O Papel do Psicopedagogo na Inclusão Escolar

Autor:
Instituição: IEDES
Tema: Inclusão Escolar

O PAPEL DO PSICOPEDAGOGO NA INCLUSÃO ESCOLAR


"Posso admitir que o deficiente seja vítima do destino! Porém não posso admitir que seja vítima da indiferença!",

(JOHN KENNEDY)


RESUMO

O presente trabalho buscou enfatizar a importância da Psicopedagogia no âmbito escolar, considerando que esta área de conhecimento busca compreender o processo de desenvolvimento humano com um recorte na aprendizagem. No que se refere aos portadores de deficiência, sabe-se que existe uma grande preocupação governamental em prol destas pessoas. Prova disto é a inclusão. Na literatura, vastas publicações sobre o tema têm sido divulgadas. O que vislumbra-se são grandes esforços para que as pessoas com deficiência deixem de ser tratadas com estigmas, a fim de que oportunidades reais de vida em comum sejam alcançadas. Esta pesquisa oportunizou olhar para o deficiente e poder dizer-lhe que pode e conseguirá galgar caminhos mais elevados, que suas limitações podem ser superadas e que a vida é digna para todos. O objetivo geral deste trabalho foi valorizar a importância da atuação do psicopedagogo no processo de inclusão na instituição escolar.

Palavras-chave: Inclusão, psicopedagogo, deficiência.


1 INTRODUÇÃO

O psicopedagogo atuante atende ao fato de envidar esforços a fim de possibilitar ao indivíduo seu desenvolvimento potencial atribuindo-lhe autoria do seu processo educacional, constituindo-se cidadão e, conseqüentemente, sua inclusão social. Esforços para desenvolver (através da resolução de desafios) novas habilidades, percepções, entendimentos. Sua atuação na área da educação especial, com indivíduos com deficiência, torna-se mais desafiadora ao registrar potencialidades e limites do indivíduo e da equipe, no mesmo contexto. Sendo assim, o enfoque situacional ao abranger indivíduos com deficiência requer planos de trabalho em parceria máxima com as instituições escolares.

Verifica-se que sempre existem alunos que não acompanham o ritmo de seus colegas em sala de aula. Os motivos são os mais diferentes e vão desde problemas mais sérios de incapacidade intelectual até pequenas desadaptações. Porém, é importante observar que, ao se colocar estas pessoas em condições adequadas ou ao utilizar métodos especiais de ensino, muitas vezes fazem progressos notáveis e, algumas, inclusive, conseguem superar o seu próprio atraso.

O trabalho do psicopedagogo tem a finalidade de habilitar a comunidade escolar com o objetivo de "promoção" do convívio e da harmonia e direito entre aqueles considerados "especiais".

Não se trata de colocar na escola comum parcelas da educação especial, e sim, de oferecer igualdade de oportunidade para que a "criança especial" tenha possibilidades reais de construir seu próprio conhecimento, como agente que participa do mundo que a cerca: familiar, comunitário e empresarial. Aquele que possui inteligências múltiplas.

Sendo assim, a escolha deste tema se deu frente ao intuito de ressaltar a importância do psicopedagogo, cuja atuação com indivíduos com deficiência torna-se mais desafiadora ao registrar potencialidades e limites do indivíduo e da equipe.

Em face do que foi exposto, ficam abertas as questões: Como se dá a intervenção do psicopedagogo junto aos portadores de necessidades educativas especiais? Que suporte é dado para a inclusão das pessoas com necessidades especiais no ensino regular? Qual a importância da Psicopedagogia no âmbito escolar?

Dada a extensão desta pesquisa, a melhor forma de concretizá-la foi com uma ampla bibliografia com alternativas para as pesquisas e aprofundamento de estudos. A pesquisa pôde lançar mão de buscas em arquivos públicos e bibliotecas das faculdades locais.


2 PSICOPEDAGOGIA: ASPECTOS HISTÓRICOS E DESAFIOS ATUAIS

Ao se consultar a literatura especializada no tema, encontra-se várias definições e referências sobre o termo Psicopedagogia. A seguir, algumas que pareceram mais significativas:

  • Psicopedagogia: aplicação da psicologia experimental à pedagogia (NOVO DICIONÁRIO AURÉLIO DA LÍNGUA PORTUGUESA, 1985, p. 1412).
  • Esta é a proposta da psicopedagogia: compreender o indivíduo enquanto aprendiz. Como alguém cheio de dúvidas, fazendo escolhas e tomando decisões a cada passo do longo caminho percorrido em vida (RUVINTEIN, E. In: SCOZ, B. 1996, p.15).
  • A psicopedagogia é uma área interdisciplinar de prestação de serviços, por intermédio da qual psicólogos, fonoaudiólogos, educadores e outros profissionais, desde a perspectiva de sua formação básica, buscam ajudar crianças ou adultos em suas dificuldades de aprendizagem ou em seus propósitos de aprofundarem aspectos de seus conhecimentos que a escola, como instituição, não pode ou não quis cuidar" (NOFFS, 1995, p.13)
  • Psicopedagogia, área que estuda e lida com o processo de aprendizagem e com os problemas dele decorrentes, recorrendo aos conhecimentos de várias ciências, sem perder de vista o fato educativo, nas suas articulações sociais mais amplas (SCOZ, B. 1996, p.12).

Com isto pode-se observar que vários estudiosos tendem a conceber a Psicopedagogia como uma área de estudo interdisciplinar, integrada por diversas ciências, como pedagógica, psicológica, fonoaudiológica, que está a serviço do desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem (PERES, 1998).

