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Desenvolvimento do Processo Ensino-aprendizagem

Autor:
Instituição: Universidade Vale do Acaraú - UVA
Tema: Letramento

LETAMENTO: O DESENVOLVIMENTO DO PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM


I.Tema/Título:

O letramento: Desenvolvimento do processo ensino aprendizagem.


II.Delimitação do tema:

O processo de construção da leitura e da escrita com jovens e adultos da empresa CCCC (Construções e Comércio Camargo Correa)


III.Problematização:

Mediar o processo de construção da leitura e da escrita com pessoas que já possuem experiência na leitura de mundo é um trabalho bem diverso daquele que se desenvolve no letramento com crianças.

O processo em adultos deve ser cuidadosamente arquitetado postando seu pilares no respeito e na valorização dos saberes múltiplos acumulados pelos alunos ao longo dos anos e à partir destes possibilitar a construção da leitura a estes jovens e adultos caracterizada pela sistematização do que estes educandos já conhecem.

O desafio então, é trabalhar o letramento de forma completa e significativa, sem incorrer no erro de tornar este processo infantilizado, com uso de metodologias voltadas para crianças, e portanto pobre, dicotomizado da realidade do estudante e a questão: Como está sendo desenvolvido o processo de construção da leitura e da escrita com os funcionários da empresa Camargo Corrêa?


IV.Justificativa

A pesquisa de trabalhos voltados para o processo de construção da leitura e da escrita de jovens e adultos se faz necessária devido a existência de uma pobreza teórica na área, a nível de pesquisa e produção de conhecimentos contrastando com a área de alfabetização infantil.

Há também de total escassez de uma psicologia que permita explicitar os processos cognitivos do adulto, suas potencialidades para a aprendizagem , através da qual a aprendizagem é desenvolvimento cultural, fruto das relações sociais. desmistificando a idéia de que o adulto é burro, que a partir de uma certa idade não há mais condição de desenvolvimento cognitivo, limitando-se a aquisição do código alfabético que permite tão somente desenhar o nome

Ratificar principalmente à importância destes trabalhos no resgate da dignidade das pessoas não letradas enquanto educandos permitindo seu crescimento pessoal e profissional,e à especificidade das características dessa ações que a distanciam dos trabalhos direcionados as crianças.

Projetos desenvolvidos nesta área devem, então, ser amplamente estudados e explorados como fonte de informação sobre essa modalidade de ensino, se tornando instrumento de conquista da cidadania

Uma pesquisa feita com um grupo de estudantes como aqueles que participam do projeto da empresa e sua posterior análise, podem fornecer informação suficiente para que seja possível analisar com mais clareza alguns aspectos significativos do desenvolvimento do processo de ensino-aprendizado,inclusive o letramento em si,em jovens e adultos.


V.Questões Norteadoras:

Que aspectos determinados pelo nível de maturação psico-fisico-biológico influenciam no processo ensino-aprendizagem?

Como trabalhar com estes aspectos na fase adulta?

Quais são as dificuldades impostas por esta realidade ao processo de letramento?

Como encontrar alternativas para amenizar estes efeitos?

Como fazer que o processo tenha sua origem e seja sempre irrigado pelos conhecimentos do mundo do aluno


VI. Objetivos

6.1: Objetivo geral

Desenvolver e analisar como vem sendo desenvolvido o processo de construção da leitura e da escrita com jovens e adultos da Camargo Correa.

6.2: Objetivos Específicos


VII. Referencial Teórico

Muitas vezes definimos erroneamente Educação de Jovens e Adultos. Por isso, antes de iniciar nosso estudo, é necessário conhecer um pouco da história dessa modalidade de ensino.

Segundo Freire (apud Gadotti, 1979, p. 72) em Educação de Jovens e Adultos: teoria, prática e proposta, os termos Educação de Adultos e Educação não-formal referem-se à mesma área disciplinar, teórica e prática da educação, porém com finalidades distintas.

Esses termos têm sido popularizados principalmente por organizações internacionais - UNESCO - referindo-se a uma área especializada da Educação. No entanto, existe uma diversidade de paradigmas dentro da Educação de Adultos.

Até a 2º Guerra Mundial, a Educação Popular era concebida como extensão da Educação formal para todos, sobretudo para os menos privilegiados que habitavam as áreas das zonas urbanas e rurais.

Após a I Conferência Internacional de Educação de Adultos, realizada na Dinamarca, em 1949, a Educação de Adultos tomou outro rumo, sendo concebida como uma espécie de Educação Moral. Dessa forma, a escola, não conseguindo superar todos os traumas causados pela guerra, buscou fazer um "paralelo" fora dela, tendo como finalidade principal contribuir para o resgate do respeito aos direitos humanos e para a construção da paz duradoura.

