O Serviço Social na América Latina

Autor:
Instituição: Unaerp
Tema: Serviço Social

O SERVIÇO SOCIAL NA AMÉRICA LATINA


Capítulo I

Emergência do Serviço Social:

Condições Históricas e Estímulos.

O Serviço Social profissional na América Latina nasceu em 1925 em Santiago no Chile, quando se cria a primeira escola num País do continente, dando origem ao Serviço Social Latino-Americano, não só de uma forte e decisiva influência externa, mas como mero reflexo sucessivamente do Serviço Social Belga, Francês e Alemão, e depois, Norte-Americano. Na América Latina, o Serviço Social surge como subprofissão, subordinada à profissão médica, porque os médicos – especificamente Alejandro Del Rio – procuravam levar sua eficiência e rendimento, integrando-a à série de subprofissões já existentes. Logo o mesmo ocorrerá com os advogados, e em seguida não só os profissionais, mas as próprias instituições de beneficência etc.

"Nesta época, os médicos já sabiam muito bem que poderiam rentabilizar sua tarefa na medida em que se cercassem de uma série de subtécnicos que, sob sua absoluta dependência e direção dando-lhe escrita conta dos seus afazeres, complementariam a função propriamente médica... médicos com esta mentalidade ... poderiam perceber... que contariam com outro componente nesta equipe de subprofissionais..." que é o Serviço Social.

O Serviço Social distingue-se de três fases sucessivas: A Assistência Social, o Serviço Social e o Trabalho Social. A etapa da Assistência Social caracteriza-se pilo projeto de fazer o bem com o auxílio da técnica; o Serviço Social, em troca seria aquela forma de ação social que enfatiza antes de mais nada, a prevenção dos desajustes; e a etapa Beneficente – Assistencial (Assistência Social) não é mais que o exercício técnico da caridade, ao passo que o Serviço Social se comporia fundamentalmente de "preocupações técnico-científicas."

O Serviço Social começa a fazer-se científico quando se arroga o questionamento das relações causais das necessidades com que se defronta, quando se preocupa em conhecer as questões essenciais dos problemas ou fenômenos que aparecem como seu objeto de estudo e intervenção.


Capítulo II

Igreja, Relações de Produção Capitalistas e o Período de Gênese da Profissão.

O surgimento do Serviço Social tem origem na Ação Católica. A Ação Católica prende-se a um projeto de recuperação.O século XIX foi o século da organização social.

O mundo estava em transição, em miséria, os operários revoltados com o capitalismo, e com tudo isso a Europa se tornou um caos, influenciando toda a América. A igreja tomou partido e tratou de armas estratégicas para por fim a esse caos: O Papa Leão XIII tornou oficial a "Encíclica Rerum Novarum" que consistia que a Igreja era capaz de por fim a essa miséria, a essa classe de miséria, e quem dava conta dessa situação era a Igreja que com sua doutrina punha fim a essa situação.

Pio XI na Encíclica "Sonho a Restauração" propõe a reforma das instituições, mudanças nos costumes, emenda. Na "Encíclica Divini Redemptoris", coloca a necessidade de reconstruir a sociedade através da mudança moral e dos costumes, recristianizar a sociedade.

Fazem parte da Ação Católica os religiosos e as pessoas comuns, os leigos, os laicatos, que tinham como trabalho divulgar a doutrina da Igreja de acordo com a escrita da Igreja. A finalidade dessa divulgação era visar a reforma social, com isso diminuir conflitos e a miséria.

O Serviço Social nasce mergulhado na prática e teoria, e a Igreja Católica a serviço de sua ideologia.

A Ação Social é um organismo todo de uma sociedade, é um processo mais amplo, ação ampla exercida sobre a estrutura da sociedade visando transformar ou adaptar os quadros existentes. O Serviço Social é uma parte dessa ação ampla. A atuação era com os indivíduos, não se via o procedimento como todo. Trabalha com o indivíduo, com a comunidade visando ação social. Através de um profissional preparado, de um método, as estruturas se transformaram.


Capítulo III

A Igreja Católica e a Formação das Primeiras Escolas de Serviço Social na América Latina.

m relação às primeiras escolas de Serviço Social, tanto as chilenas quanto as de outros países – cabe ainda uma observação sobre a sua origem, pois na constituição destes centros de estudos colocam-se em jogo duas estratégias, em muitos casos complementares: de um lado a iniciativa do Estado (ou vinculada a ele), e, de outro, a da Igreja Católica e seus aparelhos conexos. No que se refere à escola fundada por Del Rio, a sua origem está mais próxima da esfera das necessidades de expansão estatal.

A primeira escola de Serviço Social fundou-se no Chile, por Alejandro Del Rio, em Santiago em 1925. A organização da escola Elvira Matte de Cruchaga, a partir de 1929, responde a motivações diversas. Obedeceu ao interesse da Igreja em criar um centro ortodoxo para a formação de agentes sociais adequados às mudanças sofridas pela sociedade chilena, buscando responder aos estímulos concretos e práticos que lhe impunha a luta de classes, assim como a uma estratégia de continentalização da influência católica na criação de escolas de Serviço Social. Baseando-se nos princípios da Igreja Católica, a Escola Elvira Matte de Cruchaga, concebe o Serviço Social mais que como uma simples profissão – concebe-o como uma vocação, para a qual são necessários os conhecimentos técnicos como o amor. Portanto, o fim colimado pela Escola é conseguir formar visitadoras que, onde forem, levem a paz, transmitam alegria, ofereçam segurança e confiança, abrindo o seu coração a todos os que necessitam de ajuda e de orientação.

Seguramente a Escola Elvira Matte de Cruchaga teve influência internacional, por ser a primeira das escolas de Serviço Social, foi escolhida pela União Católica Internacional de Serviço Social, a UCISS, para fomentar (promover o desenvolvimento o progresso) o Serviço Social Católico na América Latina.

