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a influ?ia da afetividade na aprendizagem

Autor:
Instituição:
Tema:

FACINTER  FACULDADE INTERNACIONAL DE CURITIBA
SILVANA BECHER
A INFLUÊNCIA DA AFETIVIDADE SOBRE A APRENDIZAGEM INFANTIL
SANTA MARIA
2008

INTRODUÇÃO

A escola é o ambiente primordial quando se fala em processo ensino-aprendizagem, tendo em vista o compromisso que ele exerce perante a sociedade, por isso temos o compromisso de apresentar um plano que vá proporcionar aos educandos um desenvolvimento em todas as áreas, seja cognitiva social ou afetiva.
Sabe-se que a afetividade acompanha o ser humano desde seu nascimento até sua morte. De maneira geral, pode-se dizer que até a segunda infância, a vida da criança é inteiramente afetiva, e que no fim deste período, as principais formas de afetividade do futuro adulto já estão estabelecidas.
As dimensões cognitiva e afetiva do funcionamento psicológico têm sido tratadas, ao longo da história da psicologia como ciência, de forma separada, correspondendo a diferentes tradições dentro dessa disciplina. Atualmente, no entanto, percebe-se uma tendência de reunião desses dois aspectos, numa tentativa de recomposição do ser psicológico completo. Essa tendência parece assentar-se em uma necessidade teórica de superação de uma divisão artificial, a qual acaba fundamentando uma compreensão fragmentada do funcionamento psicológico.
As situações concretas da atividade humana, objeto de interesse de áreas aplicadas como a educação, por exemplo, também pedem uma abordagem mais orgânica do ser humano: as lacunas explicativas tornam-se óbvias quando se enfrenta indivíduos e grupos em situações reais de desempenho no mundo.
Ao questionarmos a influência que os fatores sociais e a afetividade podem exercer sobre a aprendizagem infantil levantam-se algumas hipóteses a serem investigadas como a relação entre desenvolvimento escolar da criança e o meio social em que esta está inserida. Afinal, a afetividade pode ser atribuída como uma condição inevitável na construção da inteligência interferindo assim no processo ensino aprendizagem e resultando no fracasso escolar?
O processo de conhecer a si mesmo e ao outro está internalizado, e nessa relação está a importância da afetividade para o bom desenvolvimento integral do ser humano. As dimensões cognitiva e afetiva do funcionamento psicológico têm sido tratadas, ao longo da história da psicologia como ciência, de forma separada, correspondendo a diferentes tradições dentro dessa disciplina.
Atualmente, no entanto, percebe-se uma tendência de reunião desses dois aspectos, numa tentativa de recomposição do ser psicológico completo. Essa tendência parece assentar-se em uma necessidade teórica de superação de uma divisão artificial, a qual acaba fundamentando uma compreensão fragmentada do funcionamento psicológico.
As situações concretas da atividade humana, objeto de interesse de áreas aplicadas como a educação, por exemplo, também pedem uma abordagem mais orgânica do ser humano: as lacunas explicativas tornam-se óbvias quando se enfrenta indivíduos e grupos em situações reais de desempenho no mundo.
Este projeto irá investigar na pratica essa relação, confrontando a realidade observada com a teoria apresentada por grandes nomes como Jean Piaget, Vigotski e Henri Wallon, buscando alternativas perante os resultados encontrados.
Na maioria das vezes, os conhecimentos que dizem respeito à afetividade -relacionamentos pessoais, cidadanias, direitos e deveres - considerados pilares da solidariedade e da cooperação humana, em geral são omitidos pela escola e muitas vezes pelos próprios pais. Além de a afetividade estar ausente nos currículos, a agressividade encontra-se presente, quer em estudos acríticos das guerras e conflitos, quer na competitividade do dia-a-dia da escola.
O desenvolvimento da autonomia e da afetividade permite aprimorar as relações interpessoais; a sociedade necessita de pessoas capazes de respeitar as opiniões dos demais e, por sua vez, de defender os próprios direitos. Nessa medida, a inventividade da criança e do educador, o levantamento de hipóteses sobre os assuntos, o interesse e a curiosidade permeariam todo o processo educativo ressaltando a necessidade de entender a interferência da afetividade no processo ensino-aprendizagem.
O presente estudo busca analisar a relação entre afetividade e sucesso escolar, identificando os aspectos afetivos e sua influência sobre o ensino aprendizagem e diagnosticando como as relações sociais e o meio onde a criança está inserida podem interferir no processo de aprendizagem escolar. Para esta busca levantam-se as seguintes hipóteses:
* O meio social e as relações afetivas estão diretamente relacionados com o desenvolvimento escolar da criança
* A afetividade é atribuída como uma condição inevitável na construção da inteligência.
* A principal causa do fracasso escolar está ligada ao processo de interação social e afetiva da criança.
* A afetividade no ambiente escolar contribui para o sucesso no processo de ensino aprendizagem.
* A aprendizagem é o resultado da estimulação do ambiente sobre o indivíduo.
Neste aspecto é que se sustenta a finalidade de compreender e questionar a importância da afetividade no trabalho da escola e do professor, estimulando o desejo de aprender e conseqüentemente oportunizar a superação das dificuldades de aprendizagem dos alunos. Será analisada e considerada a possível influência que o meio social pode ou não exercer sobre este processo, confrontando a realidade observada com a teoria apresentada por grandes nomes como Jean Piaget, Vigotski e Henri Wallon, buscando alternativas perante os resultados encontrados.

