Desenho: A Expressão do Sentimento

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Tema: Desenho: A Expressão do Sentimento

CENTRO UNIVERSITÁRIO NOSSA SENHORA DO PATROCÍNIO

DESENHO INFANTIL: A EXPRESSÃO DO SENTIMENTO

RESUMO

O presente trabalho surgiu do interesse adquirido ao realizar o estágio no curso de Psicopedagogia.
Ao fazer as intervenções, observei que, a cada sessão a criança atendida expressava no desenho seus sentimentos. Perguntava-me; como pode um simples desenho ser tão revelador?
Através de várias leituras e pesquisas, constatei a riqueza e a complexidade desse mundo (desenho) mágico e encantador.
Desse modo a abordagem desse trabalho inicia-se com a história do desenho, sua importância e evolução.
Em estudo mais detalhado, descreverei o desenvolvimento progressivo do desenho infantil e sua contribuição para a Psicopedagogia, finalizando com uma síntese do teste H.T.P., revelando que através do desenho, a criança cria e recria individualmente formas expressivas, integrando percepção, imaginação, reflexão e sensibilidade.

Palavra - chave: Desenho infantil – Desenvolvimento - Psicopedagogia

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
1-O DESENHO E SUA HISTÓRIA
1.1-A Evolução do desenho infantil
1.2-Importância do desenho infantil
2-ETAPAS EVOLUTIVAS DO DESENHO INFANTIL-VYGOTSKY E PIAGET
2.1-Etapas Evolutivas do desenho infantil-Wallon,Lowenfeld e Luquet
2.2-Desenho figurativo e a figura do boneco
3-PRÁTICA E TRATAMENTO PSICOPEDAGÓGICO
3.1-A Psicopedagogia e o uso do grafismo
4-TESTE PROJETIVO-H-T-P.
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

INTRODUÇÃO

Desde a pré-história, o homem utilizou desenhos para registrar seus sentimentos, emoções, necessidades e ações, muito antes de usar símbolos para a escrita.
Com a criança também ocorre este processo, primeiro ela desenha e só depois passa a escrever. O desenho é a forma de raciocinar sobre o papel, é exercitar a inteligência, constitui o modo de expressão próprio da criança, uma forma expressiva que possui vocabulário e sintaxe.
Através do desenho, podem-se conhecer seus pensamentos, desejos, fantasias, medos e ansiedade, sendo constituída por fases conforme o nível de desenvolvimento psíquico infantil, relacionando-se a um processo dinâmico em que a criança procura representar o que conhece e entende. Além disso, pode-se através da análise do desenho, constatar o nível de maturidade intelectual da criança.
Desse modo, para que o referencial teórico dessa pesquisa transcorresse em um grande aprendizado, houve a necessidade de um trabalho de fichamento de livros, textos, estruturação dos capítulos e análise bibliográfica, que descrevem a respeito da importância e evolução do desenho infantil, ressaltando que em cada estágio o desenho assume um caráter próprio. Estes estágios definem maneiras de desenhar que são bastante similares em todas as crianças, apesar das diferenças individuais de temperamento e sensibilidade.
Podemos dizer que o desenvolvimento do desenho é a revelação da natureza emocional e psíquica da criança. É a linguagem gráfica, onde deixa registrada suas idéias, vontades e fantasias.
Por ter um grande poder simbólico, reveladores de experiências emocionais e de ideais ligados ao desenvolvimento da personalidade, o uso do desenho para a Psicopedagogia assume um papel investigativo para levantamento de hipóteses e como meio do diagnóstico na avaliação.
Através da análise pode-se constatar como a criança percebe e compreende o mundo, havendo a expressão de aspectos afetivos e cognitivos de sua personalidade.

CAPÍTULO – 1

O DESENHO E SUA HISTÓRIA

Para entender o significado do desenho como forma de expressão, faz-se necessário familiarizarmos com a origem e o sistema de escrita.
A necessidade de registrar os acontecimentos surgiu com o homem primitivo no tempo das cavernas, quando este começou a gravar imagens na parede, utilizando figuras para representar cada objeto, constituíram progressivamente sistemas como forma de expressão, chamadas de expressão pictográfica.
A palavra pictográfica geralmente se refere á antiga escrita do Egito, mas também designa a escrita dos astecas e de outros grupos indígenas primitivos.
Com a necessidade de obterem maiores informações surgiu à escrita ideográfica que não utilizavam apenas rabiscos e figuras associados á imagem que se queria registrar, mas sim uma imagem e figura que representasse uma idéia, formando caracteres separados e representando objetos e idéias. As letras do nosso alfabeto vieram desse tipo de evolução.
Uma das escritas ideográficas mais conhecidas são os hieróglifos egípcios. Os egípcios usavam figuras pictográficas ou ideográficas para transmitir suas idéias. A palavra olho, por exemplo, era o de desenho de um olho; para choro, acrescia-se ao olho, linhas representando as lágrimas.
Tais símbolos podiam também ser usados para representar sílabas do mesmo som. Além disso, havia 24 sinais representando consoantes únicas, com as quais as palavras poderiam ser compostas, caso fosse necessário.
Existiam duas formas de escrita no antigo Egito: a Demótica, em que se utilizava um tipo de caneta sobre o papiro, tornando-a mais ágil, necessária ao registro e contas e documentos administrativos. E a Hieroglífica, mais complexa e formada por desenhos e símbolos.
O mais antigo sistema de escrita é a escrita cuneiforme. Utilizada até a era cristã por vários povos que habitavam o antigo Oriente Médio.
No inicio, a escrita era feita através de desenhos: uma imagem estilizada de um objeto significava o próprio objeto. O resultado era uma escrita complexa com pelo menos 2 mil sinais. Por isso, seu uso era bastante complicado. Com o tempo, os sinais tornaram-se mais abstratos, evoluindo, finalmente, do sistema pictográfico para a escrita ideográfica, totalmente abstrata, composta de uma série de caracteres na forma de cunhas e com um número muito menor de sinais.
Misturam-se caracteres e símbolos para letras e sílabas. Consistia em desenhar em tabletes de argila molhada, com pressões sucessivas, usando-se uma espécie de caneta com a ponta na forma de cunha – daí o nome cuneiforme, figuras e objetos.
Através desses elos entre o desenho e a escrita, podemos compreender melhor a origem gráfica da palavra desenho.

1.1 - A Evolução do Desenho Infantil

O desenvolvimento infantil é como um jogo, visto que a criança se desenvolve e se modifica conforme a faixa etária. O mesmo acontece com o desenho, vai evoluindo e se modificando com o desenvolvimento da criança.
Segundo LUQUET, (apud MERLEAU – PONTY, 1990,p.130) “o desenho é uma interna ligação do psíquico e do normal. A intenção de desenhar tal objeto não é senão o prolongamento e a manifestação de sua representação mental; o objeto representando é o que, neste momento ocupará no espírito do desenhador um lugar exclusivo ou preponderante”.

O desenho, segundo PIAGET (1972) é uma forma de representação que supõe a construção de uma imagem bem distinta da percepção, o que é desenhado não é, então, a reprodução da imagem percebida visualmente, nem a imagem mental que a criança tem do o objeto, consiste, sim, na construção gráfica que dá indícios do tipo de estruturação simbólica que a criança tem naquele momento.
De acordo com a teoria piagetiana “a atividade intelectual, partindo de uma relação de interdependência entre o organismo e o meio, ou de indiferenciação entre o sujeito e objeto, progride simultaneamente na conquista das coisas e na reflexão sobre si própria, sendo correlativos esses dois processos de direção inversa”.

