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Intervenção Pedagógica da Língua Portuguesa

Autor:
Instituição: Desconhecida
Tema: Língua Portuguesa

Intervenções Pedagógicas na Área de Língua Portuguesa

Ouro Fino/2004

Minas Gerais


Epígrafe

Intervenção conseqüente quer dizer ação responsável, consciente do que é capaz de produzir, e não na ação cega, firmada apenas no senso comum e na intuição.

A intuição e o senso comum não devem ser desprezados, bem entendidos, mas tampouco devem ser utilizados na ação educativa de forma exclusiva ou em detrimento daquilo que o estudo sistemático sobre o comportamento infantil pode proporcionar.

Tânia Ramos Fortuna


INTRODUÇÃO

INTERVENÇÕES PEDAGÓGICAS NA ÁREA DE LÍNGUA PORTGUESA

Percebe-se hoje em nossas escolas uma grande preocupação dos professores, com o fazer da sala de aula e com o refazer do fazer no cotidiano, diante da diversidade dos alunos e das questões que cada professor tem em relação a sua prática pedagógica. Isto se justifica na medida que o professor tem problemas reais, pois ele está com quarenta alunos, comprometido politicamente com eles, em função do papel social básico da escola: fazer com que as crianças aprendam aquilo que nela vieram buscar.

Especificamente na área de Língua Portuguesa, que as crianças se alfabetizem naquele sentido de penetrar no pensamento letrado; de ser um indivíduo letrado.

Diante da diversidade da sala de aula e dos objetivos específicos da área, intervenções didáticas positivas na aprendizagem dos alunos constituem uma preocupação compartilhada por todos nós professores e educadores.

Então, intervenções pedagógicas são concebidas como:

Impossível falar em intervenção pedagógica sem falar primeiramente em avaliação desde que, esta seja considerada observação de maneira investigativa das produções escritas dos alunos, sua trocas de conhecimento, para encontrar elementos que permitam compreender o momento de aprendizagem de cada aluno e como intervir positivamente no processo ensino aprendizagem.

Os professores que se propõe a trabalhar nesta linha de pensamento tem como princípio norteador uma visão positiva das capacidades de todos os alunos e apostam no crescimento e desenvolvimento da escola.


CAPÍTULO I

Avaliação e planejamento

São processos integrados e necessários para uma intervenção pedagógica adequada em qualquer área.

É importante planejar intencionalmente o trabalho pedagógico de acordo com os interesses e necessidades de aprendizagem dos alunos.

Planejar a condução do processo ensino aprendizagem engloba o levantamento do que já é conhecido pelos alunos (conhecimentos prévios), para podermos então organizar a aproximação e a inclusão de um novo assunto, ou seja, das aprendizagens.

A avaliação como objeto de intervenção pedagógica adquire enfoques especiais:

Avaliação diagnóstica inicial: que será o grande parâmetro para o seu planejamento, pois fornece ao professor informações sobre aquisições atingidas ou não pelos alunos, sobre as facilidades ou dificuldades dos mesmos a fim de tornar possível a elaboração de um plano de trabalho e de intervenções que levem o aluno a avançar, atendendo suas necessidades reais e os objetivos pretendidos.

Avaliação de acompanhamento da aprendizagem: é um processo contínuo a favor do aluno, que fornecem ao professor pistas para reorganizar, redirecionar e adequar seu trabalho.

Dentro desta avaliação de acompanhamento o registro do professor a respeito de seus encaminhamentos, propostas realizadas, intervenções e progressos ou não do aluno tem fundamental importância neste processo pois permite não só a avaliação das aprendizagens dos alunos bem como de suas estratégias didáticas e redirecionar ou não conforme seja necessário.

Avaliação final: nesta avaliação devem prevalecer os aspectos qualitativos sobre os quantitativos, os alunos devem ser avaliados globalmente.


CAPÍTULO II

Aspectos a considerar em Intervenção pedagógica

É necessário considerar alguns aspectos ao elaborarmos intervenções pedagógicas:

a heterogeneidade da sala de aula – a escola deve levar em conta as diferenças, considerando primeiro que os alunos têm interesses e motivações variadas e depois, porque cada um tem um ritmo próprio de desenvolvimento que deve ser considerado e respeitado.

