A Música na Educação Infantil

Autor:
Instituição: ULBRA
Tema: Projeto

UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL

UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL


A MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL


NOVO HAMBURGO

2007


“ A escola deve a todos ouvir e a todos servir”.

Aloísio Azevedo


RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo a revelação da música como instrumento importante para o desenvolvimento cognitivo às crianças em uma escola de educação infantil de Campo Bom. Apresenta também o uso das técnicas musicais no cotidiano escolar.


Cantarola, lá, Cantarola, lá, lá...

A Música na Educação Infantil


1. Justificativa:

A música se faz presente em todas as manifestações sociais e pessoais do ser humano desde os tempos mais remotos. Antes mesmo da descoberta do fogo, o homem já se comunicava através de gestos e sons rítmicos. Da China ao Egito, passando pela Índia e a Mesopotâmia, os povos atribuem poderes mágicos à música, sendo que essa linguagem musical antecede até mesmo a fala. De fato, a música é um elemento sempre presente na cultura humana.

Nesse sentido, este trabalho se justifica na medida em que procura demonstrar a importância da música para a formação da criança.

Considerando que a música é uma forma de expressar e comunicar ao outro nossas emoções e sensações, nossos objetivos e propósitos.

Sabemos que a música nos faz sonhar, ter alegrias, ter tristezas, dançar, em fim, sabemos que de uma forma ou de outra nos faz expressar nossos sentimentos e acreditamos que durante este período de estágio, e após ele, vamos cantar e conhecer a evolução da música e aprender a ser um apreciador consciente; pois aprender sobre música significa integrar experiência que a envolvam a vivência, a percepção e a reflexão.

Conforme consta no RCNEI, “o trabalho com música deve considerar, portanto, que ela é meio de expressão e forma de conhecimento acessíveis aos bebês e crianças, inclusive aquelas que apresentam necessidades especiais. A linguagem musical é excelente meio para o desenvolvimento da expressão, do equilíbrio, da auto-estima e autoconhecimento, além de poderoso meio de integração social”.


2. Hipótese:

Conhecendo os benefícios da música na educação infantil, torna-se bem mais fácil desenvolver modelos pedagógicos que possibilitem adentrar no mundo da criança e, consequentemente, contribuir para a sua formação integral.


3. Objetivos:

3.1. Geral:

Divulgar a importância da música na vida das crianças e na educação infantil, contribuindo para a formação de seres humanos sensíveis, criativos e reflexivos e proporcionar o conhecimento e a reflexão sobre a ligação entre a fantasia e a realidade, que a música nos traz de forma alegre e prazerosa através das letras, do ritmo e do som.

3.2. Objetivos específicos:

  • Explorar e identificar elementos da música para se expressar, interagir com os outros e ampliar seu conhecimento de mundo;

  • Perceber e expressar sensações, sentimentos e pensamentos, por meio de improvisações, composições e interpretações musicais;

  • Ouvir, perceber e discriminar eventos sonoros diversos, fontes sonoras e produções musicais;

  • Brincar com a música, imitar, inventar e reproduzir criações musicais;

  • Escutar obras musicais variadas;

  • Participar de situações que integrem músicas, canções e movimentos corporais;

  • Informar sobre as obras ouvidas e sobre seus compositores para iniciar seus conhecimentos sobre a produção musical;

  • Criar situações para que as crianças possam: inventar, imitar e reproduzir músicas;

  • Conhecer os tipos de músicas, relacionando ao seu dia-a-dia na resolução de conflitos, tomada de decisões, estabelecendo ligações entre a fantasia e a realidade;

  • Vivenciar as músicas através da hora do conto e de vivências pedagógicas como: dramatizações, danças, expressão corporal e interpretações;

  • Despertar na família o interesse e conhecimento sobre a música através de vivências e relatos das crianças e das educadoras;

  • Ampliar suas experiências e o conhecimento do mundo que as cerca;

  • Desenvolver a capacidade de dar seqüência lógica aos fatos;

  • Favorecer situações onde sejam resgatados valores esquecidos como: respeito, união, amor, carinho e compreensão...;

  • Ter uma imagem positiva de si, ampliando sua autoconfiança; identificando suas limitações e possibilidades e agindo de acordo com ela;

  • Valorizar ações de cooperação e solidariedade, desenvolvendo atitudes de ajuda, colaboração e partilhando suas vivências;

