Amigo Nerd.net

A INTERVENÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NA TERCEIRA IDADE

Autor:
Instituição:
Tema: A INTERVENÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NA TERCEIRA IDADE

CENTRO UNIVERSITÁRIO AUGUSTO MOTTA
CURSO DE SERVIÇO SOCIAL
FUNDAMENTOS HISTÓRICOS TEÓRICOS METODOLÓGICOS IV

A INTERVENÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NA TERCEIRA IDADE

SUMÁRIO

Apresentação

Introdução

Capítulo I – O Ciclo Familiar: as Relações Intergeracionais
1.1 - A Família Contemporânea

1.2 – A Família e o Idoso

Capítulo II – A prática do Serviço Social e o Idoso

Considerações Finais

Referências

Anexo

INTRODUÇÃO

No relato velhice: solidão e luta o assistente social Paul, mostra sua imobilidade na intervenção junto à idosa Winnie. Ele não obteve progressos na ação com a idosa, visto que nessa fase da vida ela se mostra isolada do círculo familiar e social, sendo assim o profissional não se sentia capaz de resgatar a sua historicidade. Seu trabalho tinha pouca expectativa de efetivação com a certeza da não finalização da sua prática devido à representação negativa da velhice, como tempo de “espera da morte”.

Essa incapacidade de Paul em desenvolver sua prática estava relacionada ao seu preconceito com a classe idosa, nos mostrando o panorama funcionalista da ação profissional naquela instituição. Nesse contexto histórico, apesar de se iniciar o movimento crítico dialético, a hegemonia era funcional com uma prática tecnocrática.
Assim, no enfrentamento das questões relacionadas ao idoso, é urgente ao serviço social conhecer verdadeiramente as determinações presentes no âmbito do trabalho com idosos e suas famílias, que por inúmeras vezes os abandonam e os excluem como aconteceu com Winnie.
A construção deste trabalho se desenvolve acerca das mudanças ocorridas na instituição família, onde através dessa reflexão poderemos entender a exclusão que os idosos sofrem por aqueles que deveriam prover pelo seu amparo, juntamente com o Estado como garante o estatuto do idoso. Assim como vamos abordar, também, a intervenção do Serviço Social com chamada “terceira idade”.

CAPÍTULO I – O CICLO FAMILIAR: AS RELAÇÕES INTERGERACIONAIS

1.1- A Família Contemporânea

Devido a um intenso processo de modificação e modernização na sociedade, a instituição família apresenta significativas mudanças em sua estrutura e nas relações sociais. O processo de industrialização, a entrada do capitalismo e do neoliberalismo marca essas transformações que, paralelamente, refletem na estrutura familiar.

Hoje ocorre uma maior convivência entre as gerações em função do aumento da perspectiva de vida; as mudanças na relação homem/mulher, onde essas obtêm um caráter de temporalidade e as mães que deixaram de ter o papel central nos cuidados com seus filhos são mudanças ocasionadas pelas novas configurações de família. Podemos ainda dizer que o aspecto da individualidade encontra-se hoje no cerne da família moderna, como explica Sarti in Carvalho:

“O problema da nossa época é, então, o de compatibilizar a individualidade e a reciprocidade familiares. As pessoas querem aprender, ao mesmo tempo, a serem sós e a ‘serem juntas’. Para isso, tem que enfrentar a questão de que, ao se abrir espaço para a individualidade, necessariamente se insinua uma ou outra concepção das relações familiares.” (p.43).

O modelo do papel social “idealizado” composto por pai, mãe e filhos, vem se modificando. A divisão sexual das funções, o exercício da autoridade e todas as questões dos direitos e deveres na família, antes predeterminadas, hoje são objetos de constantes negociações. Em decorrência deste conjunto de mudanças pode-se constatar a fragilidade dos vínculos familiares e a conseqüente vulnerabilidade da família no contexto social. Como diz Simões:

“Caracteriza-se, hoje, por um complexo de relações harmônicas, mas que muitas vezes se tornam, por isso, contraditórias, marcadas por conflitos de toda ordem, inclusive gerados pelo consumismo, também nas famílias pobres ou carentes.” (p.187).

Hoje os membros das famílias detêm novos valores, uma nova consciência da identidade dos seus atores principais (crianças, adolescentes e idosos). A mudança da estrutura familiar trás sua desagregação e uma dificuldade em “os chefes de família” prover funções básicas como a proteção e socialização dos seus familiares estabelecendo referências morais, afetivas e sociais.

