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Trabalho e Capital Monopolista (Harry Braverman).

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Tema: Fichamento e resenha de:Trabalho e Capital Monopolista (Harry Braverman).


Fichamento de “TRABALHO E CAPITAL MONOPOLISTA:

A degradação do trabalho no século XX”

(Harry Braverman)



Capítulo 1: Trabalho e força de trabalho

Capítulo 2: As origens da gerência

Capítulo 3: A divisão do trabalho

Capítulo 4: Gerência científica

  1. “ O administrador assume... o cargo de reunir todo o conhecimento tradicional que no passado foi possuído pelos trabalhadores e ainda de classificar, tabular e reduzir esse conhecimento a regras, leis e fórmulas...” => chama-se de princípio de dissociação do processo de trabalho das especialidades dos trabalhadores.

  2. “ Todo possível trabalho cerebral deve ser banido da oficina e centrado no departamento de planejamento ou projeto...” => chama-se de princípio da separação de concepção e execução.

  1. “ É que cada operário tornou-se mais especializado em seu próprio ofício do que é possível a qualquer um ser na gerência, e que em conseqüência, os pormenores de como o trabalho será mais bem feito devem ser deixados a ele” => chama-se a utilização deste monopólio do conhecimento para controlar cada fase do processo de trabalho e seu modo de execução.

Capítulo 5: Principais efeitos da gerência científica

Capítulo 6: A habituação do trabalhador ao modo capitalista de produção

RESENHA

O assunto abordado a seguir dará ênfase ao trabalho, suas transformações e mudanças decorridas ao longo dos séculos que permearam e ainda permeiam o modo de sobrevivência humana.

Embora inúmeras definições existentes promulguem o conceito de “trabalho”, é imprescindível mencionar como o mesmo aparece em sua real etimologia segundo Cunha (1982) apud Codo, 1995; p.85. :

Trabalho: torturar, derivado de tripalium (instrumento de tortura). Da idéia inicial de ‘sofrer’ passou-se à idéia de esforçar-se, lutar, pugnar e, por fim, trabalhar, ocupar-se de algum mister, ‘exercer o seu ofício’” (latim: tripaliare – entrada no português, séc. XIII).

Haja vista que todas essas definições são num certo ponto, reais e verdadeiras, concretas e também alarmantes sob o sistema capitalista de produção. Contudo, assim como outros teóricos, Braverman deixa clara a distinção entre trabalho e atividade onde esta ao contrário daquele aparece como sinônimo de ação, buscar alguma coisa etc. além disso, pode e/ou é exercida tanto por homens quanto por animais. Desta maneira, o trabalho pode ser uma atividade, mas nem toda atividade humana é trabalho.

Não há dúvidas quanto ao seu parecer que trabalho e atividade, sejam eles quais for, transformam a natureza em busca da satisfação de necessidades.

Então podemos dizer, grosso modo, que o homem mesmo antes de utilizar a linguagem para se comunicar já desenvolvia atividades para a sobrevivência; os símbolos eram uma delas.

Apesar disso, em “Trabalho e Capital Monopolista” vemos nitidamente que o autor define aquele como consciente e proposital onde o cérebro, responsável por sua concepção, terá seu “rompimento sistemático” com as mãos, responsáveis pela execução, mas ambos reúnem-se para formar a força de trabalho que será melhor detalhada adiante.

Verazmente reitero que a relação entre dominador X dominado sempre existiu seja ela desde os primórdios da Grécia antiga, Egípcios passando pela Idade Média, contemporânea até nossos dias atuais. Porém, é no sistema capitalista que essa rixa evolui gradativamente chegando a seu ápice.

Isto ocorre pelo fato de que o capitalismo, a meu ver, sucessivamente objetivou algum interesse seja este na compra e/ ou venda de mercadorias ou até simplesmente na troca de produtos etc.

Queiramos ou não, aceitando ou não “... o modo capitalista de produção cria uma população trabalhadora ajustada às suas necessidades...” (sic) (Braverman, 1977; p.80).

Ora, com o surgimento dele, o que conhecemos como trabalho morto (burocrático) passa a ser mais valorizado, pois sua principal característica é que se produz o próprio valor de troca, o capital. Assim, antes o [trabalho] que era uma atividade útil torna-se a expansão do capital propiciando um lucro e transformando tais formas em trabalho assalariado.

