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Iracema - José de Alencar

Autor:
Instituição:
Tema: Português

Relatório de Análise de Obra Literária

1. O presente trabalho trata da obra Iracema do autor José de Alencar e seus vários aspectos.

2. Estrutura da obra:

a) Enredo

No capítulo II que se inicia o enredo. Martim Soares Moreno, personagem responsável pela colonização do Ceará, encontra-se com Iracema, filha do pajé Araquém, da tribo dos Tabajaras, os senhores das montanhas. Neste encontro, ocorre o episódio da flechada atrás referido, seguindo-se a ele a permissão de Iracema para que Martim visite a tribo.

O visitante, por quem Iracema se apaixonara, encontra em Irapuã, o chefe da tribo, um rival. Um duelo entre ambos é interrompido pelo grito de guerra dos Pitiguaras, os senhores do litoral, liderados por Poti, amigo de Martim.

Nas entranhas da terra, magicamente abertas por Araquém, Iracema esconde-se com Martim e torna-se sua esposa, traindo o compromisso de virgem vestal, sacerdotisa da tribo e portadora do segredo da Jurema, o segredo da fertilidade dos Tabajaras.

Durante o sono da tribo, propiciado por Iracema que a leva ao bosque da Jurema, onde os guerreiros podem sonhar vitórias futuras, há o reencontro entre Martim e Poti, que fogem guiados por Iracema. Ela não revela a Martim que houve entre ambos o himineu (casamento), enquanto o jovem iniciava-se nos mistérios da Jurema, só o fazendo posteriormente à fuga.

Irapuã encontra os fugitivos, trava-se um combate entre os Tabajaras e os melhores Pitiguaras, conduzidos por Jacaúva, irmão de Poti. Nesse combate Iracema pede a Martim que não mate Caubi (o Senhor dos Caminhos), seu irmão, e por duas vezes salva a vida do estrangeiro. Os Tabajaras debandam, deixando Iracema triste e envergonhada.

Os três chegam então ao território Pitiguara, de onde viajam para visitar Batuirité, avô de Poti, o qual denomina Martim de Gavião Branco, fazendo, antes de morrer, a profecia da destruição de seu povo pelos brancos.

Iracema engravida e, acompanhada de Poti, pinta o corpo de Martim, que passa a ser Coatiabo, o guerreiro pintado, que às vezes tem momentos de grande melancolia, com saudades da pátria.

Um mensageiro Pitiguara leva a Poti um recado de Jacaúna contando sobre a aliança entre os franceses e os Tabajaras. Poti e Martim partem para a guerra; Iracema fica no litoral, em companhia de uma seta envolvida em um galho de Maracujá (a lembrança). Triste, recebe a visita de Jandaia, antiga companheira, e, torna-se mecejana (a abandonada) como Jandaia.

Martim e Poti voltam vitoriosos; Martim sente maiores saudades da pátria; Iracema profetiza a própria morte, que ocorrerá em seguida ao nascimento do filho. Novo combate, nova vitória dos Pitiguaras; nasce Moacir, o filho do sofrimento de Iracema, que recebe a visita de Caubi, seu irmão, quando o leite já está secando e as forças acabando.

Mal chega Martim, morre Iracema, após entregar-lhe o filho e pedir que fosse sepultada sob o coqueiro. Nesse lugar nasce o Ceará, colonizado por Martim, logo que, volta de Portugal, para onde levara o filho, mas onde não conseguira permanecer.

José de Alencar romantizou, através do amor entre Iracema e Martim, o processo de colonização do Ceará, simbolicamente representativo do processo de colonização do Brasil.

b) Personagens

Iracema – "...a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asas da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era mais doce que seu sorriso, nem a baunilha rescendia no bosque como se hálito perfumado. Era mais rápida que a ema selvagem. Índia da tribo tabajara, filha de Araquém."

Demonstrou muita coragem e sensibilidade.

Revelou-se amiga, companheira, amorosa, amante, submissa e confiante. Renunciou tudo pelo amor de Martim. Representa bem o elemento indígena que se casa com o branco para formar uma nova raça: a brasileira.

Martim - "Tinha nas faces o branco das areias que bordam o mar, nos olhos o azul triste das águas profundas, os cabelos do sol". O seu nome na língua indígena significa "filho de guerreiro". Era português e veio ao Brasil numa expedição, quando fez amizade com Jacaúna, chefe dos pitiguaras, dos quais recebeu o nome de Coatiabo - "guerreiro pintado". Corajoso, valente, representa bem o branco conquistador, que se impôs aos índios na colonização do Brasil.

Araquém – "Tinha os olhos cavos e rugas profundas, compridos e raros cabelos brancos". Pai de Iracema, pajé da tribo tabajara. Era um grande conselheiro, tinha o dom da sabedoria e da liderança.

Andira "É o velho herói. É feroz Andira que bebeu mais sangue na guerra que beberam já tantos guerreiros. Ele viu muitos combates na vida, escapelou muitos pitiguaras. Nunca temeu o inimigo". Seu nome significa "morcego". Irmão do pajé Araquém. Provou ser um grande e impetuoso guerreiro.

Caubi "Tinha o ouvido sutil, era capaz de pressentir a boicininga (cascavel) entre rumores da mata; tinha o olhar que melhor vê nas trevas. Era bom caçador, corajoso, guerreiro destemido que não guardou rancor da irmã, indo visitá-la na sua choupana distante." Irmão de Iracema.