A Psicopedagogia apresenta modalidades de atuação, como a clínica e a institucional. A intervenção clínica é a mais antiga e surgiu na fronteira entre a psicologia e a pedagogia, privilegiando o atendimento individual de forma terapêutica. Assim, as escolas encaminham o aluno com dificuldades de aprendizagem para as clínicas. Estas clínicas geralmente trabalham com uma equipe interdisciplinar composta por psicopedagogo, psicólogos, fonoaudiólogos, médicos, que, após o diagnóstico, iniciam o tratamento.

A intervenção institucional é mais recente. Ela geralmente é desenvolvida na própria escola com o objetivo de prevenir ou superar as possíveis dificuldades de aprendizagem. Este trabalho pode ser realizado pela equipe interdisciplinar da escola composta por professores, psicopedagogo, coordenador, diretor, enfim, pelos profissionais disponíveis na unidade escolar.

Desta forma, a Psicopedagogia tem procurado contribuir para a conscientização da importância do ato educativo, através de uma prática transformadora, visando especialmente o sucesso do aluno e a melhoria na qualidade do processo de ensino e aprendizagem.

As primeiras idéias sobre Psicopedagogia, segundo consta de literaturas específicas, são originárias da França, por volta de década de 40. Nesta época, a Europa se mobilizava em estudar as possíveis influências de origem orgânica no comprometimento do sucesso escolar (MOOJEN, 1999).

Assim, unidos por objetivos comuns, médicos e educadores passaram a desenvolver um trabalho conjunto de pesquisa no sentido de diagnosticar os possíveis problemas, visando intervenções orgânicas e pedagógicas.

Para que isso se concretizasse, foi criado em 1946 em Paris o "1º Centro Psicopedagógico", que tinha como objetivo desenvolver um trabalho cooperativo médico-pedagógico para crianças com problemas escolares ou comportamentais. A denominação "Centro Psicopedagógico" vem por sugestão da própria equipe de trabalho, por entender que os pais das crianças consideradas "problema" encaminhariam seus filhos com mais facilidade e de forma menos traumática, para uma consulta psicopedagógica do que para uma consulta médica (PERES, 1998).

Os "Centros Psicopedagógicos" na França se multiplicaram até o início dos anos 60. Este sucesso, dentre outros fatores, foi atribuído à equipe de trabalho que era composta por médicos, psicólogos, pedagogos, psicanalistas e reeducadores de psicomotricidade e da escrita.

Esta equipe de trabalho, formada por diversos profissionais, transmitia grande credibilidade aos pais. Nos centros, estes profissionais iniciavam seus trabalhos a partir do diagnóstico pautado nas reclamações dos professores e/ou dos pais sobre a criança. A partir deste referencial investigavam as relações familiares, especialmente as conjugais e filiais, os métodos educativos e os resultados dos testes de Q.I. (Testes de Inteligência).

Desta forma, após o diagnóstico baseado nos dados obtidos, o médico passava a orientação para o tratamento terapêutico ou encaminhava a criança para o trabalho pedagógico, visando corrigir as inadaptações escolares e/ou sociais.

No final dos anos 60, na própria França, esta forma de Psicopedagogia diagnóstica, assumindo um caráter clínico, passou a ser veementemente questionada por educadores que, já há algum tempo, estavam se sentindo incomodados com a indiscriminada rotulação de alunos, sem a menor preocupação com o contexto sócio-educacional.

Após vários questionamentos e reflexões, o ano de 1967 transformou-se em um ano decisivo para os novos rumos da Psicopedagogia. Ross (1998, p.59) afirma que "medir, observar, testar, rotular o aluno individualmente, sem conhecer o funcionamento de sua classe na escola é muito arriscado e, no mínimo, abstrato demais, podendo, inclusive, comprometer toda a sua formação". Sendo assim, propõe-se um trabalho institucional, no qual pedagogos e psicólogos convivem com professores e alunos em um trabalho integrado.

Esta experiência psicopedagógica tem grande repercussão em vários países, e, segundo Pain (1989, p.87):

Vem mostrar que a concepção da inadaptação e insucesso escolar merecia ser revista. Não se podia mais simplesmente vincular as causas dos fracassos escolares exclusivamente a possíveis patologias das crianças. Isso vem provocar rupturas entre os seguidores da psicopedagogia diagnostica e vem propor uma nova forma de atuação, a psicopedagogia institucional.

Com isso, a Psicopedagogia desperta a atenção de vários países que, preocupados com os altos índices de fracassos escolares passam a buscar novas alternativas de trabalho. Dentre estes países, na Argentina, a Psicopedagogia tem recebido um enfoque especial, sendo considerada uma carreira profissional que tem como função tratar de alunos com problemas de aprendizagem escolar (PERES, 1998).

Assim, para a realização deste trabalho foram criados os "Centros Psicopedagógicos", que são vinculados à rede escolar pública. Estes centros possuem uma equipe de trabalho interdisciplinar que, através de estudos de caso, atendem e acompanham o desenvolvimento do aluno, individualmente ou em grupo, visando superar as deficiências do processo de instrução.

Na Argentina, juntamente com os "Centros Psicopedagógicos" oficiais e gratuitos, difundiu-se uma rede de clínicas e consultórios particulares, geralmente subvencionados pela previdência social; o que tem feito do acompanhamento Psicopedagógico uma atividade rotineira e popular.

