Monografia: Serviço Social e Questão Ambiental. Uma análise sobre a presença do tema em currículos de cursos de graduação em Serviço Social em IES do Distrito Federal

Autor:
Instituição: Universidade Católica de Brasília
Tema: Monografia: Serviço Social e Questão Ambiental. Uma análise sobre a presença do tema em currículos de cursos de graduação em Serviço Social em IES do Distrito Federal

Monografia: Serviço Social e Questão Ambiental. Uma análise sobre a presença do tema em currículos de cursos de graduação em Serviço Social em IES do Distrito Federal

Universidade Católica de Brasília
2009

 

 

 

Resumo:

A questão ambiental tem proporcionado as diversas áreas uma aderência a interdisciplinaridade, onde a visualização das relações entre sociedade e meio ambiente se fazem necessárias.

Esta temática está envolta do capitalismo, da participação, das ações governamentais, dos impactos ambientais, da dialética, da alienação, da política, entre outros aspectos, nos mostrando que é pertinente o seu entendimento para a realização de ações aos diversos grupos profissionais, inclusive os assistentes sociais.

O artigo tem como objetivo verificar se existem discussões (sejam em debates, seminários, ou disciplinas) voltadas para a questão ambiental nos cursos de Serviço Social do Distrito Federal.

Como método de trabalho será realizado uma amostragem probabilística através de uma enquete utilizando o questionário com as direções de cursos.

O resultado obtido foi uma amostra pequena de discussões sobre a Questão Ambiental e o Serviço Social, porém o tema não é invisível nas IES.

Palavras-chave: Questão Ambiental. Serviço Social. Relações Sociais.

 

Abstract:

The environmental question has provided the various areas an adherence interdisciplinarity, where the visualization of relations between society and the environment are necessary. This subject is shrouded in capitalism, the participation of government, environmental impacts, dialectics, alienation, politics, among other things, showing us that is relevant to their understanding to realize out actions to the various professional groups, including social workers. The article aims to determine whether there were discussions (whether in debates, seminars or courses) focused on environmental questions in the courses of Social Service of the Federal District.

As a method of work will be done through a random sampling of a survey using the questionnaire with the directions of courses.

The result was a small sample of discussions on environmental issues and social work, but the issue is not invisible in the IES.

Words-key: Environmental Question. Social Service. Social Relations.

 

INTRODUÇÃO

A questão ambiental vem levantando inquietações em diversas áreas de atuação. Ela não é algo recente, porém tem ganho visibilidade maior nos últimos 20 anos. Isto devido aos seus desdobramentos, como secas, enchentes e outros impactos ambientais.

É perceptível que não dá para realizar uma análise da sociedade desconectado da situação em que se encontra o meio ambiente.

O Serviço Social tem como perspectiva a garantia de direitos, dentro de uma sociedade excludente e discriminatória. E para que esta se torne realidade é necessário que o referido curso comece a trabalhar em seus espaços a questão ambiental.

ARAÚJO (almanaque Brasil socioambiental, 2007, p. 236) afirma que o direito socioambiental reconhece que “as questões sociais e ambientais estão intimamente misturadas”, não havendo como dissociá-las.

Foi a partir dessa perspectiva que durante o estágio curricular em Serviço Social realizado na Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Católica de Brasília, mas precisamente no projeto: “A construção da cidadania por meio do fortalecimento das cooperativas de catadores de matérias recicláveis do DF”, mais conhecido como Projeto Catadores, nos anos de 2007 e 2008, a relação entre a questão social e questão ambiental tornaram-se foco de algumas inquietações.

A realidade dos catadores de materiais recicláveis, que hoje são considerados agentes ambientais, devido ao relevante serviço que prestam a sociedade, mas que, ao mesmo tempo em que trabalham para a própria sobrevivência em uma atividade que ainda não possui o devido reconhecimento social, foi um ponto que chamou bastante atenção.

Além disso, notar no meio de tantos agravantes relacionados a sua condição social, em que este grupo de trabalhadores se encontram, a necessidade de também entender a questão ambiental como uma parte integrante do contexto em que vivem, foi uma “surpresa”. Daí, a constatação de que a realidade dos catadores, assim como tantas outras em que o assistente social irá atuar, necessita de um entendimento que articule o social, o cultural, o econômico, o político e também a questão ambiental, colocando a questão sobre como é trabalhada esta temática no Serviço Social.

E os assistentes sociais como frente na garantia de direitos dos cidadãos, não teria que também atentar para esta questão?

A curiosidade começou no Projeto Catadores, mais veio se consolidar no Projeto Rondon(O Projeto Rondon é um projeto de integração social coordenado pelo Ministério da Defesa e conta com a colaboração da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação – MEC. O Projeto envolve atividades voluntárias de universitários e busca aproximar esses estudantes da realidade do País, além de contribuir, também, para o desenvolvimento de comunidades carentes).

O grupo com que tive o privilégio de passar 16 dias no município de Borba, no estado do Amazonas, estava representado por cursos de diversas áreas: Medicina, Odontologia, Enfermagem, Relações Internacionais, Pedagogia, Química, Educação Física, Biologia e Serviço Social. Contudo, todos estavam lidando diariamente com a questão ambiental. Mais uma vez me deparei com a necessidade de atenção que o estudante de Serviço Social deve ter com os acontecimentos do meio ambiente.

É inegável o quanto que este tema está permeado na sociedade e que daqui em diante todos os tipos de conhecimento terão que voltar a atenção. Seja qual for à área em que o assistente social irá trabalhar estará diante deste desafio.

Este trabalho tem o objetivo de pesquisar se os cursos de Serviço Social do Distrito federal estão atentos para a relação entre os futuros assistentes sociais e a questão ambiental, através da disponibilidade de debates ao tema.

Um dos primeiros passos para a realização deste é trazer á tona o que realmente se configura como questão ambiental. Com a pretensão de desmistificar o grande mito desta temática, onde é visualizada apenas pelos resultados fins, mais conhecida como disfunções da natureza. Como ela surge ou há quanto tempo já está em nosso meio, dificilmente é trago, pois desencadeará uma série de fatores, mexendo principalmente com interesses particulares e com um desenvolvimento que tem que acontecer a todo custo. Este por sua vez esquece questões primordiais não só o ambiente, mas a vida do ser humano como um todo: emprego, saúde, habitação, alimentação e outras necessidades.

