Relatório de Estágio ? Educação Especial

Autor:
Instituição: FACINTER
Tema: Relatório de Estágio ? Educação Especial

Relatório de Estágio – Educação Especial

Faculdade Internacional de Curitiba
2009

 

 

 

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO
2 CARACTERIZAÇÃODO CONTEXTO ESTAGIADO
2.1 CARACTERIZAÇÕES DA ESCOLA ESTAGIADA
2.2 CARACTERIZAÇÕES DA TURMA ESTAGIADA
3 CONCEPÇÃO PEDAGÓGICA DA INSTITUIÇÃO
4 DESCRIÇÃO E ANÁLISE REFLEXIVA DAS ATIVIDADES DE ESTÁGIO – EDUCAÇÃO ESPECIAL
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS
ANEXO

 

1- INTRODUÇÃO

O presente estágio está relacionado às ações que envolvem a docência com alunos que apresentam necessidades educativas especiais no contexto do ensino regular. O mesmo foi realizado na Escola UCRI (Universidade da Criança), nos dias 10, 11, 12, 13 de agosto de 2009, pelas alunas, ELMA LIMA DE AMORIM, IRANI DA SILVA LOPES, MARIA SILVA DACRUZ SILVA, NATASHA MONA.

Nosso objetivo é reconhecer, entender e analisar a prática da inclusão no ensino regular. Pois o ensino inclusivo respeita as deficiências e diferenças, reconhece que todos são diferentes, e que as escolas e os velhos paradigmas de educação precisam ser transformados para atender às necessidades individuais de todos os educandos, tenham eles ou não algum tipo de necessidade especial. Se não nos acostumarmos nesta nova visão educacional, não conseguiremos romper com velhos paradigmas e fazer a reviravolta que a inclusão propõe.

A construção do presente relatório é importante para a nossa prática como futuros pedagogos ou professores de uma escola inclusiva.

Refletiremos sobre o processo educativo na perspectiva da inclusão, como também identificar e reconhecer procedimentos e recursos pedagógicos adaptados às necessidades educativas especiais.

O mesmo foi feito através de pesquisas feitas na internet, dos nossos livros didáticos e investigações feitas na escola.

Os itens que serão trabalhados dentro do relatório são: CARACTERIZAÇÃODO CONTEXTO ESTAGIADO; CARACTERIZAÇÕES DA ESCOLA ESTAGIADA; CARACTERIZAÇÕES DA TURMA ESTAGIADA; CONCEPÇÃO PEDAGÓGICA DA INSTITUIÇÃO; DESCRIÇÃO E ANÁLISE REFLEXIVA DAS ATIVIDADES DE ESTÁGIO – EDUCAÇÃO ESPECIAL.

 

2 CARACTERIZAÇÃO DO CONTEXTO ESTAGIADO

 

2.1 CARACTERIZAÇÕES DA ESCOLA

A observação foi feita na Escola UCRI (Universidade da Criança), que se localiza na Rua Guanabara, 333, Pacoval, Macapá-AP, telefone: 3223-5228.

A escola funciona com 34 funcionários durante dois turnos e para este funcionamento a mesma dispõe de 1 pedagoga, 1 diretora formada em matemática e pedagogia, 1 vice-diretor e diretor administrativo formado em pedagogia, 3 secretária, sendo que uma é secretaria administrativa, 3 auxiliar de serviços gerais que também atendem na lanchonete, 1 vigia, 24 professores. Seus educadores todos possuem o curso técnico de magistério, alguns estão cursando pedagogia. Mas, ambos habilitados para exercerem suas funções. Atende sua clientela em modalidade: Educação Infantil de 1 ano e 6 meses a 5 anos e Ensino Fundamenta (1º à 4º série).

Seu horário de funcionamento; manhã: 07h30min às 11h30min, tarde: 14h00min ás 18h00min.

 

2.2 CARACTERIZAÇÕES DA TURMA ESTAGIADA

A professora regente atua há seis anos e sua formação é magistério e atualmente está cursando pedagogia, a mesma trabalha, com outra professora de apoio, que também trabalha há seis anos, com formação em magistério, mas, ambas não possuem formação em educação especial.