  • Familiarizar-se com a escrita através das letras de músicas, histórias e outros portadores de texto e de vivência de diversas situações nas quais seu uso é necessário;

  • Ampliar, gradativamente, suas possibilidades de comunicação e expressão, interessando-se por conhecer vários gêneros musicais e participando de diversas situações de intercâmbio social, nas quais possa contar suas vivências, ouvir de outras pessoas, elaborar e responder perguntas;

  • Escutar músicas e interpretando-as, apreciando a leitura feita pela educadora;

  • Interessar-se por escrever palavras e textos, ainda que não seja de forma convencional;

  • Reconhecer seu nome escrito, sabendo identificá-los nas diversas situações do cotidiano;

  • Estabelecer e comunicar idéias matemáticas, hipóteses e resultados encontrados em soluções de problemas presentes em seu cotidiano como contagens, agrupamentos, quantidades, seqüências, utilizando a linguagem oral e a linguagem matemática;

  • Ter confiança em suas próprias estratégias e na sua capacidade para lidar com situações matemáticas novas, utilizando seus conhecimentos prévios;

  • Explorar o ambiente estabelecendo contato com pequenos animais, com plantas e com objetos diversos, demonstrando curiosidade;

  • Conscientizar-se sobre a importância de termos uma vida saudável devido aos cuidados com a nossa higiene, alimentação e o meio ambiente e sua preservação;

  • Explorar possibilidades de gestos, músicas ritmos para expressarem-se nas brincadeiras e demais interações;

  • Controlar gradualmente o próprio movimento, aperfeiçoando seus recursos de deslocamento e ajustando suas habilidades motoras para utilização em jogos, brincadeiras, danças e demais situações que surgirem;

  • Produzir trabalhos de artes, utilizando a linguagem da música, do desenho, da pintura, da modelagem, da colagem, da construção, desenvolvimento e gosto, o cuidado e o respeito pelo processo de criação e produção;

  • Interessar-se pelas próprias produções, pelas de outras crianças e pelas diversas obras artísticas.


4. Desenvolvimento:

Serão realizadas as seguintes atividades:

  • Sessão de vídeo e vídeokê;

  • Show de calouros;

  • Montar grupos de danças;

  • Entrevistas;

  • Trazer grupos de danças, bandas e grupos musicais;

  • Palestra de audição de voz;

  • Oficinas com pais;

  • Passeios a Casa de Cultura, Igrejas, Academias, Rádios, CTGs, em fim lugares ligados a músicas;

  • Convite a corais, maestros para virem até a escola;

  • Pesquisas.


Linguagem e escrita;

  • Escrita de músicas e histórias;

  • Relatos orais sobre diversos assuntos;

  • Falas, diálogos, sobre variados assuntos;

  • Escrita espontânea;

  • Leituras diversas;

  • Seqüência lógica;

  • Poesias, rimas, músicas;

  • Trava-língua, charadas, caça-palavras;

  • Hora do conto;

  • Características de personagens, pessoas, ambientes, animais...;


Matemática:

  • Registro de atividades conforme o pensamento da criança;

  • Quantidades orais e escritas;

  • Noções de tamanho, formas, cores, distâncias, tempo;

  • Agrupamentos, seqüências;

  • Identificação de números;

  • Histórias matemáticas orais e escritas;

  • Contagem oral e escrita;

  • Medidas de comprimento, peso e volume;

  • Experiências com dinheiro de brincadeira;

  • Formas geométricas (Blocos lógicos);


Natureza e Sociedade:

  • Hábitos de higiene;

  • Tipos de moradias;

  • Saúde;

  • Meio ambiente;

  • Alimentação saudável;

  • Animais e suas características;

  • Primeiros mapas (registros e caminhos);

  • Família;

  • Eu criança, como sou o que gosto o que não gosto;

  • Hábitos e costumes de diferentes lugares;

  • Conhecimento de modos de ser, viver das pessoas;

  • Tipos de música de acordo com região ou lugares;


Artes e Música:

  • Confecção de personagens e cenários;

  • Dramatizações;

  • Danças;

  • Maquetes;

  • Confecção de cartazes;

  • Mímicas;

  • Confecções de instrumentos musicais;

  • Criar e entoar canções;

  • Explorar diferentes ritmos;

  • Modelagens;

  • Desenhos;

  • Seleção de músicas para serem trabalhadas com as turmas;

  • Estudo da música (som, ritmos...).