2.11A PSICOPEDAGOGIA NO BRASIL

Os altos índices de evasão e repetência, tendo como causa o fracasso escolar, têm impulsionado os profissionais ligados à educação a buscarem novas alternativas de atuação, visando reverter este quadro.

Há vários anos, conforme Curonici & Mcculloch (1999, p.54):

Os problemas educacionais no Brasil têm sido objeto de pesquisa de muitos estudiosos. Uma grande deles tem enfocado especificamente o tema fracasso escolar, e alguns deles, ainda hoje, atribuem como causa do fracasso escolar os problemas individuais dos alunos. Esta idéia lamentavelmente também é compactuada por alguns professores, revelando a existência de um ensino conservador que, geralmente, impõe todas as culpas ao próprio aluno.

Dentre os educadores brasileiros que se preocupam com as causas e conseqüências do fracasso escolar temos Carvalho (2000) que, nos seus estudos, constatou que a educação brasileira, nas últimas décadas, tem se caracterizado pela tendência de atribuir os sucessos e fracassos dos alunos exclusivamente os fatores individuais.

Por outro lado, esta educadora enfoca a existência de uma tendência de mudança na educação brasileira, na medida em que, visando superar estas idéias de se atribuir os fracassos dos alunos a fatores individuais, vários educadores têm se interessado por novos estudos e, conseqüentemente, por formas diferenciadas de atuação.

Estes educadores têm enfatizado a importância e a necessidade de se refletir sobre a própria prática e sobre as questões relacionadas ao desenvolvimento cognitivo, afetivo e psicomotor, implícitas no processo de ensino e aprendizagem, buscando meios alternativos para o sucesso dos alunos.

Neste clima de interesse por alternativas de sucesso escolar associado às influências de experiências educacionais bem sucedidas, desenvolvidas em outros países e, que a partir dos anos 60 passaram a ser mais conhecidas e divulgadas no Brasil, é que vão ocorrer as primeiras iniciativas de atuação psicopedagógica neste país.

A partir deste contexto, as contribuições da Psicopedagogia passam a ser mais conhecidas e socializadas no Brasil. Acredita-se que a primeira experiência psicopedagógica neste país ocorreu em 1958, com a criação do Serviço de Orientação Psicopedagógica (SOPP) da "Escola Guatemala" na extinta Guanabara. O SOPP tinha como meta desenvolver a melhoria da relação professor/aluno e criar um clima mais receptivo para a aprendizagem, aproveitando para isso as experiências anteriores dos alunos.

Ao mesmo tempo em que as experiências do SOPP eram desenvolvidas, várias clínicas psicopedagógicas se proliferaram em diversos estados brasileiros. Estas clínicas voltavam-se, geralmente, para o atendimento de crianças que eram encaminhadas pelas escolas, por apresentarem baixo rendimento escolar.

Como se pode notar, a Psicopedagogia no Brasil é uma área de estudo relativamente nova e que consegue se articular melhor após a criação, em 1980, da "Associação de Psicopedagogo de São Paulo" que, em 1988, transforma-se na "Associação Brasileira de Psicopedagogia".

Ao longo de sua existência a associação tem promovido vários encontros e congressos, visando, dentre outras coisas, refletir sobre a formação do psicopedagogo, a atuação psicopedagógica objetivando melhorias da qualidade de ensino nas escolas, a identidade profissional do psicopedagogo, o campo de estudo e atuação do psicopedagogo, o enfoque psicopedagógico multidisciplinar (PERES, 1998).

A formação do psicopedagogo no Brasil deverá ocorrer através de cursos de especialização em nível de pós-graduação, por escolas ou instituições credenciadas. A tendência atual de formação e ação psicopedagógica tem se voltado mais para uma abordagem institucional preventiva do que para uma abordagem clínica. Acredita-se que isto se deve, dentre outros fatores, à própria clientela que tem procurado os cursos regulares de especialização.

Segundo Maria Cecília C. Gasparin (Diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia Nacional), há alguns anos o curso de Psicopedagogia era procurado por especialistas que exerciam atividades em clínicas e buscavam subsídios para atuar com as patologias e com os distúrbios de aprendizagem. Atualmente, estes cursos são procurados por profissionais que atuam nas escolas e que, frente às novas pesquisas e à realidade educacional, vêm em busca de subsídios para uma ação preventiva, visando evitar ou superar possíveis dificuldades de aprendizagem na própria unidade escolar.

O psicopedagogo atua diretamente junto ao educando que apresenta "problemas" de aprendizagem, na tentativa de identificar os fatores que interferem ao seu processo de aprendizagem e de ajudá-lo a superar as dificuldades, através de um acompanhamento "remedial" (BOSSA, 1998).

Essa atuação o define necessariamente como um mediador entre a escola/ família, ambas preocupadas com os sintomas de "fracasso" da criança. Em decorrência do seu papel de mediador, o psicopedagogo lida com perplexidades de natureza diversa:

  • A perplexidade da escola, que não consegue entender por que certas crianças não aprendem a ler e a escrever. Não encontrando outra saída senão a de rotulá-las (apressadamente) de portadoras de algum "distúrbio de aprendizagem", a escola não reluta em encaminhá-las para especialistas vários, eximindo-se, assim, de qualquer responsabilidade;
  • A perplexidade das famílias que, até enviarem os filhos para a escola, não haviam identificado, no comportamento habitual dessas crianças, nenhum sintoma preocupante, mas que assumem os "distúrbios" atribuídos às crianças, a partir do diagnóstico patologizante da escola (instituição que a sociedade representa como competente para opinar sobre questões e ensino-aprendizagem);
  • A perplexidade das próprias crianças que, muitas vezes, não entendem a escola, o seu discurso e as atividades que ali são chamadas a desempenhar. Perplexas com o tratamento que passam a receber na escola e, conseqüentemente, em casa, acabam por incorporar o rótulo a elas atribuído e por comportar-se segundo expectativas geradas pelo próprio rótulo.