A teoria piagetiana, ao analisar as relações de dependência entre o sistema do fazer e a construção de procedimentos, considera que o sistema do fazer está relacionado á acomodação, á transformação e á construção dos possíveis. O sistema do compreender depende da construção de estruturas. É ele que propicia estabelecer relações, antecipar, inferir, encontrar a razão das ações. A compreensão vincula-se á assimilação, á conservação, á coordenação e á construção dos necessários.
Assim, a criança reconstrói o objeto a conhecer para apropriar-se, para compreendê-lo, para dar significado a ele. Essa reconstrução faz-se primeiro através da ação e depois se estende para a representação.
Na visão de MARTINS; PICOSQUE; GUERRA (1998), o desenvolvimento do desenho infantil, divide-se em quatro movimentos. Fundamentar-se nesses quatro movimentos é poder fazer uma boa leitura da expressão artística da criança.
No primeiro movimento o corpo é a ação, é o movimento. Seu movimento se dá na ação, na percepção, envolvido sempre pelo sentimento. Seu pensamento em ação, sua pesquisa, é exercitada através do exercício gestual. Dos rabiscos nascem formas circulares, triangulares, quadrangulares, irregulares, as formas vão se tornando cada vez mais complexas.
No segundo movimento, dos rabiscos e das pesquisas de formas nascem as primeiras tentativas de letras, diferenciando escrita de desenho, e as primeiras figuras humanas.
São representações sobre representações. Fingir beber em uma xícara vazia representa um significado e tem uma função lúdica e comunicativa, implicando uma conversa interna, tomada possível pela interiorização de ação expressada pelas representações verbais, visuais, gestuais e sonoras.
No terceiro movimento, a criança tem a intenção de buscar semelhanças em suas representações, procurando convenções e regras com certa exigência. A busca pela representação mais realista muitas vezes traz o medo, a preocupação em fazer bem feito, levando a criança a usar a borracha. A escolha da cor também obedece á regra e a organização. As escolhas devem ter a cor da realidade, e as convenções ditam essas regras. As copas das árvores são sempre verde ou o céu sempre azul.
O quarto movimento é marcado pela adolescência e a gênese do pensamento formal, onde surgem as questões básicas do adolescente que vive a construção de sua própria identidade.
LOWENFELD (1977, p. 53) a respeito das fases do desenvolvimento infantil, afirma que “o conhecimento das mudanças, nos trabalhos que aparecem em vários níveis de desenvolvimento e das relações subjetivas entre a criança e seu meio, é necessário ao entendimento da evolução das atividades criadoras”.
Partindo da pesquisa bibliográfica sobre o desenho infantil, podemos observar que, embora a abordagem e a nomenclatura usada variem, não existem divergências profundas entre os autores no que diz respeito á expressão gráfica da criança.
O desenho infantil é composto por fases, etapas, estágios, movimentos, qualquer que seja a nomenclatura usada para definir que o desenho evolui conforme o próprio crescimento da criança, dentro do seu processo de desenvolvimento como ser humano, deve ser vivenciado pelas crianças fase a fase, senão pode haver uma lacuna no desenvolvimento que, mais tarde, precisará ser trabalhada. Devemos sempre lembrar que a criança é um ser em desenvolvimento como nós, adultos, também o somos, e viver é estar se transformando.

1.2 - Importância do Desenho Infantil

Ao desenhar, a criança conta sua história, seus pensamentos, fantasias, medos, alegrias e tristezas. Enquanto desenha interage com o meio, seu corpo inteiro se envolve na ação, traduzida em marca que a mesma produz, se transportando para o desenho, modificando e se modificando.
O valor do desenho é perceptível, está ligado ás necessidades e potencialidades, havendo uma inter-relação nos vários aspectos de seu desenvolvimento motor, afetivo e cognitivo.
A relação inusitada olho/cérebro/mão/instrumento/gesto/traço redimensiona o ato de desenhar e o jogo é acrescido de novas regras. O olho conquista novos espaços, tentando por vezes dominar os gestos. O olho comandante traz do trunfo do campo. A criança passa a perceber os limites especiais do papel: o dentro e o fora, o eu e o outro, o campo da representação e o campo da realidade. O discernimento do campo retangular do papel, onde tudo pode acontecer, inaugura a era do faz-de-conta. Inaugura-se o jogo. Desenhar é atividade lúdica, reunindo como em todo o jogo, o aspecto operacional e o imaginário. Todo o ato de brincar reúne esses dois aspectos que sadicamente se correspondem. A operacionalidade envolve o funcionamento físico, temporal, espacial, as regras: o imaginário envolve o projetar, o pensar, o idealizar, o imaginar situações. Ao desenhar, o espaço de papel se altera. (DERDYK, 1989, p.71).

O que faz com que a criança se expresse criativamente é a liberdade física e mental, sendo importante que expresse seus pensamentos livremente tendo a autonomia para criar.
Segundo PILLAR (1996), ao observar o desenho de uma criança, pode aprender muito sobre o seu modo de pensar e sobre as habilidades que possui. Quando, em um desenho, os braços de uma figura humana saem da cabeça e não do tronco, por exemplo, significa que a criança ainda não tem construído interiormente em seu pensamento, o esquema corporal de uma figura humana. Isso nada tem a ver com o fato de ela não estar enxergando direito, de estar com problemas de motricidade fina, ou ainda, de não estar apta a desenhar com destreza. Desenhar figuras humanas possibilita á criança estruturar suas idéias sobre a figura humana.
“A criança desenha, entre outras tantas coisas, para se divertir. Um jogo que não exige companheiros, onde a criança é dona de suas próprias regras. Nesse jogo solitário, ela vai aprender a estar só, “aprender a só ser”. O desenho é o palco de suas encenações, a construção do seu universo particular.” (DERDYK, 1989, p. 50).
“A criança, ser global, mescla suas manifestações expressivas: canta ao desenhar, pinta o corpo ao representar, dança enquanto canta, desenha enquanto ouve histórias, representa enquanto fala.” (ibid, 1989, p. 15).
“A criança enquanto desenha canta, dança, conta histórias, teatraliza, imagina, ou até silencia... O ato de desenhar impulsiona outras manifestações, que acontecem juntas, numa unidade indissolúvel, possibilitando uma grande caminhada pelo quintal do imaginário.” (ibid, 1989, p. 19).
“O desenho é o palco para onde convergem os elementos formais e semânticos originados pela observação, pela memória e pela imaginação.” (ibid 1989, p. 115).
O desenho lida com os elementos do tempo e do espaço. O ato de desenhar congrega o presente com o passado e um futuro. As imagens nascem da observação, da memória, da imaginação.
O ato de desenhar envolve um raciocínio que liga aquilo que se acaba de aprender com o conhecimento já adquirido, de tal modo que, dessa forma, aprendemos o que antes era desconhecido.
Desenhar se dá no presente imediato. Para a criança, o presente seria o desejo impulsionado à ação, o movimento. O desenho, como exercício do desejo, se transforma em manifestos de identidade.
No ato de desenhar está implícita uma conversa entre o pensar e o fazer, entre o que está dentro e o que está fora. Recebemos inúmeros estímulos a todo instante.
Relacionamos alguns, selecionamos outros, valorizamos, negamos... e desse movimento interno vão surgindo as configurações e constelações de significados que irão se transformar em futuros ente gráficos. (DERDYK, 1989, p. 121).