AFETIVIDADE E APRENDIZAGEM

Atribuir o afeto como suporte ao aprendizado infantil já não é nenhuma novidade. Piaget, Vigotsky e Wallon já há muito tinham suas teorias sobre a relação afetividade/aprendizado e suas importâncias, estes, abriram caminhos para novos estudos e novas teorias.
É de conhecimento de todos os educadores que a escola é o caminho certo quando se fala em processo ensino-aprendizagem, tendo em vista o compromisso que ele exerce perante a sociedade, por isso temos o compromisso de apresentar um plano que vá proporcionar aos educandos um desenvolvimento em todas as áreas, seja cognitiva e principalmente afetiva, pois o aluno que é afetivamente mais equilibrado apresenta mais maturidade e tem um aproveitamento de aprendizagem superior àqueles que apresentam dificuldades de afetividade. Somente com análise profunda do problema que se obterão bons resultados.
Muitos distúrbios de aprendizagem e de escolaridade, em sentido amplo são expressões distúrbios emocionais; e se manifestam com freqüência na infância, sobre aquelas funções que estão em franco desenvolvimento e, portanto, recebendo maior investimento. À escola cabe, portanto, comprometer-se da forma mais integral possível com a vida afetiva de seus alunos. Os professores não podem ser indiferentes aos sentimentos das crianças, já que a não observância dos mesmos pode causar danos irreversíveis.
A busca e descrição das estruturas ou formas de organização da inteligência é o núcleo da teoria de Piaget, a epistemologia genética e o método clínico-crítico de investigação. A psicologia do desenvolvimento tem como base a epistemologia genética. O autor defende a tese da correspondência entre as construções afetivas e cognitivas, ao longo da vida do indivíduo, e parte para as relações entre a afetividade, inteligência e a vida social para explicar a gênese da moral.
Sua tese sobre as relações entre afetividade e inteligência, é de que ambos estão indissociáveis e integradas ao desenvolvimento psicológico, não sendo possível terem-se duas psicologias, uma da afetividade e outra da inteligência, para explicar os comportamentos.
A inteligência e a afetividade são diferentes em natureza, mas indissociáveis em sua conduta concreta, não há conduta unicamente afetiva, assim como não existe uma conduta unicamente cognitiva. Ela interfere constantemente na inteligência, estimulando, acelerando ou retardando esse processo, não se restringindo às emoções e aos sentimentos, mas engloba também as tendências e a vontade. O termo funções afetivas lembra sua natureza seletiva em virtude da afetividade.
Piaget retorna a idéia de que toda conduta visa a adaptação, sendo que o desequilíbrio traduz uma impressão afetiva particular. Para ele, as formas só podem ser concebidas em seu dinamismo de maneira relacional e genética. As operações intelectuais tendem a formas de equilíbrio das qual a mais importante é a reversibilidade. Piaget (2005, p 67) diz que a inteligência e afetividade são de natureza diferente, a energética da conduta vem da afetividade e as estruturas vêm das funções cognitivas, englobam ao mesmo tempo, o sujeito, os objetos e as relações entre o sujeito e o objeto.
Apresenta um paralelo entre o desenvolvimento afetivo e o desenvolvimento da inteligência, tendo como referência a sua teoria genética da inteligência e colocando de lado as construções cognitivas e afetivas.
De acordo com a teoria de Piaget (Para onde vai a Educação? -2005) o desenvolvimento intelectual é considerado como tendo dois componentes: o cognitivo e o afetivo. Embora nem sempre seja focalizado por psicólogos e educadores, o desenvolvimento afetivo se dá paralelamente ao cognitivo e tem uma profunda influência sobre o desenvolvimento intelectual. Segundo Piaget o aspecto afetivo por si só não pode modificar as estruturas cognitivas, mas pode influenciar que estruturas modificarem.
Se o desenvolvimento afetivo se dá paralelamente ao desenvolvimento cognitivo, as características mentais de cada uma das fases do desenvolvimento serão determinadas para a construção da afetividade. Quando examinamos o raciocínio das crianças sobre questões morais percebemos que os conceitos morais são construídos da mesma forma que os conceitos cognitivos. Os mecanismos de construção são os mesmos. As crianças assimilam as experiências aos esquemas afetivos do mesmo modo que assimilam as experiências às estruturas cognitivas.
Para Piaget, o desenvolvimento do raciocínio moral é uma conseqüência do desenvolvimento cognitivo e afetivo e, durante o estágio pré-operacional, o raciocínio moral é visto como respeito mútuo. A criança é incapaz de reverter às operações e não consegue acompanhar as transformações, a percepção tende a ser centrada e a criança é egocêntrica, ou seja, não pode assumir o papel ou o ponto de vista do outro, acredita que todos pensam como ela. Conseqüentemente o conceito de intencionalidade ainda não foi construído e a criança não consegue compreender comportamentos acidentais de outras crianças.
Evidencia-se, em Piaget a importância que tem para nós, educadores, o conhecimento da afetividade, quer que seja através das emoções, da força motora das ações ou do desejo, para o melhor desenvolvimento da aprendizagem do aluno e uma melhor relação entre o aluno e o professor.
Pretende-se, com essa pesquisa, verificar os caminhos que o educador está percorrendo, viabilizando o saber aos educandos em dificuldades, a fim de estimular e dar continuidades às discussões já existentes, e mais especificamente: investigar como a afetividade interfere no processo ensino-aprendizagem; analisar as diversas manifestações da auto-estima e suas repercussões na aprendizagem do aluno.