Para que possa atuar, significantemente, rompendo o círculo vicioso resultante do conflito de tais perplexidades, o psicopedagogo precisa estar tecnicamente capacitado para lidar com uma série de equívocos que perpassam o ensino de todos os conteúdos da escola.

2.2 ATUAIS DESAFIOS DA PSICOPEDAGOGIA

A Psicopedagogia, por ser um campo de estudo relativamente novo no Brasil, vem enfrentando sérios desafios. Um deles reside na própria formação do psicopedagogo, pois, especialmente com a ampliação do campo de atuação para as instituições, a procura pelo curso aumentou muito e, conseqüentemente, para acompanhar a demanda está ocorrendo uma abertura indiscriminada de cursos, em diversas regiões brasileiras – vários deles com qualidade duvidosa. Isto, além de comprometer a qualidade da formação, terá como decorrência o comprometimento da atuação psicopedagógica (WEISS, 1992).

Outro desafio a ser enfrentado está na construção da identidade do psicopedagogo e na delimitação do seu campo de atuação. Isto deve contribuir para que a Psicopedagogia não se constitua em um modismo passageiro, mas, que tenha o seu espaço de atuação e proposta de trabalho delimitados e, ao mesmo tempo, articulados a outros profissionais.

Desta forma, a ação psicopedagógica deverá comprometer-se com os reais problemas vivenciados no cotidiano do processo de ensino-aprendizagem, propondo especialmente alternativas didático-metodológicas que visem contribuir para a redução dos altos índices de fracasso escolar e exclusão social.

A busca de um trabalho interdisciplinar comprometido com o fenômeno educativo e que projete uma intervenção transformadora em benefício do aluno, também é outro desafio da Psicopedagogia. Com isto, a ação psicopedagógica passa a ser ampliada e incorporada aos projetos pedagógicos das unidades escolares, enriquecendo a metodologia utilizada em sala de aula. Isto irá contribuir também para se repensar o processo avaliativo, especialmente no que diz respeito à coerência entre o planejamento, os procedimentos metodológicos desenvolvidos e o processo avaliativo.

De todos os desafios aqui apontados e de outros existentes, talvez o maior desafio no nosso país seja a popularização da Psicopedagogia. Seria fundamental que ela deixasse de ser restrita a clínicas e instituições de ensino particulares, ou seja, a uma determinada classe social e se tornasse uma prática comum, disponível também em instituições públicas, portanto, à disposição dos diversos segmentos sociais.

Apesar de tantos desafios, a Psicopedagogia tem conquistado seu espaço na educação brasileira, como um a prática que propicia alternativas de reflexão e ação, visando melhorias no processo de ensino e aprendizagem, contribuindo assim para reverter a atual situação educacional brasileiro.

Atualmente, a Psicopedagogia vem assumindo sua identidade, ampliando seu referencial teórico e âmbito de atuação, sem penetrar nos espaços de outras profissões. Procura coordenar esforços, oferecendo e buscando contribuições das áreas afins, procurando mostrar que a cooperação é possível e necessária para a atuação profissional em qualquer área, especialmente na educação.

O atendimento psicopedagógico escolar tem se mostrado eficiente, tanto na orientação de professores que desejam melhorar sua atuação, procurando adaptá-la às características específicas de seus alunos que apresentam ou não dificuldades, como na organização, planejamento, desenvolvimento e avaliação de programas de trabalho pedagógico.

Considerando o desenvolvimento cognitivo como condições necessárias para a aprendizagem escolar, não descuidando da afetividade, das possibilidades de estabelecer interações sociais com os pares e com os adultos, de julgar situações, de realizar opções; atendendo à necessidade de desenvolver atitudes, procedimentos coerentes e facilitadores do processo de aprendizagem, procura-se assimilar também as contribuições especificamente psicopedagógicas.

Para aprender são necessárias algumas condições, como: a possibilidade de organizar dados, coordenar ações, solucionar problemas, construir e experimentar estratégias de verificação, considerar situações passadas e antecipar possibilidades, tomar consciência das ações e operações realizadas, compreender e conseguir regras de ação e de convivência social, além da descentração do próprio ponto de vista e da possibilidade de colocar-se no lugar do outro. Estas, também, são condições necessárias para jogar.

Assim, cabe ao psicopedagogo, criar situações desafiadoras da ação e do pensamento das crianças, selecionando atividades e jogos que provocam a necessidade de agir sobre objetos, pensar antes de agir, refletir sobre as próprias ações e interagir com outras crianças. Sempre que possível, as atividades apresentadas sob a forma de jogos e as atividades pelas quais as crianças manifestam desinteresse são substituídas por outras que possam ser mais interessantes.

Um número razoável de materiais, que possibilitam o desenvolvimento de atividades e jogos desafiadores, é colocado à disposição da criança ou adolescente, pois a possibilidade de escolher garante que a atividade proposta seja do seu interesse, correspondendo assim a uma necessidade. Como diz Piaget (1987, p.38): "[...] um objeto torna-se interessante na medida em que corresponde a uma necessidade. Assim sendo, o interesse é a orientação própria da assimilação mental".