Em 1990, com a realização da Conferência Mundial sobre Educação para Todos, realizado em Jomtien, na Tailândia, entendeu-se a alfabetização de Jovens e Adultos como a 1ª etapa da Educação Básica, consagrando a idéia de que a alfabetização não pode ser separada da pós-alfabetização.

Segundo Freire (apud Gadotti, 1979, p. 72), nos anos 40, a Educação de Adultos era entendida como uma extensão da escola formal, principalmente para a zona rural. Já na década de 50, a Educação de Adultos era entendida como uma educação de base, com desenvolvimento comunitário. Com isso, surgem, no final dos anos 50, duas tendências significati-vas na Educação de Adultos: a Educação de Adultos entendida como uma educação libertadora (conscientizadora) pontificada por Paulo Freire e a Educação de Adultos entendida como educação funcional (profissional).

De acordo com Paiva (apud Gadotti, 1995, p. 31), a Educação de Adultos, em âmbito histórico, pode ser dividida em três períodos:

1º - de 1946 a 1958, quando foram realizadas campanhas nacionais de iniciativa oficial para erradicar-se o analfabetismo;

2º - de 1958 a 1964. Em 1958 foi realizado o 2º Congresso Nacional de Educação de Adultos, tendo a participação marcante de Paulo Freire. Esse congresso abriu as portas para o problema da alfabetização que desencadeou o Plano Nacional de Alfabetização de Adultos, dirigido por Paulo Freire e extinto pelo Golpe de Estado de 1964.

3º - O MOBRAL, que foi concebido como um sistema que visava ao controle da alfabetização da população, principalmente a rural. Com a redemocratização (1985), a "Nova República" extinguiu o MOBRAL e criou a Fundação Educar. Assim sendo, a Educação de Adultos foi enterrada pela "Nova República".

Em 1989, em comemoração ao Ano Internacional da Alfabetização, foi criada, no Brasil, a Comissão Nacional de Alfabetização, coordenada inicialmente por Paulo Freire e depois por José Eustáquio Romão.

A falta de recursos financeiros, aliada à escassa produção de estudos e pesquisas sobre essa modalidade, tem contribuído para que essa educação se torne uma mera reprodução do ensino para jovens e adultos.

Isso explica o histórico distanciamento entre sociedade civil e Estado no que diz respeito aos problemas educacionais brasileiros.

Sabemos que a educação é um direito de todos e um dever do Estado. Se sabemos que a grande maioria da população, principalmente os menos favorecidos, não tem acesso à educação, até onde podemos levar essa afirmação a sério?

Na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96, constam no Título V, Capítulo II, Seção V, dois Artigos relacionados, especificamente, à Educação de Jovens e Adultos.

Esse fracasso, de acordo com Freire (apud Gadotti, 1979, p. 72), pode ser explicado por vários problemas, tais como: a concepção pedagógica e os problemas metodológicos, entre outros.

A Educação de Jovens e Adultos deve ser sempre uma educação multicultural, uma educação que desenvolva o conhecimento e a integração na diversidade cultural, como afirma Gadotti (1979), uma educação para a compreensão mútua, contra a exclusão por motivos de raça, sexo, cultura ou outras formas de discriminação e, para isso, o educador deve conhecer bem o próprio meio do educando, pois somente conhecendo a realidade desses jovens e adultos é que haverá uma educação de qualidade.

Considerando a própria realidade dos educandos, o educador conseguirá promover a motivação necessária à aprendizagem, despertando neles interesses e entusiasmos, abrindo-lhes um maior campo para o atingimento do conhecimento. O jovem e o adulto querem ver a aplicação imediata do que estão aprendendo e, ao mesmo tempo, precisam ser estimulados para resgatarem a sua auto-estima, pois sua "ignorância" lhes trará ansiedade, angústia e "complexo de inferioridade". Esses jovens e adultos são tão capazes como uma criança, exigindo somente mais técnica e metodologia eficientes para esse tipo de modalidade.


VIII. Bibliografia:

BRASIL. MEC. Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Disponível em: <http://www.mec.gov.br>. Acesso em: 10 maio 2002.

CARNEIRO, Moaci Alves. LDB fácil: Leitura crítico-compreensiva. Petrópolis: Vozes, 1998.

FREIRE, Paulo. Educação e mudança. tradução de Moacir Gadotti e Lillian Lopes Martin. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

FUCK, Irene Terezinha. Alfabetização de Adultos. Relato de uma experiência construtivista. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1994.

FERREIRO, Emília. Reflexões sobre alfabetização. Tradução Horácio Gonzales et al., 24. ed. Atualizada. São Paulo: Cortez, 2001.

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