Para VYGOTSKY (1991 p 46), os aspectos mais difundidos e explorados de sua abordagem são aqueles referentes ao funcionamento cognitivo: a centralidade dos processos psicológicos superiores no funcionamento típico da espécie humana; o papel dos instrumentos e símbolos culturalmente desenvolvidos e internalizados pelo indivíduo no processo de mediação entre sujeito e objeto de conhecimento; as relações entre pensamento e linguagem; a importância dos processos de ensino-aprendizagem na promoção do desenvolvimento; a questão dos processos metacognitivos..
VYGOTSKY menciona (Novas questões para o debate p 62), explicitamente, que um dos principais defeitos da psicologia tradicional é a separação entre os aspectos intelectuais, de um lado, e os volitivos e afetivos de outro, propondo a consideração da unidade entre esses processos. Coloca que o pensamento tem sua origem na esfera da motivação, a qual contém inclinações, necessidades, interesses, impulsos, afeto e emoção. Nesta esfera estaria a razão última do pensamento e, assim, uma compreensão completa do pensamento humano que só é possível quando se compreende sua base afetivo-volitiva. Sobre a separação do intelecto e do afeto diz VYGOTSKY.
Para VYGOTSKY as formações psicológicas são produtos da influência social sobre o ser humano, são a representação e o fruto do ambiente cultural externo na vida do organismo. Ressaltada a importância do conceito de zona de desenvolvimento proximal para a aprendizagem, abeira-se nesse trabalho um dos postulados que Vygotsky coloca como fundamental nesse processo, qual seja, a teoria da mediação. Segundo ele, para que haja desenvolvimento, o fator cultural apresenta-se como determinante e os fenômenos psicológicos são resultantes das transformações genéticas ocasionadas a partir da atuação do sujeito no contexto social e cultural.
Na sua teoria ele destaca o meio como fator determinante para a construção das estruturas mentais onde cada indivíduo aparece como ativo participante de sua própria existência, construída na inter-relação com outros sociais. Dentro de cada estágio do seu desenvolvimento a criança amplia a capacidade com a qual ela pode, competentemente, afetar o seu meio e a si mesma.
Na psicogenética de Henri Wallon, a dimensão afetiva ocupa lugar central, tanto do ponto de vista da construção da pessoa quanto do conhecimento. Ambos se iniciam num período que ele denomina impulsivo-emocional e se estende ao longo do primeiro ano da vida. Neste momento a afetividade reduz-se praticamente às manifestações fisiológicas da emoção, que constitui, portanto, o ponto de partida do psiquismo.
A afetividade, nesta perspectiva, não é apenas uma das dimensões da pessoa: ela é também uma fase do desenvolvimento, a mais arcaica. O ser humano foi, logo que saiu da vida puramente orgânica, um ser afetivo. Da afetividade diferenciou-se, lentamente, a vida racional. Portanto, no início da vida, afetividade e inteligência estão sincreticamente misturadas, com o predomínio da primeira.
Nos momentos dominantemente afetivos do desenvolvimento o que está em primeiro plano é a construção do sujeito por meio da interação com os outros sujeitos; naqueles de maior peso cognitivo, é o objeto, a realidade externa que se modela à custa da aquisição das técnicas elaboradas pela cultura. Ambos os processos são, por conseguinte, sociais, embora em sentidos diferentes.
Tudo o que foi afirmado a respeito da integração entre inteligências e afetividade pode ser transposto para aquela que se realiza entre o objeto e o sujeito. Deve-se então concluir que a construção do sujeito e a do objeto alimenta-se mutuamente, e ainda afirmar que a elaboração do conhecimento depende da construção do sujeito nos quadros do desenvolvimento humano concreto.
Nesta vinculação está uma das mais belas intuições da teoria walloniana: a de que a sofisticação dos recursos intelectuais é utilizável na elaboração de personalidades ricas e originais. Neste sentido, a construção do objeto está a serviço da construção do sujeito: quem fala é nitidamente o psicólogo, e não o epistemólogo. O produto último da elaboração de uma inteligência concreta, pessoal, corporificada em alguém, é uma pessoa. A construção da pessoa é uma autoconstrução.
Para Wallon,o vínculo afetivo supre a insuficiência da inteligência no início. Quando ainda não é possível a ação cooperativa que vem da articulação de pontos de vista bem diferenciados, o contágio afetivo cria os elos necessários à ação coletiva. Com o passar do tempo, a esta forma primitiva se acrescenta a outra, mas, em todos os momentos da história da espécie, como da história individual, o ser humano dispõe de recursos para associar-se aos seus semelhantes.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Para coleta de dados foram feitas observações na Escola e na comunidade a ser analisada, onde 16 (desesseis) professores, após assinarem um termo de consentimento, responderam ao questionário a seguir. Na comunidade investigada foram feitas visitas as (50) cinqüenta famílias de onde são oriundos os alunos das séries iniciais da Escola Municipal de Ensino fundamental Tiradentes, através de relatório foram registradas informações e dados.
Modelo de Questionário utilizado na escola:
A. IDENTIFICAÇÃO
01. Data de Nascimento (dd/mm/aaaa): _________/_________/_________
02. Sexo: Masculino ( )Feminino ( )
03: Estado Civil:
B. DADOS ACADÊMICOS
01. Cursou Magistério? Sim ( ) Não ( )
03. Cursou Graduação? Sim ( ) Não ( ) Caso afirmativo, qual curso de graduação
cursou?
04. Em qual instituição cursou a graduação?
C. DADOS PROFISSIONAIS
01. Há quanto tempo leciona?
02. Há quanto tempo leciona nesta escola?
03. Para qual (is) séries você leciona atualmente nesta escola?
D. QUESTIONAMENTOS