Se os interesses da criança forem observados pelas atividades que lhes são propostas, sabe-se se mobilizam as suas estruturas mentais. As atividades que não colocam nenhuma dificuldade, que estão debaixo de suas possibilidades, são desinteressantes e monótonas; aquelas que estão muito acima também não interessam porque as crianças não chegam a compreendê-las (PIAGET, 1970).

Para serem interessantes e desafiadoras, precisam estar um pouco acima das possibilidades atuais, o suficiente para apresentarem dificuldades que possam ser percebidas como possíveis.

Ainda para Piaget (op. cit., p. 39), o interesse é o regulador da energia, mobilizando as reservas internas de força e tornando o trabalho mais fácil e menos cansativo. "[...] é por isso que [...] os escolares alcançam um rendimento infinitamente melhor quando se apela para seus interesses e quando os conhecimentos propostos correspondem a suas necessidades".

Sintetizando, poder-se-ia apontar como características deste processo de intervenção, o objetivo de resgatar, tanto a construção das estruturas operatórias como a possibilidade de aprender e de superar lacunas em conhecimentos anteriores, necessários às novas aprendizagens; a possibilidade de realizar escolhas, pela quantidade de atividades e jogos disponíveis em cada sessão; a necessidade de considerar os interesses e possibilidades da criança, para garantir o esforço na realização das atividades e na superação das próprias dificuldades.

Segundo Silva (1998), o psicopedagogo deve assumir uma atuação flexível, para poder acompanhar o desenvolvimento cognitivo, as mudanças de interesse, as transformações no julgamento e atitudes de criança e adolescentes, que ocorram ao longo do atendimento.

Nesse processo, procura-se conjugar o atendimento individual com o trabalho em pequenos grupos, propiciando ao aluno o benefício de um e de outro. O atendimento individualizado tem garantido melhor espaço na Psicopedagogia, mas há a necessidade de propiciar as interações entre pares.

O conflito cognitivo pode ser esquecido, pode ser afastado da consciência quando não se tem condições de superá-lo, mas não desaparece, cedo ou tarde, volta à consciência e acaba por desencadear o processo de equilibração, propiciando a reorganização ou construção de novas estruturas e novos conhecimentos (LOPES, 2001).

Desta maneira, tanto no atendimento individualizado como nos pequenos grupos, a atuação profissional do psicopedagogo parece estar centrada no processo de equilibração. Procura-se provocar o desequilíbrio cognitivo, com o auxílio das atividades e dos jogos, dos questionamentos, desafios e problematizações, bem como da exposição a idéias diferentes das próprias.

Como o processo de equilibração é interno e não se tem acesso direto a ele, a função do psicopedagogo se restringe a criar situações que possam se tornar desequilibradoras, propiciar condições para reflexão e experimentação, mas não se pode garantir que o desequilíbrio ocorra, nem que desencadeie ao processo de reorganização das estruturas e conhecimentos anteriores. Daí a importância de propiciar atividades e jogos bastante diversificados, pois alguns poderão atender às necessidades do sujeito em particular (LOPES, 2001).

3 INCLUSÃO SOCIAL

Conceitua-se a inclusão social como o processo pelo qual a sociedade se adapta para poder incluir em seus sistemas sociais gerais, pessoas com necessidades especiais e, simultaneamente, estas se preparam para assumir seus papéis na sociedade. Para Sassaki, (1999, p.55):

A inclusão social constitui, então, um processo bilateral, no qual as pessoas, ainda excluídas e a sociedade, buscam, em parceria, equacionar problemas, decidir sobre soluções e efetivar a equiparação de oportunidades para todos.

Werneck (1997, p.57), conclui que:

Chegar à inclusão é um processo individual e, portanto, para muitos, solitário, quase todo processo de busca de conhecimento é solitário e doloroso [...] mesmo que duas pessoas tenham vivenciado situações idênticas e obtido as informações na mesma fonte sobre determinado assunto, nunca estarão no mesmo patamar de conhecimento. Quando o tema "ameaça", alguns indivíduos se tornam "impermeáveis" a ele, como que para se protegerem das aflições que uma mudança de paradigma pode causar.

Portanto, em várias partes do mundo, já é realidade a prática da inclusão, sendo que as primeiras tentativas começaram há cerca de dez anos. O processo de inclusão vem tomando espaço aplicado em todos os setores da sociedade. Assim, a inclusão também se faz na educação, no lazer, no transporte, no esporte, entre outros.

Sendo a inclusão uma questão de construção da cidadania, Sassaki (1999, p. 42) afirma que:

Quanto mais sistemas comuns da sociedade adotarem a inclusão, mais cedo se completará a construção de uma verdadeira sociedade para todos – a sociedade inclusiva, colocando em prática o que é almejado pela Constituição Federal/1988, Estatuto da Criança e do Adolescente, LDB e Declaração de Salamanca.

Desta forma, a inclusão beneficia a todos, uma vez que sadios sentimentos de respeito à diferença, de cooperação e de solidariedade podem se desenvolver.

No entender deste autor, trata-se de um ideal, sem dúvida. Um ideal que pressupõe um mundo diferente do atual, em que a agressividade e a competitividade não sejam tão avassaladoras; um mundo no qual a cooperação não tenha como pressuposto moral a piedade, geradora de benemerência.