Irapuã "De certa forma, Irapuã representa, com sua oposição, um esforço no sentimento de guardar e preservar as tradições

indígenas." Chefe dos tabajaras, manhoso, traiçoeiro, ciumento, corajoso, valente, um grande guerreiro. Estava sempre lembrando a Iracema sobre a necessidade de se conservar virgem, pois ela guardava o segredo de Jurema. O seu nome significa "mel redondo".

Poti – "Guerreiro destemido, irmão do chefe dos pitiguaras". Prudente, valente, audaz, livre, ligeiro e muito vivo. Tinha uma grande amizade por Martim a quem considerava irmão e de quem era aliado.

Jacaúna "...o grande Jacaúna, o chefe dos pitiguaras, senhor das praias do mar. O seu colar de guerra, com os dentes dos inimigos vencidos, era um brasão e troféu de valentia". Era corajoso, exímio guerreiro, forte. Seu nome tem o significado de "jacarandá-preto".

Batuireté – "Tinha a cabeça nua de cabelos, cheio de rugas, morava numa cabana na Serra do Maranguab". Batuireté significa "valente nadador".

Jatobá - Pai de Poti. Conduziu os pitiguaras a muitas vitórias. Robusto e valente.

Moacir "O nascido do sofrimento, o "filho da dor". O primeiro brasileiro - fruto da união do branco com o índio.

c) Espaço

A ação se passa no Ceará. "...verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba; verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente, per-longando as alvas praias ensolaradas de coqueiros."

d) Tempo

O tempo usado é o "flash back". (do 2º ao 3º. capítulos). O texto se abre pelo fim. Iracema, no 1o. capítulo, já está morta, e Martim, Moacir e o cachorrinho vão embora na jangada. O 32o. capítulo narra a morte de Iracema e o 33o. conta o retorno de Martim para fundar o Ceará.

e) Características do Romantismo na obra:

1- Há que características românticas na obra? Explique.

A principal é o indianismo, que foi uma das formas mais significativas assumidas pelo nacionalismo romântico. Mas também o culto e a exaltação da natureza; a idealização de índio como um ser nobre, valoroso, fiel e cavalheiro; sublimação do amor e idealização da mulher; sentimentalismo amoroso configurado na temática amor e morte; a concepção amorosa a partir dos sentimentos puros e castos.

2- Em quais núcleos se dividem os personagens? Separe-os.

Núcleo do bem: pessoas que mostram o amor. ( Iracema, Poti, Caubi, Martim ) Núcleo do mau: pessoas que não amam. ( Irapuã, Andira, Araquém)

3- Qual é o sentimento que separa esses núcleos? E quais características marcantes tem cada núcleo de personagens? Comente.

O amor é o grande parâmetro da divisão do núcleo de personagens. A característica principal é o caráter do personagem. Quem não ama é canalha e vilão.

4- As personagens românticas tem quais objetivos na obra? Eles realizam esse objetivo? Comente.

Casar-se para construir uma família. Iracema e Martim realizam esse objetivo.

5- Nesta obra tem final feliz? A que atitude marcante se deve tal desfecho da estória? Comente.

A obra tem um final feliz, pois os personagens tem uma atitude ativa e vencem a sociedade.

6- Dê outros comentários sobre a trama da obra.

Trata-se de uma lenda do Ceará, pois realizou a fusão dos mitos indígenas e dos elementos da natureza. Exemplos de mitos: nascimento de Moacir, primeiro cearense, primeiro brasileiro, primeiro homem americano, resultado primeiro da mistura das raças índia e portuguesa; morte de Iracema; retorno de Martim; conversão de Poti. José de Alencar conseguiu nos dar um retrato fiel do Brasil, utilizando uma linguagem rica das línguas indígenas.


3. O tema da obra e sua contextualização:

O tema da obra acima referida é o indianismo. Mostra a visão sobre o índio de forma que o leitor pense na nacionalidade, no patriotismo, na mistura de raças.


4. Visão crítica sobre a obra.

A obra mostra a grandiosidade de José de Alencar como escritor, sendo o seu ponto marcante o Romantismo. Esta obra nos faz viajar até uma atmosfera lendária de exótica e delicada poesia. José de Alencar faz de Iracema, a virgem dos lábios de mel um complexo de graça e de paixão; de beleza e de sensibilidade; de castidade e de entrega. Nos faz ver a grandeza do amor de Iracema por Martim; um amor sem limites, sem fronteiras, cercado de alegrias e também de tristezas, de uma mulher indígena por um homem branco, e que por esse amor abandona a própria tribo, traindo o segredo de jurema, que guardava como virgem de Tupã.

É uma história muito linda, e ao mesmo tempo triste, pois Iracema sofre muito com a ausência de Martim em longas e demoradas jornadas, e ela sente diminuir o amor do seu amado, por ela, isto tendo aliado ao remorso da saudade.

Ela expressa isto no nome dado ao filho – Moacir (filho da dor). É uma obra que nos faz sentir tudo o que o personagem sente, como se nós mesmos estivéssemos vivendo a história. Qualquer comentário a respeito ainda é pouco, para relatar tão grandiosa obra.


5. Bibliografia

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