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Resenha: Dibs, em busca de si mesmo

Autor:
Instituição: Unorp
Tema: Resenha: Dibs, em busca de si mesmo


DIBS, EM BUSCA DE SI MESMO.


CAPÍTULO I

Dibs era um garoto com um comportamento diferente dos outros, gritava, ou era silencioso, lutava ou derrotava, engatinhava ou tinha avesso de raiva. Freqüentava a escola particular à quase dois anos, nem os professores, funcionários, os colegas, a psicóloga e o pediatra conseguiram estabelecer relações com ele. Ninguém sabia ao certo se ele era um retardado mental, se tinha lesões no cérebro, autismo, ou apenas um problema emocional. Seu pai era um cientista, tinha uma irmã mais nova, considerada pela mãe inteligente e perfeita. Todos se sentiam frustrados e desfiados pelo comportamento estranho de Dibs, convidando a psicóloga clínica Axiline, autora do livro, para observar o garoto.


CAPÍTULO II

Decide então buscar uma solução para Dibs, conversando com a mãe e entrevistas na sala de ludoterapia, para melhor compreensão de seu filho.

No primeiro dia o acompanhou em todas as atividades escolares: ele chegou e não tirou o casado, engatinhava por volta da sala, ficou um longo tempo observando os livros, no recreio ficou isolado, arranhando o chão para frente e para trás, quando as crianças voltaram para a classe foi o momento de repouso no qual todos pegaram seu colchão e se deitaram, inclusive Dibs, porém, longe de todos. Depois de um tempo de repouso as crianças foram se levantando, Dibs também, e permaneceu junto à porta, quando foi chamando pela psicóloga clinica que o convidou pra acompanha-la, hesitou num primeiro momento, mas pegou em sua mão, silencioso a seguiu até a sala de ludoterapia. Foi lhe dito que ficaria ali por uma hora para conhecer o material.

Curioso, andou observando tudo, chegou a casa de bonecas ajoelhou-se, segurou as peças do mobiliário ás nomeando, perguntava para si mesmo se os bonecos eram mamãe, papai, irmã e bebe, aproveitando a psicóloga inicia uma conversa dizendo que poderia ser. Nervoso diz que não gosta de portas trancadas, as retirando e jogando fora. Ao completar sua hora, foi lhe avisado, retomando o corredor, perguntou-lhe se poderia ir sozinho, pois seria necessário para tornar-se mais seguro, ele respondeu positivamente.


CAPÍTULO III

A mãe de Dibs convida a psicóloga para um chá em sua casa para que possam conversar. Era uma bela mansão, ao chegar, ela logo recordou das palavras de Dibs sobre portas fechadas. Sua mãe lhe diz que não espera nenhum milagre, aceitando a tragédia de seu filho, o oferece como dados de pesquisa para estudá-lo. Ela insistiu que podia pagar seus honorários e que as sessões podia ser no seu quarto de brinquedos, porém não foi aceito, mostrando sua autonomia.

Desviava o olhar e permanecia imóvel, lembrando comportamento de seu filho, mostrou-se insegura dizendo que não poderia comparecer as entrevistas, nem dar maiores detalhes sobre Dibs, pois ele era simplesmente um retardado mental. Demonstrava medo e ansiedade, mais do que o seu filho na sua 1º sessão, era uma família acorrentada.


CAPÍTULO IV

Depois de longas semanas foi recebida uma folha liberatória assinada pelos pais de Dibs dano a permissão para as sessões. Na próxima sessão, ele percorre pelo local examinando e nomeando objetos e as cores das tintas. Demonstrou que gostaria de tirar os casacos, mas não o fazia demonstrando que queria ajuda, que lhe foi dada.

Entrou no deposito de areia, mas se incomodou com ela penetrando seus sapatos, então pede ajuda para tira-los, porém descalço logo quis sair.

Ele também pediu para que a janela fosse fechada. Ao terminar a sessão percorreram o corredor ao encontro da mãe, que o aguardava com um olhar inseguro.


CAPÍTULO V

N próxima semana, ao entrar na sala, lê a placa com certa dificuldade: “sala de ludoterapia”.

Pede ajuda para tirar seu casaco, porém dessa vez participa retirando seu gorro.

Insistia em querer a casinha trancada, conseguia solucionar os problemas por si mesmo.

No deposito escolhe alguns soldadinhos, iguais aos seus, porém identificada as variedades, quis tirar os sapatos e assim o fez.