Por isso, ambas tem dificuldade no desenvolvimento de atividades com o aluno autista. O mesmo tem dificuldade na coordenação motora e concentração.

A turma que observamos é de 1º período, formada por 20 alunos, Os alunos com necessidades educacionais especiais são dois. A natureza de suas necessidades é autismo e síndrome de down. Observamos apenas a criança com autismo, devido à outra ainda estar de férias.

 

3 CONCEPÇÃO PEDAGÓGICA DA INSTITUIÇÃO

O texto abaixo é a resposta que a diretora nos deu sobre a concepção pedagógica de sua escola, não acrescentamos, nem retiramos palavra alguma.

A mesma nos disse que a Escola tem como missão proporcionar ao educando a formação necessária ao desenvolvimento das suas potencialidades como elemento de auto-realização para o exercício consciente da cidadania.

Pauta sua ação nas abordagens sócio-construtivistas e humanista que concebem o conhecimento como algo a ser construído pelo indivíduo na interação com o mundo, atuando como sujeito, considerando também os aspectos: cognitivo, emocional e social, sem perder de vista a possibilidade de sonhar, criar e realizar.

Desenvolve ações pedagógicas de produção de conhecimento e ações pautadas no desenvolvimento do potencial humano, na convivência dos valores universais.

Estabelece um circuito interdisciplinar entre as áreas de conhecimento que perpassa pela visão de mundo, de vida e de ser humano.

Propicia um contexto estimulador e investigador para a construção do conhecimento e valores básicos através de Projetos que estimulam o sentido e o significado da aprendizagem escolar.

Aposta no sentido dialético de informar e transformar, levando o educando a uma consciência participativa na evolução da humanidade. Portanto, a ação educativa não se restringe somente a atuação do professor, mas repassa por todos os profissionais da escola que, então, são chamados a intervir na construção do projeto educacional como agentes educativos.

Na medida em que o aluno recebe incentivo e participa dos diferentes momentos do processo de ensino-aprendizagem desenvolvidos nos projetos, está aplicando e desenvolvendo todo o seu potencial de ser criador e criativo, capaz de produzir o aprendizado necessário para sua vivência em sociedade.

Por meio de entrevista com a professora da turma estagiada, a mesma entende como educação especial, sendo uma forma de ensinar mais direcionada as caracteristicas individuais de cada aluno, partindo do presuposto que todos somos diferentes uns dos outros.

Para a mesma inclusão é estar na escola participando, aprendendo e interagindo coletivamente, essa educação inclusiva é centrada na potencialidade de cada aluno , adaptações são necessárias para que todos os alunos tenham acesso ao ensino de qualidade.

Apesar do desafio das professoras em trabalhar com aluno de transtorno autista, as mesmas muitas vezes ficam perdidas sem saber o que fazer para acalmar o aluno ou muitas vezes interagIir com os demais, uma vez que esse grupo de transtornos é caracterizado por severas anormalidades nas interações sociais recíprocas, nos padrões de comunicação estereotipados e repetitivos, além de um estreitamento nos interesses e atividades da criança.

A formação destes implica em uma compreensão política e ideológica da linguagem que o capacite a perceber quais os problemas que dificultam a aprendizagem de seus alunos. É fundamental, ao pensarmos a formação do educador na perspectiva de inclusão escolar, que não basta que eles sejam apenas conscientes das potencialidades dos alunos, mas é necessário, que tenham também conhecimento de suas próprias condições para desenvolver o processo de ensino inclusivo. Isto sem dúvida está ligado "aos seus conhecimentos pedagógicos, aos domínios da metacognição, pois implicam no desenvolvimento de auto-regular e de tomar consciência da atividade de ensinar, tais como planejar as aulas, ministrá-las e avalia seus efeitos nos alunos." (Mantoan, 1997).

