Trabalho e Capital Monopolista (Harry Braverman).

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Tema: Fichamento e resenha de:Trabalho e Capital Monopolista (Harry Braverman).

Fichamento de “TRABALHO E CAPITAL MONOPOLISTA:


Fichamento de “TRABALHO E CAPITAL MONOPOLISTA:

A degradação do trabalho no século XX”

(Harry Braverman)



Capítulo 1: Trabalho e força de trabalho

  • Trabalho: atividade que altera o estado da natureza para melhorar sua utilidade.

  • Seres vivos: transformam a natureza para satisfazer suas necessidades.

  • O trabalho humano é consciente e proposital.

  • É no cérebro que reside a principal vantagem do ser humano.

  • Símbolos e linguagens são essenciais para a evolução do pensamento conceptual.

  • Humanidade => exerce várias funções dividindo-as dentro do meio familiar, grupal e social.

  • Marx => “Força de trabalho” difere do poder de qualquer agente não humano.

  • As diversas formas de trabalho sob as relações capitalistas de produção.

  • Condições básicas para o surgimento do Capitalismo: “Liberdade” “Força de trabalho” “Capital”.

  • Capitalismo industrial: produção de mercadorias em bases capitalistas X Capitalismo mercantilista: troca dos produtos excedentes das forças anteriores de produção.

  • Capitalismo: transformação das formas de trabalho em trabalho assalariado.

  • O trabalho passa de uma atividade útil para a expansão do capital propiciando um lucro que usufrui da força e capacidade humana bem como das atividades naturais das plantas e animais.

  • O homem produz mais do que consome.

  • Existência de inúmeros meios de produção para a expansão da força de trabalho.

  • Processo de trabalho: responsabilidade do capitalista.

Capítulo 2: As origens da gerência

  • Capitalismo Industrial: vários trabalhadores são empregados por um capitalista.

  • Independente da atividade exercida tem-se a necessidade de elaborar uma gerência para sua organização e execução.

  • Capitalismo Industrial => diferenças entre força de trabalho e o que dela pode ser obtido.

  • Origens do capitalismo industrial no capitalismo mercantil: compra e venda de mercadorias e não de produção.

  • Necessidade de introduzir um controle e regras nas condições de trabalho (horário, ritmo etc.).

  • Capitalismo => “contrato livre de trabalho” cujo propósito é atender inteiramente os interesses e vontades dos capitalistas.

  • Melhor gerência => advinda sobre o interesse para si próprio no capitalismo e do contrato de trabalho evitando a prevalência de um(ns) sobre o(s) outro(s).

  • O controle é fundamental para os sistemas gerenciais.

Capítulo 3: A divisão do trabalho

  • Divisão manufatureira do trabalho.

  • Divisão do trabalho: princípio fundamental da organização industrial.

  • Com o surgimento do capitalismo houve sistematicamente a divisão do trabalho em cada especialidade com operações limitadas.

  • Divisão estabelecida através de atividades designadas pelo sexo.

  • O homem produz de acordo com o padrão de cada espécie.

  • Capitalismo => produtos e trabalhadores equivalem a um mesmo capital.

  • Divisão social do trabalho => subdivide a sociedade / divisão parcelada do trabalho => subdivide o homem.

  • Os trabalhadores organizam a análise do processo de trabalho para atender as suas próprias necessidades.

  • A divisão dos ofícios ocasiona o barateamento das partes individuais.

  • Babbage não valorizava o aspecto técnico da divisão do trabalho, mas o aspecto social.

  • A força de trabalho torna-se uma mercadoria para compradores que são empregadores buscando aumentar seus lucros.

  • Babbage: para baratear uma mercadoria (força de trabalho) deve-se fracioná-la (repartir / dividir) nos seus elementos mais simples.

Capítulo 4: Gerência científica

  • A gerência científica foi iniciada por Taylor que desenvolveu os métodos e a organização do trabalho.

  • Gerência científica => aplica os métodos da ciência aos problemas complexos e crescentes do controle de trabalho nas empresas capitalistas em rápida expansão.

  • Investiga a adaptação do trabalho às necessidades do capital.

  • O taylorismo domina o mundo da produção.

  • Taylor buscava como controlar melhor o trabalho alienado – isto é, a força de trabalho comprada e vendida.

  • A gerência e o conceito de controle passa a ter um caráter rigoroso com o surgimento do taylorismo.

  • Rapidez e produtividade são os princípios fundamentais do taylorismo (marca passo sistemático).

  • Aumentando-se os incentivos aos trabalhadores, aumenta-se também os níveis de produção para determinar a revisão das taxas de pagamento.