Dessa perspectiva podemos ressaltar que a evolução do desenho e da escrita está intimamente relacionada, pois os dois processos apresentam a capacidade de agir, construir e de agir sobre representações.
Através de pequenos traçados, a criança representa a sua imaginação e determina textos, reproduzindo detalhadamente figuras que se assemelham ao que ela afirma estar representando. Dessa forma, faz-se necessário valorizar os rabiscos, os desenhos, as letras feitas por ela, respeitando, assim as diversas hipóteses que vão surgindo no decorrer do processo de aquisição da linguagem oral e escrita.

CAPÍTULO - 2

ETAPAS EVOLUTIVAS DO DESENHO INFANTIL – VYGOTSKY E PIAGET

Através da evolução do grafismo podemos acompanhar as mudanças e aprimoramentos dos desenhos da criança, vários estudiosos observaram e procuraram identificar as etapas do desenvolvimento do desenho, entre os mais conhecidos estão Vygotsky, Piaget, Wallon, Lowenfeld e Luquet.
Lev Semionovitch Vygotsky foi o pioneiro na noção de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais e condições de vida, psicólogo russo, descoberto nos meios acadêmicos ocidentais depois de sua morte, causada por tuberculose, aos 37 anos.
Definiu as etapas evolutivas do desenho em: etapa simbólica, simbólico-formalista, formalista-veraz e formalista-plástica.

Etapa simbólica – É a fase dos conhecidos bonecos “cabeças-pé” que representam, de modo resumido, a figura humana. Trata-se da etapa na qual a visão do sujeito encontra-se totalmente subordinada ao seu aparato dinâmico-tátil. Esta etapa é descrita por Vygotsky como o momento em que as crianças desenham os objetos “de memória” sem aparente preocupação com fidelidade à coisa representada. Ou seja: os sujeitos desenham o que já sabem sobre os objetos que buscam representar procurando destacar-lhes apenas os traços que julgam mais importantes. Então, nas representações da pessoa humana, de maneira geral, nesta etapa, constata-se que o sujeito se limita a traçar apenas duas ou três partes do corpo fazendo com que os seus desenhos sejam “mais propriamente enumerações, ou melhor, dizendo, relatos gráficos abreviados sobre o objeto que querem representar” (Ibid., p. 96). Mas é o período também dos chamados “desenhos-radiografia” (desenhos em que as crianças traçam pessoas vestidas mostrando suas pernas sobre a roupa).

Etapa simbólico-formalista – É a etapa na qual já se percebe maior elaboração dos traços e formas do grafismo infantil. A visão e o aparato dinâmico-tatil do sujeito lutam para subjugarem um ao outro. É o período em que a criança começa a sentir necessidade de não se limitar apenas à enumeração dos aspectos concretos do objeto que representa, buscando estabelecer maior número de relações entre o todo representado e suas partes. Há uma espécie de mescla de aspectos formalistas e simbolistas na representação plástica nesta etapa. Constata-se que os desenhos permanecem ainda simbólicos, mas, por outro lado, já se podem identificar neles os embriões de uma representação mais próxima da realidade. Trata-se de um período que não se distingue facilmente da fase precedente e que se caracteriza por uma quantidade bem maior de detalhes na atividade figurativa da criança. As figuras representadas assemelham-se bem mais ao aspecto que de fato possuem a olho nu. Há nítido esforço do sujeito em tornar suas representações mais verossímeis. Porém sobrevivem ainda, nesta etapa, os “desenhos-radiografias”. (desenho em que as crianças traçam pessoas vestidas).

Etapa formalista veraz – É o período em que o simbolismo que se encontrava presente nas representações típicas das duas etapas anteriores definitivamente fenece. A visão passa a subordinar totalmente o aparato dinâmico-tátil do sujeito. Nesta fase, as representações gráficas são fiéis ao aspecto observável dos objetos representados, mas a criança ainda não faz uso das técnicas projetivas. Nos desenhos deste período as convenções realistas - que enfatizam a proporcionalidade e o tamanho dos objetos - são violadas com freqüência e, em razão disso, desestabiliza-se toda a plasticidade da figuração.