Repensar o modo em que nos encontramos diante dessa realidade torna-se importante, uma vez em que julgamos pertencer a uma sociedade democrática, na qual possuímos voz ativa. De igual modo, para tematizar a questão ambiental é necessário deixar de lado os “achismos” e fugir do pensamento equivocado segundo o qual meio ambiente é um assunto da moda e compreender que a questão ambiental também perpassa pelas relações sociais.

Outro ponto a abordar é o quanto que o movimento social foi decisivo em trazer para as discussões a situação em que o meio ambiente se encontra.

A temática nos proporciona uma visão da nítida diferença das classes sociais, os impactos ocorrem em toda a sociedade, porém sua vivencia e como enfrentar estes resultados, quem mais sofre é classe baixa. Uma vez que recorrer a seus direitos torna-se uma longa estrada, onde a burocracia e a omissão do Estado sabem muito bem representar as pedras e o sol escaldante, então porque não citar também a falta de água.

Assim, para o presente estudo, em que buscamos identificar a interface entre questão social e questão ambiental e como o Serviço Social vem incorporando essa discussão, toma-se como referência as Diretrizes Curriculares do Cursos de Serviço Social e da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), por serem documentos que sinalizam de forma explícita a necessidade de um estudo socioambiental. Afirmando como importante trazer aos espaços de socialização de conhecimento do curso a discussão da questão ambiental.

O método apresentado no trabalho será uma pesquisa através de questionário com perguntas estruturadas realizada com as direções de cursos de Serviço Social. Será também observada a grade de disciplinas destes.

O presente trabalho não tem a pretensão de abordar todas as ramificações da questão ambiental, mas apenas citar alguns tópicos que a circundam. Demonstrando que este assunto é pertencente a toda área de saber.

 

QUESTÃO AMBIENTAL: ALÉM DA EXTINÇÃO DE ESPÉCIES DA FLORA E DA FAUNA

A questão ambiental vem sendo mais discutida nos últimos vinte anos, devido à proporção que tem ganho. O clima, as enchentes são resultados concretos da degradação do meio ambiente e que influenciam bastante o cotidiano do ser humano, resultando em incomodo para a sociedade. Este é um forte fator para que a população consiga visualizar as condições reais do meio ambiente.

Ela é mais discutida e trabalhada efetivamente pelas áreas de engenharia ambiental e florestal, da biologia e área afins. Há ainda pequenos indícios de antropólogos, de historiadores que debatem o assunto, porém já podemos visualizar o interesse “multidisciplinar”.

“A questão ambiental é uma série de obstáculos culturais e materiais de riscos concretos que se erguem diante da qualidade de vida humana e como um processo de extinção de espécies de fauna e flora que contém inúmeras implicações de ordem sócio-econômica”. (MARTINEZ, 2006, p.11)

Esta visão até certo ponto está correta, porque mostra de forma concreta as conseqüências da destruição da natureza referente à vida humana. Deixa claro o reflexo negativo, quando o ambiente não está em equilíbrio, dando a entender há implicação também na economia e no social. Certamente tudo isto é questão ambiental. Mais é necessário pensá-la com um pouco mais de critério.

Um ponto a ser observado diz respeito à qualidade de vida humana. Quando o autor refere-se aos riscos concretos que se erguem diante da vida do homem, pode-se provocar uma má interpretação em relação ao tema. Porque visualizar somente as conseqüências da destruição do ambiente como prejudicial ao homem, retira da sociedade a responsabilidade de ver o motivo que provocou a destruição da natureza, na qual está apenas dando respostas a ela. É como se o ser humano fosse o coitado e a natureza é quem provoca o mal estar do homem.

Por outro lado percebe a preocupação do autor em mostrar que existe uma ligação entre o homem e o meio ambiente, quando traz as implicações na vida humana. É uma forma de expressar que tal situação não está á parte do homem, mas que ele é inserido nela e por sua vez sofrerá implicações. O recado é dado, mesmo que o tema parece alheio a nós, seria bom começarmos a visualizarmos como pertencente a ele.

"A questão ambiental, por sua vez, denota aqui um fenômeno associado aos desequilíbrios sistêmicos ocasionados pela persistência de padrões reducionistas de regulação da dimensão econômico-política da vida social e pela natureza exponencial das curvas globais de crescimento demográfico.” (VIEIRA, 2002, p.50)

Este conceito também nos ajuda a entender melhor a questão ambiental, mas não para por aí. Pois se analisarmos esta apenas pelo crescimento demográfico e maneira errada de conduzir o desenvolvimento, ficaremos parados no momento da contemplação, esquecendo que ela está interligada a nós e não só as grandes instâncias, como e estado e as indústrias. Não descarto o impacto que o crescimento demográfico causa ao ambiente, pelo contrário, afirmo que foi um dos fatores que gestaram a questão ambiental. Porém analisar só por esta ótica torna-se um olhar restrito. E não é esse o objetivo do trabalho.

No Almanaque Brasil Socioambiental (2007, p.33) afirma que o planeta terra, abriga atualmente, 6,4 bilhões de pessoas. Esse número é seis vezes mais do que em 1830, época da revolução industrial e início do processo de crescimento acentuado da população nas cidades e áreas urbanas. Nos próximos 50 anos, segundo estimativas, a previsão é de que o mundo tenha 8,5 e 9 bilhões de habitantes.

O Crescimento populacional tem muito haver com o desenvolvimento sustentável. Era já esperado o crescimento populacional, uma vez que faz parte de um processo natural humano, mas a discussão não é fato da reprodução, porém como foi tratado. Não relacionaram o homem com o meio ambiente.

As construções, o consumo e as necessidades com certeza marcariam presença na vida humana, todavia, dentro de um padrão que torna a sobrevivência humana e a da natureza possível e não com um padrão de coisificação.

A Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (apud Almanaque Brasil Socioambiental, 2007, p.440) define o “desenvolvimento sustentável como aquele que atende as necessidades dos presentes sem comprometer a possibilidade das gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades”. O que reafirma a interligação do social com o ambiental. É nítido que a cada vez tem tido um despertar para entender que não há como visualizar só o social ou só o ambiental.

A preocupação hoje não está só com o grau de desenvolvimento ou progresso que o país vem alcançando, mas se estes irão permanecer nas próximas gerações, uma vez que destruída o natureza, não haverá mais recursos, não só para a “riqueza” do país, como para o sustento básico das famílias.

Assim, ao defendermos o progresso e o desenvolvimento como a solução para todos os males cabe perguntar: A que preço? A que custo?

A relação progresso-sustentabilidade ambiental possui , hoje, importância inquestionável .Progresso sinaliza avançar respeitando as condições existentes, até porque são estas quem indicarão se houve progresso ou não. É nelas que são realizadas as construções para o progresso. Elas são as bases. E sem base não há nenhuma construção. Por tudo que tem visto na sociedade, não há indícios de respeito, de consideração com a natureza. Portanto levantar a bandeira do progresso em relação ao ambiente, ainda é arriscado.

Progresso tecnológico avançou nos últimos dois séculos, mas suas conseqüências negativas para o maio-ambiente e para imensos contingentes populacionais não podem ser esquecidas. Retorna-se então a pensar o desenvolvimento sustentável, onde é primordial o desenvolvimento econômico, político, cultural, social respeitando a natureza.

Como seria pensar neste, sendo imersos em uma sociedade totalmente capitalista? Responder de ímpeto é perigoso, então eis aqui um desafio pela frente. No qual precisa ser analisado e retirado do campo da subjetividade, trazendo-o para o concreto.

 

CAPITALISMO E SUSTENTABILIDADE SÓCIO-AMBIENTAL: UMA REALIDADE POSSÍVEL ?

A imprecisão dos termos, no debate sobre a questão ambiental nos faz pensar que o meio ambiente está sendo destruído como conseqüência de fenômenos meramente climáticos : enchentes, secas, entre outras. são maléficas ao ser humano. A primeira vista, pode parecer correto, porém o cuidado com as sutilezas dos fatos e palavras é importante.

As alterações climáticas têm prejudicado o ser humano? Sim. Contudo, estes desequilíbrios foram provocados por algo e não que o meio ambiente acordou com mau humor e resolveu prejudicar todo o planeta.

Contudo, estes desequilíbrios não são produto do acaso, mas provocados por fenômenos cujas origens podem ser encontradas no modo como as sociedades capitalistas ocidentais organizam o processo produtivo. O olhar a questão ambiental não deve acontecer só pelos resultados e impactos dramáticos que provoca.

O olhar a questão ambiental não deve acontecer só pelos resultados fins. Mas o que está a tornando tão complexa? , O que aconteceu para o ambiente responder assim? , Mesmo com tantos impactos ambientais parece que o esgotamento da natureza ainda continua? Por que as leis ambientais parecem travadas?

Por mais que ela só conseguiu ter visibilidade depois de ter afetado diretamente à saúde, as condições financeiras, e etc. Ela não é só o resultado fim.

Para a doutora em Serviço Social Mônica Aparecida Grossi (2009, grifo do autor) a questão ambiental, visualizada na “crise ecológica”, é, portanto, “a expressão da relação sociedade/ natureza que vem destruindo as duas fontes de produção de riqueza: o trabalho e a natureza.”, ou seja, restringir questão ambiental a questão ecológica esconde os impactos que a forma pela qual a sociedade se organiza para produzir. No momento contemporâneo tal forma de organização rege-se pelo modo de produção capitalista, o que coloca a necessidade de, ao tematizarmos a questão ambiental, nos reportar também a uma discussão sobre como este modo de produção afeta as relações sociais e ambientais.

Uma análise na perspectiva marxista que salienta um dos pontos importantes para a discussão do tema. Não afirma a questão ambiental como à crise ecológica, mas que ela é visualizada nesta e está entrelaçada nas relações humanas com a natureza. A partir daí inicia a busca por separação de conceitos que ajudam a ver a questão ambiental além da estrutura da natureza.

O princípio para entendê-la conceitualmente é buscar o significado do meio ambiente, já que é neste onde acontece a manifestação da questão ambiental.

Coimbra (2002, p.33), afirma: “o meio ambiente é a realidade complexa resultante da interação da sociedade humana com os demais componentes do mundo natural, no contexto do ecossistema planetário da terra”.

Pode-se inferir que tudo aquilo que está ao redor, tanto sendo considerado como ser biótico (organismos vivos. Ex: animais, plantas e etc.) ou abiótico (fatores não vivos. Ex: clima, pressão e etc.) e suas relações é considerado meio ambiente. É nele onde acontecem as mais diversas interações, onde fizeram emergir a questão ambiental.

É importante atentar ao que está sendo colocado a nós. Vemos questão ambiental como enchentes e outros desequilíbrios da natureza. Porém não é. Esta concepção é de impacto ambiental, onde são vistas as destruições da natureza e os seus efeitos na sociedade. O impacto ambiental é entendido como um desequilíbrio provocado por um choque, um "trauma ecológico", resultante da ação do homem sobre o meio ambiente. No entanto, pode ser resultado de acidentes naturais: a explosão de um vulcão, o choque de um meteoro, um raio, etc.

 

RELAÇÃO SOCIEDADE E MEIO AMBIENTE

Os pensadores da teoria social clássica, como, Marx, não trabalharam especificadamente a questão ambiental. As suas análises da sociedade eram quase sempre focadas na relação do homem com o modo de produção e a economia que estava vigente em determinadas épocas. O que não invalida pensar o meio ambiente a partir de uma abordagem histórica que remete ao pensamento marxista.