Essa sociedade para todos que consiste na diversidade da raça humana estaria estruturada para atender às necessidades de cada cidadão. Das maiorias e minorias, dos privilegiados aos marginalizados, crianças, jovens e adultos com deficiência seriam naturalmente incorporados à sociedade inclusiva, definida pelo princípio defendido por Sassaki (1999, p. 55): "Todas as pessoas têm o mesmo valor. E assim trabalhariam juntas, com papéis diferenciados, dividindo igual responsabilidade por mudanças desejadas para atingir o bem comum." Nessa ótica, Werneck (1997, p.21), complementa:

Devemos defender a sociedade inclusiva porque nela não há lugar para atitudes como "abrir espaço para o deficiente" ou "aceitá-lo", num gesto de solidariedade e depois bater no peito ou mesmo ir dormir com a sensação de ter sido muito bonzinho.

A referida autora salienta que "na sociedade inclusiva ninguém é bonzinho". Ao contrário, as pessoas são apenas cidadãos responsáveis pela qualidade de vida de seu semelhante, por mais diferente que ele seja ou pareça ser; e cidadãos responsáveis não podem deixar a hipocrisia corromper seus atos.

Para isso, deve-se buscar o mundo inclusivo, o que significa enfrentar desafios, mas a falta de formação e compromisso corrompe o indivíduo, impedindo-o de assumir a questão da deficiência como sendo sua também.

Se formos e lutarmos a caminho da sociedade inclusiva, teremos jornalistas mais atentos em suas matérias. O governo, cumprindo o papel que lhe cabe na Constituição; empresários oferecendo empregos aos deficientes, se este for eficiente; médicos e cientistas se atualizando sobre os avanços humanos das pessoas nascidas com as síndromes que estudam; escolas de ensino regular tendo orgulho de seus alunos com qualquer tipo de comprometimento, mesmo as faculdades de ciências exatas, reformulando seus currículos. Finalmente, leis sendo cumpridas (WERNECK, 1997, p. 24).

Um longo e decisivo passo precisará ser dado para a consolidação da tão sonhada cidadania, onde existirá a criança como centro das atenções e alvo de uma educação de qualidade, preocupada com a formação integral do cidadão para encarar a vida com dignidade e esperança.

3.1 O PAPEL DO PSICOPEDAGOGO NA INCLUSÃO ESCOLAR

Para falar do papel do psicopedagogo e da inclusão, far-se-á, primeiramente, uma breve reflexão sobre a questão da deficiência.

O problema da aceitação e da adaptação das crianças deficientes à sociedade ocorre em todos os tempos e em todos os lugares. As atitudes de integração e segregação sofrem influências dos arquétipos coletivos, que transmitem mensagens de segregação, incapacidade e anormalidade.

Atualmente, acredita-se no potencial, há um movimento de integração/ inclusão, mas como se vive um momento de transição, ao mesmo tempo em que se aposta na integração, as práticas muitas vezes, continuam tendo uma natureza segregacionista (STAINBACCK & STAINBACCK, 1999).

Tentou-se no Brasil, para minimizar a segregação, usar diferentes rótulos como: excepcionais, deficientes, portadores de deficiência, portadores de necessidades especiais e, com a Política Nacional de Educação Especial (1994), passaram a ser chamados de "Portadores de Necessidades Educativas Especiais (PNEE)". Porém, o problema está centrado no viés político-ideológico e social, por continuar ainda marcado por concepções e práticas do passado que enfatizam a incapacidade e a normalidade. Entre essas duas idéias encontra-se o educador.

Com a educação de PNEE, algumas situações levam a pensar: como vem ocorrendo o processo de integração, de inclusão? Onde está a congruência entre o falar de integração/inclusão e realmente promovê-la? E afinal, o que é Integrar? Incluir?

Inclusão: se for considerado o conceito de classificação, segundo Jean Piaget (1993, p.57), o "conjunto das pessoas portadoras de deficiência está incluso no conjunto de pessoas". Porém, na prática há diferentes posturas oriundas de influências sociopolítica-cultural e psicológicas, contrárias a este fato natural e espontâneo.

Integrar: no sentido etimológico, do latim integrare, significa formar, coordenar ou combinar num todo unificado (unido).

Integração: significou o processo de integrar.

Ao se proporcionar esse processo é importante que se favoreça a integridade do indivíduo, considerada no sentido etimológico, do latim integritat, o que significa personalidade sem fragmentação.

Esse cuidado deve ocorrer desde os primeiros anos de vida, quando o bebê e a criança interagem com o meio, considerando-se sua maneira própria, diferente, de entrar em contato com o mundo, respeitando-se suas possibilidades e limites. Caso contrário tenderá a uma fragmentação ou desintegração da personalidade.

Segundo Verônica Xausa Barra, o psicopedagogo, tendo uma compreensão abrangente sobre a deficiência, poderá desenvolver um importante papel nas instituições escolares, discutindo novas metodologias de ensino, questões sobre o preconceito e rejeição, ou diferentes modalidades de aprendizagem, seja do aluno ou do professor. Desta forma, estará desenvolvendo um trabalho preventivo e contribuindo em direção da meta, talvez utópica da equiparação de oportunidades, o que significa a sociedade se preparar para receber a pessoa portadora de deficiência.

3.2 O ENFOQUE PSICOPEDAGÓGICO DAS CRIANÇAS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS (NEE)

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) trouxe importantes avanços para a Educação Especial: a gratuidade do atendimento especializado para portadores de NEE e o reconhecimento de que a escola é um locus de atuação psicopedagógica.