Etapa formalista plástica – Nesta etapa a plasticidade da figuração é enriquecida e ampliada porque a coordenação viso-motora do sujeito já lhe permite o uso vitorioso das técnicas projetivas e das convenções realistas. Observa-se uma nítida passagem a um novo modo de desenhar. O sujeito não mais se satisfaz com a expressão gráfico-plástica pura e simplesmente: ele busca adquirir novos hábitos representacionais, diferentes técnicas gráficas e conhecimentos artísticos profissionais. O grafismo deixa de ser uma atividade com fim em si mesma e converte-se em trabalho criador.
Jean Piaget estudou biologia na Suíça e posteriormente se dedicou a área de Psicologia, Epistemologia e Educação, foi professor de Psicologia e ficou conhecido principalmente por organizar o desenvolvimento cognitivo em uma série de estágios,
partindo de pesquisas baseadas na observação e em entrevistas que realizou com crianças.
As etapas de desenvolvimento para Piaget se dividem em: estágio sensório-motor, estágio pré-operatório, estágio das operações concretas e estágio das operações formais.
Estágio sensório- motor (0 - 18/24 meses)
A atividade cognitiva durante este estádio baseia-se, principalmente, na experiência imediata através dos sentidos em que há interação com o meio, esta é uma atividade prática. Na ausência de linguagem para designar as experiências e assim recordar os acontecimentos e idéias, as crianças ficam limitadas à experiência imediata, e assim vêem e sentem o que está a acontecer, mas não têm forma de categorizar a sua experiência, assim, a experiência imediata durante este estádio, significa que quase não existe nada entre a criança e o meio, pois a organização mental da criança está em estado bruto, de tal forma que a qualidade da experiência raramente é significativa, assim, o que a criança aprende e a forma como o faz permanecerá como uma experiência imediata tão vivida como qualquer primeira experiência. A busca visual é um comportamento sensório-motor e é fundamental para o desenvolvimento mental, pois este tem que ser aprendido antes de um conceito muito importante designado por permanência do objeto. À medida que as crianças começam a evoluir intelectualmente compreendem que, quando um objeto desaparece de vista, continua a existir embora não o possam ver, pois ao saberem que esse desaparecimento é temporário, são libertas de uma incessante busca visual. A experiência de ver objetos nos primeiros meses de vida e, posteriormente, de ver os mesmos objetos desaparecer e aparecer tem um importante papel no desenvolvimento mental. Assim, podemos afirmar que a ausência de experiência visual durante o período crítico da aprendizagem sensório - motora, impede o desenvolvimento de estruturas mentais. Sendo durante este estágio que os bebês aprendem principalmente através dos sentidos e são fortemente afetados pelo ambiente imediato, mas, contudo, sendo também neste estágio que a permanência do objeto se desenvolve, podemos então afirmar que, os bebês são capazes de algum pensamento representativo, muito semelhante ao do estádio seguinte, pois seria um erro afirmar que, sendo a sua fala, gestos e manipulações tão limitadas, não haveria pensamento durante o período sensório-motor. “Nada substitui a experiência”, é uma boa síntese do período sensório-motor do desenvolvimento cognitivo, pois é a qualidade da experiência durante este primeiro estádio que prepara a criança para passar para o estádio seguinte.
Estágio Pré-operatório (2 - 7 anos)
Este estágio também chamado pensamento intuitivo é fundamental para o desenvolvimento da criança. Apesar de ainda não conseguir efetuar operações, a criança já usa a inteligência e o pensamento. Este é organizado através do processo de assimilação, acomodação e adaptação.
Neste estágio a criança já é capaz de representar as suas vivências e a sua realidade, através de diferentes significantes:
Jogo: Para Piaget o jogo mais importante é o jogo simbólico (só acontece neste período), neste jogo predomina a assimilação (Ex.: é o jogo do faz de conta, as crianças "brincam aos pais", "ás escolas", "aos médicos",...). o jogo de construções transforma-se em jogo simbólico com o predomínio da assimilação (Ex. : Lego - a criança diz que a sua construção é, por exemplo, uma casa. No entanto, para os adultos "é tudo menos uma casa").
Inicialmente (mais ao menos aos dois anos), a criança fala sozinha porque o seu pensamento ainda não está organizado, só com o decorrer deste período é que o começa a organizar, associando os acontecimentos com a linguagem na sua ação.
A criança ao jogar está a organizar e a conhecer o mundo, por outro lado, o jogo também funciona como "terapia" na libertação das suas angústias. Além disto, através do jogo também nos podemos aperceber da relação familiar da criança (Ex.: Quando a criança brinca com as bonecas pode mostrar a sua falta de amor por parte da mãe através da violência com que brinca com elas).
Desenho: Até dois anos a criança só faz riscos, sem qualquer sentido, porque, para ela, o desenho não tem qualquer significado.
A criança, aos três anos já atribui significado ao desenho, fazendo riscos na horizontal, na vertical, espirais, círculos, no entanto, não dá nome ao que desenha. Tem uma imagem mental depois de criar o desenho. Mas aos quatro anos a criança já é mais criativa e começa a perceber o seu desenho e projeta no desenho o que sente.
De um modo geral, podemos dizer que, neste estágio, o desenho representa a fase mais criativa e diversificada da criança.
A criança projeta nos seus desenhos a realidade que ela vive, não há realismo na cor, e também não há preocupação com os tamanhos. Nesta fase os desenhos começam a ser mais compreensíveis pelos adultos. A criança vai desenhar as coisas à sua maneira e segundo os seus esquemas de ação e não se preocupa com o realismo. Também aqui a criança vai utilizar a assimilação.
Linguagem: A linguagem, neste período, começa a ser muito egocêntrica, pouco socializada, ou seja, a linguagem está centrada na própria criança. Ela não consegue distinguir o ponto de vista próprio, do ponto de vista do outro e, por isso, revela certa confusão entre o pessoal e o social, o subjetivo e o objetivo. Este egocentrismo não significa egoísmo moral. Traduz, "por um lado, o primado da satisfação sobre a constatação objetiva... e, por outro, a deformação do real em função da ação e ponto de vista próprios. Nos dois casos, não tem consciência de si mesmo, sendo sobretudo uma indissociação entre o subjetivo e o objetivo ".Isto manifesta-se através dos monólogos e dos monólogos coletivos, (Ex. : quando num grupo de crianças estão todas a falar, dá a sensação que estão a conversar umas com as outras, mas não, estão sim todas a falarem sozinhas e ao mesmo tempo, ou seja, cada uma está no seu monólogo e assim manifesta o seu egocentrismo).
O termo egocentrismo, característica descritiva do pensamento pré-operatório, foi progressivamente sendo utilizado por Piaget, que o substitui pelo termo descentração.
A partir dos dois anos dá-se uma enorme evolução na linguagem, a título de exemplo, uma criança de dois anos compreende entre 200 a 300 palavras, enquanto que uma de cinco anos compreende 2000. Este aumento do número de vocábulos é favorecido pela forte motivação dos pais, ou seja, quanto mais estimulados (canções, jogos, histórias, etc.), melhor desenvolvem a sua linguagem. Neste estágio a criança aprende, sobretudo de forma intuitiva, isto é, realiza livres associações, fantasias e atribui significados únicos e lógicos. Se atentarmos a uma experiência muito conhecida de Piaget, em que são dados a uma criança dois copos de água com igual quantidade de líquido, embora um alto e estreito e outro baixo e largo, intuitivamente a criança escolhe o copo alto, pois no seu entender este parece conter mais água.
Imagem e pensamento: A imagem mental é o suporte para o pensamento. A criança possui imagens estáticas tendo dificuldade em dar-lhe dinamismo. O pensamento existe porque há imagem. É um pensamento egocêntrico porque há o predomínio da assimilação, é artificial. Na organização do mundo a criança dá explicações pouco lógicas.
Entre os 2 e os 7 anos distinguem-se dois sub-estágios: o do pensamento intuitivo e o do pensamento pré conceptual. O pensamento intuitivo surge a partir dos 4 anos, permitindo que a criança resolva determinados problemas, mas este pensamento é irreversível, isto é, a criança está sujeita às configurações preceptivas sem compreender a diferença entre as transformações reais e aparentes. No pensamento pré conceptual domina um pensamento mágico, onde os desejos se tornam realidade e que possui também as seguintes características:
Animismo - A criança vai dar características humanas a seres inanimados. Este animismo vai desaparecendo progressivamente, aqui se salienta a importância do papel do adulto, na medida em que, a partir, sensivelmente dos cinco anos, não deve reforçar, mas sim atenuar o animismo.
Realismo - A realidade é construída pela criança. Se no animismo ela dá vida às coisas, no realismo dá corpo, isto é, materializa as suas fantasias. Se sonhar que o lobo está no corredor, pode ter medo de sair do quarto.
Finalismo - Existe uma relação entre o finalismo e a causalidade. A criança ao olhar o mundo tenta explicar o que vê, ela diz que se as coisas existem têm de ter uma finalidade, no entanto, esta ainda é muito egocêntrica. Tudo o que existe, existe para o bem essencial dela própria. Também aqui o adulto reforça o finalismo. Vai diminuindo progressivamente ao longo do estádio, apesar de persistir mais tempo que o animismo, devido às atitudes e respostas que os adultos dão às crianças.
Com o decorrer do tempo, os pais terão de ensinar, à criança, novos conceitos, de modo que futuramente ela não tenha dificuldade em aprendê-los.
Artificialismo - É a explicação de fenômenos naturais como se fossem produzidos pelos seres humanos para lhes servir como todos os outros objetos: o sol foi aceso por um fósforo gigante; a praia tem areia para nós brincarmos.
Estágio das operações concretas (7 - 12 anos)
Para Piaget é neste estágio que se reorganiza verdadeiramente o pensamento. Como já referi no estágio anterior as crianças são sonhadoras, muito imaginativas e criativas. É a partir deste estágio (operações concretas) que começam a ver o mundo com mais realismo, deixam de confundir o real com a fantasia. É neste estágio que a criança adquire a capacidade de realizar operações. Podemos definir operação como a ação interiorizada - realizada no pensamento, componível - composta por várias ações; reversível - pode voltar ao ponto de partida. A criança já consegue realizar operações, no entanto, precisa de realidade concreta para realizar as mesmas, ou seja, tem que ter a noção da realidade concreta para que seja possível à criança efetuar as operações.
Espaço - organiza-se pela organização diferenciada dos vários espaços. A criança vai conhecendo os vários espaços nos quais interage, organizando-os. Também aqui está presente a reversibilidade do real, onde o conceito de espaço está relacionado com o conceito de operação. O espaço isolado por si só não existe.
Tempo - não há reversibilidade do real, o tempo existe apenas no nosso pensamento, os acontecimentos sucedem-se num determinado espaço, e o tempo vai agrupando-os.
Peso - para que a criança domine este conceito é fundamental que compare diversos objetivos para podê-los diferenciar.
Classificação - primeiro a criança tem que agrupar os objetos pela sua classe e tamanho, depois os classificar e conseqüentemente adquirir conceitos.
Operações numéricas - primeiro a criança aprende o conceito de número e seriação, por volta dos sete anos, depois a classificação da realidade, mas essa classificação vai variando conforme a aprendizagem que ela vai fazendo ao longo do tempo.
Apesar de neste estágio a criança já conseguir efetuar operações corretamente, precisa ainda de estar em contato com a realidade, por isso o seu pensamento é descritivo e intuitivo /parte do particular para o geral. Ao longo deste período já não tem dificuldade em distinguir o mundo real da fantasia. A criança já interiorizou algumas regras sociais e morais e, por isso, as cumpre deliberadamente para se proteger. É nesta fase que a criança começa a dar grande valor ao grupo de pares, por exemplo, começa a gostar de sair com os amigos, adquirindo valores tais como a amizade, companheirismo, partilha, etc., começando a aparecer os lideres.
Progressivamente a criança começa a desenvolver capacidade de se colocar no ponto de vista do outro, descentração cognitiva e social. Nesta fase deixa de existir monólogo passando a haver diálogo interno. O pensamento é cada vez mais estruturado devido ao desenvolvimento da linguagem. A criança tem já mais capacidade de estar concentrada, e algum tempo interessada em realizar determinada tarefa.