“A visão dialética marxista, uma das formas de enxergar as relações sociedade/natureza no pensamento ocidental, que valoriza o papel das relações econômicas, possibilita um a compreensão mais clara dos atuais problemas ambientais, embora o modelo de interesses e de relações de poder que Marx analisava tenha modificado profundamente na fase capitalista contemporânea. Marx sustentava que a relação do homem com a natureza, medida pelo trabalho, era um aspecto fundamental da atividade humana, mas o capitalismo industrial organizou de tal forma o processo de trabalho, que este acabou convertendo a relação entre o trabalhador e a natureza em uma caricatura que era antes, reduzindo os trabalhadores a coisas, alienados de seus produtos, do método de produzi-los e da própria natureza.” (BERNARDES E FERREIRA, 2007, p.39).

Agora não se pode esquecer que algumas categorias levantadas por estes pensadores nos ajudam a visualizar e a compreender melhor o quebra-cabeça da complexidade da questão ambiental. Uma vez que esta não é limitada ao entendimento da destruição da flora e fauna. Há como refletir, por exemplo, na categoria dialética.

Pensando na categoria dialética, pode levantar a relação da sociedade com a natureza, já que esta permeia todo o processo de emersão do tema. Pensar historicamente a questão ambiental nos remete aos primórdios das primeiras organizações humanas quando alimentos, roupas, “casas” eram todas extraídas diretamente da natureza, e que, por isso, deveria ser cuidada e protegida, fazendo parte do sentido de existência humana.

No tempo das “descobertas”, das grandes civilizações e dos estabelecimentos dos impérios, começou a surgir o sentimento de superioridade em relação ao modo de operacionalização do meio ambiente. O homem já agia como altamente superior, desvinculando a necessidade do cuidado com o ambiente natural que o cercava, passando a relacionar-se com ele de forma utilitarista e predatória com o desenvolvimento de atividades como extrações de minérios, a má utilização dos solos, retirada exagerada de espécies vegetais e etc.

No Brasil desde a colonização o meio ambiente vem sendo degradado. Toneladas de recursos naturais vêm sendo retirados com o exclusivo propósito da ganância. Naquela época não se cogitava ainda a importância do cuidado com o meio ambiente, o quanto que este e o ser humano estão interligados e como um depende do outro. O certo é que foi um dos primeiros passos na história da questão ambiental. É neste momento que começa a dar origens as peças que circundem a temática.

Agora em nosso tempo a relação da sociedade e natureza, foi alocada meramente ao campo da exploração, o que era antes visto como importante e indispensável para a sobrevivência, hoje configura-se como fonte de lucro.

Mesmo o homem mudando suas concepções em relação à natureza, esta sempre se mostrou aberta. Porém dando sinais de que a relação não estava sendo de ambas às partes, e sim unilateral. Dialética nem pensar.

Não há como se esquecer de mencionar o quanto o capitalismo é manipulador das relações, não só em relação ao mercado, mas na relação do homem no ambiente.

Com certeza ele influenciou bastante para o agravamento natureza. Tanto nas relações quanto nas ideologias. Desde a revolução industrial no século XIX, já houve uma grande explosão de ações contra a humanidade, e aí englobo homem e natureza.

Presenciou-se uma urbanização sem planejamento, ou quando dito haver, sem nenhum cuidado com o espaço, no qual realizaria as obras. Córregos e nascentes que dessem licença, ou melhor, que saíssem do lugar, pois a construção de qualquer maneira iria ser efetivada. Sem esquecer as toneladas de lixo lançados ao ambiente pelas indústrias.

Pretexto da falta de conhecimento sobre os malefícios não são aceitos, uma vez que a ciência e a tecnologia estavam mais em evidência do que antes.

“A relação sociedade/natureza assume novas determinações a partir das contradições de classe inerentes ao modo de produção capitalista. Entender o processo e os elementos constitutivos do capital e o desenvolvimento das relações sociais propriamente capitalistas são central para o entendimento da desigualdade entre classes sociais expressa nos seus aspectos econômicos, políticos e culturais e, particularmente na desigualdade das classes no acesso, domínio e uso dos recursos naturais, fator constitutivo do que entendemos por questão ambiental”.(FOLADORI, 2009)

É no capitalismo que os valores são invertidos. Onde o homem passa a ser dependente do produto a qual cria. E não o produto que passa a ser reconhecido como trabalho dele. Mas aquele por sua vez, possui mais importância e valor que o homem. Tudo começa a ser alocado no plano da supervalorização do lucro, passando a entrar a viver no ritmo do capital. O próprio homem é visto como coisa, imagine a natureza.

Mas no capitalismo as relações sempre foram de exploração e se necessário a destruição de alguma parte, desde que traga riqueza e elevação à outra. Alguma mudança já soa barulho de interesse. Como exemplo, temos o crédito de carbono, uma medida do protocolo de Kyoto. De acordo com o Almanaque Brasil socioambiental, (2007, p.540) o protocolo é um documento negociado e firmado na cidade de Kyoto, Japão, em 1997, pelo qual os países desenvolvidos se comprometem a reduzir 5,2% entre 2008 a 20012, suas emissões de gases contribuintes para o efeito estufa, referentes aos níveis de emissão de 1990.

Neste ficou estabelecido que uma tonelada de dióxido (CO2) seria equivalente a um crédito de carbono. Logo as indústrias podem negociar entre si este crédito. É exigido das indústrias padrões ambientalmente aceito, ou seja, poluir até determinado ponto. O problema é que estas grandes indústrias não alcançam esta marca e acaba comprando o direito de uma indústria pequena que não ultrapassou a cota.

A poluição continua no mesmo jeito, só que agora existe uma nova forma de arrecadar dinheiro para o capitalismo. Sabe como? A liquidação do meio ambiente, basta saber quem dá mais e quem dá menos.

A medida o protocolo de Kyoto é válida, porém deveria estudar meios para que tanto indústrias pequenas como grandes entrar no mesmo padrão.

Questão ambiental está alocada no campo das decisões governamentais, na estrutura econômica do nosso país, na política. Portanto é possível afirmar que esta também pode ser vista como pouca participação dos cidadãos, o desconhecimento dos assuntos que circundam a nossa vida, a omissão política, o descaso com o ambiente e os mandos e desmandos do capitalismo.

