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Elemento da Pedagogia da Leitura

Autor:
Instituição: UEMS
Tema: A Importância da Leitura

ELEMENTOS DE PEDAGOGIA DA LEITURA


Ezequiel Theodoro da silva é doutorado em Psicologia da Educação pela PUC-SP em 1973. Foi professor do curso de Língua e Literatura Inglesa pela PUC-SP e professor convidado pela PUC - Campinas por oito anos. Com as funções que exercia, foi professor pesquisador durante vinte e cinco anos pelo Departamento de Metodologia de Ensino onde publicou mais de dez livros. Atualmente é diretor do INSTITUTO AVANÇADO DE DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL (IADI). Ezequiel Theodoro da Silva não ensina a criticar, isso todos o fazem bem ou mal. Ele ensina o professor a lidar com as críticas e entender o porquê delas existirem e de posse deste conhecimento, como o professor deve interagir na sala de aula para obter a formação de ótimos leitores.

O livro "ELEMENTOS DE PEDAGOGIA DA LEITURA", é de autoria de Ezequiel Theodoro da Silva, publicado pela Editora Livraria Martins Fontes, 3ª Edição em 1998. Este novo livro vem somar-se aos três anteriores escritos por Ezequiel T. da Silva: "O ATO DE LER" (Cortez & Autores Associados), "LEITURA E REALIDADE BRASILEIRA" (Mercado Aberto) e "LEITURA NA ESCOLA E NA BIBLIOTECA" (Papirus). Está dividido em sete capítulos onde estão inseridos dentro de cada um deles, perguntas intrigantes e críticas construtivas, mas que muitos professores encaram-na como sendo pejorativas porque se sentem os únicos responsabilizados enquanto profissionais da área da educação. Na verdade, existem vários fatores a ser considerados antes de responsabilizar o professor.

Elementos de Pedagogia da Leitura de Ezequiel traz à tona os motivos pelos quais a leitura não é uma prática social neste país e o que cabe a cada um dos profissionais da área de Educação contribuir para fomentar pela leitura. Este livro não se preocupa com a leitura, mas com uma certa leitura, exemplo: se um texto quando trabalhado não proporcionar o salto do leitor para seu contexto e esse contexto não proporcionar uma compreensão mais profunda em que o sujeito leitor busca, então a leitura perde sua validade. Este é o assunto foco do nosso trabalho.


O Ensino é Livresco mas sem Livros

A compreensão deve ser entendida como um modo de ser do homem no mundo, como um projeto de existência. Ou seja: o homem encontra significado para seu existir à medida que se projeta no mundo, buscando a compreensão de si dos outros, das coisas. Ao estabelecer um horizonte de compreensão iniciando um trajeto de busca, o homem tem (necessariamente) de iniciar um processo de interpretação, à luz de suas experiência prévias de mundo.

Dentre as muitas questões suscitadas pela leitura destes elementos de Pedagogia da Leitura, duas delas apontam para um paradoxo: o fato de que o ensino no Brasil é livresco associado ao fato de que inexistem livros, bibliotecas nas escolas. Sem livros pratica-se no Brasil um ensino livresco e este é autoritário mistificador da palavra escrita, fazendo com que o indivíduo capta mecanicamente as idéias dos textos. Para suprir essa ausência de livros, a escola e/ou o Estado adquiri máquinas de xerox mimeógrafos, apostilas e livros didáticos. Além de ser de fácil acesso à grande maioria, é de consumo rápido e descartável. Com essa ideologia as escolas já não mais se preocupa em adquiri-los. Os educandos gostam da idéia porque ainda não descobriu qual é o verdadeiro sentido da leitura, e depois do ponto de visto do aluno seria muito trabalhoso estudar todo um livro para extrair dele o que se busca, ou seja o aluno ao pegar um livro ele simplesmente engole informações prefixada como conteúdo.

João Wanderlei diz que não é a existência de livros à mão cheia que não resultará o ensino não livresco. O que ele afirma é que: "o ensino livresco se sustentará por um tempo maior quanto menor for o acesso da população ao livro." Lutar pela leitura pelo livro pela biblioteca é então lutar contra o ensino autoritário, repetitivo, alienante e livresco.

Ezequiel fala que é muito difícil, se não impossível, falar sobre as diferentes vertentes do trabalhos escolar sem considerar o processo de busca e produção do conhecimento. A escola através da docência é responsável por proporcionar condições, para que o aluno conheça e/ou recrie o conhecimento, para isso , há a pesquisa que produzirá o conhecimento que ainda não existe. Desta maneira a leitura ocupará posição de destaque. Assim tanto o processo de educação como o de leitura, indicam um movimento do sujeito de um lugar para outro, procurando conhecer e compreender a razão de ser das coisas.