Baseado na sua experiência como educador e na sua prática cotidiana em sala de aula opine:
Sinta-se livre para registrar as observações que julgar necessário.
1-É na família que ocorrem as primeiras aprendizagens e experiências emocionais que são levadas para a vida, mostrando se verdadeiramente marcantes. É ela que oferece os ingredientes principais e a base para formação da criança. Exerce, ainda, um papel muito importante no desenvolvimento humano do ser, influenciando o lado emocional e, conseqüentemente, na sua aprendizagem. Você entende isso como:
( ) extremamente verdadeiro ( ) considerável ( ) não relevante
2-"Na família, a criança retém definitivamente os sentimentos que seus pais têm em relação a ela e à vida em geral. Esses sentimentos será base para o conceito que ela formará de si própria e do mundo. Você concorda com essa afirmativa?
( ) sim ( ) não ( ) em alguns casos
3-Para você, o ambiente familiar é o mais significativo local para a internalização de valores, criação de hábitos e de aprendizagem variadas?
( ) sim ( ) não
4-O meio social e as relações afetivas influênciam na aprendizagem?
( ) sim ( ) não ( ) em alguns casos
5-O professor e a escola contribuem na formação afetiva do aluno?
( ) sim ( ) não ( ) em alguns casos
6-Alunos com problemas de afetividade devem ser trabalhados de forma diferente?
( ) sim ( ) não ( ) em alguns casos
7-Você se sente preparado, tanto psicológico como pedagogicamente para lidar com os alunos que demonstram pouca afetividade em sala de aula?
( ) sim ( ) não ( ) em parte
8-Você percebe em sua sala de aula que crianças com auto-estima baixa apresentam dificuldades de aprendizagem?
( ) sim ( ) não ( ) em alguns casos
9-Trabalhar com a questão da auto-estima na sala de aula pode se constituir um instrumento capaz de favorecer a aprendizagem de crianças e adolescentes que apresentam dificuldades de aprendizagem?
( ) sim ( ) não ( ) em alguns casos
10-O fortalecimento das relações afetivas entre professor e aluno contribui para o melhor rendimento escolar?
( ) sim ( ) não ( ) em parte
11-A diferença de nível cultural familiar entre as crianças reforça a disparidade no processo de aprendizagem?
( ) sim ( ) não ( ) em parte
12-Uma relação familiar com atitudes e modelos paternos que possibilitem aprendizagens inadequadas incidem sobre o desenvolvimento social e cognitivo das crianças?
( ) sim ( ) não ( ) em alguns casos
13-Os alunos da escola onde você trabalha possuem acompanhamento piscologico?
( ) sim ( ) não
14-Para Vygotsky o meio é fator determinante para a construção das estruturas mentais onde cada indivíduo aparece como ativo participante de sua própria existência, construída na inter-relação com outros sociais. Isso pode ser observado como afirmativo no ambiente escolar?
( ) sim ( ) não ( ) em parte
15-Você concorda que a maioria dos alunos que possui dificuldades de aprendizagem convive em um ambiente familiar desfavorável?
( ) sim ( ) não ( ) em alguns casos
16-A participação dos pais na vida escolar dos filhos representa um papel muito importante em relação ao seu bom desempenho em sala de aula. Para você a afirmativa está:
( ) correta ( ) incorreta
17-Como lembra Sacristán (2005 p. 192): Para que a situação do aluno mude, nós temos que mudar antes. A escola onde você trabalha demonstra atitudes e comprometidas com essa mudança?
( ) sim ( ) não ( ) em parte
18-O aluno que provém de um ambiente familiar desorganizado está pré destinado a ter dificuldades de aprendizagem?
( ) sim ( ) não ( ) na maioria dos casos
19-Você acha possível a superação das dificuldades de aprendizagem apresentadas por crianças oriundas de um ambiente social e familiar desestruturado?
( ) sim ( ) não ( ) em alguns casos
20-A escola que você atua apresenta metodologia comprometida com a superação dessas dificuldades?
( ) sim ( ) não