Começa a brincar com tinta-a-dedo, mas pede para limpar suas mãos, prefere fazer uma gravura. Pinta um desenho com todas as cores possíveis e diz um pouco tímido a D. A . (nome como a chama), que é um presente para ela.

Ao lhe anunciar o termino da sessão, gritava, pois não queria ir para casa, porém ao esgotar suas fontes de apelação encaminhou0se ate a sala reencontrando sua mãe.


CAPITULO VI

Na semana seguinte, já tirava seu casaco e seu chapéu sem nenhuma ajuda, encaminha-se a casa de bonecas, abrindo todas as janelas. Suga uma mamadeira por um longo tempo.

Ele não era pressionado para que vivesse o seu eu total no relacionamento, podia fazer o que quisesse, pela primeira vez foi ouvido seu riso.

Ignorava ao aviso do fim da sessão, pega suas coisas e sai sem dizer algo.

Segundo a autora, o valor desse tipo de ajuda psicológica é baseado na experiência da criança, que deve aprender a respeitar a si mesmo para que seja possível apreciar as personalidades, direitos e diferenças dos outros.


CAPÍTULO VII

Na semana seguinte, sorriu ao entrar na sala, ansioso encaminhou-se à frente e ao chegar reclama que os brinquedos não estão como deixou, sendo tal fato importante para que ele aprenda que nenhuma parte do seu mundo é incontrolável e enfrentando o desapontamento.

Dibs brincava com os animais e unia-os para que nenhum ficasse sozinho. Pela primeira vez ele comenta sobre sua escola, dizendo que tem um coelho, mostrando ser um membro observador do grupo.

Ele conta sobre a alegria que tem ao chegar na sala de ludoterapia e tristeza ao ir sair, embora concorde que tenha que ir.

Mostrou que a escola tem grande significado, pois sábado e domingo eram considerados por ele um dia vazio.

Contou sobre seu pai que iria busca-lo, começando a fazer parte de seu mundo. Ao chegar percebeu-se que era um homem embaraçado, seu filho tenta iniciar uma conversa, mas é ignorado.


CAPÍTULO VIII

A mãe de Dibs toma a decisão de marcar uma entrevista, conta que seu filho está infeliz, sai do seu quarto com freqüência e mantém-se silencioso, desabafa dizendo que sempre foi uma criança difícil, chorava muito dizendo que sua gravidez não foi planejada e diz carregar um fardo que destruiu sua vida e de seu marido. Sentiam vergonha em ter uma criança retardada mental, afastando-se dos amigos.

Dibs foi levado a um neurologista que nada diagnosticou e a um psiquiatra que disse que ele era simplesmente uma criança rejeitada e que os pais que necessitam de ajuda.

Um ano depois, nasce sua irmã Doroty, julgam-na perfeita confirmando que o problema não esta com pais, como a convivência com Dibs era difícil ela foi enviada para um internato.

Diz que no dia anterior seu marido chorou muito depois de uma discussão com o filho, que diz que odiar o pai. Seus pais eram vitimas de falta de entendimento próprio e maturidade emocional.


CAPÍTULO IX

Na próxima semana Dibs retornou feliz e sem ajuda alguma, removeu todas suas peças, dessa vez ele entrou na areia, tirou seus sapatos e deitou-se, gargalhava. Cantava com uma expressão serena.

Nesta sessão teria chegado mais cedo para ir ao medico, assim não queria ir embora mais cedo, porém ao conscientizar-se sai dizendo que o médico deveria machucar Doroty.

Ao chegar à recepção, pega na mão de sua mãe e ignora Doroty.


CAPÍTULO X

Percebe-se grande avanço, na semana seguinte, chega calmamente tira sozinho seus agasalhos, brinca na areia onde tira seus sapatos. Se expressava com mais facilidade e aceita o momento de ir embora.


CAPÍTULO XI

Dibs voltou agitado para a ludoterapia na próxima sessão. No armário escolheu uma caixa que tinha uma pequena cidade de brinquedos, construiu prédios e arvores. Comenta sobre Jakes, um jardineiro que trabalha em sua casa, contou sobre uma arvore que crescia próximo a janela de seu quarto, mas seu pai ordena a Jakes que a corte, Dibs adorava aquela árvore. Quando Jakes a cortou guarda para Dibs a pontinha da árvore. Dibs demonstra sentir tristeza pois ele não é mais seu jardineiro, que lhe contava historias e o compreendia, era considerado um amigo.


CAPÍTULO XII

Na próxima quinta-feira Dibs não pode comparecer, pois estava com sarampo. Voltou na semana seguinte dizendo que havia sentido falta da sessão, diz que sabia da existência de outras pessoas os observando na ludoterapia, pois era um laboratório de pesquisa.