Constatar a presença ou não de leitura na escola é muito fácil, diz Ezequiel autor do livro. Difícil, é discutir as condições concreta de produção de leitura nesse contexto, as condições existente e as formas pelas quais esse ato é conduzido no contexto escolar. Para se ter uma idéia, ainda é para alguns, sinônimo de aprender a ler e a escrever o fato de ir à escola. Porém esse processo qualitativo e quantitativo vai depender da existências de condições para sua produção.

A mistificação da palavra escrita cristalizada pela ideologia e reproduzida ao longo de nossa história, é um primeiro aspecto a ser discutido quanto ao caráter livresco do ensino. A forma autoritária através dos quais os livros são apresentado em sala de aula tendem a contribuir para com a docilização dos estudantes, gerando a falsa idéia de que tudo que está escrito ou impresso é necessariamente verdadeiro. Decorre daí a reprodução mecânica de idéias captadas pela leitura e reforçada pelos professores quando estes dão questionários para serem estudados, impedindo que o aluno-leitor torne-se sujeito do trabalho que executa. Isto nos remete àquilo que Paulo Freire chama de "educação bancária", através da qual o professor simplesmente desembrulha um conjunto de informações orais ou escrita para encher a cabeça do aluno. Ao invés de proporcionar um salto para o contexto ou seja para a intencionalidade social que determinou o objetivo, o conteúdo e o modo de construção do texto. Infelizmente esse é o tipo de leitura constante nas escolas brasileiras de 1º e 2º grau e até mesmo nas universidade, basta lembrar daqueles trabalhos, a cópia literal do discurso dentro do estilo aspasiano etc, sem se preocupar com o questionamento dentro do conhecimento que se propôs investigar. Dessa forma as fontes dos quais o aluno se valeu, serviu apenas para dizer: cumpri com mais uma obrigação que aquela professora chata recomendou que fizesse. Quer dizer o aluno está preocupado é com a nota e/ou com a aprovação numa determinada disciplina. E com esse tipo de preocupação é que o aluno começa a usar em seu trabalho escolares dizeres: conforme fulano, segundo sicrano etc, e assim as notas de rodapé são sempre bem maior que o discurso pessoal do estudante que é praticamente invisível de se perceber. Mas Ezequiel pontua a respeito e diz que isso não do acaso e nem por culpa total do estudante, é decorrente da não integração curricular entre as disciplinas, além de desprezarem as condições de produção de leitura e proporem uma verdadeira enxurrada de apostilas. Dessa maneira não sobra tempo para exposição de idéias, de aprendizado e partilhas de experiências gerada ao aprofundar na busca do conhecimento. Sem essa metodologia básica, teremos uma abordagem livresca no processo educativo.

Em certos casos as apostilas mimeografadas ou xerografadas podem se colocar como a única saída possível para o desenvolvimento do estudo. Entretanto não se pode usar desses artifícios para praticar a lei do mínimo esforço no processo educacional. Podemos constatar que são poucos os professores que antes de lançar mão nos mimeógrafos ou nos xerox , vão à biblioteca verificar se há livros suficiente e tentar um trabalho integrado. Essa integração do trabalho é que proporciona aos alunos mais alternativa para investigação de um determinado assunto. O fato crítico é que os professores ao iniciar o ano letivo, já têm pré - estabelecidas as metas a ser atingida no corrente ano então a situação vai meio que "na marra", porque os alunos não obteve o conhecimento em séries anteriores, então não consegue o adentramento crítico do assunto. Desse jeito nasce o que os autores chama-se "pacto de mentira"; os alunos fingem que leram e compreenderam os textos e os professores fingem que acreditam. Essa é a verdadeira paisagem sobre o lugar e presença da leitura na escola.


Leitura na Escola um Objeto de Conquista

Neste segundo assunto o autor expõe aos leitores como é difícil a vida de um professor que trabalha no magistério, ele diz: "quem trabalha no magistério, olhando sensivelmente para o semblante e para as necessidades dos educandos, leva sempre consigo a confiança, o ideal de luta e de conquista e a esperança." Sem essa três noções não há como ser um bom profissional de Magistério diz o autor. Esperança, Conquista e Confiança são noções que devem ser entrelaçadas porque os homens fazem a história quando se movimenta no horizonte da esperança; superam as circunstâncias vivida no presente quando junto numa mesma motivação compartilham a confiança; estabelecem novas formas de convivência e de ação social quando se situam no horizonte das conquista.