O objetivo da UCISS era propiciar a difusão do Serviço Social Católico.

Contudo, a fundação da escola uruguaia não resultou apenas de contatos com a Elvira Matte de Cruchaga – ainda que tais contatos tivessem sido de fundamental importância

Em Buenos Aires, Argentina, a escola Católica de Serviço Social criou-se por influência da Srta Izquierdo.

Na Colômbia, a formação da Escola Católica surgiu do entusiasmo de Maria Carulla.

No Peru, a Escola de Serviço Social foi criada em 1937. Na sua gênese, teve papel central a esposa do Presidente Oscar A Benavides, que desde 1934 solicitara a cooperação da Elvira Matte de Cruchaga.

Também a escola de Venezuela esteve na órbita da Elvira Matte de Cruchaga.

Embora a primeira escola Cubana só surgisse anos depois, o dinamismo das lideranças da Elvira Matte repercutiu na ilha caribenha, dando lugar ao entusiasmo de grupo de pessoas.

Resumindo os resultados do seu dedicado trabalho, as responsáveis pela Elvira Matte assinalavam:

"Em dez anos, já temos um grupo de oito Escolas Católicas. Somos a verdadeira força, no total das dez Escolas de Serviço Social existentes na América do Sul."

A Fundação das Escolas Pioneiras de Serviço Social no Brasil.

Escola de Serviço Social de São Paulo.

surgimento das Escolas de Serviço Social no Brasil, está ligada à Ação da Igreja Católica. No Brasil, a oficialização da Ação Católica se dá em 09 de Junho de 1935, Domingo de Pentecostes.

O Serviço Social no Brasil, é fruto da ação desenvolvida pela Igreja no Campo Social.

D. Leme, dada à sua capacidade de liderança, teve atuação marcante na organização do catolicismo no Brasil. Preocupado com a recristianização da sociedade, D. Leme se preocupará com a formação do laicato, a conquista dos intelectuais, a criação da Universidade Católica do Rio de Janeiro e aproximação com o governo.

A primeira escola de Serviço Social no Brasil, foi em São Paulo em 1936, essa escola nasceu do Centro de Estudos e Ação Social – CEAS. O Centro surge de um grupo de moças preocupadas com a questão social. Finalidade básica: estudo e difusão da doutrina social da Igreja e a ação social dentro da mesma diretriz.

Após a organização da Ação Católica, o CEAS, como entidade deixa a direção da Ação Católica para preocupar-se com a organização da Escola de Serviço Social em São Paulo. Com esse objetivo, o CEAS envia para Bélgica duas sócias, para cursarem a Escola de Serviço Social e, na volta ao país, cuidam dos preparativos para o surgimento da primeira Escola de Serviço Social no Brasil, em 15 de fevereiro de 1936, dada a necessidade de melhor preparação para a ação social dos quadros militantes da Ação Católica.

Escola de Serviço Social do Rio de Janeiro.

m 1937 no Rio de Janeiro, temos a segunda escola de Serviço Social, impulsionada pelo Cardeal Leme, Stela de Faro e Alceu Amoroso Lima.

No mesmo ano no Rio é fundado o Instituto de Educação Familiar e Social, cujos objetivos eram: "formar entre as mulheres, não de uma classe, mas de todas as classes sociais, uma consciência de comunidade cristã que venha substituir o individualismo liberal egoísta sem cair na socialização inumana e estatal.

Para isso forma Assistentes Sociais, Educadores Familiares e Donas de Casa que venham ser no meio em que vivem e trabalham, nos institutos que ensinam ou nos ambientes sociais em que atuam, como elementos de correção das anomalias sociais, verdadeiros elementos de renovação pessoal e católica."

Houve participação de uma equipe da Congregação da Filhas do Coração de Maria, vindas da França na fundação da escola do Rio de Janeiro.

A maioria das escolas até 1950 terá influência da Igreja Católica, como: Natal, Belo Horizonte, Porto Alegre, Escola Masculina do Rio de Janeiro e de São Paulo.

A visão de homem se dará sob os quadros católicos, sustentados pela filosofia do neotomismo.


Capítulo IV

O Serviço Social

arte ou processo de suscitar e manter um ajuste progressivamente mais efetivo entre as necessidades e os recursos do bem-estar social, vinculado à identificação de fenômenos, elevação dos padrões de eficiência, promoção e trabalho em equipe, desenvolvimento e modificação dos programas do bem-estar social.

Os Assistentes Sociais com conhecimentos que o capacitem a desenvolver trabalhos em áreas diversas, como a agricultura, a saúde pública, a salubridade do meio ambiente, as técnicas de alfabetização, etc. A capacitação social se refere a intervenção de um agente de transformação dentro de um sistema parcial com o propósito de provocar a ação social.

A participação do agente de transformação limita-se a promove-la sem intervir diretamente na ação. O Assistente Social deve ser um agente de transformação, interpretar a problemática social como testemunha direta das experiências vividas pelas pessoas com as quais se ocupa. O Assistente Social, diante de situações não pode permanecer indiferente, como um mero observador. Deve interpretar a situação tornando-se um porta-voz das necessidades dos indivíduos e do seu direito a promover uma mudança.

A formação do trabalhador ou Assistente Social com enfoque moderno, supõe mudanças estruturais nos programas de ensino. Podem consistir na introdução de conteúdo teórico e prático sobre política social e planejamento. A formação do Assistente Social deve dar-se em dois níveis, um de formação básica, com a finalidade de capacita-lo para compreender e agir, e outro, de formação mais profunda... que prepare especialistas em planejamento, âmbito em que existe pouca conceptualização e poucas experiências.

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