Dentro deste item uma boa intervenção didática é o trabalho diversificado. Neste trabalho o professor subdivide a turma em grupos que desenvolverão ao mesmo tempo, atividades diferentes, dirigidas ou não pelo professor.

Por exemplo: Enquanto um grupo recebe orientação direta do professor, os outros trabalharão independentemente, em atividades como leitura silenciosa, redação, exercícios escritos, jogos didáticos, etc. Esta intervenção didática tem-se mostrado capaz de atender as diferenças individuais dos alunos em vários aspectos, e justifica-se pelo fato dos alunos encontrarem-se em pontos diferentes de aprendizagem.

Os objetivos do trabalho diversificado são:

Propiciar a cada aluno orientação para evitar falhas, superar deficiências e atender ao ritmo individual de aprendizagem. É muito difícil o professor atender a todos os seus alunos, devido às classes numerosas, portanto, se trabalhar com pequenos grupos de maneira diversificada poderá conhecer e atender melhor os indivíduos de acordo com as peculiaridades de cada um.

Oportunizar a participação direta do aluno nas atividades propostas. A participação do aluno é essencial para seu processo de aprendizagem. É importante que este se perceba como parte integrante do grupo e interagindo em todas as experiências de aprendizagem.

1-1 parte integrante do grupo: além da crença do professor na capacidade do aluno aprender, é necessária também a crença do próprio aluno em sua capacidade de aprender, de enfrentar riscos, medos, e isto é decisivo não só para sua aprendizagem mas para seu desenvolvimento como pessoa.

Intervenções pedagogias que levem a superação de sentimentos de fracasso e, reconhecimento de talentos pessoais, com certeza serão muito importantes para garantir o sucesso na aprendizagem de alunos com dificuldades, multirepetentes ou adultos não alfabetizados.

1-2 Os grupos: uma das intervenções pedagógicas que são os agrupamentos produtivos. Estes agrupamentos desde que elaborados com critérios bem definidos pelo professor permite uma excelente interação entre os alunos com diferentes níveis de conhecimento. Trabalhar com agrupamentos é fundamental para a troca de informações e o confronto de idéias que favoreçam a aprendizagem.

Para a organização de agrupamentos produtivos é necessária a avaliação do aluno por meio de observação e acompanhamento já citadas na parte I do texto, devemos nos lembrar que não queremos classificar os alunos em classes homogêneas, mas sim, considerar a heterogeneidade um fator positivo, pois juntos aprendemos mais do que sozinhos.

Os agrupamentos para atividades de qualquer área e no caso especificamente aqui de Língua Portuguesa (leitura e escrita) deverão necessariamente considerar: o objetivo da atividade, a possibilidade de realização de cada aluno, suas características pessoais, ou seja a forma como se relaciona com os colegas seu ritmo de trabalho e ainda se esta atividade apresenta possibilidade de um desafio difícil mais possível para todo o grupo.

Para ilustrar segue abaixo uma proposta de atividade sempre nos lembrando que: "uma atividade se transforma em outra se, por exemplo, de individual passa a ser em dupla ou realizada por toda classe e vice-versa".

Atividade: escrita de uma canção conhecida

Tipo de atividade: escrita

Duração aproximada :20 minutos

Objetivo: que os alunos possam avançar em seu sistema de escrita

Agrupamentos: duplas

Desafios colocados para os alunos:

Procedimentos didáticos

Intervenções pedagógicas do professor:

O professor de verificar se todos compreenderam a proposta, organizar as duplas, indicar a função de cada integrante, esta organização deve partir do que o professor conhece sobre seus alunos e os desafios que deve propor a cada um (alfabéticos e com escrita não convencional).

É importante que o professor caminhe pela sala observando como os alunos estão desenvolvendo a atividade, verificando quais são as questões que estão colocando e problematizando para que pensem mais ainda sobre as questões referentes à escrita.

Quando os alunos com escrita não alfabética tiverem dúvidas em relação à escrita, vale a pena remete-los se possível, a palavras cuja forma lhes é conhecida, como por exemplo a lista de nome dos colegas da sala.