O primeiro avanço diz respeito ao princípio da gratuidade do atendimento educacional para os educandos com NEE, o que deixa claro, de logo, que a oferta do atendimento especializado, no âmbito da rede oficial de ensino, não pode ser cobrada. O segundo avanço vem da LDB reconhecer que as pessoas em idade escolar são consideradas "educandos com necessidades especiais", o que pressupõe um enfoque pedagógico, ou mais, precisamente, um enfoque psicopedagógico, em se tratando do atendimento educacional. A escola deve, pois, atuar, psicopedagogicamente, na remediação das dificuldades de aprendizagem escolar.

São novos, para a educação escolar, os tempos pós-LDB. Uma criança com NEE, em idade escolar, deve ser atendida na própria escola, e acompanhada por profissionais de ensino, sejam crianças com necessidades educacionais derivadas de limitações orgânicas (deficiência visual e auditiva, por exemplo) e por limitações cognitivas (dislexia, déficit de atenção, etc.). Esse enfoque é novo e estritamente educacional ou psicopedagógico.

Olhar as crianças dentro de um prisma psicopedagógico é um paradigma realmente moderno, em se tratando de história da pedagogia escolar no Brasil. Nem sempre foi assim no meio escolar. Antes, o enfoque era clínico, patológico e a criança, em geral, rotulada de deficiente. Uma conseqüência maléfica dessa ótica clínico-patológica, por exemplo, foi a de os pais deixarem de matricular as crianças porque os próprios médicos alegavam e admitiam, em diagnóstico clínico, que as crianças não poderiam aprender em salas regulares, ou seja, em interação com outros coleguinhas da mesma idade, ditos normais. Sabe-se hoje que esse olhar clínico e reducionista sobre as dificuldades de aprendizagem é falso e resulta não poucas vezes de uma atitude preconceituosa da sociedade ou de uma medicina social com relação aos especiais.

Segundo Vicente Martins, o enfoque psicopedagógico das crianças especiais diz que elas podem aprender e suas inteligências são múltiplas. Uma criança com Síndrome de Down pode aprender, claro, no ritmo dele, o que não significa necessariamente chegar à Universidade, mas não impede também, o aprendizado de temas acadêmicos e complexos do conhecimento.

Quanto à idade no período de educação formal, Pain (1989) salienta que pais e educadores devem estar atentos às crianças na faixa ideal escolar. O atraso escolar de, pelo menos, dois anos, deve ser um índice de dificuldade de aprendizagem a ser considerado pelos agentes educacionais.

Por outro lado, uma criança pode estar com sete anos na primeira série e apresentar dificuldades de leitura e escrita, com síndromes como dislexia e deve, por isso mesmo, receber, desde cedo, apoio ou atendimento da escola ou das políticas públicas de inclusão escolar. Antes, uma criança era considerada com necessidade especial quando resultava de um diagnóstico clínico, o que acabava por gerar um rótulo tipo "deficiente" ou "burro" pelos coleguinhas ou mesmo por docentes desinformados sobre a realidade psicopedagógica do aluno.

A LDB/96, ao incluir as pessoas com necessidades especiais à escola, diz para todos nós que elas podem aprender, de acordo com suas possibilidades físicas e cognitivas. Sendo assim, o educador não pode avaliar, por exemplo, uma criança especial e uma criança dita "normal" com os mesmos parâmetros de rigor, o que não significa negligenciar ou chegar a um nível de indigência de ensino. É o princípio de tolerância que deve prevalecer no momento da avaliação daqueles que têm um ritmo de aprendizagem diferente. São, pois, as crianças, jovens e adultos com NEE, diferentes e normais, e não incapacitados e anormais.

Pain (1989) insiste em dizer sobre o acompanhamento de crianças com NEE, que a faixa etária é um indicador importante a considerar. Por exemplo, uma criança está com nove anos na primeira série, e, após se fazer um diagnóstico negativo (não tem limitação orgânica, visão ou audição, tem boa escola, e mesmo assim não consegue aprender) indica ser uma criança com NEE e que merece, por parte da escola, um atendimento especializado, do material didático à intervenção docente. Nesse caso, segundo Ross (1998), considera-se atraso escolar e que merece uma remediação no interior da escola.

Um atraso escolar pode, dentro de uma perspectiva social, pedagógica ou social, resultar de reprovação ou repetência, evasão, entre outros. Do outro lado, a perspectiva psicopedagógica pode advir de dificuldades de aprendizagem na leitura, escrita, ortografia, matemática (não consegue desenvolver as habilidades de cálculo e de memória) e nesse caso poder-se-á enquadrá-la como um educando com NEE e que merece todos os suportes de apoio e de inclusão psicopedagógica (OLIVEIRA, 1996).


4 CONCLUSÃO

Com este estudo foi possível compreender que é de fundamental importância a intervenção psicopedagógica aos portadores de necessidades educativas especiais desde o início da infância, na medida em que se joga com o potencial adaptativo da criança, em termos neuropsicológicos.

Se a Psicopedagogia for considerada dentro de um contexto terapêutico, há que se considerar o indivíduo que aprende em suas diferenças individuais, respeitando, assim, seu processo de desenvolvimento nos aspectos orgânico, afetivo e psicossocial.

Numa perspectiva psicopedagógica, o professor constrói-se a cada dia, é um permanente aprendiz. Assim, aprendiz entre aprendizes, ele não tem a pretensão de ensinar ninguém, mas está presente onde quer que se faça da realidade uma lição e do cotidiano uma cartilha.