Esta perpassa pela economia, pelo crescimento demográfico, pela política, pela alienação, pela extinção de espécies da flora e da fauna e não que ela seja apenas uma dessas esferas. Mais a interligação destas e as suas relações com a sociedade, explicitando relação homem e meio ambiente.

 

CONSEGUIMOS VISUALIZARMOS COMO PERTENCENTES AO MEIO AMBIENTE?

Pela sua grande diversidade a natureza desperta duas situações, mais visíveis: a primeira, um olhar de estudiosos, de diversas áreas que querem conhecer e preservar suas espécies, tornando-a um grande laboratório de aprendizagem, contribuindo muito para pesquisas, remédios e etc. A segunda, refere-se ao olhar ambicioso, onde destruir, explorar e exterminar é permitido.

Sabe-se que o advento do capitalismo é um grande um contribuinte para a devastação da natureza, seja em derrubadas ou poluições. Entretanto existe mais um entrave nesta situação, o que podemos chamar de comodismo da sociedade, o reflete diretamente na alienação.

A falta de se ver como membro ativo e pertencente à sociedade, prejudica o compreender da questão ambiental. A não alienação é crucial para que possa despertar uma maior atenção no meio em que se vive.

Passar a se ver como agente ativo e que suas ações podem interferir para mudar situações, não é vinculado e nem reservado apenas aos movimentos sociais. Mas é dever do cidadão. Já passou da hora de vestir a camisa da cidadania, somente em períodos eleitorais.

A consciência de participação se faz necessário em uma sociedade que se intitula como democrática. A participação vai além de desejos individuais e bem longe do comodismo, cortando qualquer ligação com a alienação.

No âmbito da questão ambiental, a “aplicação” do entendimento da cidadania ainda é restrita. Quando se pensa em cidadania, traz logo conceitos que irão nos direcionar à quase sempre ao direito individual. É difícil fazer um paralelo com questões de cunho coletivo, quanto ao mais as que se referem ao meio ambiente, quase nunca lembrado.

Esquecer que a situação do ambiente influencia direto nos meios de produção, na política, na cultura e etc., ou seja, reflete no cotidiano da pessoa, sem mencionar nas questões de saúde, é simplesmente viver alienado da própria vida.

O meio ambiente e seus desdobramentos como a questão ambiental, para muitos é como o gasparzinho (o fantasminha camarada), consegue vê, se simpatiza, porém não se torna tão real como deveria ser e até visto como uma lenda.

Com relação à educação podemos ver o assunto muito debatido nos cursos superiores. Segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)(2009) em uma avaliação feita em 2004 dos novos cursos de mestrado e doutorado, dentro da área multidisciplinar, 75% são relacionados ao meio ambiente. Isto traduz a crescente discussão sobre a questão ambiental no meio acadêmico de nível superior e necessidade de especialização na área. Não só a engenharia ambiental e florestal, biologia estão se ocupando em descobrir as

particularidades do tema. Outras áreas tem se interessado e percebido que a questão ambiental é pertinente a toda a sociedade.

O contraponto é que a maioria da população não chega ao ensino universitário, quanto mais à pós-graduação, mestrado e doutorado. Existem barreiras concretas, nas quais impedem a terem acesso a essa formação.

Neste caso cabe abrir um parêntese e pensar de como o assunto tem sido transmitido ao ensino primário, fundamental e médio e se tem sido transmitido. Já que são estas formações que abrangem boa parte da sociedade. Fica aqui um ponto para causar questionamento.

Um dos desafios das formações de nível superior com relação ao tema é conseguir sair das formas do ambiente acadêmico e começar a permear todos os setores da sociedade, desde a política até a cultura.

O meio ambiente passa ser um ente muito superior, onde somente pessoas privilegiadas passam a conhecê-lo.

Também se visualiza a temática no meio do empresariado. A maioria das empresas só aceitam as leis ambientais por pressão. Na verdade não gostam dos padrões exigidos pelas leis. Porque acham que irão comprometer o lucro e não estarão com os mesmos rendimentos de antes e também algumas das empresas precisam realizar certas adaptações (sejam em hidrômetros, lâmpadas, máquinas que consomem menos energia) o que implica em gastos, conseqüentemente não agrada em nada a contabilidade do seu lucro.

E cumprem a lei pelo fato de zelarem pela imagem institucional, preferem passar por empresa ecológica e ganhar status na sociedade, do que perder prestígio com a fama de não ser “preocupado” com o ambiente. Ser ecológica tem provocado uma ascensão em confiabilidade do público crescendo assim a imagem da empresa.

O constrangedor nesta relação é que a empresa não tenha a mínina idéia do que significa questão ambiental e muito menos age de forma racional em preservação ao meio ambiente, mas mesmo assim ganha fama, e sabe o por quê? A população também não sabe o que é questão ambiental e muito menos se a empresa está ou não agindo ecologicamente. Os empresários conhecem esta realidade, trabalham em propagandas persuasivas e fica por isto mesmo. O meio ambiente passa a ser um garoto propaganda em favor, da sua própria destruição.

 

QUESTÃO AMBIENTAL: UM INTERESSE POLÍTICO

Há de considerar a temática a nível internacional. Duas conferências que marcaram o mundo em relação à questão ambiental. A primeira promovida pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1972, intitulada como a primeira conferência mundial sobre meio ambiente, e a segunda em 1992, conhecida como ECO-92 ou RIO-92, onde a atenção foi voltada para a mudança climática. Neste espaço pode-se ver a expressão dos países em relação ao ambiente. Inicia-se a inquietar que questão ambiental não é algo aleatório e isolado, mas que repercute mundialmente, atingindo países desenvolvidos e subdesenvolvidos.

O embate nestas conferências são discursos já prontos dos países envolvidos e não uma dinâmica de discussão que debatem a realidade do meio ambiente, traduzindo assim em um remendar da situação já instalada de destruição a natureza e não uma busca por mediações que venham beneficiá-lo.

Os países desenvolvidos se concentram em debater a defesa de locais ainda não desmatados, ou que pelo mesmo simbolize um “verde”, sendo que em seus próprios países isto é quase inexistente.