Dibs era espontâneo na sala de brinquedo, fazia um monologo, brincava, gargalhava e cantava, espontaneamente, comenta que não conversa com seu pai.

Diz que adora ler e, escrever histórias, pintar e desenhar.

Ao ir embora ficou a impressão de que estava se relacionando melhor com sua mãe indicando que estava sendo considerado com mais respeito e compreensão.


CAPÍTULO XIII

Dibs chega mais cedo a sessão, estava transbordando de alegria, desenhava cantava e usava tintas de varias cores.

Brincando derrama chá, pede para sair da sala sentindo-se culpado, pois poderia ter sido mais cuidadoso, conseguindo assim descobrir em si mesmo a força para enfrentar seus sentimentos feridos.


CAPÍTULO XIV

Sua mãe o levou para a sessão dizendo que ele quis muito levar os presentes de seu aniversário para mostrar a D. A . dizia orgulhosa que acreditava agora que ele sabia o que quer.

Dibs diz que teve um aniversário feliz. Durante a ludoterapia, rolava na areia, pulava e deitava. Ao brincar na pia ele tenta provar um pouco de detergente e lhe é avisado que não deve, magoando-o, assim volta a brincar dizendo que pode brincar com os vidros pois sabe se cuidar, enche as jarras e se diverte dizendo nunca ter feito tanta bagunça.


CAPÍTULO XV

Dibs chega á sessão dizendo que planejou o que brincaria hoje.

Comenta que às vezes sente medo das pessoas, porem diz que tem uma mãe, um pai, irmã e uma vovó que o ama. Sente duvidas em relação ao amor do pai, mas diz agora parecer mais que o pai gosta dele.

Expressa seus sentimentos em relação a sua família com os bonecos, simboliza na brincadeira sua relação familiar e sofre remoendo sentimentos passados, hora. As portas fechadas da infância o fizeram sofrer, diz que agora seus pais não trancam mais as portas que o privam da compreensão, do amor.

Sai da terapia relaxado, dizendo que agora é um garoto grande, deixando para trás as tristezas.


CAPÍTULO XVI

Dibs estava orgulhoso de si mesmo. Pela primeira vez menciona nomes dos colegas de escola, aproveitando a oportunidade é perguntado se ele não gostaria de outras crianças para brincar com ele na ludoterapia, deixando-o nervoso e não aceitando.

Fez uma grande bagunça com pincéis, tinta e água, mas sente necessidade de arrumar.

Quando lhe foi avisado que sua mãe chegara, se despede, corre alegremente abraçando sua mãe e dizendo que lhe quer muito deixando cair lágrimas dos olhos da mãe, surpresa com sua espontaneidade.


CAPÍTULO XVII

A mãe de Dibs telefona pedindo uma entrevista, diz que seu filho não é mais o mesmo, se aproxima dos pais, esta sentindo que faz parte da família, às vezes até brinca com a irmã. Percebeu que ele é capaz de aprender, ensinando-lhe. Admite seus sentimentos passados em relação a Dibs de forma penosa, porem agora se orgulha dele, de suas habilidades em desenhar, pintar, ler e escrever, mostra desenhos feitos por ele que fogem dos padrões infantis. O comportamento anormal que ela o obrigava a assumir, o mantinha afastado da família e dos demais, tentando provar para si que tem capacidade os resultados são desastrosos.

Sendo Dibs superdotado, a duvida era o que fazer.

Dibs mudou sua família, se encontrando, e a seus pais também.


CAPÍTULO XVIII

D. Jane telefona para conversar sobre o comportamento de Dibs na escola, diz que agora se expressa de forma correta e rica se aproxima mais, é o primeiro a formar um grupo e a cantar, sorri participa das atividades. Seu desenvolvimento representa o fator mais importante na conquista da sua personalidade.

Seu aniversario foi comemorado na escola como os demais, dessa vez ele participou.

Também participou de uma apresentação dos alunos, improvisando uma música, deixando a platéia fascinada.


CAPÍTULO XIX

Dibs pede para ir ao escritório, pega o gravador e dramatiza uma situação em que sente raiva de seu pai.

Já na sala de ludoterapia puni o boneco-pai pelas coisas que lhe tornaram infeliz, mas o liberta dizendo que lamenta por tudo o que fez e que ama seu filho, assim Dibs sente-se seguro no relacionamento.