 

4 DESCRIÇÃO E ANÁLISE REFLEXIVA DAS ATIVIDADES DE ESTÁGIO – EDUCAÇÃO ESPECIAL

O período de observação teve início no dia 10 de agosto de 2009 e encerrou no dia 13 de agosto de 2009. Tendo como sujeitos um grupo de crianças de uma sala de pré-escola com duas crianças deficiente em processo de inclusão, a professora da turma, o corpo técnico-administrativo.

O ambiente onde as aulas ocorreram foi à sala de aula, mas tivemos a oportunidade de conhecer toda a escola.

O espaço escolar deve ser ambiente vivo de interações e, por isto, a estrutura física é peça fundamental no desenvolvimento de novos projetos. Ao observar- mos o aspecto físico, percebemos que Escola UCRI conta com novas e modernas instalações como: Laboratório de Informática, Piscina Coberta, Sala de Música, Biblioteca, uma rádio, Sala de Balé, Judô e Capoeira, dentre outras tudo isso, visando dar suporte ao processo educacional e auxiliar no desenvolvimento de seus alunos.

Para maior conforto e segurança, a escola UCRI conta com todas as suas salas climatizadas e ainda com um sistema de câmeras. Cobrindo 24 ambientes, com monitoramento permanente.

Contudo, quanto aos recursos dispostos, especificamente, para o atendimento de alunos com necessidades educacionais especiais, a escola deixa a desejar, pois a mesma não está preparada para receber alunos com NEE, não tem professores especializados, nem salas de aulas inclusivas, bibliotecas inclusivas, banheiros inclusivos, projeto pedagógico inclusivo, e, principalmente, professores formados em educação especial.

A comunicação dos alunos que não possuem NEE entre si e com as Professoras é muito boa. Mas, a interação dos alunos com necessidades educacionais especiais com os demais alunos dificilmente ocorre, pois, em momento algum os coleguinhas de classe do aluno com autismo, o qual foi o nosso foco, não chegaram perto para brincar nem falar com ele, o mesmo muitas vezes não se interage.

O momento de interação com a professora só ocorria no momento de fazer a tarefinha, a mesma sentava em sua frente e ajudava a fazer.

Antes de iniciar as aulas a professora canta musicas, geralmente duas, logo após conta uma historinha, às vezes com livros, às vezes com fantoche.

Quando utiliza fantoche, sempre havia a interação com os alunos, ela chama um de cada vez para contar uma historia. Depois, passa um filminho, eles vão para o lanche, quando voltam brincam de massinha e logo em seguida ela explica o dever. Após o dever eles assistem filme até a hora da saída.

Observando as aulas pudemos perceber que em nem momento a professora chamava o aluno autista para participar das brincadeiras, as outras crianças nem sequer falam com ele, o mesmo ficava perdido andando pela sala de aula com o dedo no ouvido, pois o barulho o incomodava e ele ficava chorando.

Só houve um momento em que ele participou de uma brincadeira junto com as outras crianças, mas elas nem percebiam sua presença, ele brincava como se estivesse sozinho. A brincadeira foi no parquinho, no escorregador.

No primeiro dia de estágio, a criança com autismo chorou muito, a professora nos disse que ele estava passando por algumas mudanças no comportamento e que ela não estava preparada pra lidar com isso.

A professora nos falou que as crianças com autismo, no gera apresentam dificuldades em aprender a utilizar corretamente as palavras, ainda são observadas alterações na visão, audição, equilíbrio, entre outros. E que o aluno R. não vai desenvolver se continuar ali com ela, pois ele precisa de um professor especial.

A escola não dispõe de psicólogos, nem profissionais preparados em educação especial. A mesma indica um psicólogo para os pais levarem seus filhos.

A observação nos fez perceber uma distância entre o que se fala acerca da inclusão e do cotidiano dos atores do processo educacional. Além disso, percebemos que existem diferentes ações na escola estagiada que, ao invés de incluir, parecem causar a exclusão no processo de escolarização, e isso a partir da Educação Infantil.

Como por exemplo, a falta de educador especializado, acompanhando o professor dentro das salas onde há alunos com NEE, e projetos educativos envolvendo os mesmos.