Debatem preservação e medidas socioambientais no território dos países subdesenvolvidos, assim se isentam da responsabilidade e se esquecem do quanto já prejudicaram o meio ambiente.

Já os países subdesenvolvidos enfocam as discussões na pressão que tem de ser realizada sob os desenvolvidos para cumprirem os acordos de proteção ambiental. Assim garantem que os países desenvolvidos parem em sua ascensão, a ponto deles começarem a desenvolver para alcançar o mesmo patamar econômico dos demais.

Na verdade desviam as suas responsabilidades, nas quais poderiam ser realizadas em prol do ambiente, afirmando que os países desenvolvidos só falam em preservação na intenção de impedi-los de se desenvolverem. Aliás, para chegarem onde estão várias florestas, rios, mananciais, animais sumiram do mapa.

O resultado deste “jogo de empurra-empurra” é o descaso com o ambiente e prolongamento de decisões importantes referentes a ele. Aqui o ambiente passa a ser um filho rebelde, é vivo, mas dá muito trabalho para “cuidar”. Então não é de ninguém a responsabilidade.

 

QUESTÃO AMBIENTAL E OS MOVIMENTOS SOCIAIS

É inevitável não ver o crescimento do terceiro setor. A maioria dos movimentos que giram em torno da bandeira de preservação do meio ambiente são as ONGs (organizações não governamentais).

O estado não só se ocultou em relação à destruição do ambiente, como também transferiu responsabilidades. Nesta transferência deixou o meio ambiente á mercê de ações e iniciativas de toda espécie.

Dentro do ministério público quem entra com mais ações em defesa do ambiente são as ONGs. Estas estão sempre atentas aos acontecimentos referentes á questão ambiental. As suas maiores atuações estão concentradas na região amazônica. Uma região extremamente visada pelo cenário internacional.

É bom destacar que não existe apenas um padrão de organizações não governamentais, mas uma diversidade. Portanto encontram-se organizações atreladas aos interesses do mercado.

O movimento social veio como um instrumento disseminador de debates á questão ambiental, contribuindo para o despertar da sociedade como um todo, englobando cientistas , empresários , trabalhadores em diversos setores, estudantes entre outros. Assim suscitou vontade de busca pelo tema. Ele não só alertou mais inquietou os diversos setores a darem respostas do cenário ambiental.

Na medida em que vão emergindo as pressões e a conscientização no meio da sociedade, o Estado vai dando respostas. O Brasil é destaque em leis de proteção ambiental. É considerado um referencial, principalmente para os países “vizinhos”.

A Constituição Federal é a mais citada quando mencionado em defesa ou preservação do ambiente.

Sobressaltando o artigo 255: “todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial á qualidade de

vida, impondo-se ao poder público e á coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

Outras leis nas quais pode-se elencar são:

Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei n. 6938/81)- Defende a utilização dos recursos naturais de forma sustentável, a proteção e preservação de todos os ecossistemas no território nacional, a intervenção do Poder Público através de fiscalização e planejamento, e a reparação de danos provocados ao meio ambiente pela pessoa que executou.

Lei da Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei n. 9.433/97): Menciona a água como um bem público; a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada; a água é um recurso natural limitado.

Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação- SNUC (Lei federal n. 9985/00)- trouxe uma ligação entre ás áreas protegida a nível nacional. A partir dela todas as unidades de conservação passaram a trabalhar em conjunto, traçando objetivos e estratégias para a preservação do ambiente.

Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal n. 9605/98)- empresas, órgãos governamentais e pessoas “físicas” podem ser condenados criminalmente por causar algum tipo de agressão ao meio ambiente.

Código Florestal (Lei Federal n.4771/65)-Discute as florestas e outras formas de vegetação do país como bem comum, porém o direito a propriedade tem que ser de uso racional. As propriedades rurais não podem modificar toda a vegetação em seu espaço, é preciso deixar parte desta com vegetação nativa.

Lei da Informação Ambiental (Lei Federal n. 10.650/03)- Toda a população tem o direito de ir a qualquer órgão ou entidade que trabalham em assuntos concernentes ao ambiente e ter acesso as informações levantadas por estes órgãos.

Existem outras leis, mas o objetivo não é esgotá-las e sim trazer algumas ao conhecimento de como anda as ações governamentais. O maior problema de retirar estas do papel é a de fiscalização. Tanto do aplicá-las, quanto de avaliação de seu andamento.

 

AS CLASSES SOCIAIS E O MEIO AMBIENTE

Este tema também se expressa através das classes sociais.

O consumo e a produção de lixo, não são realizados da mesma forma pelas classes sociais, um exemplo nítido, desta realidade é trago por Noal (2002, p.79):

O consumo de combustíveis fósseis, por exemplo, é uma amostra da discrepância dos níveis de consumo. Os habitantes dos Estados Unidos representam 5% da população mundial e, no entanto, consomem 30% da energia mundial. A grande parte da população dos países do Sul consome não mais que 10% da energia produzida mundialmente.

Os resultados da degradação do ambiente são o mesmo para todos a nível “espacial”. Vivenciar uma enchente em uma mesma cidade, não significa que os moradores enfrentarão e sofreram as mesmas proporções dos estragos, porque dependerá de sua classe social. Pode-se dizer que a vivencia desta situação será diferenciada.

Uma tribo indígena vivendo o aumento da temperatura (provocado grande parte pelo efeito estufa) será diferente do empresário que estará dentro do seu escritório desfrutando das tecnologias que aparentemente diminuem a intensidade do calor.

Outro exemplo claro são as crianças. Segundo a Organização Mundial de Saúde (Portal Aprendiz, 2009), dois milhões de crianças com menos de cinco anos de idade morrem por ano por doenças respiratórias, muitas delas são geradas ou agravadas pela poluição das cidades.

Uma situação bem peculiar a esta realidade foi à construção da hidrelétrica de Candonga, Minas Gerais. Para a construção foi necessário a retirada da população ribeirinha de Rio Doce e Santa Cruz para outro local. A troca de lugares não foi nada satisfatória.