Conta sobre um passeio satisfatório com sua família, no qual pode conversar e brincar com sue pai.


CAPÍTULO XX

Conta sobre sua irmã, que às vezes o bate e machuca, mas ela quase não fica em casa, porém depois das férias ela mudaria para a mesma escola que ele, mas diz estar contente.

Brincando com bonecas expressa seus conflitos com a mãe, além de demonstrar seus sentimentos pela irmã.

Dibs sairia logo de férias de verão dizendo que iria sentir saudades da ludoterapia, onde reviveu momentos alegres e difíceis, apresentou sentimentos de autoconhecimento, aprendendo a controlar o ódio e a expressar o amor.



CAPÍTULO XXI

Dibs percebe um material novo na sala; começa a montar uma cidade em miniatura, expressando seus sentimentos.

Assim construiu um mundo de sua forma, com pessoas amigas e muito organizado, um mundo repleto de significados, sentimentos expressos por seu pai e sua mãe, demonstram seu crescimento.


CAPÍTULO XXII

Na última sessão antes das férias Dibs sugere para ficar no escritório, dizendo que sentirá saudades de D. A.

Depois vai á sala brincar com seu mundo por ele construído. Demonstrando seus sentimentos, pega um boneco grande e diz ser Dibs adulto, mas ás vezes também pode ser pequeno.

Dibs havia se encontrado na ludoterapia, curando suas feridas, havia substituído o garoto imaturo e frágil pelo conceito de si mesmo, encarando seus sentimentos, respeitando e sendo respeitado, já não tinha medo de si mesmo.


CAPÍTULO XXIII

Depois das férias a mãe de Dibs marca sua ultima sessão, dizendo ter passado um verão agradável. Ele veio espontâneo e feliz.

Pede para ir ao escritório depois á sala onde avista uma igreja e pede para ir até lá, assim saíram e passearam a seu redor e dentro dela, começa a tocar uma musica que inicialmente o assusta, mas a contempla, ao voltar a sala questiona sobre Deu e religião.

Essa foi a despedida de Dibs, que se tornou independente. Saiu com sua mãe alegremente, revelou-se a si mesmo através da brincadeira, e pôde descobrir uma criança capaz e feliz e uma mãe que se permitiu crescer em compreensão e apreciação pelo seu filho tão bem dotado.


CAPÍTULO XXIV

Dois anos e meio depois, a psicóloga morava em um apartamento, quando vê duas crianças brincando e vê Dibs, que a reconhece, lembra que podia fazer o que quisesse na sala de brinquedos diz ter marcado em seu calendário a data em que se despediram, pois era muito importante para ele.

Conversa também com seus pais, que contam o progresso de Dibs, que está agora em uma escola para bem dotados.

Dibs diz a seus pais que chama a psicóloga de D. A . por ser um nome especial a uma amiga especial. Realmente ele havia mudado, era uma criança tranqüila e feliz.

Anos depois, um amigo de D. A . mostra uma carta aberta no jornal escolar de Dibs, um lider que a escola para bem dotados n quer perde-lo, se preocupando com um amigo

Na semana anterior do final da terapia um psicólogo aplicou o teste de inteligência de Standford- Binet, que manteve-se interessado e cooperativo, se relacionou bem com o examinador, atestando um QI de 168.

Também foi feito um teste de leitura confirmando alto nível de leitura e compreensão do texto.

A criança superdotada,escondia seu dom sob uma máscara de retardamento mental, usada inicialmente como escudo contra os pais, cujo tratamento se resumia a constantes testes e ensinamentos. Dibs experimentou profundamente o complexo processo de crescimento na busca do precioso presente da vida, curando-se a si próprio pelos raios de sol de suas esperanças e pelas chuvas de suas mágoas. Vagarosamente, e por tentativas multifacetadas, Dibs descobriu que a segurança de seu mundo não estava centralizada no contexto circunstancial, mas que o núcleo estabilizador que ele procurava com tal intensidade tinha profundas raízes dentro de si mesmo. Através de sua experiência numa sala de ludoterapia, seu lar, em sua escola, sua personalidade desenvolveu-se.

Somos personalidades que nos desenvolvemos como resultado de nossas experiências, relacionamentos, pensamentos, emoções, somos uma totalidade que faz a própria vida.


BIBLIOGRAFIA

AXLINE, Virginia Mae, 1911 – 1988. Dibs, em busca de si mesmo: Virginia Mae Axline (tradução de Célia soares Limaraes) – 23º edição revista/ 6. Impr. – Rio de Janeiro: Agir 2005.

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