1.2 - A Família e o Idoso

As mudanças dos laços familiares contribuem para o pouco espaço dado ao idoso na família contemporânea, cujos membros, embora juntos, vivem hoje o isolamento decorrente de uma família fragmentada e fragilizada.

A família é um grupo com história que compartilha uma rede de afetos. Tanto os homens como as mulheres necessitam desse mundo afetivo para sobreviver. Os idosos sempre foram os detentores da memória familiar e os narradores por excelência. Com freqüência, essas narrativas são interrompidas decorrentes de vínculos que foram se perdendo no curso do ciclo de vida familiar.

A família, tradicionalmente, sempre tomou conta de seus idosos. A geração dos mais velhos era cuidada pelos mais novos. A redução do tamanho das residências e outros tantos fatores trazem implicações sérias para a família atual, que tem uma pessoa idosa dependente. Quem vai cuidar desse idoso? Em que local da casa ele vai ficar acomodado, quando se tornam necessárias instalações especiais. Como manter os gastos com saúde e cuidadores? O idoso não ficaria mais bem cuidado em uma instituição especializada? O idoso aceitaria ser internado? A decisão se torna difícil. Mas isso não altera a responsabilidade, para nenhuma das partes envolvidas na tomada de tal decisão. A participação da família é de fundamental importância no cuidado aos idosos pela necessidade de apoio e afeição.

O grande desafio é oferecer condições de vida saudável e com qualidade aos cidadãos que atingem idades cada vez mais avançadas. A legislação atual atribui à família uma posição de destaque, acionando-a como a primeira instância para garantia dos direitos básicos do idoso. Como a citação abaixo se refere:

“ È dever da família, sociedade e Estado garantir todos os direitos de cidadania” (PNI:1994).

“ é obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, á alimentação, á educação, á cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, á dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária”. (Estatuto do Idoso: 2003).

Desta forma, a família é chamada a desempenhar a função de apoio social contribuindo na garantia da autonomia e da qualidade de vida do idoso, porém o que observamos é um grande número de idosos isolados, esquecidos e excluídos por seu ciclo familiar.

Concluímos que o fato do abandono, por um lado, ocorre devido os reflexos da questão social, que impedem determinadas famílias de obter os meios de garantir a qualidade de vida do idoso. Por outro lado a sociedade contemporânea está seduzida com a modernidade e contaminada com a ideologia do imediatismo e consumismo que o sistema capitalista institui, sendo assim, esse sistema fascina os sujeitos e os fazem eliminar do seu convívio aqueles que foram fundamentais para sua existência.

CAPÍTULO II – A PRÁTICA DO SERVIÇO SOCIAL E O IDOSO

Atendendo às novas exigências, o Serviço Social na prática com o idoso, tem o desafio de conscientizar a população do verdadeiro papel do idoso, garantindo o seu lugar numa sociedade que passa por grandes mudanças que estão centradas no avanço tecnológico, favorecendo a relação entre mercado e consumo, e nessa lógica valoriza-se quem produz e consome.

A situação de ser útil apenas pelo que produz na sociedade capitalista, influi diretamente sobre a vida e personalidade da pessoa idosa, que passa a ter certas condutas desviantes por se acharem improdutivos e acreditarem que sua ação com os demais resulta somente da interação e de sua relação com a natureza por intermédio do trabalho.

O desafio do serviço social, diante da questão do idoso, que vive momentos de exclusão social, é manter o diálogo entre as diferentes faixas etárias a fim de despertar a sensibilidade por todas as pessoas que sofrem diversas formas de discriminação, além de potencializar a pessoa idosa a acreditar em si, como pessoa de direitos, isso os levará a redescobrir sua verdadeira identidade, assumir-se como pessoa imprescindível a sua produtividade social.

No entanto, o Estado e a sociedade civil como um todo não fazem prevalecer pelo que está estabelecido na Lei, cabendo ao Serviço Social, junto ao idoso e seus familiares, trabalhar essa questão. Cabe ao Serviço Social, em sua função educativa e política, trabalhar os direitos sociais do idoso, resgatar sua dignidade, estimular consciência participativa do idoso objetivando sua integração com as pessoas, trabalhando o idoso na sua particularidade e singularidade, levando em consideração que ele é parcela de uma totalidade que é complexa e contraditória.

