu - lírico em se convencer que a beleza daquela que é sua inspiração não pode ser superada.

No quinto verso ao dizer "Amante do falido de Formias" o eu - lírico expõe se argumento que declara inferioridade moral dela em relação à Lésbia.

Do ponto de vista lexical há predominância de locuções adjetivas.

E.: ...de nariz não muito pequeno e nem de belos pés...

A soma de locuções adjetivas está estruturada sintaticamente no poema na forma de sujeito e predicativo.

É dedutível a partir dai que a moça é um sujeito passivo no poema. Sendo assim, o eu - lírico simultaneamente rebaixa a menina e exalta Lésbia.

Portanto, pode se entender que o eu - lírico está tão envolvido por Lésbia que não consegue admitir outra pessoa tão bela quanto ela, mesmo que essa opinião seja unânime.


Catulo e a música

Os grandes nomes não morrem nunca. Talvez seja por isso que ainda nos séculos XX e XXI encontremos as obras de Caio Valério Catulo à disposição do grande público. Enquanto o Brasil ainda resiste à revitalização do latim, na Europa a língua vem ganhando status de cult e mais e mais pessoas estão interessadas em aprendê-la e estudar seus grandes autores. Um bom exemplo desse renascimento está na Finlândia, onde existe uma rádio que transmite em latim - rádio Nuntii Latini. Para não falar de Jukka Ammondt, professor finlandês que traduziu em latim the best of - o meliora - do Elvis Presley .

Recentemente, um famoso grupo de Hip-Hop da Alemanha chamado ISTA (foto) musicou e gravou em rap o poema mais famoso do poeta do amor: "Odi et amo". Contrariando o que se poderia esperar, a música teve um grande sucesso em Berlim.

Também houve um musical inspirado nas obras do autor. A musica coral "Fortuna Imperatrix Mundi" que abre e encerra o oratório secular Carmina Burana, garantiu a popularização desta obra de Carl Orff estreada em Frankfurt em 1937. Ela deu início a uma trilogia chamada "Trionfi", que vai se completar com duas cantatas cênicas chamadas "Catulli Carmina" – Canções de Catulo - e "Trionfo di Afrodite".

Orff desenvolveu o enredo de sua cantata utilizando doze poemas de Caio Valério Catulo. O Prólogo de "Catulli Carmina" é interpretado por um coro de jovens homens e mulheres que exaltam seus anseios sexuais. Muitas pessoas consideram "Catulli Carmina" um espetáculo "impróprio", devido à licenciosidade do texto. A estréia dessa cantata de Orff ocorreu em Leipzig, no dia seis de novembro de 1943.

A obra não tem acompanhamento orquestral. O clímax musical é garantido pelo poderoso coro, um acompanhamento de quatro pianos e muita percussão. Os versos dos três atos são originais dos poemas de Catulo, enquanto que os textos em latim do Prólogo e do Epílogo foram escritos pelo próprio Orff.


CONCLUSÃO

Esta análise nos faz concluir que a obra de Catulo se organiza em torno da temática central do amor, seja por Lésbia, por outros homens e mulheres, amigos ou pelo irmão morto.

Nos poemas amorosos de Catulo a Lésbia, podemos distinguir dois ciclos: um ciclo em que o poeta fala dos felizes momentos amorosos, e um outro relativo à cisão, reflexões do poeta e rompimento final, após o seu desencanto pela mulher amada. Segundo críticos, esse movimento é totalmente novo para a época. Também foi ele o poeta latino que, com mais sinceridade e verdade, expressou o sentimento amoroso, através de uma linguagem extremamente metafórica. Suas composições receberam grande influência de Arquíloco e Safo.

Lésbia foi a inspiração dos poemas catulianos. Famosa por seus deleites amorosos, Lésbia, pseudônimo de Clódia, mulher do cônsul Metelus Celer, do ano 60, despertou no poeta uma paixão ardente que o fez sofrer muito, levando-o até mesmo a travar uma guerra sentimental. E, o próprio poeta, em seus poemas afirma que Difficile est longum subito deponere amore (poema 76,13) - é difícil abandonar subitamente um longo amor e ...quam Catullus uanm/ plus quam se atque suos amauit omnes (poema 58, 2-3) - aquela, única que Catulo amou mais que a si e todos os seus. Além de declarar a sua paixão pela musa sedutora, o poeta também ataca os amantes da amada e a vida dissoluta que caíra.

Da leitura do Liber catuliano, podemos inferir que o poeta aspirava o amor do matrimonium, um amor que considera o outro um complemento positivo do seu próprio ser. No entanto, tanto Catulo quanto Lésbia não se descobrem verdadeiramente: amam e são amados de maneira diferente.


Bibliografia

NOVAK, Maria da Glória. O lirismo de Caio Valério Catulo. Uma leitura de seus poemas sobre um barco(carm. IV) Língua e Literatura.n22P137-153, 1996.

CATULO, Caio Valério - O Cancioneiro de Lésbia - Tradução e introdução Paulo Sergio de Vasconcelos) editora hucitec : São Paulo,1991.

CATULO, Caio Valério, O livro de Catulo (trad. Introdução e notas de João Ângelo Oliva Neto). Edusp: São Paulo, 1996.

FUNARI, Pedro Paulo - Grécia e Roma. Editora Contexto: São Paulo,2001.

VEYNE, paul. A elege erótica Romana. Editora Brasiliense: São Paulo, 1985.

PARATORE, Calouste Gulbenheiam. História da Literatura Latina.. Lisboa, 1987.

www. Wikipedia.org/miki/catulo

www.terra.com.

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