A esperança, que é característico exclusivamente humano serve para nos dirigir para dias melhores fazendo nascer a idéia de um Brasil melhor onde não existam injustiça, discriminação e marginalização social. A confiança desenvolve e amadurece o processo de convivência e de diálogo. A conquista somada à esperança, e a confiança entre os homens colado num mesmo propósito, dirige a ação coletiva para superar determinadas contradições da realidade. Para entendermos as contradições da realidade escolar temos de ir a fundo e questionando sobre as razões subjacentes às precárias condições de produção da leitura por parte dos professores. Antes de afundarmos em busca das razões que levaram às contradições da realidade escolar, podemos sem muito esforço ver claramente que o período em que o empobrecimento das possibilidades de leitura dos professores e por conseqüência dos alunados foi durante a ditadura onde o objetivo do regime opressor era manter o povo na ignorância e impedir a democratização do saber. Porque paulatinamente o regime autoritário foi expropriando dos professores os seus instrumentos de trabalhos que era os textos e os livros, porém por outro lado não lhes foi colocado uma venda nos olhos, nem tapa - ouvido nem esparadrapo na boca que impedisse a leitura crítica dos acontecimentos e das circunstâncias sociais (a chamada "leitura do mundo" como diz Paulo Freire). Foi graça a esse tipo de leitura ( leitura do mundo) é que os professores não deixaram que a ideologia opressora conseguisse fazer com que eles (professores) acreditasse que as coisas sempre foram assim e sempre assim serão. Agora é preciso estar bem atentos quanto ao paternalismo que vem se fazendo presente na área da leitura escolar. De repente com o intuito de minimizar a dívida do governo para com a leitura escolar, as escolas brasileiras são premiada com caixotes de livros que chegam em algumas escolas onde nem se quer possui uma infra - estrutura adequada para fazer circular os livros doados e muito menos o tempo necessários, para trabalharem os livros. Esses aspectos é que devem ser objeto de análise por parte dos trabalhadores da educação.

O regime autoritário do ciclo da ditaduras militares se encarregou de fincar uma estaca ideológica ao redor das escolas bloqueando o questionamento e impondo uma série de restrições e limitações para o encaminhamento do ensino. Depois de tanto tempo de autoritarismo e totalitarismo, respirando o faça/não faça, o pode/não pode, de acordo com as normas/em desacordo com as normas, o proibido/permitido, o vale/não vale, certo/errado, estabelecido pelo regime opressor passamos conscientes ou inconscientemente, a exercer o poder e o controle da censura sobre nós mesmos e sobre as outras pessoas. Os professores passaram a restringir a liberdade dos alunos e com isso ocorreu a falta de criatividade por parte dos educandos. Mas a quem realmente interessa a censura?

A censura sempre veio da classe que esta no poder, e o objetivo principal é reproduzir o regime de privilégio ao longo da história e enquadrar os homens através das normas pré - estabelecidas nas suas visões de mundo. Para classificar essas colocações, é só retornarmos novamente ao ciclo da ditadura militar, onde a censura federal impedia circulação de certos textos, principalmente os que discutiam e denunciavam os desmando do poder. Nas páginas dos jornais eram colocados poemas ou piadas e até mesmo caricaturas, nessa época foi lançada a telenovela Roque Santeiro de Dias Gonçalves que não pôde ser exibida porque criticava o coronelismo e as falcatruas das prefeituras municipais; o filme Je Vous Salue Marie, de Jean Luc godard, foi censurado porque feria a tradição milenar da igreja católica. Assim podemos imaginar as imensas restrições que sofremos no que tange ao acesso para efeito de conhecimento.

É importante lembrar que a censura não é só moral e comportamental etc. a que mais limita as ações das pessoas é a censura econômica. Como estamos falando de leitura podemos destaca quem mais conhecem esse tipo de censura em função do salário que percebem (os professores).

Virgínia Woolf, em seu artigo chamado "Como se Deve Ler um Livro?" ela diz que: "o único conselho sobre leitura que uma pessoa pode dar a outra é não seguir conselho, e sim seguir sua própria inteligência e tirar suas próprias conclusões a fim de não cair em censura até porque os livros didáticos deixaram de expressar a realidade e seguiu o ditames e os rumos do consumismo barato." Os educadores brasileiros precisam manter-se atentos para contestar a impostura, a arrogância e o poder das instituições autoritárias que não se renovam historicamente e que ainda têm sua antenas voltadas para o passado reproduzindo a ignorância e a alienação, porque decorre daí o pensamento de que o leitor já nasce feito. Para Ezequiel, o não leitor da palavra escrita (analfabeto), existe devido a estrutura histórica da sociedade, e aquele que diz que uma pessoa não lê por falta de vontade ou preguiça é perder de vista essa estrutura a qual todos nos estamos inseridos. O que precisa ser mudado é o método de alfabetização e a formação do leitor. Porque o que se vê é transferência de responsabilidade, onde os professores tendem a colocar as causas da chamada "crise da leitura" no método de alfabetização. Sendo assim os alunos não lêem porque foram mal alfabetizados quando de sua iniciação na vida escolar. Cria-se assim uma verdadeira arena de discussão e polêmica. Os professores não deixam de terem razões quando diz que o problema está no método de alfabetização, mas então por que não mudar? A leitura não é uma atividade que vem do berço, apesar de muitos acharem que a criança só se tornará um bom leitor se ele tiver bons exemplos familiares. Ezequiel com sua metodologia diz que esta é uma visão errada da qual os professores não se podem relacionar, visto que em uma escola pública há criança de várias classe e jamais deve se fazer uma certa igualdade para determinado fins. Existem pais que não sabem ler e muitas leitura são deixada como tarefa de casa. É aí que ocorre o erro por parte dos professores ao quais deve antes verificar se a criança tem condições de produzir leitura.