No que se refere à família e à sociedade, o Serviço Social tem como tarefa essencial, tecer considerações e reflexões sobre a questão do idoso, baseado numa visão transformadora e crítica, despertando em ambas o cuidado e o respeito pela pessoa idosa. Isso nos servirá como sinal de valorização do respeito pelo nosso próprio futuro, pois haveremos de adquirir idade e inevitavelmente nos confrontaremos com a velhice.

É interessante observar que o Serviço Social reconhece o idoso como sujeito, cidadão, vislumbrando o seu valor. Porém, a valorização do idoso não deve partir somente do segmento que trabalha nessa área, mas, principalmente, do eixo familiar, uma vez que é referência para o indivíduo.

O Serviço Social, no trato com a família do idoso, deve orientá-los a respeitar a tomada de decisão do idoso consciente, respeitando sua autonomia e liberdade pessoal. No âmbito das políticas é preciso focar essa demanda atual criando mecanismos eficazes no atendimento a população idosa. Lobato (in Bravo) nos fala:

“Diante das desigualdades sociais que ainda presenciamos em nosso país, que tem tido crescimento acelerado da população idosa, precisamos unir esforços com outros profissionais que tenham compromisso com a causa do idoso, no desenvolvimento de programas e projetos que busquem garantir melhores condições de vida e dignidade na velhice. Precisamos romper com a ideia que ter envelhecimento saudável é apenas uma questão de mudança de hábitos, o que descaracteriza o papel das políticas públicas para idosos, ainda pouco implementadas em nosso país”. (p.147).

Concluímos que para a auto valorização do idoso, na concepção de Homem-Mundo, o assistente social necessita obter uma ampla visão da totalidade, buscando atuar de forma criativa e propositiva na realidade social, com o intuito de modificar e transformar a realidade do idoso, o vendo como sujeito de direitos e o valorizando na sociedade, procurando por intermédio de ações interventivas superar as formas de isolamento e exclusão social.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Concluímos que o idoso é parte integrante e imprescindível da dinâmica social, é sujeito de direitos, autonomia e identidade. Deve-se romper com a visão errônea da sociedade de que a “terceira idade” é uma fase de fragilidade e improdutividade. É importante a conscientização desse fato para impedir a reprodução dessa ideologia.

A questão social, em suas múltiplas facetas, se reflete no idoso justamente no ponto da exclusão social; do não convívio familiar, da falta de acesso a direitos e serviços voltados para sua idade, assim como da falta de recursos das famílias, pela situação de pobreza e miséria enfrentada, que são impedidas de garantir a qualidade de vida dos seus idosos.

O Serviço Social está diretamente ligado à forma como são desenvolvidas as relações em sociedade e o desempenho da prática profissional se faz pelas demandas postas na atualidade, onde é necessário acompanhar as transformações ocorridas no passar dos tempos. Portanto cabe ao profissional estimular a auto-estima da pessoa idosa e a garantir seus direitos junto ao Estado via política pública.

REFERÊNCIAS

CARVALHO, Maria do Carmo (org.). A família contemporânea em debate. São Paulo: Cortez, 2003.

VITALE, Maria Amália Faller; ACOSTA, Ana Rojas. Família: redes, laços e políticas públicas. São Paulo: Cortez; Instituto de estudos especiais – PUC/SP, 2008.

BRAVO, Maria Inês Souza (org.). Saúde e Serviço Social. São Paulo: Cortez; Rio de Janeiro, UERJ, 2009.

SIMÕES, Carlos. Curso de direito do Serviço Social. São Paulo: Cortez, 2009. (Biblioteca básica do Serviço Social; v. 3).

BULLA, Leonia Capaverde. Relações sociais e questão social na trajetória histórica do serviço social brasileiro. Revista Virtual Textos & Contextos, n° 2, dez. 2003.

YASBEK, Maria Carmelita. O significado sócio-histórico da profissão. Módulo I Curso Serviço Social: Direitos Sociais e Competências profissionais. S/ data – CD ROOM (pasta virtual da Profª.).

Serviço Social e Sociedade número 75 - Cortez Editora. Outubro de 2003.

BRASIL. Lei nº. 8.842, de 4 de Janeiro de 1994. Política Nacional do Idoso.

BRASIL. Lei nº. 10.741, de 1° de outubro de 2003. Estatuto do Idoso.

 

 

 

 

Comentários


Páginas relacionadas