Aconselhamento psicológico

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Tema: Resenha

RESENHA ACONSELHAMENTO PSICOLÓGICO

1 Conceito de aconselhamento psicológico

Tolberg se refere a aconselhamento como uma relação pessoal entre duas pessoas, na qual o conselheiro, mediante a relação estabelecida e a sua competência especial, proporciona uma situação de aprendizagem, na qual o sujeito, uma pessoa normal, é ajudado a conhecer a si próprio e as suas possibilidades e prospecções futuras, a fim de fazer uso adequado de suas potencialidades e características, de uma forma satisfatória para si próprio e benéfica para a sociedade e, mais remotamente, poder aprender como resolver seus futuros problemas e atender às suas necessidades.

O termo aconselhamento é usado muitas vezes à orientação educacional e profissional. Segundo a autora, na realidade, embora não sejam a mesma coisa, têm finalidade comum, porque ambos visam a ajudar o orientando. O aconselhamento é parte integrante e imprescindível da orientação educacional e profissional.

Strang encontra dificuldades em diferenciar aconselhamento de psicoterapia. Ambos pretendem ajudar o indivíduo a obter um nível mais elevado de desenvolvimento pessoal e social.

2 Evolução dos métodos de aconselhamento

Os arquivos das primeiras clínicas de orientação para pais e filhos, no começo do século XX, revelam-nos a maneira como era encarado o aconselhamento psicológico. Ao lado do histórico do caso, está a anotação: "Pais repreendidos e aconselhados". Ordens e ameaças eram consideradas técnicas eficientes para modificar o comportamento humano.

No método exortativo o orientador faz com que o orientando assine um termo de compromisso, falando que vai agir conforme o orientador quer. Este método até recentemente tem sido usado em vários setores orientacionais, apesar de um grande inconveniente: o fato de ser baseado numa exigência externa e que, muitas vezes, não pode ser, por motivos internos, atendida, cria, além do problema existente, um sentimento de culpa pelo não cumprimento da promessa.

O método sugestivo consiste na repressão do problema. Através do encorajamento e suporte, o indivíduo se convence que a problemática não existe. Ressurgiu, agora, com mais ênfase, com o hipnotismo, mas foi usado inicialmente por Couê.

O método da catarse foi trazido à terapêutica por Freud. É usada praticamente, em todos os tipos de orientação e aconselhamento psicológico, com exceção da entrevista autoritária, quando o orientador não oferece ao orientando a possibilidade de catarse. É baseado na confissão, usada durante muitos séculos pela Igreja Católica.

No método diretivo a responsabilidade cabe, em maior escala, ao orientador, já que é ele quem dirige a entrevista. Erickson diz que acha que consiste em ressaltar o problema e encorajar o orientando a discuti-lo.

No método interpretativo, há uma tentativa para alterar o comportamento humano, utilizando-se explicação e interpretação intelectuais. Porém, só traz benefício quando é realmente assimilada pelo orientando. Quando o indivíduo não está preparado corre-se o risco de produzir um choque ou bloqueio. A explicação, à queima-roupa, pode causar uma resistência por parte do orientando ou até aumentar a problemática.

No método não-diretivo (iniciado por Rogers), não há preocupação com um diagnóstico como na orientação diretiva. A principal função do orientador é não incultar a auto-compreensão ao cliente, mas criar, durante a entrevista, uma atmosfera favorável para que o cliente atinja, ele próprio, esse auto-conhecimento.

O método eclético, segundo Sheeffer, consiste no aproveitamento das técnicas consideradas pelo orientador como a mais satisfatória e eficiente para a situação apresentada pelo cliente, as quais podem ser usadas simultaneamente ou não. Grande ênfase é dada a habilidade de o orientador selecionar, manejar e aplicar as várias técnicas, relacionando-as adequadamente as exigências da situação apresentada pelo orientando.

3 O aconselhamento diretivo – princípios básicos

O aconselhamento diretivo tem como objetivo, principalmente, o ajustamento atual e remoto do indivíduo ao seu meio e a remoção dos obstáculos que dificultam essa aprendizagem. De acordo com a autora, pode ser definido como processo educativo que visa à aprendizagem de atitudes adequadas a um ajustamento pessoal e social satisfatórios.

Na orientação diretiva, os orientadores tem feito diferencia entre aconselhamento e psicoterapia. Williamson encara o aconselhamento como um processo de ajuda na aprendizagem, sem visar à correção de anormalidades ou características patológicas.

A atitude do orientador deve ter quatro características fundamentais: não ser confundido com o aconselhamento autoritário; não apresentar neutralidade absoluta, porque esta seria irreal; não ter uma atitude puramente passiva; e deve transmitir as suas experiências ao orientando.

