Didática Teórica / Didática Prática

Autor:
Instituição: UERJ
Tema: Trabalho Argumentativo Baseado no Livro

Didática Teórica / Didática Prática


A relação que a didática e suas metodologias estabelece com o processo de ensino é de fundamental importância para a ação educativa. Partindo-se desta premissa é que hoje em dia a discussão sobre a didática prática e a didática teórica se fortalecem e apresentam diferentes situações nas escolas brasileiras.

Baseado no texto Didática Teórica / Didática Prática de Pura Lúcia O. Martins procurei descrever um pouco do que eu acredito ser didática prática e didática teórica. A didática teórica é aquela discutida e elaborada fora das salas de aula, com o desenvolvimento dos programas da disciplina, o plano de aula com seus objetivos, conteúdos, avaliação... A didática prática "é aquela vivenciada pelos professores nas escolas de 1º grau, a partir do trabalho prático em sala de aula". Essa didática seria o desenvolvimento do trabalho teórico; ou seja, seria praticar e trabalhar com aquilo que foi desenvolvido e elaborado na parte teórica.

Com a vivência que tive de 15 anos estudando na mesma escola, não tendo feito curso normal, nem nunca ministrei nenhum tipo de aula; o pouco de experiência que posso descrever sobre a maneira que os professores desenvolvem seus trabalhos é baseado naquilo que acompanhei no meu período escolar, aquilo que acompanho aqui na UERJ, o eu ouço dos colegas de faculdade que são professores e aquilo que li no livro da Pura Lúcia.

Pelo que acompanho e acredito (e gostaria de desenvolver um argumento seguindo esta linha), é que uns dos grandes problemas seria o fato dos professores serem incoerentes nas didáticas teórica e prática. "Nossa prática pedagógica vem quase toda definida(...) Mesmo não sendo adequada à realidade dos alunos, temos de cumpri-la, montar os objetivos em torno dos conteúdos previamente definidos, pois eles são avaliados por outrem e não pelo professor". (Discurso de professor de 1º grau. In: Didática Teórica / Didática Prática. Pura Lúcia O. Martins. P. 21). Esse discurso, onde se percebe que o professor desenvolve um trabalho restrito, que sua participação no processo de ensino-aprendizagem é parcial e que, infelizmente, s professores viraram prestadores de serviço; servem para explicar o baixo nível da educação brasileira no cenário mundial.

O trabalho de didática teórica que é considerada como fundamental e indispensável deveria ter maior participação dos professores na sua elaboração, pois o que se constata é que a maioria dos professores não consegue definir, quanto menos alcançar os objetivos pré-estabelecidos. Como diz Pura Lúcia no seu livro, página 26, "Na didática teórica, o objetivo é fator fundamental e determinante no planejamento, seleção e organização dos métodos e técnicas de ensino, recursos materiais e formas da avaliação, bem como do conteúdo a ser trabalhado". Essa frase que eu concordo e acredito que o caminho é esse mesmo, me faz pensar e questionar: quais são os professores que dominam esses objetivos? Quais são os objetivos desses professores? Devem ser os mesmos objetivos para crianças de classes sociais diferentes ou deve haver uma adequação à realidade dos mesmos?

Os problemas não estão somente no nível de objetivos, mas também quando tratamos de avaliação. Muitos são os professores que desenvolvem um trabalho prático e aplicam uma avaliação totalmente divergente com aquilo que foi trabalhado. Os professores, que desta forma trabalham, não têm sensibilidade para perceber que o processo de avaliação deve ser contínuo e não deve ser restrito ao espaço escolar, pois como todos sabemos a aprendizagem é um processo que vai do nascimento até a morte. Sendo assim e como escrito antes, quando o professor não consegue avaliar em cima dos propostos, mantendo coerência com o que foi desenvolvido em sala de aula, o processo ensino-aprendizagem fica enfraquecido. "Se você não sabe aonde está indo, é difícil selecionar meios para chegar lá". (Mager. In: Didática Teórica / Didática Prática. Pura Lúcia O. Martins. P.23).

Com toda esta dificuldade de se estabelecer um trabalho coerente, que corresponda à realidade dos alunos, fica difícil para nós, estudantes de Pedagogia, acreditarmos nos trabalhos desenvolvidos pelos professores. Fica muito complicado acreditarmos que os professores irão "dar um jeitinho" para minimizar os problemas da educação. Eu, particularmente, mesmo com todo esse cenário adverso do que eu acredito ser o ideal, acredito e tento estudar pensando construir um futuro que não seja incoerente, com alienação, onde os professores consigam realmente participar do processo de forma efetiva, participativa, conseguindo perceber as diferenças, os interesses e as necessidades dos seus alunos.

Para concluir este argumento, pensei em descrever uma situação que aconteceu e eu acompanhei na escola que estudei durante todo o período escolar. Foi uma dentre várias situações que me recordo que enfraquecem a relação professor-aluno, ensino-aprendizagem e que me mostram o como está mais do que na hora de mudanças de posturas, atitudes e comprometimentos dos alunos, professores e secretarias de educação. As situações que aconteceram foram as seguintes:

Série: 3ª do Ensino Médio

Pessoas Envolvidas:

( x ) Professores ( x ) Alunos ( x ) Pais ( x ) Funcionários

Descrição do caso:

O ocorrido aconteceu na escola que estudei durante 15 anos no ano da minha formatura em 2201, no 3º ano do Ensino Médio e eu nunca mais vou esquecer. Foi o seguinte: um grande amigo meu estava dispensado das aulas da Tarde, pois estava fazendo em paralelo curso pré-vestibular preparatório para as provas do IME e ITA que são bem difíceis.

Por estar dispensado destas aulas, todos os alunos e professores sabiam e o apoiavam, pois sabiam que a tarefa de passar era muito complicada. Durante uma aula de Literatura, este aluno muito cansado pois havia passado a madrugada estudando para o curso, abaixou a cabeça para descansar. Assim que a professora observou, pediu para que ele levantasse a cabeça e começou a falar tudo que veio na cabeça dela. Disse que ele era um péssimo aluno, que não ia passar para faculdade nenhuma, no máximo para a Estácio de Sá, que ele podia abandonar o curso, pois a base que ele tinha era muito fraca... entre outras coisas que agora não me recordo.

Após o desentendimento, o aluno muito magoado foi à direção esclarecer o fato. A direção agendou reunião com os pais do aluno e a professora. Coincidência ou não, no término do ano letivo a professora foi dispensada da escola com mais de 18 anos prestando serviço para a mesma.


Opinião sobre o caso:

O mal entendido foi resolvido, mas a falta de estímulo que a professora passou foi enorme, além do constrangimento perante à turma; tanto é que depois do ocorrido, o aluno olhava para os colegas de turma com um pouco de receio, desconfiança. Para ser sincero, todos nós alunos sabíamos que seria muito difícil, ou melhor, praticamente impossível que ele passasse; como de fato não passou, mas a professora jamais poderia desestimular e expor isto na frente de todos da maneira que ela fez. Ela faltou com respeito, o discriminou e ainda feriu a escola que trabalhava ao dizer que ele não tinha base, já que o mesmo havia estudado a vida inteira nesta escola. Faltou ética para a professora.

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