Formação pessoal e social – identidade e autonomia:

  • Amor e respeito pelos seres humanos;

  • Amizade, afeto, maldade, carinho, alegria, tristezas...;

  • Brincar, cantar e dançar;

  • Cuidados com materiais de uso individual e coletivo;

  • Conhecimento e respeito e utilização de algumas de convívio social;

  • Identificação de situações de risco e como proceder adequadamente;

  • Procedimentos básicos de prevenção de acidentes e auto-cuidados;


Tipos de música:

  • MPB (Música Popular Brasileira);

  • Sertaneja;

  • Infantil;

  • Axé;

  • Instrumental;

  • Intencional;

  • Indígena (etnia da escola);

  • Folclóricas;

  • Nativas;

  • Samba.


5. Recursos:

  • Músicas diversas;

  • CDS;

  • Retro projetor;

  • Episcópio;

  • Internet;

  • Televisão;

  • Vídeo;

  • Aparelho de som;

  • Material didático-pedagógico;

  • Fantoches;

  • Sucatas;

  • Fantasias;

  • TV;

  • Varal didático;

  • Material de expediente.


6. Avaliação:

Será realizada durante o desenvolvimento do projeto, analisando os aspectos positivos e negativos com a intenção de aprimorar o trabalho que está sendo desenvolvido, sendo satisfatório se houver continuação do mesmo após o término de nosso estágio.


7. Fundamentação teórica:

Ao longo da história humana, inúmeros filósofos, psicólogos, enfim, pensadores de todas as vertentes do conhecimento e até pessoas comuns teorizaram, escreveram ou falaram da importância da música para a humanidade. Na Grécia Antiga, por exemplo, praticamente todos os filósofos postularam sobre o papel da música no Universo e na formação do homem. Pitágoras de Samos, um dos filósofos dessa época, ensinava como determinados acordes musicais e certas melodias criavam reações definidas no organismo humano. Segundo Brécia (2003, p.31), “Pitágoras demonstrou que a seqüência correta dos sons, se tocava musicalmente num instrumento, pode mudar os padrões de comportamento e acelera o processo de cura”.

Os filósofos pré-socráticos davam tanta importância à música que muitos a viam como elemento que dava ordem ao Universo, que harmonizava o caos inicial do qual o mundo foi organizado. É nessa época histórica que a música é relacionada com a matemática pela primeira vez.


A música, no entanto, antecede à Antigüidade Clássica. Conforme dados antropológicos, as primeiras músicas seriam usadas em rituais, como nascimento, casamentos, morte, recuperação de doenças e fertilidade. Com o desenvolvimento das sociedades, a música passou a ser utilizada também em louvor a líderes, como as executadas nas procissões reais no Egito antigo e na Suméria.


Atualmente, a música pertence ao universo das belas-artes, pois se manifesta pela escolha dos arranjos e combinações dos sons. É considerada ainda ciência na medida em que as relações entre os elementos musicais são relações matemáticas e físicas.


Toda proposta de ensino que considere a diversidade musical, um caminho, oportunizando ao aluno, trazer a música para sala de aula aconselhando-a e contextualizando-a, oferecendo assim acessos a obras que possam ser significativas para o seu desenvolvimento pessoal em atividades de apreciação musical. PCNS (1997)


Toda ação humana envolve atividade corporal. A criança é um ser em constante mobilidade e utiliza-se dela para buscar conhecimento de si mesma e daquilo que a rodeia, relacionando-se com objetos e pessoas. A ação física é necessária para que harmonizem de maneira integradora as potencialidades motoras afetivas e cognitivas (PCNS 1997, p.67).


A música é também uma linguagem porque é, sem dúvida, um excelente meio de comunicação e expressão. Quando oferecemos às crianças, variadas oportunidades de desenvolver e aperfeiçoar sua capacidade de expressar-se “artisticamente”, através da música, do desenho, pintura, recorte, modelagem, podemos contribuir para sua auto-afirmação e auto-realização (VIANA, 1998, p.380).


De modo informal, a música está sempre presente no dia-a-dia das crianças. Outro efeito saudável em ouvi-la é o das mudanças posturais e da própria expressão corporais, tanto faciais, (leveza de expressão) quanto corporais (expansão, contração) exercitando a respiração,chegando quase a ser um exercício de melhoria no ato de respirar. Cantigas de rodas são muito valiosas, a criança gosta de cantar, imitar, gesticular, e quanto mais o movimento se aproxima de sua natureza interior, melhor será o benefício. (GOMES, 2000, p.16).