Estágio das operações formais (11/12 - 15/16 anos)
A transição para o estágio das operações formais é bastante evidente dada às notáveis diferenças que surgem nas características do pensamento. É no estádio operatório formal que a criança realiza raciocínios abstratos, não recorrendo ao contato com a realidade. A criança deixa o domínio do concreto para passar às representações abstratas. É nesta fase que a criança desenvolve a sua própria identidade, podendo haver, neste período problemas existências e dúvidas entre o certo e o errado. A criança manifesta outro interesses e ideais que defende segundo os seus próprios valores e naquilo que acredita.
O adolescente pensa e formula hipóteses, estas capacidades vão permitir-lhe definir conceitos e valores, por exemplo estudar determinada disciplina, como a geometria descritiva e a filosofia. A adolescência é caracterizada por aspectos de egocentrismo cognitivo, pois o adolescente possui a capacidade de resolver os problemas que por vezes surgem á sua volta.

2.1- Etapas Evolutivas do Desenho Infantil – Wallon, Lowenfeld e Luquet

Henri Paul Hyacenthe Wallon foi filósofo, médico e político Francês, um marxista (baseado na concepção materialista e dialética da história) convicto, tornou-se bem conhecido por seu trabalho cientifico sobre Psicologia do Desenvolvimento, devotado principalmente á infância, enfatiza o papel da emoção no desenvolvimento humano, baseando suas idéias em quatro elementos básicos: afetividade, emoções, movimento e formação do eu.
Afetividade - possui papel fundamental no desenvolvimento da pessoa, pois é por meio delas que o ser humano demonstra seus desejos e vontades. As transformações fisiológicas de uma criança revelam importantes traços de caráter e personalidade.

Emoções - é altamente orgânica, ajuda o ser humano a se conhecer. A raiva, o medo, a tristeza, a alegria e os sentimentos mais profundos possuem uma função de grande relevância no relacionamento da criança com o meio.

Movimento - as emoções da organização dos espaços para se movimentarem. Deste modo, a motricidade tem um caráter pedagógico tanto pela qualidade do gesto e do movimento, quanto pela maneira com que ele é representado. A escola ao insistir em manter a criança imobilizada acaba por limitar o fluir de fatores necessários e importantes para o desenvolvimento completo da pessoa.

Formação do eu - a construção do eu depende essencialmente do outro. Com maior ênfase a partir de quando a criança começa a vivenciar a "crise de oposição", na qual a negação do outro funciona como uma espécie de instrumento de descoberta de si própria de saber que “eu” sou. Imitação, manipulação e sedução em relação ao outro são características comum nessa fase.
Wallon deixou-nos uma nova concepção da motricidade, da emotividade, da inteligência humana e, sobretudo, uma maneira original de pensar a Psicologia infantil e reformular os seus problemas.
Viktor Lowenfeld foi um professor austríaco de educação artística na Pennsylvania State University. Sua vida e carreira são muito importantes para o campo da arte – educação desenvolveu uma teoria de etapas no desenvolvimento artístico, estabelecendo três fases para o desenho infantil.

Primeira Fase: divide-se em três etapas: etapa da garatuja desordenada, etapa da garatuja ordenada e etapa da garatuja nomeada.
Garatuja desordenada - a criança não tem consciência da relação traço-gesto, muitas vezes nem olha para o que faz. Seu prazer é explorar o material, riscando tudo o que vê pela frente. Segura o lápis de várias formas, com as duas mãos ou alterando. Não usa o dedo ou o pulso para controlar o lápis. Faz movimentos de vaivém vertical ou horizontal muitas vezes o corpo acompanha o movimento.
Garatuja ordenada - a criança descobre a relação do gesto-traço. Passa a olhar o que faz, começa a controlar o tamanho, a forma e a localização do desenho no papel. Descobre que pode variar as cores. Começa a fechar suas figuras em formas circulares ou espiraladas. Perto dos três anos, começa a segurar o lápis como o adulto. Copia intencionalmente um circulo, mas não um quadrado.
Garatuja nomeada – a criança faz passagem do movimento sinestésico, motor, ao imaginário, ou seja, representa o objeto concreto através de uma imagem gráfica. Distribui melhor os traços no papel. Anuncia o que vai fazer, descreve o que fez, relaciona o desenho com o que vê ou viu, sendo q eu o significado do seu desenho só é inteligível para ela mesma. Começa a dar forma á figura humana.

Segunda Fase – Pré - esquemática – os movimentos circulares e longitudinais da etapa anterior evoluem para formas reconhecíveis, passando de conjunto indefinido de linhas para uma configuração representativa definida. A criança desenha o que sabe do objeto e não uma representação visual absoluta, seus desenhos apresentam características, não porque possuam uma forma de representação inata, mas sim porque está no começo de um processo mental ordenado.

Terceira fase – Esquemática- a consciência da analogia entre a forma desenhada e o objeto representado se afirma. Nessa fase a representação gráfica é muito mais tardia que a lúdica verbal, enquanto a brincadeira simbólica e a linguagem já estão bem formadas. A criança já constrói grandes cenas dramáticas brincando, mas só nessa fase começa a organizar seus desenhos. A representação das figuras humanas evolui em complexibilidade e organização.