  • Para Taylor, o controle sobre o processo de trabalho deve pertencer à gerência, não apenas num sentido formal, mas pelo controle e fixação de cada fase do processo, inclusive seu modo de execução.

  • Para Taylor a solução dos problemas de produção era: passar os comandos dos trabalhadores para o poder da gerência científica.

  • Gerência moderna => controla o trabalho através do controle das decisões que são tomadas no curso do trabalho.

  • Segundo Taylor, as formas de controle podiam ser aplicadas tanto em tarefas simples quanto complexas.

  • Aprendizados de ofícios tradicionais iam de 3 à 7 anos.

  • Taylor criou 12 variáveis que gerenciavam os processos mecânicos.

  • Os princípios de Taylor eram:

  1. “ O administrador assume... o cargo de reunir todo o conhecimento tradicional que no passado foi possuído pelos trabalhadores e ainda de classificar, tabular e reduzir esse conhecimento a regras, leis e fórmulas...” => chama-se de princípio de dissociação do processo de trabalho das especialidades dos trabalhadores.

  2. “ Todo possível trabalho cerebral deve ser banido da oficina e centrado no departamento de planejamento ou projeto...” => chama-se de princípio da separação de concepção e execução.

  • Taylor: a “ciência do trabalho” nunca deve ser desenvolvida pelo trabalhador, mas sempre pela gerência.

  • A divisão do trabalho é a responsável pela definição de “pessoas diferentes para cargos diferentes”.

  1. “ É que cada operário tornou-se mais especializado em seu próprio ofício do que é possível a qualquer um ser na gerência, e que em conseqüência, os pormenores de como o trabalho será mais bem feito devem ser deixados a ele” => chama-se a utilização deste monopólio do conhecimento para controlar cada fase do processo de trabalho e seu modo de execução.

  • Taylor => pré-planejamento e pré-cálculo de todos os elementos do processo de trabalho devem e são inteiramente incumbidos à gerência.

  • O mesmo acreditava na necessidade dos chefes de turma, “dar força e estímulo aos empregados para que estes executem suas ordens exatamente como estão nas fichas de instruções”.

  • Objetivos da gerência moderna: adaptar o trabalhador aos diversos tipos de tarefas existentes e colocar toda a ciência sob o poder da gerência.

Capítulo 5: Principais efeitos da gerência científica

  • Separação do trabalho mental do trabalho manual (mão e cérebro separam-se / opõem-se).

  • Separação da concepção e execução são divididos entre lugares distintos e de distintos grupos de trabalhadores.

  • Controle na gerência moderna => exige que cada atividade na produção tenha suas diversas atividades paralelas no centro gerencial, ou seja, reproduz-se no papel antes e depois que adquire forma concreta.

  • Concepção e execução apesar de estarem separadas continuam sendo necessárias à produção.

  • Tendências a curto prazo mascaram a tendência no sentido do rebaixamento de toda classe trabalhadora a níveis inferiores de especialidade e funções.

  • Michel Crozier => defende a inserção das mulheres nos escritórios por referir-se a elas como não “chefes de família”, que constituem a maioria do grupo. Além disso, tratam-se de funções inferiores com remunerações mais baixas.

  • A idéia de novas profissões, como engenheiro, surgiu a partir da especialização da ciência.

  • Adam Smith em favor da divisão técnica do trabalho: “que o trabalhador, com a atenção voltada para uma simples operação repetida, inventaria a máquina para facilitar aquela produção”.

  • As novas tecnologias eram advindas, principalmente, da Matemática (álgebra, geometria e trigonometria), das propriedades e procedência dos materiais próprios do ofício, das ciências físicas e do desenho mecânico.

  • Taylorismo => voltou-se, principalmente, para destituir os trabalhadores do conhecimento do ofício, do controle autônomo, e imposição a eles de um processo de trabalho acerebral no qual sua função é a de parafusos e alavancas contrariando os fundamentos propostos por Taylor que eram a cronometragem e o estudo do movimento.

Capítulo 6: A habituação do trabalhador ao modo capitalista de produção

  • O modo capitalista de produção utiliza os seres humanos de forma inumana.

  • Capitalismo => é renovado tecnologicamente exercendo pressões incessantes sobre os trabalhadores.

  • O trabalhador deve ser ajustado ao trabalho a cada geração.

  • Surgimento da Psicologia e Fisiologia industriais com objetivos de aperfeiçoar os métodos de seleção, adestramento e motivação dos trabalhadores.

  • As escolas psicológica, fisiológica e social buscam um modelo de trabalhadores e grupos de trabalho que produzam os resultados desejados pela gerência: habituação às condições do emprego oferecido na firma capitalista e desempenho satisfatório naquela base.

  • Surgem os testes psicológicos e consultas psicológicas aplicadas à indústria.