Ainda nos é apresentado pela autora as etapas do método diretivo, constituído por rapport (ponto de partida), onde o orientando precisa se sentir "importante" para o orientador; obtenção do auto conhecimento; planos de ação (utilizando técnicas diversas como persuasivas, interpretativas, explanatórias, etc.); e finalmente, encaminhamento, com indicação de instituições especializadas para conseguir melhor ajustamento do indivíduo.

O clima psicológico da orientação dirigida é determinado pelo centro de referencia do orientador. A entrevista se assemelha a uma situação social. Cada um segue a sua própria linha de pensamento. O orientador se concentra nas informações do orientando e as trabalha, chegando à conclusão; transmite-a ao orientando que pode aceita-la ou não.

O processo de aconselhamento diretivo

O aconselhamento não consiste na mera complementação de um caso, com um objetivo definido, formulado e aceito pelo orientando, no plano verbal do comportamento. Ele precisa desenvolver as seis fases de análise, síntese, diagnóstico, prognóstico, aconselhamento propriamente dito e seguimento, mas constitui, principalmente, a aprendizagem da intercorrelação entre causa e efeito, relacionada com as suas características pessoais e a aplicação adequada desses conhecimentos, que no futuro vai ajuda-lo na resolução de novos problemas.

Scheeffer descreve as técnicas analíticas como a teoria de Williamson onde os recursos usados para obter, de várias fontes, dados completos, necessários e relevantes a respeito do orientando. Após interpretação são transformadas em diagnóstico. O indivíduo é uma combinação e única de traços gerais (sua individualidade) onde o orientador deve compreendê-la para poder aconselhar visando o melhor ajustamento deste. Faz-se o uso da entrevista e da aplicação de testes (sempre levando em conta a fragilidade destes).

O diagnóstico no aconselhamento se diferencia do mesmo processo usado na Medicina, porque nesta procura-se o conjunto de sintomas e causas indicativas de uma doença ou de um estado patológico. No aconselhamento faz-se também o diagnóstico de pessoas normais a fim de garantir-se contra futuros desajustamentos.

O aconselhamento não-diretivo

Otto Rank, discípulo de Freud, por não mais concordar na íntegra com as idéias de Freud, associou-se a Jessie Taft e a Frederick Allen e deu origem à teoria que fundamenta o aconselhamento não dirigido.

A orientação diretiva ressalta a importância do diagnóstico dos problemas apresentados pelo orientando, e partindo da idéia de que o orientador é mais competente para diagnosticar e propor os objetivos a serem seguidos. As técnicas são usadas com a finalidade de levar o orientando a aceitar e por em prática esses objetivos.

na orientação não diretiva representa uma reação contra essa centralização nos problemas e diagnósticos, pois baseia-se no princípio de que, no aconselhamento, o orientando deve ser encarado como uma pessoa e não como um problema.

Afirma Carl Rogers "essa nova orientação se diferencia das outras principalmente em relação à sua finalidade. No aconselhamento não dirigido o indivíduo, e não o problema, é focalizado. A finalidade não é resolver um determinado problema, mas ajudar o indivíduo a obter integração, independência e amadurecimento, que lhe permitam resolver outros problemas que a pareçam no futuro".

Rogers afirma que as pessoas tem potencial e capacidade para resolverem seus próprios problemas desde que lhes proporcionem uma oportunidade e a atmosfera adequados.

O aconselhamento eclético

Em relação ao aconselhamento eclético, a autora relata que há autores que defendem o ponto de vista de que se pode incorporar numa nova teoria aquilo que for constatado como válido e útil nas diferentes teorias, através de pesquisas ou estudos experimentais. Rogers parece adotar este ponto de vista. Shostrom e Brammer apresentam um corpo de teoria coerente com este ponto de vista. Chamam de aconselhamento auto-ajustativo: tem a finalidade de ajudar o orientando a se tornar mais autodiretivo e auto-responsável.

Nos seus objetivos, muito se assemelha ao aconselhamento rogeriano. Nessa orientação a atitude do orientador é não-diretiva e permissiva, centralizada no cliente. Emprega consistentemente testes, pois é importante o fornecimento de informações ao cliente para que ele adquira melhor compreensão e percepção dos seus problemas e suas dificuldades.

As etapas do aconselhamento auto-ajustativo são: entrevista inicial; estabelecimento do "rappaport"; estruturação; e discussão dos problemas.

Deste modo, o ecleticismo representa uma posição de meio termo e de equilíbrio no campo do aconselhamento. Todavia, conforme ressalta Waters, apresenta o perigo de tornar-se um método de orientação vago e superficial, inconsistente e simplesmente oportunista. Isto pode ocorrer quando o orientador não procura entender realmente ambos os pontos de vista, seguindo simplesmente um processo denominado por Waters de "fórmula geral".

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