Sobre trabalho, Marx (s/d) apud Codo, 1995; p.88, em O capital, afirma: “O trabalho, como criador de valores – de – uso, como trabalho útil, é indispensável à existência do homem – quaisquer que sejam as formas de sociedade – é necessidade natural e eterna de efetivar o intercâmbio material entre o homem e a natureza e, portanto, de manter a vida humana. (...)”.

Certamente, de acordo com a citação acima, podemos crer que não há nada de errado com o trabalho, pelo contrário, nos é necessário; o que está errado é a maneira como ele nos é imposto. Tal maneira foi e ainda é produzida devido a duas mudanças ocorridas significativamente nos meios de produção do trabalho; sendo a primeira delas sua divisão social que subdivide a sociedade juntamente com a divisão parcelada do trabalho que subdivide o homem, proposto por Adam Smith e Charles Babbage. Já a segunda é o estudo do tempo e do movimento produzido pelo trabalhador, elaborado por Taylor, cujo denominamos de mensuração de tempos e métodos.

Smith, Babbage e Taylor são, de certo modo, os principais “influenciadores” à criação da gerência científica bem como de seu planejamento e controle até mesmo do próprio trabalhador.

É nesta conjuntura que me pergunto: poderíamos julgar aqueles como únicos culpados pela expansão do capitalismo como um todo?

Responderia que não pelo mero fato de que acredito ser os ideais marxistas, em especial o conceito de mais valia, o fator essencialmente primordial na ascensão do capitalismo comercial. E esse unido aos conceitos anteriores fez com que Ford ampliasse e aprimorasse cada vez mais a administração científica do trabalho.

A seguir tem-se um pequeno trecho extraído do próprio “Trabalho e Capital Monopolista” onde ver-se-á explicitamente que as condições de trabalho foram, são e é bem provável que serão realizadas não levando em conta a destreza do trabalhador, mas também o conhecimento que dela possui. :

“ O grande patrimônio do trabalhador assalariado tem sido o seu ofício. Em geral, pensamos no ofício como a capacidade para manipular destramente as ferramentas e materiais de um ofício ou profissão. Mas o verdadeiro ofício é muito mais que isto. O elemento realmente essencial nele não é a perícia manual ou a destreza, mas alguma coisa armazenada na mente do trabalhador. Este algo é em parte o profundo conhecimento do caráter e usos das ferramentas, materiais e processos do ofício, que a tradição e experiência deram ao trabalhador. Mas, além e acima disso, é o conhecimento que o capacita a compreender e superar as dificuldades que constantemente surgem e variam não apenas nas ferramentas e materiais, mas nas condições em que o trabalho deve ser feito”. (Braverman, 1977; p.122).

Deixando de lado a historicidade do trabalho e todas as transformações ocorridas em seu contexto ao longo dos tempos atento-me enfaticamente ao papel do psicólogo nas organizações.

Sabemos que tanto a Fisiologia quanto a Psicologia adentraram-se precursoriamente nas formas e/ou métodos de trabalho capitalista.

A partir disso, é inegável recusar seu crescimento e expansão contínuos neste setor, mas ao mesmo tempo, torna-se difícil encontrar uma única tarefa definida à Psicologia. Sem dúvida alguma todos me perguntariam o porquê disso.

Respondo que ao psicólogo, segundo Codo (1981) apud Lane, 2001; p.196 compete “combinar os indivíduos com as ocupações com as quais se habilita”, objetivando, por um lado, aumentar a satisfação no trabalho e, por outro, aumentar a produtividade reduzindo o turn – over. Entretanto, o mesmo alega que “o psicólogo consciente deveria estar na indústria refletindo conscientemente para tentar subverter as funções”.

Sendo assim, o papel dele na organização industrial é ser o “lobo mau” que atende aos interesses do patrão que, por sua vez, atende aos interesses capitalistas em busca de maiores lucros (capital); não combatendo o assédio moral que entendo ser de interesse e relevante à própria ética da psicologia.

Em suma: sustento que o trecho a seguir defina tudo o que foi abordado aqui sobre trabalho e gerência do livro de Braverman “Trabalho e Capital Monopolista”:

“ O trabalho é representado pelo valor do produto do trabalho, e a duração do tempo pela magnitude deste valor, fórmulas que pertencem claramente a uma sociedade em que o processo de produção domina o Homem e não o Homem domina o processo de produção social... (grifos A Ideologia Alemã, p.8 apud Lane, 2001; p.145).

Para encerrar diria popularmente que na sociedade “manda quem pode, obedece quem tem juízo” ou traduzindo: “obedece quem precisa!”

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


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