  • Psicologia industrial => com aplicação dos testes determinava-se com antecipação e adaptabilidade dos trabalhadores à vários empregos, pela classificação deles de acordo com graus de “inteligência”, “habilidade manual”, “propensão a acidentes”, e adaptação geral ao “perfil” desejado pela gerência.

  • Elton Mayo => a motivação dos trabalhadores não é somente individual, mas sim através de grupos sociais da fábrica.

  • Psicologia e sociologia industriais não atingiram os reais objetivos propostos para as indústrias que eram a administração do trabalhador ou do trabalho.

  • Divisão do trabalho na companhia automobilística Ford. Trabalhadores não exerciam mais funções completas e sim, determinadas e limitadas.

  • Com o surgimento das linhas de montagens (esteiras rolantes) houve-se “cortes nos salários e incentivos” aos trabalhadores da Ford.

  • O “Fordismo” e seus meios de produção foram importantes contribuintes para as demais indústrias automobilísticas.

  • A classe trabalhadora está progressivamente submetida ao modo capitalista de produção, e às formas sucessivas que ele assume, apenas à medida que o modo capitalista de produção conquista e destrói todas as demais formas de organização do trabalho, e com elas, todas as alternativas para a população trabalhadora.

  • Incentivos com salários mais elevados induzem os trabalhadores a sujeitar-se a produzir sob as condições do modo capitalista de produção.

  • A força de trabalho humana é manipulada pelo produto de forças econômicas poderosas, políticas de emprego e barganha, e a atuação e evolução íntimas do próprio sistema capitalista.

RESENHA

O assunto abordado a seguir dará ênfase ao trabalho, suas transformações e mudanças decorridas ao longo dos séculos que permearam e ainda permeiam o modo de sobrevivência humana.

Embora inúmeras definições existentes promulguem o conceito de “trabalho”, é imprescindível mencionar como o mesmo aparece em sua real etimologia segundo Cunha (1982) apud Codo, 1995; p.85. :

Trabalho: torturar, derivado de tripalium (instrumento de tortura). Da idéia inicial de ‘sofrer’ passou-se à idéia de esforçar-se, lutar, pugnar e, por fim, trabalhar, ocupar-se de algum mister, ‘exercer o seu ofício’” (latim: tripaliare – entrada no português, séc. XIII).

Haja vista que todas essas definições são num certo ponto, reais e verdadeiras, concretas e também alarmantes sob o sistema capitalista de produção. Contudo, assim como outros teóricos, Braverman deixa clara a distinção entre trabalho e atividade onde esta ao contrário daquele aparece como sinônimo de ação, buscar alguma coisa etc. além disso, pode e/ou é exercida tanto por homens quanto por animais. Desta maneira, o trabalho pode ser uma atividade, mas nem toda atividade humana é trabalho.

Não há dúvidas quanto ao seu parecer que trabalho e atividade, sejam eles quais for, transformam a natureza em busca da satisfação de necessidades.

Então podemos dizer, grosso modo, que o homem mesmo antes de utilizar a linguagem para se comunicar já desenvolvia atividades para a sobrevivência; os símbolos eram uma delas.

Apesar disso, em “Trabalho e Capital Monopolista” vemos nitidamente que o autor define aquele como consciente e proposital onde o cérebro, responsável por sua concepção, terá seu “rompimento sistemático” com as mãos, responsáveis pela execução, mas ambos reúnem-se para formar a força de trabalho que será melhor detalhada adiante.

Verazmente reitero que a relação entre dominador X dominado sempre existiu seja ela desde os primórdios da Grécia antiga, Egípcios passando pela Idade Média, contemporânea até nossos dias atuais. Porém, é no sistema capitalista que essa rixa evolui gradativamente chegando a seu ápice.

Isto ocorre pelo fato de que o capitalismo, a meu ver, sucessivamente objetivou algum interesse seja este na compra e/ ou venda de mercadorias ou até simplesmente na troca de produtos etc.

Queiramos ou não, aceitando ou não “... o modo capitalista de produção cria uma população trabalhadora ajustada às suas necessidades...” (sic) (Braverman, 1977; p.80).

Ora, com o surgimento dele, o que conhecemos como trabalho morto (burocrático) passa a ser mais valorizado, pois sua principal característica é que se produz o próprio valor de troca, o capital. Assim, antes o [trabalho] que era uma atividade útil torna-se a expansão do capital propiciando um lucro e transformando tais formas em trabalho assalariado.

Sobre trabalho, Marx (s/d) apud Codo, 1995; p.88, em O capital, afirma: “O trabalho, como criador de valores – de – uso, como trabalho útil, é indispensável à existência do homem – quaisquer que sejam as formas de sociedade – é necessidade natural e eterna de efetivar o intercâmbio material entre o homem e a natureza e, portanto, de manter a vida humana. (...)”.