De acordo com a abordagem construtivista o conhecimento não esta pré-formado no sujeito, nem está totalmente pronto, acabado, determinado pelo meio exterior, independente da organização do individuo. A aquisição de conhecimento processa-se na troca, na interação da criança com o objeto a conhecer. Em outras palavras, o ato de conhecer parte da ação do sujeito sobre o objeto, só se efetua com a estruturação que ele faz dessa experiência. Isso significa que o conhecimento é adquirido não pelo simples contato da criança com o objeto cognoscente (aquele que conhece o objeto), mas pela atividade do sujeito sobre esse objeto a partir do que ele aprende, do que ele retira do que organiza da experiência. (PIAGET, 1976, p.47).
Georges Henri Luquet foi professor de filosofia Francês, pretendia estudar a evolução do desenho nas crianças, observando os desenhos feitos pela sua filha Simmone. Sua idéia não era partilhada pela maioria dos pesquisados do desenho que vieram depois dele. Dividiu as etapas do desenho em: realismo fortuito, realismo falhado, realismo intelectual e realismo visual.

Realismo fortuito – Começa por volta dos dois anos e põe fim ao período chamado rabisco. A criança começa a fazer traços sem qualquer objetivo, mesmo sabendo que os traços realizados por outrem podem querer determinar um objeto determinado e representá-lo efetivamente, a criança não considera a idéia de também possuir a mesma habilidade.
É nesta fase também que podemos identificar as famosas “garatujas”, e de acordo com as definições de Piaget, este é o período sensório-motor.
Em certo ponto, a criança produzirá mesmo acidentalmente uma parecença não procurada. A partir daí ela passará por uma série de transições até adquirir a totalidade das faculdades gráficas (intenção, execução e a interpretação correspondente á intenção) chegando conseqüentemente ao realismo intelectual.

Realismo falhado – Geralmente entre e quatro anos a criança chega ao desenho propriamente dito, quer ser realista, mas a sua intenção choca-se com obstáculos gráficos e psíquicos, que dificultam a sua manifestação. São exemplos de obstáculos a incapacidade para dirigir seus movimentos gráficos, o caráter limitado e descontinuo da atenção infantil e principalmente a incapacidade sintética – quando a criança não chega a sintetizar num conjunto coerente os diferentes pormenores que desenha com a preocupação exclusiva de representá-los cada um por si.

Realismo intelectual – Aos quatro anos começa o principal estágio que irá estender-se até por volta dos dez ou doze anos. A criança pretende deliberadamente reproduzir do objeto representado não só o que se pode ver, mas tudo o que ali existe e dar a cada um dos elementos a sua forma exemplar.

Realismo visual – É geralmente por volta dos doze anos, e ás vezes desde os oito ou nove, que aparece o fim do desenho infantil, marcado pela descoberta da perspectiva e a submissão ás suas leis, daí um empobrecimento, um enxugamento progressivo do grafismo, que perde seu humor e tende a junta-se ás produções adultas.
De acordo com Piaget, é neste ponto que a criança se encontra no estágio pré-esquemático, que se inicia por volta dos 4 anos e se estende até os 7 anos mais ou menos. Após esta fase a criança com idade entre 7 e 9 anos entra no estágio esquemático, e após os 9 anos passa para o estágio do realismo nascente. Vale ressaltar que estes estágios compreendidos entre os 7 e 11 anos estão dentro do período das operações concretas.

2.2- Desenho Figurativo e a Figura do Boneco

Na fase do desenho figurativo a criança começa desenhar a primeira figura humana através dos “girinos”, desenha casa, árvores, associando a cor á afetividade, passam a desenhar com as cores em relação á realidade.
Começam a fazer os desenhos do céu e a terra, dão características humanas a seres inanimados, os tamanhos dos bonecos estão associados á afetividade (quanto mais gosta maior os faz), ocupando toda a folha do desenho, caracterizando mais os bonecos. Faz linha de horizonte, superfície vista de cima, tendo a preocupação de fazer o realismo.
Ao fazer os desenhos figurativos, tem o poder de autocrítica. Tem uma evolução oscilante (a evolução é irregular, regride, progride). É inibida, cautelosa e muito cuidadosa no que faz, demora mais tempo para fazer os desenhos.
Em seu processo criativo a criança faz um desenho com uma idéia preestabelecida, (escolhe um tema e faz o desenho).
Os signos (figura representativa) é a parte conotativa da imagem, a casa é a casa, a árvore é a árvore, cada imagem corresponde a ela própria.
Assim que descobre a possibilidade de representar o real por meio de signos, a criança contenta-se geralmente em desenhar objetos e não recorre com freqüência á abstração. Seus desenhos narram, procuram transmitir uma mensagem.
A figura do boneco da origem a toda figuração, é a imagem matriz do grafismo infantil, pode ser lida sob a maioria dos traçados.
A criança projeta no desenho do boneco seu próprio esquema corporal, traduz a maneira como vive seu corpo. Desenha com extrema freqüência animais, casas, flores, com cabeça humana, e os primeiros animais não passam de bonecos aos quais acrescentou um detalhe (cauda, orelha, etc.). (FIG. 01), O que a criança desenha, portanto, é sempre ela mesma, sua própria imagem refletida.

FIG.01
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Florence Méredieu, O desenho infantil, 2000

Nas figuras do boneco a evolução parte do circulo e do boneco “girino” inicial, para chegar a uma figuração humana mais evoluída.
Na evolução da figura do boneco aparece o desenho do boneco-batata (Fig. 02), nascido do girino de quatro membros, a seguir aparece o boneco-estrada (Fig. 03), derivado do girino de dois membros, em uma nova evolução aparece o boneco-flor (Fig. 04), prolonga o girino de um só apêndice.

Fig. 02 Fig.03 Fig. 04
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Florence Méredieu, O desenho infantil, 2000

Progressivamente, o boneco se enriquece, torna-se mais complexo, transformando em boneco-sino, boneco-casa, etc.
À medida que a criança chega a uma etapa mais avançada o desenho do boneco passa do traço, simples índice de uma ação que ele prolonga e cuja persistência assegura, para o signo que supõe ao mesmo tempo distinção e aproximação entre um significado e um significante.