NAS FAMÍLIAS:
Foram coletados dados econômicos e sociais como: número de filhos em idade escolar; grau de escolaridade dos pais; hábitos e costumes quanto à educação dos filhos; renda familiar;...

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através de toda a pesquisa abordando o assunto da afetividade na Educação Infantil, através da literatura consultada, não resta dúvida da sua importância no processo educativo e na formação pessoal. Percebe-se, no entanto, que mesmo que a escola tenha uma prática pedagógica baseada na afetividade, expressam no projeto pedagógico, alguns problemas de ordem afetiva podem ocorrer, uma vez que a escola é um dos meios de interação e não único, no cotidiano da criança.
O início da vida afetividade no indivíduo é dado nas primeiras estimulações naturais, oferecida pela mãe. É um ponto de partida para o apego ou ligação afetiva.
Os afetos podem ser duradouros ou passageiros. Nossas expressões não podem ser compreendidas si não considerarmos os afetos que nos acompanham.
As relações afetivas têm sua importância na orientação do comportamento do indivíduo, pois nos ajudam avaliar situações no decorrer de nossa existência. A Afetividade prepara nossas ações, ou seja, participa ativamente da percepção que temos de situações vividas e do planejamento de nossas reações ao meio. Essa função é caracterizada como função adaptativa. Os afetos possuem outras características que estão ligados à consciência, o que permite dizer o que sentimos expressando através de linguagem e de nossas emoções.
A afetividade exerce um papel fundamental nas correlações psicossomáticas básicas, além de influenciar decisivamente a percepção, a memória, o pensamento, à vontade e suas ações, e ser um componente essencial da harmonia e do equilíbrio da personalidade humana. Nas relações interpessoais, o aspecto afetivo refere-se aos diversos afetos interindividuais e o elemento intelectual ou estrutural ressalta da tomada de consciência das relações interindividuais e resulta na constituição de estruturas de valor.
Analise gráfica dos dados coletados na escola:

Após observações, registros informais e entrevista realizada com os professores da escola analisada, pode-se observar que a maioria dos professores acredita que o meio social onde a criança está inserida e as relações afetivas que está mantém com o grupo onde convive e com a família representam um fator fundamental no desenvolvimento cognitivo da mesma influenciando diretamente no desenvolvimento da aprendizagem e nas habilidades da criança no ambiente escolar, embora alguns acreditem que há exceções, pois há na escola casos isolados que comprovam a superação dessa deficiência .

Análise dos dados coletados nas famílias:

Os registram puderam apurar que a maioria das crianças que possuem alguma dificuldade de aprendizagem ou até mesmo de sociabilizarão no ambiente escolar derivam de famílias ou comunidades com alguma necessidade ou carência. A relação familiar conturbada por problemas de violência ou alcoolismo reflete em 78% dos casos de déficit de aprendizagem.
Os alunos oriundos de famílias cujos pais não tiveram acesso à alfabetização ou não têm em casa um ambiente estimulador para a leitura apresentam dificuldades na leitura em 92% dos casos. Também reflete sobre o desempenho das crianças em sala de aula a falta de recursos e em alguns casos até a precariedade de alimentação naquelas famílias de renda mensal muito baixa em relação ao número de dependentes que dependem dessa fonte de renda. Verificou-se alguns casos onde o maior atrativo das crianças na sala de aula é a alimentação oferecida,pois muitos chegam na escola sem nem mesmo o café da manhã.
A escola considera a família a base do desenvolvimento da criança que visivelmente reflete esse aspecto no seu cotidiano escolar, por isso buscar envolver os pais nas atividades escolares para que possa acompanhar o desenvolvimento e as dificuldades de seus filhos, o que algumas vezes se torna difícil com algumas famílias. A escola desenvolve projetos de esporte e atividades culturais como dança e teatro para os alunos a fim de integrá-los ao ambiente escolar e também ao grupo criando assim uma motivação para que as famílias se façam mais presentes na escola.
O município disponibiliza de um serviço de apoio psicológico ás escolas embora os professores tenham destacado falhas nesse sistema no último ano letivo pois não conseguem horários suficiente para encaminhar seus alunos que necessitam desse serviço.
È também destacado que embora a escola aparentemente apresente um ambiente favorável para a superação das dificuldades emocionais aposentadas pelos seus alunos, os professores ainda sentem-se despreparado psicológico e pedagogicamente para lidar com os alunos que apresentam pouca afetividade em sala de aula.
Ao concordarem que a relação afetiva entre professor e aluno pode influenciar na superação dos problemas afetivos que a criança apresenta na escola, os educadores reivindicam políticas educacionais mais coerentes com essa necessidade. Os profissionais da educação precisam ser mais valorizados e preparados para essa nova realidade que se encontra o nosso sistema de ensino. Cursos de reciclagem e apoio de orientadores educacionais especializados na área ,estrutura metodológica e comprometimento das entidades governamentais são de extrema necessidade para o educador da atualidade que agora também além de mestre desempenha várias funções em sala de aula e assume o desafio de educar para uma nova realidade social.
Sobre estes aspectos afirmam-se as hipóteses levantadas no início desse documento, comprovando que o meio social onde a criança está inserida e as relações afetivas que apresenta age diretamente no desenvolvimento escolar da mesma. A afetividade é atribuída como uma condição inevitável na construção da inteligência sendo o ambiente familiar e escolar fator significativo no processo de ensino aprendizagem.
Ao alcançar o objetivo proposto neste projeto, de analisar a relação entre afetividade e sucesso escolar identificando os aspectos afetivos e sua influência sobre o ensino aprendizagem, concluindo que o meio onde a criança está inserida interferi diretamente no processo de aprendizagem escolar reforça-se as teorias dos grandes nomes utilizados como fundamentação teórica: Vigotsky,Jean Piaget e Henri Wallon que atribuíram em seus estudos a afetividade como uma condição inevitável na construção da inteligência.