Certamente, de acordo com a citação acima, podemos crer que não há nada de errado com o trabalho, pelo contrário, nos é necessário; o que está errado é a maneira como ele nos é imposto. Tal maneira foi e ainda é produzida devido a duas mudanças ocorridas significativamente nos meios de produção do trabalho; sendo a primeira delas sua divisão social que subdivide a sociedade juntamente com a divisão parcelada do trabalho que subdivide o homem, proposto por Adam Smith e Charles Babbage. Já a segunda é o estudo do tempo e do movimento produzido pelo trabalhador, elaborado por Taylor, cujo denominamos de mensuração de tempos e métodos.

Smith, Babbage e Taylor são, de certo modo, os principais “influenciadores” à criação da gerência científica bem como de seu planejamento e controle até mesmo do próprio trabalhador.

É nesta conjuntura que me pergunto: poderíamos julgar aqueles como únicos culpados pela expansão do capitalismo como um todo?

Responderia que não pelo mero fato de que acredito ser os ideais marxistas, em especial o conceito de mais valia, o fator essencialmente primordial na ascensão do capitalismo comercial. E esse unido aos conceitos anteriores fez com que Ford ampliasse e aprimorasse cada vez mais a administração científica do trabalho.

A seguir tem-se um pequeno trecho extraído do próprio “Trabalho e Capital Monopolista” onde ver-se-á explicitamente que as condições de trabalho foram, são e é bem provável que serão realizadas não levando em conta a destreza do trabalhador, mas também o conhecimento que dela possui. :

“ O grande patrimônio do trabalhador assalariado tem sido o seu ofício. Em geral, pensamos no ofício como a capacidade para manipular destramente as ferramentas e materiais de um ofício ou profissão. Mas o verdadeiro ofício é muito mais que isto. O elemento realmente essencial nele não é a perícia manual ou a destreza, mas alguma coisa armazenada na mente do trabalhador. Este algo é em parte o profundo conhecimento do caráter e usos das ferramentas, materiais e processos do ofício, que a tradição e experiência deram ao trabalhador. Mas, além e acima disso, é o conhecimento que o capacita a compreender e superar as dificuldades que constantemente surgem e variam não apenas nas ferramentas e materiais, mas nas condições em que o trabalho deve ser feito”. (Braverman, 1977; p.122).

Deixando de lado a historicidade do trabalho e todas as transformações ocorridas em seu contexto ao longo dos tempos atento-me enfaticamente ao papel do psicólogo nas organizações.

Sabemos que tanto a Fisiologia quanto a Psicologia adentraram-se precursoriamente nas formas e/ou métodos de trabalho capitalista.

A partir disso, é inegável recusar seu crescimento e expansão contínuos neste setor, mas ao mesmo tempo, torna-se difícil encontrar uma única tarefa definida à Psicologia. Sem dúvida alguma todos me perguntariam o porquê disso.

Respondo que ao psicólogo, segundo Codo (1981) apud Lane, 2001; p.196 compete “combinar os indivíduos com as ocupações com as quais se habilita”, objetivando, por um lado, aumentar a satisfação no trabalho e, por outro, aumentar a produtividade reduzindo o turn – over. Entretanto, o mesmo alega que “o psicólogo consciente deveria estar na indústria refletindo conscientemente para tentar subverter as funções”.

Sendo assim, o papel dele na organização industrial é ser o “lobo mau” que atende aos interesses do patrão que, por sua vez, atende aos interesses capitalistas em busca de maiores lucros (capital); não combatendo o assédio moral que entendo ser de interesse e relevante à própria ética da psicologia.

Em suma: sustento que o trecho a seguir defina tudo o que foi abordado aqui sobre trabalho e gerência do livro de Braverman “Trabalho e Capital Monopolista”:

“ O trabalho é representado pelo valor do produto do trabalho, e a duração do tempo pela magnitude deste valor, fórmulas que pertencem claramente a uma sociedade em que o processo de produção domina o Homem e não o Homem domina o processo de produção social... (grifos A Ideologia Alemã, p.8 apud Lane, 2001; p.145).

Para encerrar diria popularmente que na sociedade “manda quem pode, obedece quem tem juízo” ou traduzindo: “obedece quem precisa!”

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • BRAVERMAN, Harry. Trabalho e Capital Monopolista. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1977; p. 49-134.

  • CODO, Wanderley. Sofrimento psíquico nas organizações. Petrópolis: Vozes, 1995; p. 23-93.

  • LANE, Silvia. Psicologia Social: O homem em movimento. São Paulo: Brasiliense, 2001; p. 136-151 e 195-202.


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