Quando os alunos com escrita alfabética tiverem dúvida em relação à ortografia, pode-se indicar o uso do dicionário, consultas a listas de palavras ou pesquisas de como esta palavra está escrita em determinado texto.

Variar o recurso didático também é uma ótima intervenção pedagógica, crianças com escrita alfabética podem receber letras móveis para realizar esta atividade.

Evidentemente não é possível acompanhar todos os grupos numa mesma aula. Por isso, é importante que o professor organize um caderno de registro em que anote quais alunos pôde acompanhar de perto no dia, mantendo um controle que lhe permita intervir junto a todos.

1-3 ajustar o nível de desafio às possibilidades dos alunos: se trabalharmos com a diversidade os desafios devem ser difíceis, mas possíveis. Nas parcerias podemos propor que: alunos com níveis de conhecimentos distintos sobre escrita e leitura sejam agrupados,sem muita discrepância. No caso um aluno com escrita ortográfica pode ser agrupado com um aluno com escrita alfabética, porém com dificuldades ortográficas desde que o aluno ortográfico dite e o alfabético escreva a fim de que os "erros", tornem-se erros construtivos através da troca de informações.

1-4 Erro construtivo: imaginemos a seguintes situações:

a)- um professor leva para sua H.T.P. textos produzidos por seus alunos, corrige-os e depois os devolve para que sejam passados a limpo;

b)- um professor leva para sua H.T.P. textos produzidos por seus alunos os lê e coloca sugestões através de bilhetinhos o que cada dupla poderia fazer para deixar seu texto melhor, mais gostoso de ler, mais bonito.

c)- um professor leva para sua H.T.P. textos produzidos por seus alunos, seleciona um deles para ser colocado para todos lerem na lousa e vai fazendo intervenções diretas de modo a revisarem o texto para que fique mais gostoso de ler.

Ao imaginarmos essas situações me deparo com um pensamento, quais são os objetivos didáticos do trabalho com texto? Se meu objetivo é que os alunos escrevam seus textos, os revisando criticamente ou se quero apenas quero mostrar ao meu aluno o quanto ele é capaz de errar. A seleção do conteúdo a ser ensinado traz, em si um componente didático, pois ensinar a revisar é diferente de ensinar a passar a limpo. É preciso ensinar os procedimentos da revisão mas, também despertar atitude crítica diante de seu texto.

1-5 organização da sala: a organização da sala não deve ser fixa e sim determinada pelos objetivos a serem trabalhadas em cada atividade, pelas próprias condições físicas do prédio e pelo número de alunos existentes na sala. No trabalho em que o mobiliário será organizado para o trabalho em grupo os alunos terão de ser orientados quanto ao volume de voz, movimentação e outros itens de respeito para com os demais grupos.


CAPÍTULO III

Conteúdos de Língua Portuguesa e intervenções pedagógicas

Língua oral: usos e formas: sabemos que não é papel da escola ensinar o aluno a falar, isso ele aprende muito antes da idade escolar, mas talvez por isso ela não tenha tomado para si a tarefa de ensinar os usos e formas da língua oral. Quando o fez, foi de maneira inadequada,tentando corrigir a fala errada dos alunos, a fim de evitar que escrevessem errado, infelizmente assim o que fez foi reforçar o preconceito contra aqueles que falam diferente da maneira prestigiada.

Desenvolver a capacidade de expressar-se oralmente de acordo com os usos depende da escola, é preciso, portanto ensinar-lhes a usar a linguagem em instancias públicas e a fazer uso dessa linguagem cada vez de maneira mais competente.

Eleger a língua oral como conteúdo escolar exige planejamento e intervenções pedagógicas que garantem atividades sistemáticas de fala, escuta e reflexão sobre a mesma não e basta deixar que as crianças falem, as situações de linguagem oral devem estar contextualizadas em projetos.

A produção oral pode acontecer de maneiras diferentes:

A intervenção pedagógica nessa hora pode ser:


Língua escrita

Aprender a ler e escrever para quê?

Ler para saber ler? Escrever para saber escrever?

Ler porque me informa, diverte, busco informações, aprendo, quero revisar meu próprio texto – e com diferentes formas de leitura em função de diferentes objetivos, ler silenciosamente e em voz alta quando necessário.