BARROS (2009) relata a fala de Alexandre Vieira funcionário do Núcleo de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens (Nacab), em relação a esta realidade:

“Antes elas possuíam terras férteis e planas, propícias para o plantio de diversas culturas, pois viviam perto do rio. Agora, estão numa região de morros, em uma área que não é suficiente para garantir a qualidade de vida que tinham antes. Por enquanto, conseguem se manter porque ainda contam com cestas básicas.”

Estes lotes, nos quais as famílias receberam não são totalmente seguros. Pois o único documento que comprova como donos é um termo de permuta firmado com o consórcio, que viabilizou as indenizações.

De acordo com os moradores, a maioria agricultores, os lotes são pequenos e inviabilizaram o seu sustento. Como medida a essa situação o Conselho Estadual de Assistência Social de Minas Gerais determinou que o consórcio concedesse a cada uma das famílias uma área destinada a “extensão de quintal”. O Porém disto tudo é o fato de que a terra cedida “a mais” não é no mesmo local que suas residências. Conseqüentemente terá que ser avaliado nesta situação a questão do transporte.

É visível que os mais afetados pela questão ambiental são as pessoas de classe baixa, seja em qual for à região do país.

Acontece que quando nos vemos a parte da real situação colocamos uma possível melhora do meio ambiente nas técnicas assim criamos paliativos para esconder a gravidade do assunto. Lembrando que as técnicas podem ajudar, mas não é a solução. Estas por sua vez, dependem muito das ações políticas de recursos financeiros para a sua aplicação.

Ou então tratamos a questão ambiental direcionando toda a recuperação do meio ambiente exclusivo para as campanhas educacionais e de marketing, conseqüentemente transmitimos uma pseudo preocupação com o assunto. Junto com outras medidas ela é extremamente válida, porém sozinha acaba reproduzindo a idéia do grande capital, de que tudo o que está acontecendo com o meio ambiente é culpa da população. Não incluindo a interferência das indústrias, da pecuária e da agricultura e tudo aquilo que o único objetivo é a produção em larga escala, não importando os meios realizados para o alcance deste objetivo. Pois só com as campanhas trabalhamos em nível de consumo e interferência individual, e não coletiva. Esta media é importante, mas não pode ficar só nela.

A maioria dos nossos problemas ambientais mais elementares ainda persiste, uma vez que seu tratamento requer transformação nos meios de produção e consumo, bem como de nossa organização social e de nossas vidas pessoais. (CASTELLS apud BERNADES E FERREIRA, 2007, p.31)

 

O SERVIÇO SOCIAL E A QUESTÃO AMBIENTAL

O mundo vive constantes transformações. Exigindo que o profissional de Serviço Social seja em todo tempo atento a realidade de forma crítica.

Com certeza a maneira de atuação dos assistentes sociais veio sendo modificado ao longo do tempo, onde percebemos o rompimento da prática caritativa ou até mesmo a tentativa do rompimento desta e a busca de uma prática não distante da teoria, refletindo a garantia de direitos dos usuários.

Muitos chegam afirmar que tal mudança é devido a novas demandas postas a estes profissionais. Não acredito que sejam novas demandas, mas as mesmas, porém com um grau de complexidade maior. A maneira de ver o desemprego de 20 anos atrás será diferente de hoje, todavia a demanda é a mesma: o desemprego. A mudança foi nas interfaces deste, provocando uma complexidade maior.

A questão ambiental é algo que já vem sendo instalada desde a colonização. Entretanto a maneira de percebê-la é que vem sendo nova. Devido ao aumento de sua complexidade e os seus desdobramentos atingirem de forma mais abrasiva a população, é o que tem feito olhares se deslocarem a ela.

Na área do Serviço Social a questão ambiental pode ser considerada uma nova demanda em relação ao tempo em que este temática vem sendo alocada em suas discussões.

Porém foi possível perceber que a partir do ano de 2000, o interesse sobre a questão tem ganhado cada vez mais espaço junto aos assistentes sociais que passaram a trazer para o meio das discussões realizadas pela categoria estudos e relatos de experiências profissionais ligadas ás questões ambientais. (SANTOS, 2007, grifo do autor)

Entretanto a questão ambiental em si não é uma nova demanda, já está permeando a sociedade um bom período, o que pode ser considerado novo são os olhares dos assistentes sociais. Já é notória a pertinência do estudo e levantamento de materiais sobre a temática.

Existem alguns caminhos a percorrer para suscitar no meio do Serviço Social a consolidação da importância de ter em seus espaços a questão ambiental.

Este como profissão veio trabalhar de maneira contrária á tudo aquilo que se mostra consolidado nas injustiças, considerando esta palavra no significado geral: pobreza, exclusão, discriminação e etc. Tanto que o surgimento da profissão deu-se da necessidade do capitalismo a responder as questões sociais, nas quais começaram aparecer e não davam mais para serem mascaradas, pelo contrário, pediam por “soluções”.

Mesmo que no primeiro momento fosse um instrumento deste regime. Só depois que passou a olhar a sociedade fora dos moldes capitalistas, o que trouxe novas percepções e reflexões acerca do realmente seria atuar como Assistente Social.

E a partir daí os desafios começaram a serem percebidos não apenas como algo a serem vencidos teoricamente, mas que precisariam ultrapassar as ideologias e reavaliar a cada momento a práxis para que com o tempo não se transforme em ações e reflexões engessadas.

E um dos caminhos para pensá-la no Serviço Social é a formação.

Pode-se inferir a necessidade de trazer ás salas de aula, aos seminários, encontros e outras discussões referentes ao tema, isto como primeiro passo. Pois é visível a superficialidade no conhecimento a este desafio. É claro que estes espaços não irão esgotar o assunto, mas já suscitar nas pessoas a precisão do aprofundamento e busca por caminhos que irão levar ao melhor entendimento dele dentro da sociedade, já é um grande salto para sair do comodismo. É no momento da formação em que acontecem as construções e desconstruções de pensamentos, de atitudes.

Portanto, trazer questões a serem analisadas é primordial, pois não dá para ser um assistente social desfocado da realidade.