Concordo com o trabalho de musicoterapia, pois é, basicamente, um meio para se chegar a um fim. Através dela alcança-se objetivos específicos como à melhoria da linguagem, coordenação, percepção, comunicação, etc., como crianças que possuem dificuldades de interação como o meio em que vivem ou, inclusive, portadores de deficiências. SAMPAIO, (2000).


No que tange à sua definição, Houaiss (apud Brésia, 2004, p.25) diz que a música é uma “combinação harmoniosa e de expressividade sons e de arte de se exprimir por meio de sons, seguindo regras variáveis conforme a época, a civilização etc.” Através dessa combinação harmoniosa de sons, a música funciona como elementos de comunicação e identificação dos povos. Decorre daí sua função de transmissão cultural entre as diversas gerações desses povos. Nesse sentido, a música tem um papel fundamental na educação, pois serve como um elo na transmissão de conhecimentos acumulados pelas gerações passadas.


Por sua vez, a importância da música no processo educacional infantil está no fato de que esta consegue promover na criança o desenvolvimento de hábitos, atitudes e comportamentos que expressam sentimentos e emoções, como atesta Gainza (1988, p.95).


Em todo processo educativo confunde-se dois aspectos necessários e complementares: por um lado à noção de desenvolvimento e crescimento (o conceito atual de educação está intimamente ligado à idéia de desenvolvimento); por outro, a noção de alegria, de prazer, num sentido amplo. [...] Educar-se na música é crescer plenamente e com alegria. Desenvolver sem dar alegria não é suficiente. Dar alegria sem desenvolver, tampouco é educar.


Da constatação acima, podemos afirmar que o acesso à música é necessário ao processo de educação da criança. Quando esse processo é conduzido por pessoas conscientes e competentes, deixa de ser apenas recreação, favorecendo uma rica vivência e estimulando o desenvolvimento dos meios mais espontâneos de expressão. Isso recupera a música a sua condição de linguagem natural, viva, de pensamentos e emoções.


Nessa mesma linha, Bréscia (2003, p.15) afirma:

O trabalho de musicalização deve ser encarado sob dois aspectos: os aspectos intrínsecos à atividade musical. Isto é, inerentes à vivência musical; e os aspectos extrínsecos à atividade musical, isto é, decorrente de uma vivencia musical orientada por profissionais conscientes, de maneira a favorecer a sensibilidade, a criatividade, o senso rítmico, o ouvido musical, o prazer de ouvir música, a imaginação, a memória, a concentração, a atenção, a autodisciplina, o respeito ao próximo, o desenvolvimento psicológico, a socialização e a afetividade, além de originar a uma efetiva consciência corporal e de movimentação.


De fato, a associação da música, enquanto atividade lúdica, com os outros recursos dos quais dispõem o educador, facilita o processo de ensino-aprendizagem, pois incentiva a criatividade do educando através do amplo leque de possibilidades que a música disponibiliza.


Aliar a música à educação também obriga o professor a assumir uma postura mais dinâmica e interativa junto ao aluno. Assim, o processo de aprendizagem se torna mais fácil quando a tarefa escolar atender aos impulsos deste último para a exploração e descoberta, quando o tédio e a monotonia se tornarem ausentes das escolas, quando o professor, além das aulas expositivas e centralizadoras, possa propiciar experiências diversas com seus alunos, facilitando assim a aprendizagem.


Portanto, a integração entre os aspectos sensíveis, afetivos e cognitivos, assim como a promoção de integração e comunicação social, confere um caráter significativo à linguagem musical. Além disso, a música uma das mais importantes formas de expressão humana, o que por si só justifica sua presença no contexto da educação de um modo geral e, principalmente, na educação infantil particularmente.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL, Ministério da Educação e Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília, MEC/SEF, 1997.

GOMES, Nilce Helena. Sucesso da Música Infantil. São Paulo. Editora Criança Feliz, 2000.

MERON, Maria. Sucesso da Música Infantil. São Paulo. Editora Criança Feliz, 2000.

SOBRINHO, Oswaldo Biancardi. Sucessos da Música Infantil. São Paulo. Editora Criança Feliz, 2000.

VIANA, Moacir da Cunha. Ensino Fundamental. São Paulo. Didática Paulista, 1998.

Vídeo Conferência.


Comentários