Escrever para reter na memória, para estudar, aprender, comunicar-se à distância...

Cabe ao professor criar intervenções pedagógicas onde o aluno perceba a necessidade e a importância da leitura e da escrita.

É comum pensar alfabetização como se fosse um foguete de dois estágios: o primeiro para se soltar da Terra e o segundo para navegar no espaço. O primeiro estágio seria ensinar o sistema alfabético de escrita e algumas convenções ortográficas, o segundo passaria por duas linhas básicas o treino de redação, os treinos ortográficos e gramaticais. Nesta concepção o aluno só é capaz de produzir textos se for capaz de grafa-los. Essa abordagem aditiva levou a escola a trabalhar com textos que "só servem para ensinar a ler". Textos que não existem fora da escola.

Na compreensão atual de alfabetização, que objetiva que o aluno aprenda a produzir e interpretar textos, não é possível tomar como unidade de trabalho letras, sílabas, palavras, nem frases descontextualizadas. Dentro dessa concepção a unidade básica de ensino só pode ser o texto e a prática deve ser de atividade de reflexão sobre a língua e o sistema de escrita.

Nas intervenções pedagógicas de escolha adequada de textos devemos considerar:

A seguir algumas propostas de atividades de leitura e escrita que podem intervir positivamente na aprendizagem dos alunos:


CONCLUSÃO

Ao estar encerrando este trabalho de pesquisa sobre intervenções pedagógicas podemos concluir que: numa concepção de ensino que pretende intervir no processo de maneira que o aluno aprenda e participe ativamente de seu processo de aprendizagem o professor não é, nem tampouco pode ser, mero espectador da construção de conhecimentos de seus alunos. Não existem fórmulas mágicas nem receitas a serem seguidas que garantam aos professores que seus alunos aprendam.

Cabe ao professor o papel de organizar situações de aprendizagens, intervenções pedagógicas que auxiliem seus alunos em sua próprias construções, que considere seus conhecimentos para isto é fundamental que o professor conheça seu aluno, seus conhecimentos prévios, ou seja, o que os alunos sabem sobre o objeto de conhecimento para assim poder introduzir um novo conhecimento pois, este relacionará o conhecimento que possui com o novo; e os mecanismos envolvidos nesta construção, além das questões relacionadas à didática do objeto a ser ensinado no caso Língua Portuguesa.

A atuação é necessária para que os alunos avancem aprendam desenvolvam competências em situações didáticas planejadas, com objetivos previamente definidos, em tarefas que propõe desafios, com organização das formas de trabalho, previsão de tempo a ser utilizado e intervenções pedagógicas consistentes.

Para que os alunos avancem em sua aprendizagem pudemos concluir que:

Cabe ao professor também, selecionar e organizar previamente o material necessário para uma determinada aprendizagem, considerando que isto também faz parte de seu planejamento e auxilia no processo de aprendizagem.

É preciso também pensar sobre os professores, pois, será necessário investir continuamente na sua formação, retomando e repensando o seu papel diante dessa escola cidadã onde aprender é direito de todos. Nela, não caberá um professor conteudista, tecnicista, preocupado somente com provas e notas, mas, sim, um professor mais humano, ético, estético, justo, solidário, que se preocupe com a aprendizagem. É preciso um profissional com competência, tanto política quanto técnica, que conheça e domine os conteúdos escolares e os atitudinais, saiba trabalhar em sala de aula utilizando uma metodologia dialética, tenha um compromisso político, social, seja pesquisador, um eterno aprendiz e estudioso, tenha uma prática coerente com a teoria, seja consciente do seu papel como cidadão, etc...


BIBLIOGRAFIA

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www.máriocovas.com.br

Medrano, Sandra Maiuki Murakami

Uma Escola para Jovens

www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2001/ejabd3htm

Ministério de Educação e do Desporto,Parâmetros Curriculares Nacionais,Brasília / l997.

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www.novaescola.com.br

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www.revistadaeducacao.com.br

www.via.com.br/cpoec

Zabala, Antoni A prática educativa/ Como Ensinar -Artmed,S.P. /l988.

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