Na busca de aprender a aprender, a relação afetiva é fundamental, sobretudo, na educação especial, favorecendo o crescimento do potencial cognitivo. Segundo Chianello:

Destacam-se três objetivos mantidos na educação diferencial que os diferencia das outras propostas de educação, que devem ser seguidos: a) a independência da criança em relação ao professor; b) as dificuldades em resolver ordens devem ser graduadas; c) a introdução de um novo tema só será feita a partir do entendimento claro do tema anterior.

Nesse aspecto, qualquer resposta perceptível do portador de necessidades especiais é fator primordial, e é a partir daí que a Psicopedagogia tenta diminuir a inércia mental deste sujeito, bem como seu desinteresse pelo mundo no qual está inserido.

Acredita-se que esta pesquisa tenha sido a mola propulsora para novas reflexões sobre o fazer psicopedagógico, tendo a convicção de que muito ainda tem para ser pesquisado, e que esta caminhada apenas começou.

Foi um trabalho que proporcionou prazer em pesquisar em cada livro, em cada texto, em cada site, que deram a oportunidade de conhecer uma vasta bibliografia que abordasse este tema e que contribuiu na realização desta monografia, na qual foi depositado um grande sonho.

O sonho de que cada escola abra um caminho por onde o psicopedagogo possa desenvolver um bom trabalho. Que ofereça possibilidade de entrosamento entre a equipe pedagógica, que desenvolva um planejamento que permita intervir sempre que necessário, com possibilidade de revisão constante dos conceitos de limites e espaço nas relações com os alunos.


5 REFERÊNCIAS

BOSSA, Nadia. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática, Porto Alegre, Artes Médicas, 1998.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), n. 9.394/96. São Paulo: Saraiva, 1998.

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CARVALHO, Rosita Edler. Removendo barreiras para a aprendizagem: educação inclusiva. Porto Alegre: Mediação, 2000.

CHIANELLO, Susana. Intervenção psicopedagógica na educação diferencial. Disponível no site: <www.psicopedagogia.com.br>. Acesso em 26/02/2006.

CURONICI, Chiara; MCCULLOCH, Patrícia. Trad. Cristina Murachco. Psicólogos e professores: um ponto de vista sistêmico sobre as dificuldades escolares. Bauru: Edusc,1999.

LOPES, Thereza Cristina dos Santos. Atuação psicopedagógica e aprendizagem escolar. In: BELLO, José Luiz de Paiva. Pedagogia em Foco. 2001. Disponível em: <http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/spapae.htm>. Acesso em 22/02/06.

MOOJEN, Sônia Maria Pallaoro. Conceito de Psicopedagogia: uma prática para além do conceito teórico. In: Revista Psicopedagogia, n. 48, jul. 1999, p.54-56.

NOFFS, Neide de Aquino. A Psicopedagogia no enfoque existencial. Revista Psicopedagógica 14 (32): 21-27,1995.

NOVO DICIONÁRIO AURÉLIO DA LÍNGUA PORTUGUESA. CD-ROM.

OLIVEIRA, Maria Del Pilar González Montes de. Tudo pelo aluno. Revista Psicopedagogia, v.1, n. 35, 1996.

PAIN, S. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.

PERES, M. Regina. Psicopedagogia: aspectos históricos e desafios atuais. In: Revista da Educação, v.3, n.55, nov. 1998. Faculdade de Ed. PUC-Campinas.

PIAGET, Jean. Problemas da psicologia genética. São Paulo: Abril Cultural, 1987.

______. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1970.

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ROSS, Paulo Ricardo. Necessidades Educacionais Especiais num Projeto de Educação Inclusiva. In: Anais do Congresso, v. 01, 1998.

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SCOZ, Beatriz. Psicopedagogia e realidade escolar: o problema escolar e de aprendizagem. Petrópolis: Vozes, 1996.

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STAINBACCK, Susan; STAINBACK, William. Inclusão: um guia para educadores. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999.

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WEISS, Maria Lúcia L. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.

WERNECK, Cláudia. Ninguém mais vai ser bonzinho, na sociedade inclusiva. Rio de Janeiro: WVA, 1997.


6 ANEXO

CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 2006

TEMA: "FRATERNIDADE E PESSOAS COM DEFICIÊNCIA"

LEMA: "LEVANTA-TE, VEM PARA O MEIO!"

A Campanha da Fraternidade (CF) deste ano quer chamar a atenção da sociedade para a grave situação dos portadores de deficiência em nosso país, nos convidando a descobrir, no rosto destes irmãos, a beleza da imagem de Deus.

O objetivo desta Campanha é promover, em relação às pessoas com deficiência, atitudes fraternas e ações voltadas para uma verdadeira cultura da solidariedade humana e da fraternidade cristã, que se traduza em leis justas e políticas públicas adequadas para favorecer o reconhecimento de sua dignidade e seus direitos.

As pessoas "diferentes", física ou mentalmente, são freqüentemente vítimas de preconceitos e discriminação, sobretudo, numa tendência cultural que privilegia os fortes e saudáveis, os belos e fisicamente perfeitos, enquanto marginaliza e até exclui os que não correspondem aos padrões de estética e normalidade e têm menos oportunidade de se afirmar sozinhos e de competir com os outros.

O tempo da Quaresma que dura quarenta dias tem como centro a conversão.  Durante estas seis semanas, Deus nos chama a mudar a direção de nossa vida ali onde ela não se encontra sintonizada com os critérios do Reino e do Evangelho da Boa Nova anunciada por Jesus.  E esse evangelho é fundamentalmente uma boa notícia de inclusão.  Ninguém está de fora, ninguém está excluído da plenitude de vida que Deus quer dar

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