CAPÍTULO - 3

PRÁTICA E TRATAMENTO PSICOPEDAGÓGICO

O trabalho psicopedagógico, seu tratamento, abordagem e metodologia utilizada se baseiam na observação e análise, requerendo dos profissionais atitudes especificas para cada caso, visto que cada ser humano é único e traz consigo valores, hábitos e costumes que interferem na sua percepção de mundo e inserção a sociedade.
Seu campo de atuação pode ser preventivo e clínico. A área preventiva é de orientação no processo ensino - aprendizagem, visando favorecer a apropriação do conhecimento no ser humano, pode-se dar na forma individual ou grupal na área da saúde mental e da educação.
O trabalho clínico não deixa de ser preventivo, uma vez que ao tratar alguns transtornos de aprendizagem, pode evitar o aparecimento de outros. O trabalho preventivo, numa abordagem psicopedagogica é sempre clínico levando em conta a singularidade de cada processo.
Tanto na prática preventiva como na clínica, o profissional procede sempre embasado no referencial teórico adotado.
Visto que grande parte do aprendizado ocorre na instituição escolar, sendo ela responsável por grande parte da aprendizagem do ser humano, o trabalho psicopedagógico na instituição escolar assume a função social, atuando em uma modalidade clínica e preventiva, dando ênfase à necessidade do trabalho a ser realizado na escola, tanto no aspecto que envolve os problemas de aprendizagem e na formação do docente, oferecendo condições para estabelecer uma relação saudável com os educandos.
A tarefa diagnóstica do psicopedagogo tanto no nível institucional quanto no clínico é indispensável e requer procedimentos específicos, dependendo da linha teórica adotada, sendo um processo contínuo e revisável, devendo buscar não só compreender o porquê de o sujeito não aprender, mas o que ele pode aprender e como.
E a partir do sintoma (o que se pode conhecer por meio dos processos clínicos e técnicos, cuja existência é bastante para fazer o diagnóstico) e os dados observados no diagnóstico o psicopedagogo poderá pensar nas formas e possibilidades de tratamento e no objetivo a ser alcançado.
Vale ressaltar que esse sintoma deve acontecer sobre forma investigadora com a finalidade de compreensão.
Uma importante ferramenta terapêutica é o jogo e o desenho, permite a criança reviver as mais diversas situações, possibilitando o desenvolvimento para criar, refletir, organizar e se interagir.
O jogo e o desenho como formas de intervenção são de grande valia para o tratamento de quadros psicopatológicos como a neurose obsessiva (isolamento, dificuldades para jogos classificatórios, realizações de síntese), neurose fóbica (impulsos destrutivos, evitação dos conteúdos escolares, ocasionando restrição ao aprendizado), neurose de histeria (negar as dificuldades no raciocínio-lógico-abstrato). Já nas psicoses (empobrecimento/carência que destorce o acesso ao simbólico e cultural, enfermidades mentais), a ação psicopedagógica tem caráter reparador frente às perturbações psicóticas no contato com o outro e a realidade.

3.1- A Psicopedagogia e o Uso do Grafismo

Antes de tratar a questão do uso do grafismo faremos uma síntese do Fundamento da Psicopedagogia.
A Psicopedagogia iniciou-se através da pedagogia. Mas é na filosofia, neurologia, sociologia, lingüística e psicanálise que ela encontra a compreensão deste processo. Essas áreas fornecem meios para refletir cientificamente e operar no campo psicopedagógico analisando o processo de aprendizagem e suas dificuldades, e de forma profissional, engloba campo de conhecimento. Na questão da formação, acentua o caráter interdisciplinar, caracterizando-se por uma área de confluência do psicológico e do educacional, vem constituindo seu corpo teórico na articulação da psicanálise e psicologia. Articulação que fica evidente quando se trata de observar os problemas de aprendizagem, pilar da teoria psicopedagógica.
No trabalho de ensinar e aprender, o psicopedagogo utiliza diagnósticos para compreender a falha na aprendizagem. Por esse motivo, possui um caráter clínico e seu campo de atuação refere-se ao espaço físico e epistemológico. A forma de abordar o objeto de estudo assume características próprias, dependendo da modalidade clínica preventiva e teórica, interagindo-se.
O trabalho Psicopedagógico implica na compreensão da situação de aprendizagem do sujeito, o que requer uma modalidade particular de ação para cada caso no que diz respeito á abordagem, tratamento e forma de atuação. Assim o trabalho adquire um desenho clínico próprio e o psicopedagogo deve buscar o significado de informações que lhe permitirá dar sentido ao sujeito observado, objetivando a aprendizagem do conteúdo escolar e trabalhando a abordagem preventiva. Para isso o psicopedagogo deve tomar uma atitude de investigador e interventor.
A psicopedagogia estuda o ato de aprender e ensinar, levando sempre em conta as realidades interna e externa da aprendizagem, tomadas em conjunto. E, mais, procurando estudar a construção do conhecimento em toda a sua complexidade, procurando colocar em pé de igualdade os aspectos cognitivos, afetivos e sociais que lhe estão implicados. (BOSSA. A., 2007 apud NEVES, 1991, p. 12).

“A psicopedagogia busca a melhoria das relações com a aprendizagem, assim como a melhor qualidade na construção da própria aprendizagem de alunos e educadores” (BOSSA. A. 2007 apud WEISS, 1991, p. 6).
De acordo com essa visão, a psicopedagogia na realidade, não seria um saber independente dotado de fundamentos próprios, mas uma síntese simplificada dos múltiplos conhecimentos psicológicos e pedagógicos. Entretanto, tratar os sintomas se revela insuficiente para o êxito escolar, e começa-se então a entender o sintoma como sinal, produto, emergência de uma desarticulação dos diferentes aspectos de aprendizagem: o aspecto afetivo, cognitivo e social.

Uso do Grafismo

Dessa perspectiva, o uso do grafismo aproveita uma forma da criança expressar-se espontaneamente. Através do desenho, pode ser projetada a percepção consciente do sujeito em relação a si mesmo e as pessoas significativas do seu ambiente, sua forma de agir, atuar, se posicionar frente ao mundo, conflitos e sentimentos inconsciente, coisas que não seria capaz de expressar em palavras, mesmo que conscientes, a realização de desejos, auto-imagem idealizada ou realista de si mesmo e a sexualidade.
São estudados os aspectos das fases de desenvolvimento: cognitivo, psicomotor, sócio-afetivo, percepção visual, oralidade, expressão, reprodução, criatividade, traços de subjetividade e psicopatologia.
Durante a realização de qualquer desenho é observado o processo de produção: a postura corporal (se cobre o desenho, se tenta explicar o que desenha), a motricidade fina, o ritmo como trabalha e a forma de elaborar as figuras e a cena (se faz comentários enquanto desenha).
Através da observação do desenho, podemos obter dados e levantar hipóteses sobre seu desenvolvimento geral, sendo importante que saiba observar o quanto e como a capacidade de envolvimento, de concentração e de prazer em criar está presente, procurando observar se enquanto a criança desenha procura contatos proximais (proximidade física) ou distais (sorriso e olhares), ou o inverso, isola-se e distancia-se negando a presença do outro, busca contatos verbais, confirmando seguidamente se é assim que é para fazer; pede modelos para copiar ou idéias para seguir.
Quanto à forma de segurar a folha de papel podemos observar se procura apoios físicos e concretos, quer pelo uso constante de réguas, quer pelo traço junto ás bordas da folha. Quanto ao corpo podemos observar se manifesta por vezes tensão exagerada ou inadequada, que se revela no traço muito forte ou muito leve, dificuldade de dissociar o movimento das mãos, ou apresentando ¹sincinesias.
Na própria representação gráfica pode-se observar a dificuldade em aceitar o próprio desenho, ou seja, em aceitar-se, chegando até a negação, quer através do uso constante da borracha, quer riscando por cima, cobrindo o desenho totalmente, dificuldade em se expor, através da repetição rígida, mecânica e estereotipada de figuras, distorção exagerada, ênfase ou omissão de partes significativas do desenho.
¹participação de músculos em movimentos aos quais eles não são necessários. Ex: coloca-se um objeto numa mão da criança e pede-se que ela aperte, a outra mão também se fechará ao mesmo tempo
É importante ressaltar que a análise de um desenho deve ser feita por meio de outros desenhos, não devem ser vistos isoladamente, mas sim em conjunto, e não deve seguir uma “receita”, o que nos faria correr o risco de uma interpretação equivocada.
As interpretações são hipóteses e não certezas e não devem se basear em dados isolados. O desenho deve ser observado e analisado dentro de um contexto cultural e refere-se a um dado momento, sendo necessário evitar generalizações, pois cada produção é única.