Na teoria do psicólogo Jean Piaget, a criança é concebida como um ser dinâmico, que a todo o momento interage com a realidade, operando ativamente com objetos e pessoas. Essa interação com o ambiente faz com que construa estruturas mentais e adquira maneiras de fazê-las funcionar. O eixo central, portanto, é a interação organismo-meio e essa interação acontece através de dois processos simultâneos: a organização interna e a adaptação ao meio, funções exercidas pelo organismo ao longo da vida.
A adaptação definida por Piaget, como próprio desenvolvimento da inteligência, ocorre através da assimilação e da acomodação. Os esquemas de assimilação vão se modificando, configurando, os estágios de desenvolvimento.
Considera-se, ainda, que o processo de desenvolvimento influenciado por fatores como: maturação, exercitação, aprendizagem social e equilibração.
O relacionamento entre professor e aluno precisa ser de amizade, de respeito mútuo, não se concebe mais a idéia de ensinar em um ambiente hostil. O respeito que a criança desenvolve pelo adulto dá origem a dois sentimentos distintos: afeto e o medo. Para Piaget, uma criança não irá obedecer a um adulto que tenha medo, se por ele não houver afeto, da mesma maneira não irá desobedecer outro que sinta estima se por ele também não tiver um pouco de medo. Por isso Piaget entende que se houver afeto, há a capacidade de desenvolver o respeito mútuo, tão necessário e que através dele a aprendizagem flua com mais facilidade.
Chega-se a um ponto importante, em que toda intervenção de um professor em uma relação entre as crianças, precisa ser permeada de afeto e segurança, para que elas tenham capacidade de chegar a um acordo, pois esta capacidade é que vai dar a elas a confiança de enfrentar suas dificuldades. Assim como uma relação com muitos elogios vai gerar uma falsa confiança, gerando ainda mais insegurança na criança, tornando a aprendizagem superficial, o aluno pode passar então a realizar suas atividades somente em função de recompensas.
Para Piaget, o grande desafio da educação seria favorecer o desenvolvimento intelectual em harmonia com o desenvolvimento afetivo - moral, para que o sujeito possa conquistar sua autonomia intelectual, afetiva e moral, tendo como base as leis de reciprocidade construídas em suas interações com o meio físico-social e histórico-cultural. O professor não deve ser comprometido só com a construção do conhecimento do aluno, mas deste conhecimento como um todo, um profissional envolvido com o desenvolvimento da autonomia cognitiva, moral, social e afetiva.
Todas as reflexões na importante relação entre professor-aluno, mostra que o afeto também é muito importante no dia-a-dia do ser humano, enfatizando o respeito unilateral da criança pelo adulto. Esse respeito deve ser trabalhado em exercício de cooperação, na convivência em grupo, a partir da experiência histórica de cada um e de seu nível de desenvolvimento. São os esquemas afetivos da criança com o seu meio, que irão formar o caráter da criança, e o sentimento de respeito que a criança nutre em relação a outras pessoas.
Fica evidente a importância que tem para nós, educadores, o conhecimento da afetividade, para o melhor desenvolvimento da aprendizagem do aluno e, consequentemente para uma melhor relação entre este e o professor. A escola deve voltar-se para a qualidade das suas relações, valorizando o desenvolvimento da criança como um todo.
Pode concluir através dessa pesquisa que a criança pode ter dificuldades para aprender por vários motivos. Às vezes, a dificuldade pode ter origem orgânica e estudos em neurologia infantil têm sugerido alterações em regiões do cérebro. Também pode acontecer de a criança ter uma dislexia (problema de coordenação entre pensamento e ação gerando problemas na alfabetização) ou um leve déficit sensorial, que passe despercebido. Mas, a causa pode ser de fundo emocional, quando a criança provém de família problemática, apresentando carências afetivas e de estimulação. Essas crianças, além das dificuldades de aprendizagem, podem também necessitar de maior tempo para se adaptar ao novo ambiente.
É preciso que o professor esteja atento, ainda, às diferenças culturais, regionais e de classe social, que muitas vezes implicam em vivência e valores diferentes daqueles apresentados por ele mesmo e pelos outros alunos. A pessoa do professor, a forma pela qual ele se relaciona com seus alunos, também pode auxiliar ou prejudicar o processo de aprendizagem, ou seja, caso não haja compreensão e empatia entre professor e aluno, o aprendizado pode se tornar mais difícil. É mais fácil aprender quando o afeto permeia o processo.