Pois entendemos que levar crianças às classes comuns sem o acompanhamento do professor especializado, ignorar as necessidades específicas da criança e esperar que os professores de classe regular ensinem as crianças portadoras de necessidades especiais sem um suporte técnico. Não é inclusão e sim exclusão.

Nenhum funcionário da escola é capacitado para lidar com a inclusão. Assim, uma escola para ser inclusiva não basta ter alunos com NEE, é preciso esta preparada para recebê-los, não só o seu corpo docente, mas todos os seus funcionários. Bem como, sua estrutura e seu projeto pedagógico.

Nesse sentido segundo Ferreira e Ferreira, um dos desafios a serem superados na construção de uma educação inclusiva seria a estruturação de uma política continuada para professores da educação básica na perspectiva da diversidade.

O ministério de Educação e Cultura, por meio da Secretaria de Educação Especial (SEE), em 2003, começou a publicar uma serie pedagógica destinada ao ensino de crianças autistas de zero a seis anos, com comentários sobre a identificação do aluno, avaliação pedagógica e estruturação de uma proposta de ensino.

 

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estágio além de fornecer elementos para o competente exercício da docência com suas disciplinas nos possibilitou uma visão geral das tarefas, objetivos e problemas concretos de um professor inserido na inclusão escolar. O mesmo serve para você refletir se está no caminho certo. Trabalhar na área da educação vai muito além do que gostar de criança ou de adolescentes portadores de NEE.

O conceito de educação inclusiva ganhou maior notoriedade a partir de 1994, com a Declaração de Salamanca. No que respeita às escolas, a ideia é de que as crianças com necessidades educativas especiais sejam incluídas em escolas de ensino regular e para isto todo o sistema regular de ensino precisa ser revisto, de modo a atender as demandas individuais de todos os estudantes.

Durante nossas observações, percebemos que não teve momento algum de processo inclusivo. Pois, os alunos que apresentavam deficiencia, não eram incluidos nas atividades, nem nas brincadeiras.

Em muitos momentos ficavam totalmente afastados dos outros, as professoras não são capacitadas para dar atendimento adquado aos alunos com NEE, e o ambiente também não é eficaz para trabalhar com as crianças.

Queremos construir escolas para onde as crianças e os jovens, os professores, todos, gostem de ir e sintam que são suas. Não as abandonem e delas não se deixem expulsar. (Paulo Freire, 2008)

 

REFERÊNCIAS

FACION, José Raimundo (Org). Inclusão escolar e suas implicações. 2ª. Ed. rev. e atual. – Curitiba: IBPEX, 2008.

FERNANDES, Sueli. Fundamentos da Educação Especial. Curitiba: IBPEX, 2007.

FREIRE, Paulo. A Importância do Ato de Ler (Em três artigos que se completam). 49º. Ed.- São Paulo: Cortez, 2008.

MANTOAN, Maria Teresa Égler - Ser ou Estar, Eis a Questão. Ed. WVA. R.J. 1998

 

ANEXO

Plano de Estágio das Professoras Elma, Irani, Natasha e Maria

Tema: inclusão

Justificativa: Desenvolver a cooperação e a tolerância e adquirir grande senso de responsabilidade e melhorar o rendimento escolar. Identificando que os espaços sociais não são homogêneos e que as diferenças são enriquecedoras para o ser humano

Objetivos

 Ampliar o conhecimento dos alunos com relação à inclusão.
 Levar o aluno a perder o medo e o preconceito em relação ao diferente.
 Socialização da turma com o aluno autista.

Proposta de trabalho:

 Assistir o filme patinho feio.
 Discutir as cenas do filme centrais para os alunos, estabelecendo a necessidade da inclusão nas salas de aula.
 Debater também o quanto a diferença entre as pessoas só tem a contribuir para construção de seres humanos melhores. E que para a que a inclusão realmente aconteça só depende de nós.
 Incentivar os alunos a observar as principais cenas do filme. Depois pedir que eles exponham suas opiniões desenhando e contando o que o desenho representa.

Fotos da escola UCRI 13

 

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