CAPÍTULO – 4

TESTE PROJETIVO – H.T.P

Os temas mais pesquisados no grafismo são a figura humana, a árvore e a casa.
Esses temas podem constituir isoladamente, um teste ou podem constituir o chamado H.T.P (do inglês house - casa, tree - árvore, person - pessoa), uma técnica projetiva da personalidade, aplicado normalmente com crianças acima de 8 anos.
Pode ser usado como parte de uma avaliação inicial quanto de uma intervenção terapêutica em andamento, tendo a pretensão de auxiliar no desenvolvimento de hipóteses interpretativas, servindo como pistas para o Psicopedagogo fazer o estudo da totalidade do paciente.
Através da analise do desenho produzido busca-se um traço de personalidade, a imagem interna de si mesmo e de seu ambiente. Considera-se que no teste H.T.P., que os desenhos têm grande poder simbólico, reveladores de experiências emocionais e de ideais ligados ao desenvolvimento da personalidade.
A maneira de a criança desenhar irá demonstrar como ele se organiza, como estrutura a vida. É utilizada como avaliação quantitativa (trabalho que desenvolvemos) e depois se faz a qualitativa que mostra mais as características de personalidade.
O material utilizado consiste apenas em um papel em branco e lápis preto, feito a mão livre, podendo-se utilizar lápis colorido e borracha. Importante estar atento as reações que a criança tem enquanto desenha: como começa o desenho, a casa, por exemplo, começam-se normalmente pelo telhado e depois paredes e portas. A figura humana começa-se pela cabeça, começar por outras partes pode ter significado.
Observar em que parte da casa, do corpo da árvore, a criança demorou mais, onde usou mais a borracha, onde ficou mais pensativo.
A avaliação do desenho deve-se de um modo geral avaliar os mesmos em relação ao tamanho, á orientação e a qualidade geral, bem como os desvios nas áreas gerais e detalhes, a idade e os resultados de quaisquer outros procedimentos de avaliação disponíveis, para formular uma análise apropriada da sessão de desenho.
“Desenhando para a sua própria satisfação as crianças retratam pessoas, casas, arvores, grama, o sol. Esses temas são vistos nos trabalhos de crianças de todas as terras e culturas e atestam a universalidade básica da mente e dos sentimentos”. (DI LEO, 1991, p.45).
As crianças consideram pessoas, casas e árvores como influências significativas em suas vidas, ao analisá-las devemos observar os detalhes:
A árvore, ser que vive em função de elementos ambientais (chuva, vento, calor) é dos desenhos o que mais revela a auto-imagem da criança no contexto de seu relacionamento com o ambiente, além de como se sente em relação ao seu equilíbrio intrapessoal.
• árvore grande: tendência á expressão;
• árvore pequena: desencorajamento, regressão;
• frutíferas: crianças com até 14 anos se identificam com a fruta, que representa a figura materna. Crianças com sentimento de rejeição desenham a fruta caindo da árvore ou já no solo;
• inclinada para a direita: impulsiva, dedicada, influenciável, não resiste á tentação, renovadora;
• inclinada para esquerda: necessidade de proteção, cuidadosa, teimosa e retraída;
• ereta: madura, inteligente, superestimação por si mesma.
A casa é interpretada como representando o desenvolvimento, simboliza o lugar onde são buscados afeto e segurança. Quando solicitados para desenhar uma casa, desenharão o exterior. Se a casa é percebida como um lar, as crianças poderão vitalizá-las com as pessoas significativas em suas vidas.
• teto: inversão na fantasia, imaturidade, afetiva;
• teto elaborado: compulsividade;
• teto afastado da parede: dificuldade de aprendizagem;
• porta pequena: timidez e receio nas relações com os outros;
• porta grande: muito dependente dos outros;
• porta aberta: vulnerabilidade;
• janelas sem cortinas: se relaciona com os demais de forma rude e direta;
• janelas com cortinas abertas: mostra interação controladora com o ambiente, e fechada necessidade de retraimento;
• janelas com grade: se sente cercada, com vidraças isolamento, desejo de proteção;
• janelas com persianas: dissimulação, exibicionismo;
• janelas com cercas: comportamento defensivo;
• janelas com uma pessoa: família bem equilibrada, harmoniosa;
• janelas com árvores: falta de segurança.
Pessoa evidencia a auto-estima, figuras como palhaços, caricaturas ou ridículas indicam desprezo e hostilidade em relação a si mesmo, rejeição, inadequação, figuras “palitos” ou representações abstratas são indicadores de evasão, insegurança.
• pessoas de frente: aceita o mundo de frente;
• pessoas de perfil: pode ser uma dissimulação ou um desajuste. Incapacidade de enfrentar o meio;
• pessoas de frente e rosto de perfil: caráter não bem ajustado em seus propósitos;
• pessoas de pé: força, energia e adaptação;
• pessoas de costa: dissimulação dos impulsos culposos e inconfiáveis;
• pessoas com órgãos sexuais: até 7 anos, auto - afirmação, descoberta do sexo;
• pessoas de cabeça exagerada: Pode ser caso de pessoas que tenham doença na família, narcisismo ou valorização exagerada da própria inteligência;
• pessoas de tamanho reduzido: sentimento de inferioridade.

“Desenhar são apenas uma parte de uma avaliação abrangente. São auxiliares no diagnóstico e terapia” (DI LEO, 1991, p. 81).

CONCLUSÃO

Através deste trabalho de monografia tivemos a oportunidade de compreendermos a
importância do desenho para a criança e o quanto o ato de desenhar se faz necessário para o desenvolvimento de seu aspecto cognitivo, afetivo e motor, além de desenvolver noção de espaço, tempo, seqüência e quantidade.
De acordo com PILLAR (1996), o desenho é um registro de tudo que é significativo para a criança, constituindo sua primeira linguagem gráfica na comunicação de experiências, pensamentos, alegrias, etc..
Vários pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento já estudaram e estudam o desenho infantil. Resgatamos através dos pesquisadores: Vigotsky, Piaget, Wallon, Luquet e Lowenfeld,o desenvolvimento do desenho infantil, observando que cada um tem sua própria concepção sobre o seu desenvolvimento, mas todos concluem que o desenho sintetiza operações mentais complexas, possibilitadas pelo desenvolvimento cognitivo, afetivo, perceptivo, motor e social.
Por fim, verificou-se neste estudo que o desenho constitui para a Psicopedagogia uma grande importância para o levantamento de hipóteses e avaliação. Através do trabalho psicopedagógico a criança encontrará possibilidades de reorganizar suas funções psíquicas.
Desenho é a primeira manifestação da escrita humana, continua sendo a primeira forma de expressão usada pela criança são as representações de como a criança lê o mundo, enxerga a vida, expressa o que sente.
Nessa perspectiva espero instigar aos “amantes” do desenho á ampliar seus conhecimentos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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LUQUET, G. H.. O desenho infantil. Lisboa, Portugal: Companhia Editora do Ninho, 1969, trad. Marcia Teresa Gonçalves de Azevedo Porto: Livraria Civilização, 1979.
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PILLAR, Analice Dutra. Desenho e Construção do Conhecimento na criança. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
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