Até porque é explícito nas diretrizes do código de ética, que o profissional de serviço social estará “trabalhando” com meios que tragam à tona a emancipação, á recusa ao autoritarismo, a participação e entre outros. Confirmando assim a necessidade de atentar as questões ambientais, porque como ser um profissional com todos estes atributos se não faz relação do meio em que vive?

E ter olhos para enxergar a realidade não basta ler ou escutar algumas notícias. É preciso gastar tempo com esta questão. Os desafios irão sempre existir, mas não podemos tratá-los com naturalidade. Precisa-se verificar sua origem, seu desenvolvimento e até mesmo seus resultados. Para isto é que a formação profissional necessita alargar o campo das discussões e ter plano de ação em aproximar o que está sendo passando com a realidade.

A verdade é que os estudantes de Serviço Social terminam o bacharelado e procura uma especialização na área ambiental fora do serviço social. É um ponto positivo, devido à integração de saberes e a troca de conhecimentos, mas deixa uma lacuna de formação em uma área cuja demanda tende a crescer.

 

AS DIRETRIZES CURRICULARES DO SERVIÇO SOCIAL E O MEIO AMBIENTE

As Diretrizes Curriculares trazem como um dos pontos relevantes para o profissional desta área a atuação nas expressões da questão social. E dentre as competências e habilidades expõe o elaborar, executar e avaliar planos, programas e projetos na área social; prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública, empresas privadas e movimentos sociais em matéria relacionadas ás políticas sociais e á garantia dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade; e orientar a população na identificação de recursos para o atendimento e defesa de seus direitos.

Ser profissional de Serviço Social exige uma compreensão da realidade, ter um olhar além das burocracias e tecnicismos, identificando quais as reais necessidades de seus usuários.

Pode-se concluir que articular a profissão e a realidade é um dos maiores desafios, pois entende-se que o Serviço Social não atua apenas sobre a realidade, mas atua na realidade. Nesta perspectiva, compreende-se que as análises de conjuntura- com o foco privilegiado na questão social-, não apenas o pano de fundo que emolduram o exercício profissional; ao contrário, são partes constitutivas da configuração do trabalho do Serviço Social, devendo ser aprendidas como tais. O esforço está, portanto, em romper qualquer relação de exterioridade entre profissão e realidade, atribuindo-lhe a centralidade que deve ter no exercício profissional. (IAMAMOTO, 2006, p.55)

As diretrizes são bem claras quanto ao assistente social ter uma percepção dinâmica e não uma percepção estática, o que abrange a precisão do estudo no curso e depois de seu término sobre a temática ambiental.

Como profissionais temos que ser propositivos, críticos em nossa atuação, mas não tem como atuar com estas perspectivas se não há uma ligação da relação social com o meio ambiente. Uma vez que este e seus desdobramentos também se configuram como uma questão social.

As diretrizes curriculares afirmam que um dos conteúdos necessários á formação de bacharéis em Serviço Social está contido no desenvolvimento do capitalismo e questão social o que trabalha ao estudante a inserção do Brasil na divisão internacional do trabalho. A constituição das classes sociais, do Estado e as particularidades regionais. Desenvolvimento desigual e combinado na agricultura, indústria e serviço. A reprodução da pobreza e da exclusão social nos contextos rural e urbano. As perspectivas contemporâneas de desenvolvimento e suas implicações socioambientais.

Este conteúdo está pautado na Diretriz Curricular exposta em fevereiro de 1999 pela comissão de especialistas de ensino em Serviço Social formada por: Maria Bernadete Martins Pinto Rodrigo, Marilda Villela Iamamoto e Mariângela Belfiore Wanderley.

É um alerta para os profissionais da área, na própria Diretriz sinaliza a necessidade de se trabalhar a questão ambiental, aprofundando o assunto trazendo o socioambientalismo. Fica uma pergunta: porque ainda nos espaços dessa profissão estão disponibilizando poucas discussões? Seja em disciplinas, em oficinas, seminários ou palestras.

Ressaltando que a Diretriz não foi algo construído instantaneamente, mas gestadas nas discussões de classes, da questão social, das correlações de forças, ou seja, é um fator preponderante ao curso.

Outro ponto bastante imponente é a LOAS a lei orgânica da assistência social na seção V, dos projetos de enfrentamento a pobreza, no artigo 25 diz: “os projetos de enfrentamento a pobreza compreendem a instituição de investimento econômico-social nos grupos populares, buscando subsidiar, financeira e tecnicamente, iniciativas que lhe garantam meios de capacidade produtiva e de gestão para melhoria das condições gerais de subsistência, elevação do padrão de qualidade de vida, a preservação do meio ambiente e sua organização social”.

Mais uma vez fica confirmado que estudar a questão ambiental e os seus desdobramentos não é questão de modismo mais de necessidade.

Um ponto relevante é que existem poucos profissionais de Serviço Social que se interessam por esta área. Logo fica restrito colocar nas instituições de ensino superior, docentes que transmitem esta temática. Pode ocorrer a junção com outra área como a engenharia ambiental, porém do próprio Serviço Social, ainda está escasso.

 

PESQUISA

A proposta do trabalho é verificar se nos cursos de Serviço Social do DF existe algum interesse pela temática ambiental. Esta constatação é um passo inicial, portanto, se encontra ligada mais no âmbito institucional, ou seja, voltado para averiguar se existe alguma disciplina ou outro tipo de debate que trabalhe o tema nas Instituições de Ensino Superior.

Isto como um primeiro ponto para dar mais ênfase à discussão da temática dentro dos espaços de Serviço Social. Conferir se há disciplinas ou alguma forma de discussão do tema é preciso para sabermos a importância que tem sido dada a ligação entre a sociedade e o meio ambiente nestes espaços.

Segundo SORIANO (2004, p.39) “o pesquisador deve defender abertamente a escolha de temas de verdadeiro interesse para a comunidade e que permitam sensibilizar as pessoas incumbidos de tomar decisões, até que se consiga uma ampla compreensão da problemática social”. Portanto a escolha de primeiro verificar o âmbito institucional, em n&iacut

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