O autor fala do erro interpretativo tomado por alguns estudiosos brasileiros e pessimamente disseminado junto aos nossos professores, quanto as recomendações da UNESCO, voltada a formação de hábito de leitura. A UNESCO insistem que os países incentivem o hábito de leitura no período da infância, sob o risco de passada essa fase tornar irreversível o desenvolvimento de hábito de leitura. Em nosso contexto essa recomendação virou determinação e até predestinação ou seja: aprenda enquanto criança ou ficará decretada a morte do leitor.

Imagine se Paulo Freire que faz todo um trabalho de alfabetização de adulto estivesse apegado a essa interpretação... é como diz um trecho escrito por Alberto Merani "(...) como indivíduos ou seja, na edificação da pessoa, a natureza humana não existe como algo definitivo, estável e perene, mas é uma história). Essa afirmação mostra que o leitor pode ser formado em qualquer período, se for na infância melhor ainda mas isso não significa que após adulto não possa vir sentir gosto pela leitura . Exemplo claro está no trabalho desenvolvido pelas Universidades Federais de Santa Catarina e de Minas Gerais, os idosos que aprenderam a ler tarde, são os que mais retiram livros oferecidos pelos acervos descentralizados.

Devido o método de Paulo Freire em seu processo de alfabetização, onde o uso de vocábulos pertencentes ao universo de vocábulos dos educandos, surgiu nas escolas a idéia de que os textos devem ser de acordo com o conhecimento do aluno, de modo que a compreensão fluísse com facilidade. Ora essa idéia só restringe a capacidade de alargamento do conhecimento do aluno. A leitura de texto se coloca como uma "janela para o mundo". Então é importante que essa janela fique bem aberta e sempre possibilitando novos desafios.

Interpretar um texto não apenas responder o questionário do livro. Interpretação é processo, é trabalho de se descontextualizar e recontextualizar um objeto com o intuito de aprende-lo. Compreensão essa vai bem mais longe do que as escola pedem, ela devem ser entendida como um modo de ser do homem no mundo, porque encontra significado para o seu existir à medida que se projeta no mundo buscando a compreensão de si dos outros e das coisas. Peguemos como exemplo para esclarecer mais ainda esses movimentos na área da leitura, um violinista em fase de preparação para um concerto. Ele tem diante de si uma pauta musical para ser compreendida e interpretada. Para isso o solista necessita de conhecimento a respeito do porquê de tocar essa música e não outra, o contexto histórico em que foi produzida o desafio que ela impõe a ele ( o solista), os efeito que a melodia pode gerar na platéia, a importância dessa peça para ele e para o presente momento histórico a posição dessa peça no conjunto ou seqüência global do concerto.

E para finalizar, a didática é um campo aberto dinamizado pela imaginação e criatividade de um professor, através de suas experiência docente e principalmente a sensibilidade do professor, voltada às necessidades de grupos específicos de alunos, que define uma ou mais possibilidade de trabalho em sala de aula.

Caro leitor! Este livro tem por objetivo orientar esclarecendo incentivando e encorajando os profissionais no ramo do Magistério. Esclarecer porque são muitos os professores que ainda desconhecem o seu verdadeiro papel enquanto profissional docente. Incentivar para que haja uma ideologia voltada para a compreensão dos porquês da defasagem na educação e assim caminhar por diversas trilhas, mas que leve tão somente a formação de verdadeiros críticos, os quais possam ser enquadrados dentro do prisma de Cagliari em se tratando de leitura e de Paulo Freire quanto o papel de educar. Encorajar, em razão dos grandes obstáculos e até mesmo os labirintos de alternativas, porque são tantos estudiosos com pensamento diferente e que acabam por deixarem dúvidas quanto as decisões a serem tomadas. Mas quem lê o livro ELEMENTOS DE PEDAGOGIA DA LEITURA sabe tomar sua decisões e sair dos labirintos já que estes existem.


BIBLIOGRAFIA

SILVA, Ezequiel Theodoro da. Elementos de Pedagogia de Leitura.

Livraria Martins Fontes Editora Ltda, 1998. 137 páginas.

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