É importante que o professor detecte as áreas de maior dificuldade do aluno e que lance mão de várias estratégias, partindo de aspectos mais simples que ele já domina. Permitir que traga suas dúvidas, incentivando-o a encontrar as respostas adequadas, sem resolvê-las pelo aluno. Falar em linguagem simples, com frases curtas e poucas ordens de cada vez; dividir tarefas mais complicadas em etapas; incentivar trabalhos em grupo nos quais os alunos com maior facilidade de compreensão auxilia o colega.
O ideal é o professor funcionar como mediador, ensinando os alunos a pensar, colher dados e construir o seu próprio conhecimento. Nesse papel, o professor deve se permitir a liberdade de criar e experimentar várias estratégias, de acordo com cada criança, independentemente das teorias ou normas que lhe tenham sido impostas.
Os vínculos afetivos fazem parte do desenvolvimento do ser humano. Na escola, o ambiente precisa ser saudável e incentivar a auto - estima das crianças. É fundamental conhecer nossos alunos e refletir sempre sobre as relações interpessoais que ocorrem na classe.
Acredita-se que a intervenção pedagógica adequada através da utilização de estratégias especiais, tais como jogos pedagógicos diversos, literatura infantil, atividades plásticas, produções de textos com relatos de diferentes formas, individual, em duplas, em grupos e autocorreções, amplie o nível de aprendizagem do aluno, possibilitando um marco para os desafios. Sendo assim, essas estratégias podem também trazer vantagens para o professor, se ela for vista como um instrumento de possibilidade de renovação da sua prática pedagógica. Além de principal agente na trajetória dos alunos nesse processo, o professor é também o mediador mais importante nessas interações entre os alunos e os objetos do conhecimento. Cabe a ele, não só estimular essas interações, mas principalmente promovê-las no seu dia a dia em sala de aula, adotando uma posição de busca do significado das condutas dos seus alunos para uma intervenção pedagógica mais adequada.
A família, primeiro núcleo do qual a criança faz parte, e a escola, extensão dessa família, constituem os espaços onde o aluno vive a maior parte do seu tempo. As pessoas com as quais os alunos convivem são aquelas que melhor os conhecem. Portanto, a opinião dessas pessoas é fundamental para se compreender esse aluno.
Os alunos de uma sala de aula, membros da sociedade como quaisquer uns de nós, também guardam semelhanças entre si, quando olhados como grupo, mas apresentam muitas diferenças em suas peculiaridades individuais. Isso indica que, embora a seqüência das etapas do desenvolvimento seja a mesma para todos e o processo de construção do conhecimento envolva princípios e leis comuns a todos, o ritmo e a forma de vivência desse processo são peculiares a cada aluno. Sabemos, portanto, que somos diferentes uns dos outros, temos preferências diferentes e temos necessidades diferentes. Tais diferenças dependem e são produto da interação das características biológicas com que cada um de nós vem equipado, do nível de desenvolvimento real em que cada um de nós se encontra e do significado que atribuímos às situações que vivemos em nosso cotidiano.
A realização de projetos pedagógicos que trabalhem a afetividade é muito importante neste contexto, na identificação de fatores que influenciam a falta de afetividade, na produção de atividades que aumentam a afetividade em sala de aula e pesquisar incansavelmente, conhecer profundamente a mente e os meios de chegar até ela. As escolas por sua vez necessitam uma mudança muito grande no sentido de desenvolver projetos em que reaproxime família/escola/aluno e que essas vislumbrem um novo caminho para o sucesso de suas crianças.

REFERÊNCIAS

PIAGET,Jean. Para onde vai a educação? Editora: José Olympio 17ª edição Rio de Janeiro 2005.
ANTUNES,Celso .A construção do Afeto. Editora: Augustus 5ª edição São Paulo 2003.
SEBER,Maria da Glória. Construção da Inteligência pela criança. Editora: Scipione 2ª
edição São Paulo 1991.
CASTORINA,José Antonio;FERRERO,Emilia;LERNER,Delia;OLIVEIRA,Marta Kohe de. Piaget  Vigotski : Novas Contribuições para o debate.Editora Àtica 6ª edição .São Paulo 2003

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